5 Diskusjon
5.1 Når framføringen blir antiklimaks
5.1.3 Kontekstens betydning
determinado grupo e dentro de uma premissa comunitária que possibilita um espaço de interação emocional forte e intenso.
Parece prevalecer [...] a procura do contato imediato com o divino, a valorização do simbólico, do milagre, a dinamização dos rituais, a sacralização do mundo, da natureza e da vida, a experiência místico-espiritual [...] e, especialmente, a expressividade emocional. Esta pode ocorrer de forma mais direta e profunda, na expressão dos sentimentos através de lágrimas, risos, abraços, estados de transe e êxtase, ou de forma mais atenuada e sutil, em que a emoção parece estar mais domesticada. De qualquer modo, tende a ser uma experiência ‘quente’, emocionalmente envolvente [...], na medida em que toca, individual e coletivamente, os afetos das pessoas (ORO, 1996, p.106).
Importante destacar que se trata da promoção de uma leitura direcionada para os problemas, sobretudo os de ordem financeira, emocional e também àqueles atinentes à saúde, visando suprir necessidades cotidianas. A teologia da confissão positiva na sua configuração contemporânea é a afirmação de um modelo triunfalista22 que aspira mais espaço e busca ampliar
e consolidar a sua presença nos mais variados meios seculares.
E um mundo sob o predomínio da massificação que visualiza os seres humanos a partir do individualismo, independente de seus atributos, a oferta e a procura de prosperidade neste mundo, é reiterada através do apelo religioso e com base prioritariamente na expectativa de eficácia.23 Há uma intensa
dualização da vida, fomentada por um sentido religioso que passa a abarcar de forma imediata demandas e necessidades, quotidianas ou extraordinárias, exigindo colocá-las sob o poder de Deus.
2.4 A Hermenêutica Simbólica
22 Convém sublinhar que este modelo respalda a sua intenção na fé e nas possíveis
revelações. Não há um reconhecimento de alguma evidência sensorial, percurso histórico, raciocínio filosófico, teológico ou científico. “O religioso tenta explicar Deus; o cristão
compreendê-lo. Através da tentativa de explica-lo, surgiu a Teologia, que abrange vários ramos, a saber: Dogmática, Moral, Ascética, Mística, Sistemática, Exegética, Pastoral e outros. Todas as formas e todos os ramos da Teologia são fúteis; não passam de emaranhados de ideias que nada dizem ao inculto, confundem os simples e eludem os sábios. Nada acrescentam à fé e nada fazem pelos homens, a não ser sua capacidade de discutir e de discordar entre si” (MACEDO, 1997, p. 17).
23 Importante ressaltar que a oposição entre sagrado e profano, tese defendida por Émile
Durkheim (1996) e Mircea Eliade (1957), parece se diluir sendo impregnada por outras áreas, gerando uma "religiosidade difusa" ou um sagrado camuflado (ROHDEN, 1998).
56 A vida humana, na perspectiva social e religiosa, talvez fosse impensável sem a construção simultânea de símbolos e significados.24 Cada
ação expressa pelo conhecimento humano é pela sua própria natureza também uma caracterização simbólica que plenifica uma realidade. O símbolo25 confere
significados à realidade em construção e permite que seja possível a comunicação intersubjetiva e o entendimento em torno de um fato social.
Os símbolos são os instrumentos por excelência da ‘integração social’: Enquanto instrumentos de conhecimento e de comunicação [...], eles tornam possível o consenso acerca do sentido do mundo social que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social: a integração ‘lógica’ é a condição da integração ‘moral’ (BOURDIEU, 1998, p. 10).
É bastante improvável a vida em uma sociedade capaz de prescindir de seus contornos simbólicos enquanto mediações e costuras com as dimensões do mundo real. Também, e, de igual maneira, é improvável a existência de um mundo consolidado apenas pelos meandros da racionalização. Um mundo no qual a dimensão simbólica desapareça das dimensões da linguagem. Afinal, o simbólico não apenas constitui uma definição capaz de explicar e definir os seres humanos, mas, também, perscruta e sublinha uma sociedade e um mundo ideal e desejado.
Não se trata do símbolo no sentido da deliberação do principio de realidade [...], mas de um código, pela mediação do mito, do conto, da parábola, da metáfora, do rito, da festa, um código performativo como dizem os linguistas, que convida à práxis. Não devemos esquecer que a linguagem religiosa só pode ser simbólica. Numa cultura em que se impõe cada vez mais o símbolo lógico-matemático a serviço de um processo mercantilizado, perdeu-se grande parte do símbolo como linguagem existencial (HOUTART, 2003, p. 43).
24 Importante destacar que a hermenêutica teria a sua origem em Hermes, uma divindade da
mitologia grega. Acreditava-se que sua função era a de transmitir mensagens dos deuses aos seres humanos. O termo designaria, portanto, os meandros da ciência e da interpretação. Uma contribuição para ampliar a perspectiva exegética é a obra de FEE, Gordon; STUART, Douglas. Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 1984.
25 A etimologia da palavra na sua origem grega (sumbolon), em hebraico (mashal) ou em
alemão (Sinnbild) é um termo que implica sempre a união de duas metades: signo e significado. O símbolo é, pois, uma representação que faz aparecer um sentido. É a epifania de um mistério (DURAND, 1993). A compreensão entabulada por Mircea Eliade é ilustrativa:
“[...] Com efeito, as imagens e os símbolos constituem, para o homem moderno, outras tantas ‘aberturas’ sobre um mundo de significações infinitamente mais vasto do que aquele onde vive”
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Uma importante referência em termos de análise é a possibilidade de conectar a experiência religiosa vivenciada a um determinado estilo ou padrão de vida particular no qual aconteça a sintonia da ação humana com uma determinada ordem cósmica e, inversamente, a projeção desta ordem no plano da experiência humana do cotidiano (VELHO, 1995).
O poder simbólico é um poder de construção da realidade que tende a estabelecer uma ordem gnosiológica; um sentido imediato do mundo [...] uma concepção homogênea do tempo, do espaço, do número, da causa, [...] tem o mérito de designar explicitamente a função social [...] do simbolismo [...]. (BOURDIEU, 1998, p. 9)
Convém salientar que a dimensão simbólica, além de inerente à experiência religiosa nas suas diferentes modalidades rituais ou míticas, pode sugerir a integração de indivíduos ou grupos dentro de uma estrutura voltada ao resgate dos mesmos numa situação em particular. De acordo com Geertz (1989), tomando-se tal perspectiva, a ênfase da religião recairia em seu aspecto singular de fornecer respostas às interrogações e necessidades de explicação às razões últimas da existência e de sentido.
Émile Durkheim, em sua obra seminal – As Formas Elementares da Vida Religiosa (1994), tomando como referência a discussão acerca das noções de representações, constata que estas integram a vida coletiva com a vida mental, anímica, imaterial em cada indivíduo. Ressalta que são realidades reais, podendo, inclusive, ser comparáveis entre si.
A sociedade tem por substrato o conjunto de indivíduos associados. O sistema que eles formam, unificando-se, varia segundo sua própria disposição sobre a superfície do território, a natureza, o número de vias de comunicação, tudo o que constitui a base sobre a qual se edifica a vida social. As representações [...] originam-se das relações que se estabelecem, tanto entre indivíduos [...], quanto entre grupos secundários que se interpõem entre o indivíduo e a sociedade (DURKHEIM, 1994, p. 41).
A linguagem simbólica opera por analogias e metáforas. Supõe uma assimilação pela força dos seus sentidos, de suas evocações, pela intensidade de seus apelos afetivos ou emotivos. A lógica não está no recebimento de certezas cientificamente relevantes, mas em uma ideia cuja relação mobiliza e
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congrega sentimentos de pertencimento a partir de uma experiência de admiração, temor ou construção de significados sociais.
O pluralismo moderno leva a um enorme relativismo dos sistemas de valores e da interpretação. Em outras palavras: os antigos sistemas de valores e de interpretação são ‘descanonizados’. A desorientação do indivíduo e de grupos inteiros por causa disso já é tema principal há muitos anos da critica da sociedade e da cultura. Categorias como ‘alienação’ e ‘anomia’ são propostas para caracterizar a dificuldade das pessoas de encontrar um caminho no mundo moderno (BERGER e LUCKMANN, 2012, p. 52).
As premissas simbólicas, vistas a partir de uma hermenêutica sociológica, sinalizam para a importância de uma análise situada na perspectiva cultural a partir dos contornos da pluralidade. Esta realidade representa um desafio importante para a religiosidade contemporânea na medida em que as instituições eclesiásticas necessitam demarcar novas premissas e aludir novas demandas ou poderes instituintes,26 haja vista a
perda de um sentido do fazer coletivo mais espontâneo.
O indivíduo cresce num mundo em que não há mais valores comuns, que determinam o agir nas diferentes áreas da vida, nem uma realidade única, idêntica para todos. Ele é incorporado pela comunidade de vida em que cresce num sistema supra ordenado de sentido (BERGER e LUCKMANN, 2012, p. 41).
A hermenêutica simbólica na perspectiva da prosperidade não é demarcada de forma cabal pelos caminhos da linguagem conceitual, pois as imagens que brotam do seu interior não são vazias, complicadas ou até indecifráveis. Realça-se, com profundidade, a dinâmica da intersubjetividade na organização das ações religiosas. Trata-se de uma resposta a determinadas condições sociais, econômicas, históricas, culturais e religiosas.
26Um traço marcante destes novos desafios seria o hedonismo. O livro de CAMPBELL, Colin. The Romantic Ethic and the Spirit of Modern Consumerism, (1995), é esclarecedor quanto
à ética hedonista moderna diante do conhecido puritanismo que Max Weber examina para elaborar sua clássica compreensão acerca do espírito do capitalismo. Em busca de entendimento, Campbell mostra como a leitura de romances fertilizou a imaginação na sociedade. O autor argumenta que esse processo estimulou nas pessoas a possibilidade de supor situações prazerosas e as levou a consumir uma variedade de recursos, visando uma materialização e experimentação dos prazeres antecipados pela imaginação. O desejo de satisfação ampliou e estabeleceu-se em múltiplas esferas da vida contemporânea.
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Uma contribuição relevante acerca da perspectiva simbólica foi, por exemplo, a compreensão entabulada por Carl Gustav Jung (2012) que sublinhou a necessidade de uma “tradução” capaz de elucidar um entendimento. O que a linguagem, por vezes, não abarca, o símbolo amplia. Ele ultrapassa categorias de linguagem e, geralmente, não pode ser expresso de forma única. Significa que os sinais e as alegorias são ilustrativos. O simbólico remeteria a uma realidade complexa.
O símbolo não é um sinal arbitrário e intencional de um fato conhecido e compreensível, mas uma expressão de caráter reconhecidamente antropomórfico (por isso mesmo, limitada, válida apenas em certas condições) de um conteúdo sobrenatural e, por esta razão, só compreensível dentro de certas condições. O símbolo é, na verdade, a melhor compreensão possível, mas está muito abaixo do nível do mistério que significa (JUNG, 2012, p. 15-16).
Portanto, para Jung o enunciado simbólico remete a algo maior, mais amplo, dinâmico, elevado. Refere-se aos arquétipos, ao indizível, ao que não cabe em palavras, ao que foge de alguma compreensão racional (JUNG, 2013, p. 77). Para que ocorra esta realidade há um encontro de horizontes. “O desconhecido do homem e o desconhecido no objeto se confundem. Surge uma identidade [...]” (JUNG, 2012, p. 72). Há tanto no ser, como no mundo, uma essência oculta. O esforço para expressar esta dimensão estaria na hermenêutica simbólica.
A compreensão da existência humana a partir de sua interação simbólica supõe o reconhecimento da força das crenças na vida social. Tem a ver com a assimilação de categorias ligadas à sensibilidade e não apenas com aquelas configuradas nos percursos estabelecidos pelo pragmatismo, lógica ou razão. É uma ordem “inteiramente outra” (OTTO, 1932) que sugere um sentimento particular pouco possível de ser descrito em termos habituais. Trata-se de uma dimensão especial qualificada como “mistério tremendo e fascinante” que engendra um sentimento de grande espanto, quase temor, mas, por outro lado, de um poder de atração diante do qual é difícil resistir.
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A hermenêutica simbólica procura tornar acessível o inacessível, dar palavras ao silêncio inefável, dar hospedagem à transcendência.27 A distância
entre o mistério e o conhecido é, por assim dizer, encurtada. O invisível se torna visível, embora o símbolo não seja o invisível, nem o invisível o símbolo. Esta premissa é descortinada por Clifford Geertz para quem “os símbolos religiosos são sentidos como uma síntese do que se conhece sobre o modo de ser do mundo, sobre a qualidade da vida emocional e da maneira como as pessoas se devem comportar enquanto estão no mundo” (1978, p. 118).
Convém destacar esta capacidade de retratar uma gama de significados para uma ação que adquire relevância dentro de um contexto em particular. De acordo com Ernst Cassirer “é inegável que o pensamento simbólico [...] tem traços característicos da vida humana e que todo processo da cultura humana está baseada nessas condições” (1994, p. 141). É preciso destacar que a diversidade é o componente de sentido para uma realidade capaz de fomentar a criação e recriação de experiências, oportunidades e interações em um mundo complexo.
A dimensão simbólica adquire uma conotação que permite uma relação do presente com o passado, a conjugação do visível com o invisível, do ser com o não ser, um sentido de esperança e reencontro em torno de certa unidade. Impõe-se, sobretudo, como abertura e promessa, como princípio de movimento e de orientação. Para Paul Ricoeur “o significado de um importante evento vai para além, supera, transcende condições sociais de sua produção e pode ser reatualizado em novos contextos sociais. Sua importância é sua [...] relevância onitemporal” (Apud. VELHO, 1995, p. 34).
Há um pressuposto inerente à pessoa humana que é estruturalmente simbólico, ou seja, a religiosidade contemporânea nos termos da prosperidade faz-se a partir de um exercício de simbolização na busca por Deus, mediante o qual a celebração do desejo, da realização pessoal, da plenitude das
27 De acordo com o sociólogo espanhol Jose María Mardones, a racionalidade moderna
caminha para uma decomposição analítica que, no fundo, busca evidenciar o que é guardado pela realidade. “O predomínio da cultura da imagem nos roubou a interioridade [...]. A falta de
cuidado em salvaguardar o rastro de mistério do ser humano e de sua interioridade desembocou na trivialidade. [...] Confundimos o mistério com o oculto [...]”. (MARDONES,
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aspirações materializa-se por meio de gestos e atitudes em torno de um sentido para a existência. Todavia, isso não significa viver sem crises e nem que seja fácil este processo de socialização da ação religiosa. Nas palavras enunciadas por Geertz (1989, p. 89), trata-se de estabelecer “vigorosos, penetrantes e duráveis estados anímicos e motivações”.