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Konsekvenser for arbeidstakerne

In document Vold og trusler i finansnæringen (sider 24-27)

Este ensaio, que suscitou certa discussão na época, foi escrito originalmente para a conferência Estudos Históricos Hoje, organizada em 1970 em Roma por Daedalus, o periódico da Academia Norte- americana de Artes e Ciências, tendo sido publicado no mesmo e no livro subsequente, Estudos históricos

hoje, editado por Felix Gilbert e Stephen R. Graubard (Nova York, 1972), do qual constituiu o primeiro

capítulo. Muito aconteceu em história social depois deste balanço de seu desenvolvimento até 1970, e que agora passou a ser também parte da história. O autor não pode fazer mais do que constatar com embaraçosa surpresa que o ensaio não continha nenhuma referência à história das mulheres. Como se sabe, esse campo mal começara a se desenvolver antes do nal dos anos 1960, mas nem eu nem nenhum outro dos que contribuíram para o volume, entre os mais destacados na pro ssão — todos homens —, parece ter se dado conta da lacuna.

I

O termo história social sempre foi difícil de de nir, e até recentemente não havia nenhuma premência em de ni-lo, já que não se haviam formado os interesses institucionais e pro ssionais que normalmente insistem em demarcações precisas. Falando em termos gerais, até o assunto entrar agora em voga — ou pelo menos o seu nome — era anteriormente mencionado em três acepções por vezes superpostas. Primeiro, referia-se à história das classes pobres ou inferiores, e mais especi camente à história de seus movimentos (“movimentos sociais”). O termo poderia até ser mais especializado, referindo-se, essencialmente, à história do trabalho e das ideias e organizações socialistas. Por razões óbvias, esse vínculo entre a história social e a história do protesto social ou movimentos socialistas permaneceu forte. Diversos historiadores sociais foram atraídos para o tema porque eram radicais ou socialistas e como tal se interessavam por assuntos que para eles possuíam grande importância afetiva.1

Em segundo lugar, o termo era empregado em referência a trabalhos sobre uma diversidade de atividades humanas de difícil classi cação, exceto em termos como “usos, costumes, vida cotidiana”. Talvez por razões linguísticas, era, em grande parte, um emprego anglo-saxão, já que a língua inglesa carece de termos adequados para aquilo que os alemães, que escreviam sobre assuntos similares — muitas vezes de uma maneira bastante super cial e jornalística —, chamavam Kultur — ou Sittengeschichte. Esse tipo de história social não era especi camente voltado para as classes inferiores — de fato, era antes o oposto, embora seus pro ssionais politicamente mais radicais tendessem a considerá-las. Constituía a base tácita do que se pode chamar visão residual da história social, proposta pelo falecido G. M. Trevelyan em sua

English Social History (1944) como “história com a política deixada de fora”. Não é preciso

nenhum comentário.

O terceiro signi cado do termo era certamente o mais comum e para o nosso objetivo aqui o mais pertinente: “social” era empregado em combinação com “história econômica”. De fato, fora do mundo anglo-saxão, era característica dos títulos de periódicos especializados nessa

área, antes da Segunda Guerra Mundial, sempre (segundo imagino) colocarem juntas as duas palavras, como na Vierteljahrschrift für Sozial u. Wirtschaftsgeschichte, na Révue d’Histoire E. & S., ou nos Annales d’Histoire E. & S. Deve-se admitir que a metade econômica dessa combinação era visivelmente preponderante. Quase não havia nenhuma história social de calibre equivalente que pudesse ser colocada ao lado dos numerosos volumes dedicados à história econômica de diversos países, períodos e temas. Na verdade, não havia muitas histórias econômicas e sociais. Antes de 1939 poucas obras desse teor podem ser lembradas, por vezes escritas por autores reconhecidamente importantes (Pirenne, Mikhail Rostovtzeff, J. W. Thompson, talvez Dopsch), e a literatura monográ ca ou periódica era ainda mais esparsa. Não obstante, o vínculo habitual entre o econômico e o social, fosse nas de nições do campo geral de especialização histórica ou sob a rubrica mais especializada da história econômica, é significativo.

Manifestava o desejo de uma abordagem da história sistematicamente diferente da abordagem rankeana clássica. O que interessava a esses historiadores era a evolução da economia, e esta, por sua vez, os interessava porque esclarecia a estrutura e as mudanças da sociedade, e, mais especi camente, a relação entre classes e grupos sociais, como admitia George Unwin.2 Essa dimensão social transparece tanto na obra de historiadores econômicos mais estritos quanto na de historiadores econômicos mais cautelosos, desde que se pretendiam historiadores. Até mesmo J. H. Clapham a rmava que, dentre todas as variedades de história, a econômica era a mais fundamental porque era o fundamento da sociedade.3 Pode-se sugerir que a preponderância do econômico sobre o social nessa combinação era devida a duas razões. Em parte, decorria de uma visão da teoria econômica que se recusava a isolar elementos econômicos de elementos sociais, institucionais e outros, como entre os marxistas e a escola histórica alemã, e em parte da mera vantagem de saída da economia em relação às outras ciências sociais. Se a história devia se integrar às ciências sociais, era com a economia que ela devia chegar a um acordo. É possível ir mais adiante e argumentar (com Marx) que, apesar da inseparabilidade essencial do econômico e do social na sociedade humana, a base analítica de uma investigação histórica da evolução das sociedades humanas deve ser o processo de produção social.

Nenhuma das três versões de história social produziu um campo acadêmico especializado em história social até os anos 1950, ainda que em certa oportunidade os famosos Annales de Lucien Febvre e Marc Bloch tenham abolido a metade econômica de seu subtítulo e se proclamado puramente sociais. Porém, isso foi um desvio temporário dos anos da guerra, e o título pelo qual esse grande periódico é agora conhecido há um quarto de século — Annales:

Économies, Sociétés, Civilisations —, como também a natureza de seu conteúdo, re etem as metas

originais e essencialmente globais e abrangentes de seus fundadores. Nem o tema em si nem a discussão de seus problemas conheceram um desenvolvimento efetivo antes de 1950. Os periódicos que se especializaram no assunto, ainda poucos em número, apenas foram fundados ao nal dos anos 1950: talvez possamos considerar os Comparative Studies in Society and History (1958) como o primeiro. Portanto, como especialização acadêmica, a história social é bastante nova.

O que explica o rápido desenvolvimento e crescente emancipação da história social nos últimos vinte anos? A pergunta poderia ser respondida em termos de mudanças técnicas e

institucionais no interior de disciplinas acadêmicas das ciências sociais: a especialização deliberada da história econômica para se ajustar às exigências da teoria e da análise econômica em rápido desenvolvimento, do qual a “nova história econômica” é um exemplo; o crescimento notável e mundial da sociologia como tema e moda acadêmicos, que por sua vez demandou ramos históricos auxiliares análogos aos demandados pelos departamentos de economia. Não podemos negligenciar esses fatores. Muitos historiadores (como os marxistas), que anteriormente haviam se rotulado como econômicos porque as questões em que estavam interessados simplesmente não eram incentivadas ou sequer consideradas pela história geral ortodoxa, viram-se expulsos de uma história econômica que rapidamente se estreitava e aceitaram ou acolheram de bom grado o título de “historiadores sociais”, principalmente se eram de cientes em matemática. É improvável que, na atmosfera dos anos 1950 e início dos 1960, alguém como R. H. Tawney tivesse sido bem-vindo entre os historiadores econômicos caso fosse um jovem pesquisador e não o presidente da Economic History Society. Porém, essas rede nições acadêmicas e viradas pro ssionais não explicam muita coisa, embora não possam ser desconsideradas.

Muito mais signi cativa foi a historicização geral das ciências sociais ocorrida durante esse período, e hoje pode parecer, retrospectivamente, seu desenvolvimento mais importante. Para meu presente objetivo, não é necessário explicar essa mudança, mas é impossível deixar de ressaltar o imenso signi cado das revoluções e lutas de emancipação política e econômica dos países coloniais e semicoloniais. Com elas, governos, organizações internacionais e de pesquisa, e consequentemente os cientistas sociais, passaram a atentar para o que são, essencialmente, problemas de transformações históricas. Eram assuntos que até então cavam do lado de fora ou, na melhor das hipóteses, às margens da ortodoxia acadêmica nas ciências sociais, e estavam sendo progressivamente abandonados pelos historiadores.4

Em todo caso, perguntas e conceitos essencialmente históricos (às vezes, como no caso de “modernização” ou “crescimento econômico”, conceitos excessivamente crus) cativaram mesmo a disciplina até então mais imune à história, quando não, de fato, francamente hostil a ela, como a antropologia social de Radcliffe-Brown. Essa in ltração progressiva da história talvez seja mais evidente na economia, na qual um campo inicial da economia do crescimento, cujas premissas, embora muito mais so sticadas, eram como receitas de livro de arte culinária (“Leve as quantidades seguintes de ingredientes a até n, misture e cozinhe, e o resultado será a decolagem para o crescimento autossustentado”), obteve sucesso pela crescente constatação de que fatores externos à economia também determinam o desenvolvimento econômico. Em resumo, hoje é impossível levar adiante muitas atividades do cientista social de uma maneira que não seja trivial sem chegar a um acordo com a estrutura social e suas transformações: sem a história das sociedades. É um paradoxo curioso que os economistas começavam a tatear em busca de alguma compreensão dos fatores sociais (ou, de qualquer modo, não estritamente econômicos) no mesmo momento em que os historiadores econômicos, assimilando os modelos dos economistas de quinze anos antes, estavam tentando parecer mais rigorosos que flexíveis mediante o esquecimento de tudo que não fosse equações e estatísticas.

O que podemos concluir a partir desse exame sumário do desenvolvimento histórico da história social? Quase não pode servir de guia adequado à natureza e tarefas do tema em pauta, embora possa explicar por que certos assuntos mais ou menos heterogêneos de pesquisa

passaram a ser frouxamente agrupados sob esse título geral, e como os desenvolvimentos em outras ciências sociais prepararam o terreno para o estabelecimento de uma teoria acadêmica especi camente demarcada como tal. No máximo pode nos proporcionar algumas sugestões, entre as quais pelo menos uma é digna de ser imediatamente mencionada.

Um levantamento sobre o passado da história social parece mostrar que seus melhores praticantes sempre se sentiram incomodados com o próprio termo. Preferiram, como os grandes franceses a quem tanto devemos, descrever a si mesmos ora simplesmente como historiadores, e sua meta como a história “total” ou “global”, ora como homens que buscavam integrar as contribuições de todas as ciências sociais relevantes à história, em lugar de exempli car alguma delas. Marc Bloch, Fernand Braudel e Georges Lefebvre não são nomes que possam ser rotulados como historiadores sociais, exceto na medida em que aceitaram a a rmação de Fustel de Coulanges de que “a história não é a acumulação de todos os tipos de eventos que aconteceram no passado. É a ciência das sociedades humanas”.

A história social nunca pode ser mais uma especialização, como a história econômica ou outras histórias hifenizadas, porque seu tema não pode ser isolado. É possível de nir certas atividades humanas como econômicas, pelo menos para ns analíticos, e depois estudá-las historicamente. Embora isso possa ser (exceto para certos propósitos de níveis) arti cial ou irreal, não é impraticável. Quase do mesmo modo, embora em um nível teórico mais baixo, a velha modalidade de história das ideias, que isolava as ideias escritas de seu contexto humano e acompanhava sua adoção de um escritor para outro, também é possível, desde que se queira fazer esse tipo de coisa. Mas os aspectos sociais ou societários da essência do homem não podem ser separados dos outros aspectos de seu ser, exceto à custa da tautologia ou da extrema banalização. Não podem ser separados, mais que por um momento, dos modos pelos quais os homens obtêm seu sustento e seu ambiente material. Nem por um só momento podem ser separados de suas ideias, já que suas mútuas relações são expressas e formuladas em linguagem que implica conceitos no momento mesmo em que abrem a boca. E assim por diante. O historiador das ideias pode (por sua conta e risco) não dar a mínima para a economia, e o historiador econômico não dar a mínima para Shakespeare, mas o historiador social que negligencia um dos dois não irá muito longe. Inversamente, conquanto seja extremamente improvável que uma monogra a sobre poesia provençal seja história econômica, ou uma monogra a sobre in ação no século XVI seja história das ideias, ambas poderiam ser tratadas de modo a torná-las história social.

II

Voltemos do passado para o presente e consideremos os problemas de se escrever a história da sociedade. A primeira pergunta diz respeito ao que podem os historiadores sociais obter das outras ciências sociais, ou até que ponto, de fato, seu objeto é ou deve ser meramente a ciência da sociedade, na medida em que ela lida com o passado. A pergunta é natural, embora a experiência das últimas duas décadas sugira duas respostas diferentes para ela. Está claro que a história social, a partir de 1950, foi poderosamente moldada e estimulada não só pela estrutura pro ssional das outras ciências sociais (por exemplo, as exigências acadêmicas especí cas para estudantes universitários) e pelos seus métodos e técnicas, mas também por suas questões.

Quase não é exagero dizer que a recente proliferação de estudos sobre a Revolução Industrial inglesa, assunto outrora grosseiramente negligenciado por seus próprios especialistas porque duvidavam da validade do conceito de revolução industrial, deve-se basicamente à ânsia dos economistas (por sua vez, re etindo, sem dúvida, a dos governos e planejadores) em descobrir como ocorrem as revoluções industriais, o que as faz acontecer, e quais as suas consequências sociopolíticas. Com certas exceções notáveis, o uxo de incentivo nos últimos vinte anos foi unidirecional. Por outro lado, se considerarmos os recentes desenvolvimentos em uma outra direção, caremos admirados com a óbvia convergência de trabalhadores de diferentes disciplinas para problemas sócio-históricos. O estudo de fenômenos milenaristas é um caso desse tipo, e entre os autores que escrevem a respeito encontramos egressos da antropologia, sociologia, ciência política, história, para não falar dos estudantes de literatura e religiões — mas não, até onde sei, da economia. Observa-se também que autores com outras formações pro ssionais passam, pelo menos temporariamente, a se dedicar a obras que os historiadores considerariam históricas, como acontece com Charles Tilly e Neil Smelser, da sociologia, Eric Wolf, da antropologia, Everett Hagen e Sir John Hicks, da economia.

Entretanto, talvez seja melhor considerar a segunda tendência não como convergência mas como conversão, já que não se deve nunca esquecer que, se os cientistas sociais não historiadores começaram a fazer perguntas propriamente históricas e a pedir respostas aos historiadores, é porque eles mesmos não as têm. E se às vezes se converteram em historiadores, é porque os membros praticantes de nossa disciplina, com a exceção notável dos marxistas e outros — não necessariamente marxizantes — que aceitam uma problemática similar, não forneceram as respostas.5 Além disso, apesar de existirem hoje alguns cientistas sociais de

outras disciplinas que se especializaram em nosso campo o bastante para merecerem respeito, existem outros que meramente aplicaram uns poucos conceitos e modelos grosseiros e mecanicistas. Para cada Vendée de um Tilly há, infelizmente, várias dúzias de Stages... de Rostow. Deixo de lado inúmeros outros que se aventuraram no difícil território das fontes históricas sem um conhecimento adequado dos perigos que tendem a ser ali encontrados, ou dos meios de evitá-los e superá-los. Em resumo, a situação no momento é tal que os historiadores, com toda sua disposição de aprender com outras disciplinas, são mais instados a ensinar do que a aprender. A história da sociedade não pode ser escrita mediante a aplicação dos parcos modelos disponíveis de outras ciências; requer a construção de modelos novos e adequados — ou, pelo menos (afirmariam os marxistas), a transformação dos esboços existentes em modelos.

É claro que isso não é verdade quanto a técnicas e métodos, em que os historiadores já contam com uma considerável dívida líquida a saldar e incorrerão, ou pelo menos deveriam incorrer, em dívidas ainda mais pesadas e sistemáticas. Não pretendo discutir esse aspecto do problema da história da sociedade, mas um ou dois pontos merecem consideração de passagem. Dada a natureza de nossas fontes, di cilmente podemos ir muito além de uma combinação entre a hipótese alusiva e sua justa ilustração anedótica sem as técnicas para a descoberta, o agrupamento e tratamento estatístico de enormes quantidades de dados, quando necessário com a ajuda da divisão do trabalho de pesquisa e dispositivos tecnológicos há muito desenvolvidos por outras ciências sociais. No extremo oposto, experimentamos igual necessidade das técnicas para a observação e análise em profundidade de indivíduos especí cos,

pequenos grupos e situações que também foram desbravados fora da história, e que podem ser adaptadas aos nossos objetivos — por exemplo, a observação participante dos antropólogos sociais, a entrevista-em-profundidade, talvez até métodos psicanalíticos. No mínimo, essas várias técnicas podem estimular a procura de adaptações e equivalentes em nosso campo que podem ajudar a responder questões de outro modo impenetráveis.6

Tenho muitas dúvidas acerca da perspectiva de transformar a história social em uma retroprojeção da sociologia, a partir da transformação da história econômica em teoria econômica retrospectiva, porque essas disciplinas, no momento, não nos oferecem modelos úteis ou estruturas analíticas para o estudo de transformações socioeconômicas históricas de longo prazo. De fato, o grosso de sua re exão não se preocupou, ou sequer se interessou por tais transformações, exceção feita a tendências como o marxismo. Além disso, pode-se a rmar que em aspectos importantes seus modelos analíticos foram sistematicamente desenvolvidos, e de modo muito vantajoso, mediante a abstração da mudança histórica. Eu diria que isso é notadamente verdadeiro para a sociologia e a antropologia social.

Os fundadores da sociologia certamente tinham uma preocupação histórica maior que a principal escola da economia neoclássica (apesar de não necessariamente maior que a da escola original dos economistas políticos clássicos), mas sua ciência, como um todo, é menos desenvolvida. Stanley Hoffmann apontou acertadamente para a diferença entre os “modelos” dos economistas e as “listas de checagem” dos sociólogos e antropólogos.7 Talvez sejam mais que meras listas de checagem. Essas ciências também nos propiciaram certas visões, padrões de possíveis estruturas compostas de elementos que podem ser permutados e combinados de diversas maneiras, vagos sucedâneos para a cadeia de Kekulé vislumbrada no topo do ônibus, mas com a desvantagem de não poderem ser comprovados. Na melhor das hipóteses, esses padrões estruturais-funcionais podem ser elegantes e heuristicamente úteis, pelo menos para alguns. Em um nível mais modesto, podem nos proporcionar metáforas, conceitos ou termos úteis (como “papel”), ou ajudas convenientes na ordenação de nosso material.

Além disso, afora sua de ciência como modelos, pode-se argumentar que as construções teóricas da sociologia (ou da antropologia social) obtiveram seu maior êxito pela exclusão da história, que é a mudança direcional ou orientada.8 Em termos gerais, os padrões estruturais- funcionais esclarecem o que as sociedades têm em comum a despeito de suas diferenças, ao passo que nosso problema está naquilo que não têm em comum. Não se trata do que as tribos amazônicas de Lévi-Strauss podem esclarecer sobre a sociedade moderna (na verdade, sobre qualquer sociedade), mas sobre como a humanidade passou do homem das cavernas para o industrialismo moderno ou pós-industrialismo, e que mudanças na sociedade se associaram a esse progresso, ou foram necessárias para que ele acontecesse, ou foram consequências do mesmo. Ou, para empregar outro exemplo, não se trata de observar a necessidade permanente de todas as sociedades humanas se abastecerem de comida pelo crescimento ou, de outro modo, pela sua aquisição, mas o que acontece quando essa função, após ser

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