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3 Hvordan påvirker velferdsstaten livskvalitet?

3.2 Teori

3.2.4 Konservatismen

Fonte: Pedrini, 2014.

As notícias sobre os projetos que se referem à ocupação e a um destino útil ao antigo prédio da Cervejaria Antarctica, procuram levar uma mensagem de que o espaço será utilizado no sentido de gerar renda para o município, além de trazer mais um espaço de convívio, lazer e oportunidades para seus habitantes, pois relatam o tipo de empreendimento, o valor, a quantidade de empregos que deverão ser gerados para a cidade e o tipo de público que se espera que frequentem o novo empreendimento, como descreve Pedrini (2014).

No primeiro semestre de 2016, Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) deve ganhar mais um shopping, o quinto da cidade. O investimento, da Nassau Empreendimentos e Terral Shoppings Centers, será de R$ 250 milhões e deve gerar cerca de 3.000 empregos diretos.

O Buriti Shopping será instalado na antiga Cervejaria Antarctica, na avenida Jerônimo Gonçalves, desativada desde 2003 no centro.

O shopping – cuja previsão inicial de inauguração era o segundo semestre de 2015 – será erguido em uma área de 500 mil metros quadrados.

Segundo a assessoria do empreendimento, ainda não é possível estimar a quantidade de lojas, mas será um shopping voltado às classes B e C, incluindo restaurantes, cinema e lojas de roupas. (Pedrini, 2014, n.p.)

Este investimento talvez se justifique pela teoria de economistas da cidade, como Vicente Golfeto e Fred Guimarães, da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), além do Prof. Alberto Matias, da Faculdade de Economia e

Administração de Ribeirão Preto (FEA-RP), que defendem a força comercial da cidade de Ribeirão Preto, pois chega a atrair consumidores dos municípios vizinhos, talvez pelo fato de oferecer serviços de excelente qualidade, gerando procura, o que acabou por consolidar a cidade de Ribeirão Preto como importante polo comercial.

4 O TRABALHO E A MEMÓRIA DOS TRABALHADORES

Para quem passa pela Avenida Jerônimo Gonçalves, a Cervejaria Antarctica continua parte do cotidiano da vida urbana da cidade de Ribeirão Preto. O prédio está lá, no entanto, na atualidade, é marcado pelo vazio e pelo abandono, pelas pichações e pela inutilidade. Essa constatação, porém, não diminui a importância que esta cervejaria teve um dia para a população da cidade de Ribeirão Preto, o que exige a reconstrução de sua história e da vivência de seus trabalhadores no cotidiano da fábrica. Entretanto, esse trabalho seria impossível de ser realizado, não fosse a memória de seus ex-funcionários e a consideração que tinham pela Companhia que os fizeram guardar pertences, fotografias e documentos do tempo em que trabalharam na empresa.

Para Thompson (1992), a memória de um grupo desaparece quando as pessoas não consideram mais a vivência com relação a este grupo, caracterizando o trabalho com memória como um trabalho com o presente, mesmo que o objeto relatado esteja no passado.

Para Delgado (2010), é a partir da memória que se aprende sobre o tempo passado, sobre a época enfocada no depoimento, mas também se aprende sobre o tempo presente, sobre a época na qual o depoimento foi produzido. Nesse sentido, deve-se respeitar o trabalho da memória dos entrevistados, mesmo que sua memória tenha a tendência de valorizar o passado e criticar o presente.

Esse estudo não pôde reconstruir a realidade da empresa a partir da observação de seu processo produtivo, como feito por Navarro (2006), pois a empresa já havia sido fechada no transcurso de criação da Ambev e, durante seu período de funcionamento na cidade de Ribeirão Preto, a realização de fotografias de sua linha de produção era proibida, como relataram os depoentes, o que dificulta a constatação e confrontação com os depoimentos de seus ex-funcionários.

Uma das coisas que se pôde constatar, através dos depoimentos, é que a Cervejaria Antarctica não só marcou a história da cidade de Ribeirão Preto, como também marcou a partir da constatação de que era uma empresa que cativava seus funcionários e correspondia às suas expectativas, pois as entrevistas demonstraram que existia uma grande identificação dos trabalhadores com a empresa e aqueles que ainda não trabalhavam nela chegavam ao ponto de fazerem promessa para serem

contratados pela Antarctica – muitos até rezavam e acendiam velas em uma capelinha que existia do lado de fora dos muros da cervejaria.

Os depoimentos obtidos nessa pesquisa, revelam muitas características desta fábrica, organizada segundo os princípios taylorista de produção. Foi possível identificar como o trabalho ali era dividido, obedecendo a critérios que determinavam quais funções, ou cargos, eram ocupados por homens e mulheres ou menores aprendizes.

Deve-se ter em mente que a Antarctica deu início às suas atividades, em Ribeirão Preto, como uma Fundação que foi alterada para Sociedade Anônima após sua fusão com a Paulista, em 1973, passando por um processo de reestruturação organizacional que atingiu os diretores da empresa, em 1994, e outro processo de adequação a uma nova fusão, mas, esta, com a Brahma, através da criação da Ambev, em 2000, processo esse que culminou com o fechamento da Cervejaria Antarctica de Ribeirão Preto (James, 2012).

Assim, dependendo da época que o trabalhador foi funcionário da Cervejaria Antarctica, aconteceu uma modificação em suas percepções sobre a constatação da constituição da fábrica e do que ela significava para cada um de seus ex-funcionários, o que poderá ser constatado mediante a análise dos dados.

4.1 Processo de produção, organização do trabalho e cotidiano da fábrica

No Brasil atual, pode-se constatar a grande importância da cerveja como a mais tradicional e mais consumida bebida da atualidade. Independente de idade ou classe social, a população brasileira venera essa bebida que disponibiliza uma diversidade enorme de sabores para agradar diferentes paladares. Mas, para constatar como esse processo aconteceu, é preciso voltar ao período colonial (CluBeer, 2013).

Desde os áureos tempos do Brasil Colonial, constata-se o grande consumo de cachaça e vinho pela população brasileira. Por volta de 1800, a Família Real Portuguesa trouxe a bebida fermentada para o Brasil, no entanto, sem sucesso imediato, reafirmando política de importação que beneficiava a Inglaterra (CluBeer, 2013).

É importante ressaltar que as primeiras cervejas fabricadas no Brasil ficaram conhecidas como “cervejas do cordão”, devido ao processo rudimentar de produção, pois possuía um precário controle de fermentação e, consequentemente, uma pressão variável. Estas primeiras cervejas utilizavam rolhas amarradas com barbantes e cordões nas garrafas onde a cerveja era fermentada e criava pressão, tal como acontece atualmente com os frisantes, cujas rolhas são presas com arame. Essa forma de amarrar as rolhas das cervejas com barbantes deu origem ao termo “marca barbante”, utilizada desde então para se referir a qualquer produto de baixa qualidade (CluBeer, 2013).

Segundo Santos (2004), não se pode afirmar ao certo quando teve início a produção de cerveja no Brasil, mas existem registros de que nos anos 20 do século XIX, o oficial alemão Carl Seidler tenha encontrado, no Rio Grande do Sul, imigrantes alemães com conhecimento suficiente para a produção de cerveja, de forma lucrativa. Para Santos (2004), o primeiro documento que relata a produção de cerveja no Brasil se refere a um anúncio, do Rio de Janeiro, que oferece cerveja brasileira, a saber: “Na rua Matacavalos nº 90 e na rua Direita nº 86, da Cervejaria Brasileira, vende-se cerveja, bebida acolhida favoravelmente e muito procurada. Essa saudável bebida reúne a barateza a um sabor agradável e à propriedade de conservar-se por muito tempo” (Santos, 2004, pp.17-18).

Com o tempo, essa bebida se consagrou entre o povo brasileiro e, em 1846, constata-se a instalação da primeira fábrica de cerveja, no Rio Grande do Sul, produtora da marca Ritter (CluBeer, 2013).

Até 1850 tem-se notícias de algumas poucas cervejarias no Rio de Janeiro, São Paulo e regiões de imigração alemã no Rio Grande do Sul – Henrique Leiden, Villas Boas e Cia., Cervejas Gabel, Logus, Versoso, Stampa, Rosa, Leal etc., todas artesanais, de pequena produção (duzentos a trezentos mil garrafas/ano) e vida efêmera. (Santos, 2004, p. 18)

No Rio Grande do Sul, no final do século XIX, os imigrantes italianos e alemães iniciaram uma produção doméstica de cerveja como uma atividade secundária e eram vendidas em suas vendas-cervejarias que, na época, calcula-se que pudesse existir cerca de uma centena destes estabelecimentos. “As primeiras cervejarias industrializadas do país surgiram nas décadas de 1870 e 1880. A pioneira foi a Friederich Christoffel, em Porto Alegre, que em 1878 produzia mais de um milhão de garrafas.” (Santos, 2004, pp. 19-20).

Até o final da década de 1830 a cerveja era produzida em um processo caseiro realizado por famílias de imigrantes para o seu próprio consumo. A bebida consumida pela população era a gengibira, feita de farinha de milho, cascas de limão e água. Essa infusão descansava alguns dias, sendo vendida em garrafas ou canecas, chamadas geralmente de cervejas barbante. Era também consumida a cerveja Caramuru, feita de milho, gengibre, açúcar mascavo e água, cuja mistura fermentava por uma semana. Em 1808 instalaram-se no Rio de Janeiro as primeiras máquinas compressoras frigoríficas, propiciando um ambiente refrigerado e representando um grande avanço na indústria cervejeira do país. (Trommer, 2014, p. 13)

No Rio de Janeiro, em 1880, foram instaladas as primeiras máquinas compressoras frigoríficas que produziam gelo artificial, mantendo um ambiente refrigerado e possibilitando a produção de uma “cerveja de baixa fermentação, uniforme e límpida”, tais como já se fabricava na Bavária e na Boêmia (História da Cerveja, 2015).

O processo de produção em larga escala na indústria cervejeira foi viabilizado pela política de substituição de importações a partir de 1880. O Estado brasileiro considerou que a produção nacional estava apta a substituir as importações da Inglaterra e principalmente da Alemanha. De 1881 até 1900 praticamente toda a cerveja importada foi substituída pela produção nacional, exceto a cerveja britânica Guinness. A substituição de importações desse período até os anos 30 também atingiu negativamente o setor, porque a matéria-prima utilizada (Malte e Lúpulo) e o maquinário eram importados da Europa, sobretudo da Alemanha e Áustria. (Limberger, 2013, p. 2)

Na atualidade, no entanto, esse quadro mudou consideravelmente, pois, de acordo com o Sindicado Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) – através de coleta de dados de 2000 a 2003 – o “mercado de cerveja, o Brasil só perde, em volume, para a China (35 bilhões de litros/ano), Estados Unidos (23,6 bilhões de litros/ano), Alemanha (10,7 bilhões de litros/ano)" (Sindicerv, 2013, n.p.). Para confirmar os dados, o Sindicerv (2013) divulgou que o consumo total de cerveja, no Brasil, em 2007, foi de 10,34 bilhões de litros. Mas quando se constata os valores do consumo per capita, no Brasil, verifica-se que o Brasil está classificado atrás de muitos outros, consumindo uma média de 47,6 litros por ano, por habitante, atrás de países como México e Japão.

De acordo com o Sindicerv (2013), o Brasil está entre os quatro maiores fabricantes de cervejas do mundo, responsável por um faturamento de aproximadamente R$ 25,8 bilhões no ano de 2007 e afirmando que já existem estudos para “elaboração de propostas que possibilitem a redução da carga de tributos, responsável pela oneração da produção brasileira” (Sindicerv, 2013, n.p.).

Para que esse processo possa ser melhor compreendido, deve-se conhecer o processo de produção de cerveja. A base da fabricação da cerveja é água, malte, lúpulo e levedura, obtida a partir da fermentação natural da cevada. Em seu processo de produção, o açúcar existente nos próprios ingredientes é transformado em álcool (Scharf, Siqueira e Araujo, 2012).

Eu conheço todas as etapas do processo: desde uma homologação de fornecedores, desde como se faz uma matéria-prima – inclusive, eu já fui malteiro, também – o malte é uma das matérias-primas da cerveja. Então, eu tenho que saber qual a qualidade de cada matéria-prima da cerveja, qual é a qualidade do fornecedor de cada matéria- prima da cerveja, como que essa matéria-prima vai chegar, como que vai ser tratada cada matéria-prima. (João Fernando, 45 anos)

Em um processo biotecnológico industrial, o elemento principal é chamado de “Reator”, pois é através dele que se pode obter as transformações desejadas e devidamente controladas, tomando-se extremo cuidado com os tratamentos iniciais e finais (Scharf, Siqueira e Araujo, 2012).