Este estudo tratou de estabelecer um procedimento de priorização de portfolio de projetos de tecnologia social, no âmbito de uma empresa brasileira privada com forte atuação no contexto social e empresarial. Nas seções seguintes, são desenvolvidas as conclusões, as contribuições e as limitações do estudo, bem como as indicações de pesquisas futuras.
8.1 CONCLUSÃO
A questão de pesquisa foi respondida nas três fases da pesquisa empírica. Na primeira, através da pesquisa qualitativa, em que foram identificados os seguintes critérios: Replicabilidade, Foco no Cliente, Desafios organizacionais, Saúde e Estilo de Vida, Atendimento Setorial e Educação do trabalhador da Indústria. Na segunda, por meio da pesquisa quantitativa, os critérios anteriores foram revisados e foi definido o modelo final de multicritérios de priorização de portfolio de projetos de tecnologia social através dos seguintes critérios: Replicabilidade, Foco no Cliente, Desafios organizacionais, Atendimento Comunitário e Saúde e Estilo de Vida. Na terceira fase, o modelo final de multicritérios foi aplicado na simulação da priorização do portfolio de projetos de tecnologia social da organização sob estudo, possibilitando um novo rearranjo dos projetos que compõem o
portfolio de projetos.
Dessa forma este estudo atingiu o objetivo geral definido, ou seja, desenvolver um modelo multicritério de priorização de portfolio de projetos de tecnologia social, sob a perspectiva estratégica da organização. Esse objetivo final foi atingido pela realização dos objetivos específicos, quais sejam: a) realizar pesquisa bibliométrica com os termos relacionados à priorização de projetos de tecnologia social; b) identificar critérios para a priorização de portfolio de projetos de tecnologia social; c) validar o modelo multicritério proposto para a priorização de portfolio de projetos de tecnologia social; e d) simular a aplicabilidade do modelo multicritérios concebido por meio do método AHP.
8.2 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA
As contribuições deste estudo são de ordem teórica e prática. Na primeira, o estudo identificou critérios a serem considerados na priorização de portfolio de projetos de
tecnologia social, um campo de pesquisa acadêmica pouco explorado, conforme demonstrado na pesquisa bibliométrica realizada no capítulo de introdução. A identificação desses critérios permitiu a construção de um modelo inovador na aplicação do método AHP.
Na segunda – ordem prática – este estudo contribui ao aperfeiçoamento das práticas gerenciais no âmbito de decisão sobre a priorização dos projetos que mereçam maior atenção nos investimentos e acompanhamento. Além disso, contribui para a melhor gestão de projetos de tecnologia social, propiciando oportunidades de alocação eficiente e efetiva de recursos em prol da qualidade de vida da sociedade.
8.3 LIMITAÇÕES DA PESQUISA
A primeira limitação do projeto de pesquisa refere-se ao sigilo de algumas informações estratégicas da organização, que não permitiu uma maior exposição dos detalhes de cada um dos projetos que foram estudados, nem mesmo de informações que pudessem contribuir à identificação de categorias adicionais, principalmente pelo fato de alguns projetos que foram estudados estarem em fase de definição ou execução.
A segunda limitação refere-se ao fato de que somente dois analistas de decisão participaram do processo de avaliação dos projetos por meio do método AHP. A SOCIAL possui aproximadamente 25 profissionais no departamento nacional que atuam diretamente com os projetos de tecnologia social.
A terceira limitação refere-se ao fato da SOCIAL não possuir o processo de gestão de
portfolio de projetos formalmente instituído, percebendo-se que ser classificado como um ato
burocrático ou como um tabu, e não como um processo organizacional importante para gerenciar o portfolio de projetos e ampliar os resultados.
A quarta limitação por se tratar de um estudo de caso único, não é possível assegurar a generalização dos resultados obtidos, não obstante seja possível a generalização analítica por meio da teoria desenvolvida no modelo multicritérios para a priorização de portfolio de projetos de tecnologia social, que poderá ser aplicado em outros contextos de pesquisa com esse perfil de portfolio de projetos.
8.4 PESQUISAS FUTURAS
São indicadas cinco oportunidades para pesquisas futuras com relação à priorização de
portfolio de projetos de tecnologia social, utilizando um método multicritérios de decisão. A
primeira oportunidade seria a aplicação do modelo desenvolvido em projetos de tecnologia social no âmbito da Administração Pública Federal, cujo beneficiário direto seria a população brasileira. Esse contexto de aplicação poderia contemplar projetos com maior amplitude e abrangência.
A segunda oportunidade seria a repetição do estudo nas demais empresas do sistema “S”, organizações cujos fins estratégicos são semelhantes, porém com focos de atuação distintos. A terceira seria a adaptação do modelo para ser aplicado em entidades caracterizadas como organismos não-governamentais (ONGs) e fundações sociais, diante da relevância que essas entidades têm tido na melhoria da qualidade de vida dos menos assistidos economicamente.
A quarta seria aplicar, novamente, o modelo multicritérios desenvolvido para a priorização de portfolio de projetos na mesma organização, mas de forma ampla, em que todos os projetos candidatos seriam submetidos ao processo de priorização, envolvendo todos as partes interessadas da organização, de forma a conseguir obter uma priorização mais precisa do portfolio.
E, finalmente, o aprofundamento das reflexões conceituais que dificultam o entendimento do termo tecnologia social, a partir de uma perspectiva excessivamente ampla; e, sobre a imprecisão semântica que o termo tecnologia social possui.
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