Este capítulo e o seguinte reproduzem, com ligeiras correções, o texto ainda inédito das palestras sobre Marshall que fui convidado a proferir na faculdade de economia da Universidade de Cambridge em 1980. Embora muita coisa tenha acontecido desde então, tanto em economia como em história econômica — inclusive a concessão do prêmio Nobel de economia para historiadores econômicos que são aqui avaliados criticamente —, as questões que tentei levantar nas palestras ainda estão por responder, e os textos ainda parecem merecer publicação. Porém, em resposta a críticas, modi quei ligeiramente minha posição em alguns pontos. Os acréscimos feitos nesse sentido encontram-se entre colchetes.
Embora todo soldado napoleônico proverbialmente carregasse um bastão de marechal* em
sua mochila, poucos tinham realmente a expectativa de uma oportunidade de empunhá-lo. Durante muitos anos estive em uma situação semelhante aos praças napoleônicos, e por isso não é para mim apenas uma honra, mas também uma surpresa, o convite para proferir palestras sobre Marshall, às quais aqui assisti pela primeira vez no início dos anos 1950, proferidas por Gunnar Myrdal. Na época eu era um historiador vinculado marginalmente a esta universidade, atuando nas fímbrias da faculdade de economia, como supervisor e examinador de história econômica, embora a mesma universidade me recusasse diversos trabalhos em duas faculdades ao longo dos anos. A universidade certamente possuía então a mais prestigiada faculdade de economia da Inglaterra e talvez do mundo. Por isso, estou agudamente consciente de que o convite para proferir estas conferências é uma distinção considerável, pela qual agradeço à faculdade.
Mas, se falo a vocês com certa satisfação, também o faço com uma grande dose de modéstia defensiva. Não sou economista e, segundo critérios de certa corrente de meus colegas, sequer sou um historiador econômico propriamente dito, embora, por esses critérios, Sombart, Max Weber e Tawney também teriam sido excluídos. Tampouco sou matemático ou lósofo, duas ocupações em que os economistas às vezes buscam refúgio quando muito pressionados pelo mundo real, e cujas proposições poderiam lhes parecer relevantes. Em suma, falo como leigo. A única coisa que me encoraja a abrir a boca, além do prazer de estar nos registros como
Marshall Lecturer, é a sensação de que, na situação atual de sua disciplina, os economistas talvez
estejam preparados para ouvir observações de leigos, já que estas não podem ser menos pertinentes à atual situação mundial que parte do que eles próprios escrevem. Espera-se, particularmente, que possam ouvir um leigo que propõe uma maior integração, ou melhor, reintegração, da história à economia.
Isso porque a economia, ou melhor, aquela parte dela que de vez em quando se arroga o monopólio de de nir o objeto, sempre foi vítima da história. Durante longos períodos, quando a economia mundial parece estar transcorrendo muito feliz, com ou sem aconselhamento, a história estimula uma grande dose de presunção. A economia correta tem a palavra, a economia incorreta é tacitamente excluída, ou despachada para a zona crepuscular da heterodoxia passada e presente, o equivalente da cura pela fé ou da acupuntura em medicina. Até mesmo Keynes, como vocês se lembram, não fez nenhuma distinção clara entre
Marx, J. A. Hobson e, não fosse por Keynes, o esquecido Silvio Gesell. Porém, de vez em quando, a história surpreende os economistas em suas ginásticas brilhantes e leva embora os seus roupões. O início dos anos 1930 foi um desses períodos, e estamos passando por outro. Pelo menos alguns economistas estão insatisfeitos com a situação de sua disciplina. Talvez os historiadores possam contribuir para um esclarecimento, se não para uma revisão.
O tópico que escolhi, “Historiadores e economistas”, também é um tópico que possui relevância especí ca para Cambridge e sua faculdade de economia, onde a história econômica e a economia, desde o tempo de Marshall, estiveram permanente e incomodamente conjugadas. A relação tem sido complexa e problemática para ambos os lados. Por um lado, o aparelho teórico de Marshall era, como muitas vezes se observou, essencialmente estático. Tinha di culdades para acomodar a mudança histórica e a evolução. O apêndice aos Princípios, originalmente um capítulo introdutório que resume a história econômica, foi corretamente descrito por Schumpeter “como uma série de trivialidades”.1 De fato, o conhecimento
bastante considerável de Marshall sobre a história econômica acrescenta pouco mais que alguns adornos decorativos e ilustrativos para uma estrutura teórica projetada sem muito espaço para tais adições. Entretanto, ele tinha consciência de que a economia estava imbricada na mudança histórica e não podia ser abstraída da mesma sem perder substancialmente em realismo. Ele sabia que a economia precisava da história, mas não como encaixar a história em sua análise. Nesse sentido, não só era inferior a Marx mas também a Adam Smith. E embora o programa de Cambridge, bem como de outras faculdades de economia, até hoje (1980) sempre tenha incluído alguma história econômica, seu lugar no programa, e o lugar daqueles que a ministravam, frequentemente foi, no passado, um lugar parecido ao do apêndice humano. Indiscutivelmente era do organismo, mas sua função precisa, se havia, estava longe de ser clara. Por outro lado, os historiadores econômicos viveram, e até certo ponto ainda vivem, uma incômoda vida dupla entre as duas disciplinas que lhes conferem o título. Pelo menos no mundo anglo-saxão, normalmente existem duas histórias econômicas, quer as chamemos de “velha” e “nova” ou, como parece mais realista, de história econômica para historiadores e para economistas. Basicamente, o segundo tipo é teoria — teoria principalmente neoclássica — projetada para trás. Terei mais a dizer sobre a “nova” história econômica, ou a “cliometria”. Por enquanto desejo apenas salientar que, embora ela tenha atraído pessoas de grande talento e — no caso de um deles pelo menos [já que galardoado com um prêmio Nobel], o professor Robert Fogel — admirável inventividade na exploração e aproveitamento de fontes históricas, até agora ela tem sido menos que revolucionária. O próprio professor Fogel admitiu que mesmo na história econômica norte-americana, na qual se concentrou inicialmente a maioria dos cliometristas, eles podem ter alterado, mas não substituído, as narrativas básicas do crescimento da agricultura, o surgimento da manufatura, a evolução do sistema nanceiro, a expansão do comércio e muitas outras coisas que foram reconstituídas e documentadas por métodos tradicionais.2
Os velhos historiadores econômicos, mesmo quando competentes em economia e estatística, geral e justi cadamente, desacreditavam da mera veri cação retrospectiva ou falsi cação de proposições na teoria econômica corrente, e o estreitamento deliberado do campo de visão da “nova” história econômica. Até mesmo o titular da cadeira de história econômica em Cambridge, J. H. Clapham, que fora escolhido pelo próprio Marshall por seu senso de análise
econômica, e que também havia sido professor de economia, não pensava que a teoria econômica tivesse um papel principal em sua disciplina. A história econômica não implica descon ança da teoria como tal. Se ela implica algum ceticismo para com a teoria neoclássica, é por causa de sua a-historicidade e do caráter altamente restritivo de seus modelos.
Os economistas e historiadores, portanto, vivem em incômoda coexistência. Imagino que isso seja insatisfatório para ambos.
Os economistas precisam reintegrar a história, e isso não pode ser feito mediante sua simples transformação em econometria retrospectiva. Os economistas precisam mais dessa reintegração que os historiadores, porque a economia é uma ciência social aplicada, como a medicina é uma ciência natural aplicada. Os biólogos que não encaram a cura de enfermidades como seu trabalho principal não são médicos, mesmo quando vinculados a escolas de medicina. Economistas que não estejam primordialmente voltados, direta ou indiretamente, às operações de economias reais que desejam transformar, melhorar ou proteger contra a deterioração, são mais bem classi cados como subespécie de lósofos ou matemáticos, a menos que optem por ocupar o espaço vazio deixado em nossa sociedade secular pelo declínio da teologia. Não expresso aqui nenhuma opinião sobre o valor de justi car os caminhos da Providência (ou o Mercado) para o homem. De qualquer maneira, recomendações políticas, positivas ou negativas, estão embutidas na disciplina. Se não fosse este o caso, nenhuma disciplina parecida com a economia teria passado a existir ou teria sobrevivido. Como se sabe, com o crescimento numérico, sua pro ssionalização e academicização, bem como de tantas outras disciplinas, desenvolveu-se também uma enorme massa de trabalho cujo objetivo não é nem interpretar o mundo nem transformá-lo, mas progredir carreiras e lavrar tentos sobre outros pro ssionais da área. Porém, podemos deixar de lado esse aspecto da evolução da economia.
A história, cujo objeto é o passado, não está em condições de ser uma disciplina aplicada nessa acepção, no mínimo porque ainda não se descobriu nenhum modo de alterar o que já aconteceu. No máximo podemos fazer especulações contrafactuais sobre alternativas hipotéticas. Claro que passado, presente e futuro são parte de um continuum, e o que os historiadores têm a dizer, portanto, poderia permitir previsões e recomendações para o futuro. De fato espero que assim seja. As habilidades do historiador não são certamente irrelevantes para tal m. Não obstante, minha disciplina é de nida de tal modo que os historiadores apenas podem ingressar no campo da política atual de uma maneira extracurricular, ou na medida em que a história seja uma parte integrante de uma concepção mais ampla de ciência social, como no marxismo. Em todo caso, muito do que fazemos tem que car de fora, especi camente tudo aquilo que distingue o passado inalterável do futuro teoricamente mutável, ou, se preferirem, o que distingue a aposta apoiada em resultados conhecidos da aposta feita antes de saber-se quem são os contendores.
Mas os economistas precisam da reintegração da história à economia? Em primeiro lugar, alguns economistas recorrem à história, “na esperança de que o passado forneça respostas que o presente por si só parece relutante em produzir”.3 Numa época em que o elemento principal do discurso de Martini é o de que as di culdades da economia inglesa remontam ao século XIX, a história parece um componente natural de qualquer diagnóstico sobre o que há de errado com ela, e pode não ser irrelevante para sua terapia. Nada é mais ridículo que a
suposição [cada vez mais comum] de que a história econômica é puramente acadêmica, considerando-se que pseudotemas notórios como “administração”, de algum modo, são reais e sérios. Por muito tempo — a julgar pela categoria pro ssional nos EUA, sem dúvida a maior do mundo — o interesse pela história entre os economistas recuou, mesmo quando temas profundamente históricos passaram a ocupar o centro das atenções. Tópicos de história econômica ou da história do pensamento econômico decaíram de 13% de todas as dissertações de doutorado norte-americanas no primeiro quartel do século para 3% na primeira metade dos anos 1970. Inversamente, crescimento econômico, que não motivou nenhuma dissertação nesse tema até 1940, abrangeu 13% de todas as teses, a maior massa isolada de trabalhos de doutoramento, no último período.
Isso é ainda mais estranho porque a história e a economia cresceram juntas. Se a economia política clássica está especi camente associada à Grã-Bretanha, não foi, a meu ver, simplesmente porque a Grã-Bretanha era uma economia capitalista pioneira. A nal, a outra economia pioneira, a dos Países Baixos do século XVIII, foi uma produtora menos destacada de teóricos econômicos. Foi porque os pensadores escoceses, que tanto contribuíram para a disciplina, se recusaram especi camente a isolar a economia das demais transformações históricas da sociedade na qual se viam engajados. Homens como Adam Smith viam a si mesmos vivendo na transição do “sistema feudal” de sociedade — conforme o chamavam os escoceses, provavelmente mais cedo que ninguém — para outro tipo de sociedade. Desejavam apressar e racionalizar essa transição, no mínimo para evitar as consequências políticas e sociais provavelmente danosas de se deixar o “progresso natural da opulência” atuar livremente, quando poderia se converter em uma “ordem antinatural e retrógrada”.4 Poder-se-
ia dizer que, se os marxistas reconheciam a barbárie como uma decorrência alternativa possível do desenvolvimento capitalista, Smith a reconhece como uma decorrência alternativa possível do desenvolvimento feudal. Consequentemente, é tão equivocado abstrair a economia política clássica da sociologia histórica à qual Smith dedicou o terceiro livro da Riqueza das nações, quanto isolá-la de sua loso a moral. Similarmente, história e análise permaneceram integradas em Marx, o último dos grandes economistas políticos clássicos. De modo um pouco diferente e analiticamente menos satisfatório, permaneceram integradas à economia entre os alemães. Devemos lembrar que no nal do século XIX a Alemanha provavelmente possuía mais cargos de ensino na economia e uma literatura mais volumosa na área que os ingleses e franceses juntos.
De fato, a separação entre história e economia não se fez sentir plenamente até a transformação marginalista da economia. Tornou-se uma questão principal, debatida no curso do agora em grande parte esquecido Methodenstreit [debate metodológico] da década de 1880, evidenciada pelo provocador ataque de Carl Menger à chamada “escola histórica”, que, de uma forma particularmente extrema, dominava então a economia alemã. Porém, seria insensato esquecer que a escola austríaca, à qual Menger pertencia, também estava envolvida em apaixonada polêmica contra Marx.
Nessa batalha de metodologias, um lado acabou obtendo um êxito tão completo que as questões, as discussões e até mesmo a existência do lado derrotado, em grande parte, foram esquecidas. Marx sobreviveu nas escolas na medida em que as discussões contra ele poderiam ser conduzidas no modo analítico do neoclassicismo: poderia ser tratado como um teórico da
economia, ainda que um teórico perigosamente equivocado. Schmoller e os demais historicistas podiam ser simplesmente descartados como economistas destituídos de rigor analítico, ou classi cados meramente como “historiadores econômicos”, como aconteceu com William Cunningham em Cambridge. De fato, acredito ser essa a origem da história econômica como especialização acadêmica na Grã-Bretanha. A economia britânica, particularmente Marshall, jamais excluiu sistematicamente da análise a história e a observação empírica — outras coisas que raramente coincidem —, como faziam os austríacos mais extremados. Apesar disso, ela estreitou sua base e perspectivas de um modo que lhe tornou difícil incorporar — exceto de maneira trivial e, mesmo assim, praticamente deixando de lado, durante várias gerações — problemas dinâmicos como desenvolvimento econômico e utuações, de fato até mesmo a macroeconomia estática. Como salientou Hicks, dadas as circunstâncias, mesmo a sede de realismo de Marshall “era essencialmente míope [...] A economia marshalliana está em seu apogeu quando aborda a rma ou a ‘indústria’: é muito menos capaz de lidar com a economia como um todo, mesmo em relação ao todo da economia nacional”.5
Seria inútil reabrir o Methodenstreit da década de 1880, ainda mais depois que se tornou uma disputa metodológica sem grande interesse, na forma em que se dava: a disputa entre o valor dos métodos dedutivos e indutivos. Porém, talvez valha a pena fazer três observações. Em primeiro lugar, na época, a vitória não se a gurava tão de nida quanto a reconhecemos em uma visão retrospectiva. Nem a economia alemã nem a norte-americana seguiram prontamente a liderança de Viena, Cambridge e Lausanne. Em segundo lugar, os argumentos para o lado vencedor não se baseavam essencialmente no valor prático da teoria econômica, tal como hoje de nido. A terceira observação, baseada na retrovisão, é a de que realmente não há nenhuma correlação óbvia entre o sucesso de uma economia e a distinção e prestígio intelectuais de seus teóricos, conforme avaliados pelos critérios retrospectivos de avaliação de seus pares neoclássicos. Para dizê-lo de uma maneira grosseira, as fortunas das economias nacionais parecem ter pouco a ver com o fornecimento de bons economistas — pelo menos, no tempo em que suas opiniões não eram tão prontamente disponíveis em nível internacional como hoje. A Alemanha, que depois de Thünen quase não produziu teóricos de destaque, mesmo nas notas de rodapé de manuais não alemães, não evidenciou ter sofrido dessa escassez com sua economia dinâmica. A Áustria pré-1938, onde tais teóricos eram abundantes, prestigiados e consultados pelos governos, apenas foi notícia de sucesso econômico após 1945 quando, por acaso, tinha perdido todos os seus eminentes teóricos mais velhos sem obter substitutos comparáveis. O significado prático dos fornecedores de boa teoria econômica não é evidente por si mesmo. Não podemos nos contentar com a analogia original de Menger, que Schumpeter sustentou até o m de sua vida, entre a teoria pura como a bioquímica e a siologia da economia, sobre as quais se baseiam a cirurgia e terapia da economia aplicada. Ao contrário dos médicos, mesmo os economistas que concordam quanto aos princípios da economia podem ter visões diametralmente opostas sobre a terapia. Além disso, se o tratamento bem-sucedido pode ser praticado — conforme era evidente no caso da Alemanha durante a maior parte do século XIX — por pro ssionais que não aceitam necessariamente que os teóricos precisem da bioquímica e da siologia, então as relações entre teoria e prática econômicas claramente exigem reflexão adicional.
De fato, como já sugeri, a questão neoclássica contra os historicistas admitia que sua própria teoria tinha pouca relação com a realidade, embora, paradoxalmente, sua objeção aos marxistas era de que sua teoria pura (do valor) não era um guia para os preços do mercado real. Os teóricos puros não conseguiriam negar que pela investigação empírica (isto é, a investigação histórica do passado) poderíamos saber mais sobre a economia do que sua mera conformação ou não a alguma proposição teórica. (Na verdade, diríamos hoje que a validação de modelos teóricos a partir de evidência da economia real é bem mais difícil do que pensava a economia positiva.) Nos limites da política e da prática econômicas, considerava-se inteiramente secundário o papel da teoria pura. Böhn-Bawerk deliberadamente a excluía da batalha dos métodos. “É apenas [na teoria] que a questão do método está em disputa”, a rmou. “No domínio da política social prática, por razões técnicas, o método histórico- estatístico é tão indiscutivelmente superior que não hesito em declarar que uma política legislativa puramente abstrato-dedutiva em assuntos econômicos e sociais seria, tanto para mim quanto para outros, uma abominação.”6 Existem governos que tolerariam que isso lhes
fosse lembrado. E Schumpeter, o intelecto mais so sticado e realista entre os austríacos, foi ainda mais claro em seu enunciado: “Na mesma medida em que nossa teoria está solidamente fundada, fracassa quando confrontada aos fenômenos mais importantes da vida econômica”.7
Acredito que aqui o gosto de Schumpeter pela provocação o levou a utilizar um argumento genérico demais contra seu próprio lado. A teoria pura desenvolveu de fato uma dimensão prática; só que esta se mostrou totalmente diferente da que se imaginava que tivesse antes de 1914.
Ultrapassa meu objetivo aqui discutir as razões pelas quais a teoria econômica se desenvolveu nessa direção depois de 1870, embora valha a pena lembrar que as diferenças entre os dois lados na batalha dos métodos eram em grande parte as diferenças entre liberais ou neoliberais em economia e partidários da intervenção governamental. Por trás da insatisfação dos institucionalistas norte-americanos com a economia neoclássica residia uma convicção no controle mais social dos negócios, principalmente dos grandes negócios, e numa intervenção estatal maior que a visada pelos neoclássicos. Os historicistas alemães, que inspiraram grande parte do institucionalismo norte-americano, eram essencialmente adeptos de uma mão visível e não de uma mão oculta — o Estado. Esse elemento ideológico ou político é óbvio no debate. Levou heréticos da economia a tratar o neoclassicismo pré-keynesiano como pouco mais que um exercício de relações públicas para o capitalismo do laissez-faire, uma visão inadequada,