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Kontrollert familielykke

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A computação em nuvem tem sido vista como um passo na mercantilização dos investimentos em TI (CARR, 2003), como o resultado de uma evolução para um modelo de negócio utilitário, em que recursos de computação são fornecidos como um serviço (RAPPA, 2004), e também como elemento central da era da Web 2.0, em que a Internet é usada como uma plataforma de software (O'REILLY, 2012), ou, simplesmente, como uma aplicação do poder de escala e de generalização da Internet (ZITTRAIN, 2007). O termo é utilizado também para se referir em um sistema baseado em servidores virtuais e/ou físicos disponibilizados em nuvem. Taurion (2009) define o termo como “um conjunto de recursos como capacidade de processamento, armazenamento, conectividade, plataformas, aplicações e serviços disponibilizados na internet”.

A computação em nuvem desponta como tendência para geração de mudanças significativas nos ambientes de tecnologia da informação para as pessoas e as organizações. Há uma corrente de pesquisadores e organizações renomadas que postulam massivamente que a computação em nuvem vai redirecionar parte dos investimentos atuais das empresas em hardware e manutenção interna de tecnologia da informação para a concentração dos investimentos de TI nas nuvens ofertadas pelo mercado. Assim, computação em nuvem tem um profundo efeito sob como a TI será adquirida, entregue e consumida. Na essência, seu modelo de negócio postula a substituição da constante compra de hardware, servidores, plataformas e software pelo aluguel dos serviços disponíveis pela web.

A utilização de plataformas de terceiros a partir da computação em nuvem surge então como uma alternativa para os usuários e organizações lidarem com as atuais complexas infraestruturas de TI. Para gerenciar as estruturas de TI e manter a flexibilidade e a usabilidade das plataformas de cliente, passando pela ideia de substituição ou complementariedade dos servidores internos por centros de dados interligados, surgiu a ideia da nuvem como negócio de TI.

A computação em nuvem deve ser entendida como um ingrediente essencial de uma transformação da indústria de TI e de muitas outras indústrias que usam a TI para se transformar. Ingredientes ativados e impulsionadores da computação em nuvem incluem a expansão do uso de dispositivos móveis, a explosão de aplicativos móveis, a crescente disponibilidade de banda larga sem fio e a massificação de sistemas desenvolvidos com foco de funcionamento em nuvem.

A proposta da computação em nuvem poderia ser resumida à possibilidade de migrar para a internet tanto o processamento de dados quanto o armazenamento de informações. A nuvem em si é representada pelo conjunto de servidores que executam diversos serviços e são conectados junto aos usuários por meio da internet. De acordo com Oliveira (2011, p. 23):

Essa visão tem sugerido uma série de paradigmas computacionais, que vão desde a Cluster Computing (computação em grupo), Grid

Computing (computação em grade) e a mais recente Cloud Computing (computação em nuvem). Esse último termo indica que a

infraestrutura em forma de nuvem possui seus negócios e usuários que estão habilitados a acessar aplicações de qualquer lugar do mundo. Portanto, a computação mundial rapidamente se transforma rumo ao desenvolvimento de software como serviços para milhões de consumidores que anteriormente utilizavam esses serviços por meio de computadores individuais. (...) Há ainda quem defina Computação em Nuvem como a combinação entre Grid Computing (Computação em Grade) e softwares como serviço, ou simplesmente virtualização de rede. Mas computação em nuvem pode ser conceituada como um conjunto que abriga outros conceitos conhecidos, como virtualização,

Grid Computing, Utility Computing, Software como Serviço (Saas), Application Service Provider (ASP), Arquitetura Orientada a Serviços

(SOA) e Business Process Management (BPM).

A essência epistemológica do termo foi tratada por Machado (2010, p. 5):

A computação em nuvem é uma evolução dos serviços e produtos de tecnologia da informação sob demanda, também chamada de Utility

Computing. O objetivo da Utility Computing é fornecer componentes

básicos como armazenamento, processamento e largura de banda de uma rede como uma mercadoria através de provedores especializados com um baixo custo por unidade utilizada. Usuários de serviços baseados em Utility Computing não precisam se preocupar com escalabilidade, pois a capacidade de armazenamento fornecida é praticamente infinita. A Utility Computing propõe fornecer disponibilidade total, isto é, os usuários podem ler e gravar dados a qualquer tempo; os tempos de resposta são quase constantes e não dependem do número de usuários simultâneos, do tamanho do banco de dados ou de qualquer parâmetro do sistema. Os usuários não precisam se preocupar com backups, pois se os componentes falharem, o provedor é responsável por substituí-los e tornar os dados disponíveis em tempo hábil por meio de réplicas.

Para Oliveira (2011, p. 23), computação utilitária pode ser definida como “uma provisão de computação e armazenamento como um serviço medido, similar ao modelo tradicional de serviços comunitários (água, energia, gás, telefonia)”. Essa forma de computação vem se desenvolvendo e se popularizando, mas, as organizações têm começado a estender o modelo para a computação por meio de serviços virtuais onde os departamentos de TI e os usuários podem acessar a informação por demanda. Inicialmente, as empresas adotavam a computação utilitária principalmente para missões não críticas, mas, essas questões estão sendo rapidamente mudadas.

Para Velte et al. (2012), a grid computing é confundida frequentemente com a computação em nuvem, mas elas são completamente diferentes. Para Velte et al. (2012, p. 56):

A grid conputing aplica os recursos de vários computadores em uma rede de trabalho em um único problema, ao mesmo tempo. A grid

computing convida usuários anônimos a emprestarem os recursos de

seus equipamentos para projetos que requerem processamento pesado. Na grid computing um grande projeto é dividido entre computadores múltiplos que empregam seus recursos em função de um projeto específico. A cloud computing é exatamente o contrário: permite que múltiplos aplicativos menores funcionem ao mesmo tempo dividido entre computadores de um data center ou de data

centers do fornecedor.

Velte et al. (2012, p. 32) apresentam que computação em nuvem “é uma ideia que permite utilizar as mais variadas aplicações via Internet, em qualquer lugar e independente da plataforma, com a mesma facilidade de tê-las instaladas no computador”. Uma nuvem é utilizada, nos diagramas de rede, para retratar a internet. Para estes autores, em um sentido simples e topológico, uma solução de computação em nuvem muitas vezes é lida como uma metáfora da própria internet. Em uma visão simples e topológica, computação em nuvem é composta de clientes, data center e servidores distribuídos, conforme pode ser observado na Figura 10.

Figura 10 - Topologia básica da computação em nuvem

Fonte: Velte et al. (2012)

Os clientes são as pessoas em geral que utilizam dispositivos para gerenciar sua informação na nuvem. Os dispositivos dos clientes geralmente se enquadram em uma das três categorias: dispositivos móveis, que incluem smartphones; clientes thin - computadores que não têm disco rígido interno

mas exibem as informações; e os clientes thick, que é o típico computador pessoal que utiliza um navegador para acessar a nuvem (VELTE ET AL., 2012).

O data center é um conjunto de servidores onde o aplicativo é armazenado. Pode estar em qualquer lugar do mundo e ser acessado via internet. Uma tendência no mundo da TI é a virtualização de servidores. Isto é, o software pode ser instalado permitindo que vários servidores virtuais sejam utilizados. Desta maneira, pode-se ter, por exemplo, meia dúzia de servidores virtuais funcionando em um único servidor físico. Entretanto, os servidores não têm de estar alocados no mesmo lugar. Normalmente, estão em diferentes posições geográficas. Isto permite ao prestador de serviços maior flexibilidade nas opções e na segurança. (VELTE ET AL., 2012). De acordo com Velte et al. (2012, p. 34), “a estrutura pode ser implantada de várias maneiras diferentes e isto dependerá de como o provedor escolheu construir a solução da nuvem”.

As representações da arquitetura de computação em nuvem dependem então de como a organização opta por organizar sua nuvem. Hoje, as pessoas e as organizações dispõem de vários tipos de dispositivos para conexão com a nuvem e é comum que eles sejam utilizados nas configurações da solução. Da mesma maneira, milhares de aplicativos estão sendo disponibilizados para serem instalados nos dispositivos móveis e acessarem a nuvem para executarem parte dos serviços ou tarefas qual se propõem. Também é comum as pessoas adquirirem telefones inteligentes que possuem um sistema operacional ou plataforma embarcados e que recorrem à internet para realização de parte dos serviços. Com esta interpretação é possível compreender que, como propõe o National Institute of Standards and

Technology - NIST ao definir a computação em nuvem como um paradigma em

evolução, diferentes representações são propostas. A Figura 11 apresenta uma topologia básica representativa quando se considera o cenário de transição de modelos no qual a computação em nuvem se adapta à disponibilidade atual de recursos de TI das pessoas e das organizações.

Figura 11 – Topologia básica da computação em nuvem considerando um cenário de transição de modelos

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Buyya et al. (2008) propõem que as definições, casos de uso, tecnologias, problemas, riscos e benefícios da computação em nuvem serão redefinidos em debates entre os setores público e privado e essas definições, atributos e características evoluirão com o tempo. De acordo com Hosseini (2012), há muitas definições de computação em nuvem. Mell e Grance (2009, p. 3) descrevem a computação em nuvem como aquela que apresenta:

Cinco características: auto-serviço, ampla rede de acesso, pooling de recursos, elasticidade rápida e medidor de serviço; Quatro modelos de implementação: nuvens privadas, nuvens comunitárias, as nuvens públicas e as nuvens híbridas; Três modelos de serviço: Software como Serviço (SaaS), Plataforma como um Serviço (PaaS), e infraestrutura como um Serviço (IaaS).

Quanto aos modelos de implementação, as organizações precisam decidir que tipo de nuvem adotar. Nessa direção, estudos de Oliveira (2011) sobre adoção do modelo de computação em nuvem na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte indicaram a Nuvem Híbrida como sendo o modelo ideal para se iniciar na Computação em Nuvem. Com relação aos modelos de serviço, Oliveira (2011, p. 64) recomenda as seguintes configurações:

A camada de Infraestrutura como Serviços-IaaS (Processamento e Armazenamento) deve ficar parte da Nuvem Pública e parte na Nuvem Privada; a camada de Plataforma como Serviços-PaaS (Desenvolvimento e Teste de Softwares) teve preferência para a Nuvem Privada; e a camada de Software como Serviços-SaaS (E- mails/Aplicativos) dividiu-se em e-mails para a nuvem publica e os aplicativos para a nuvem privada.

De acordo com Oliveira (2011, p. 28) “todos os conceitos são muito detalhados e são influenciados por uma determinada perspectiva de nuvem”. Adicionalmente, Slabeva et al. (2010) citam as três camadas mais genéricas de arquitetura da computação em nuvem, apresentando produtos e empresas que atuam nos respectivos níveis, conforme apresentado na Figura 12. Muitas organizações de TI como Google, Oracle, Amazon, Salesforce, IBM, Microsoft e Sun Microsystems, entre outras, estão investindo recursos consideráveis na ampliação de centros de processamento de dados para a camada de infraestrutura da nuvem, em diversos locais do mundo, bem como desenvolvendo seus produtos de software e plataforma.

Figura 12 – Topologia Básica da Computação em Nuvem Segundo os Serviços e Exemplos de Produtos do Mercado

Estas três camadas de computação em nuvem se conceituam, conforme Oliveira (2011, p. 29), da seguinte maneira:

a.Infraestrutura como Serviços - Infraestructure as a Service (IaaS): tem como objetivo oferecer recursos como processamento ou armazenamento de forma a se tornarem um serviço. Ex.: serviços web com computação elástica da Amazon, a SUN Cloud Storage, O IaaS oferece basicamente computação virtualizada como serviço. Os Provedores de Infraestrutura, também chamado de datacenters, gerenciam a transação e hospedagem da aplicação selecionada em suas insfraestruturas, enquanto os clientes mantêm as propriedades de gerenciamento de suas aplicações; Plataforma como Serviços -

Platform as a Service (Paas): é a abstração da camada (Iaas) com a

camada (Paas). Essa camada oferece uma série de softwares para desenvolvedores que podem escrever suas aplicações de acordo com suas necessidades, sem se preocupar com o (Iaas). Exemplo de (Paas) são as ferramentas Google App Engine, onde toda aplicação pode ser rodada na Infraestrutura do Google, e Salesforce´s

Force.com Plataform. O (Paas) possui uma interface com a camada

(IaaS) que virtualiza o acesso para os recursos disponíveis; Software como Serviços - Software as a Service (Saas): é o software queé disponibilizado remotamente por um ou mais provedores e é oferecido como payper-use (Pago pelo uso). É a camada mais visível da Computação em Nuvem para usuários finais. Como exemplo, o

Google Mail, Google Docs entre outros.

Para Armbrust et al. (2009, p. 5), “computação em nuvem é um termo novo para um sonho de longa data da computação como uma utilidade, e que surgiu recentemente como uma realidade comercial”. O autor apresenta desafios e oportunidades para o crescimento da computação em nuvem (quadro 6). Contudo, como se sabe que uma das questões que direciona ao fracasso parcial ou total do processo de adoção de tecnologias se refere a não aceitação dos novos sistemas pelos usuários, ou mesmo a sua utilização parcial ou inadequada (VENKATESH; DAVIS, 2000), somou-se ao quadro de Armbrust et al. (2009) o desafio de abordar a perspectiva comportamental do usuário para o estudo da aceitação de computação em nuvem.

Quadro 6 - Desafios e oportunidades para o crescimento da computação em nuvem

Desafios Oportunidade de Pesquisa

1 Disponibilidade de Serviço

Estudar o uso múltiplo e simultâneo de provedores em nuvem; Desenvolver elasticidade para prevenir quedas 2 Bloqueio de Dados Padronizar APIs;

3 Confidencialidade e auditoria de dados

Implantar criptografia e firewalls;

Estudar a questão da confidencialidade de dados armazenados em países diferentes

Desafios Oportunidade de Pesquisa

4 Gargalos na transferência de dados

Aprimorar backup/arquivamento de dados; Aumentar de taxa de transferência nos switches

5 Imprevisibilidade de desempenho

Melhorar o suporte de máquinas virtuais; Aumentar memória flash;

Gerir equipes de contenção 6 Armazenamento escalável

Desenvolver sistemas de previsão e provisionamento adequado de hardware/storage

7 Erros em grandes sistemas

distribuídos Criar um fragmentador independente 8

Escalar rapidamente a capacidade segundo demanda

Desenvolver ferramentas automáticas de escalonamento

9 Licenciamento de Software Aprimorar sistemas de licenciamento 10 Comportamento do usuário Pesquisar níveis de aceitação do usuário

com relação à adoção Fonte: Adaptado pelo Autor, com base em Armbrust et al. (2009)

Pode-se compreender que a computação em nuvem está ainda em construção. Nos próximos anos há uma tendência de que haja muitas contribuições para seu desenvolvimento tecnológico. Fato é que vários serviços estão sendo disponibilizados, como no caso do SENAI, que adotou, no meio do ano de 2012, soluções de computação em nuvem para comunicação digital e armazenamento de informações. Foram colocadas à disposição dos funcionários do SENAI ferramentas de e-mail, armazenamento (disco), agenda, grupos, contatos, bate-papo e webconference, providas pela Google. De maneira geral, todas as ferramentas são integradas no serviço quanto à interface e compartilhamento de informações. Como este trabalho tem um foco no comportamento do usuário, a estrutura específica dos produtos da Google, também pela complexidade técnica, não será abordada nesta revisão de literatura, somente uma abordagem rápida das principais características será apresentada no quadro 7.

Quadro 7 – Características básicas das ferramentas Google disponibilizadas no SENAI

Ferramenta em Nuvem Principais Características

E-mail (Gmail) É um serviço de e-mail que apresenta uma série de recursos de busca e filtros, além de vários plug-ins de aprimoramento para gestão das informações e melhoria de interface que são disponibilizados frequentemente.

Ferramenta em Nuvem Principais Características Armazenamento

(Disco)

Funciona como repositório de documentos em diversos formatos

Agenda Permite programar eventos, convidar pessoas e compartilhar compromisso, com níveis de visualização customizavel do individual à grupos específicos

Grupos Permite estabelecer grupos de interesse e promover compartilhamento e colaboração acerca de temas e arquivos em diferentes formatos

Contatos Uma lista de contatos com integração em diversos outros serviços e aplicativos de parceiros da Google Bate-papo Chat on-line

Webconference Conferência via webcam para até dez pessoas Fonte: Elaborado pelo Autor, com base em observações no contexto de pesquisa.

Assim, considerando a computação em nuvem em sua fase inicial de implantação no SENAI, este trabalho avaliou a aceitação da tecnologia da informação em questão, considerando o pacote de ferramentas de comunicação e armazenamento digital oferecido pela organização a partir dos serviços contratados da empresa Google. Foram coletados dados específicos sobre a utilidade percebida, facilidade de uso percebida, intenção comportamental de uso e uso real da computação em nuvem. A análise dos dados revelou comportamentos distintos entre os participantes da pesquisa, mas, de modo geral, a computação em nuvem teve alto índice de aceitação. Para chegar aos resultados da pesquisa e posteriormente detalha-los, a seção seguinte apresenta o modelo da pesquisa.