KAPITTEL 5. STAGNASJON ELLER UTVIKLING?
5.5 Konklusjon
Diante das declarações dos integrantes da equipe no decorrer das entrevistas, foi interessante observar que, além dos fundamentos já citados na Seção 4, outra razão que fez com que o projeto existisse, mesmo com os problemas elencados nos relatórios finais e nos discursos dos entrevistados, está relacionada com a satisfação profissional que as atividades e finalidades do projeto proporcionavam aos membros da equipe.
Para o Entrevistado 1, a sua participação na equipe representava exercer os conhecimentos que estava aprendendo na sua graduação (marketing), uma vez que seu cargo não guardava relação com tal área. Tendo em vista que já havia feito alguns trabalhos de divulgação do Câmpus de modo voluntário, para ele, as atividades do projeto serviam de “válvula de escape” e lhe proporcionavam grande realização profissional. Sua expectativa era que as atividades do projeto fossem institucionalizadas, que a equipe ficasse responsável pelas tarefas, no sentido de ter continuidade independentemente da existência de edital de financiamento. Mais que isso, ele tinha a expectativa que o projeto extensionista se tornasse um programa,
para que os outros câmpus pudessem fortalecer o relacionamento com a sua comunidade também.
PESQUISADORA: Entendi. Você falou “com dor no coração” de sair. Teve que tomar essa decisão com dor no coração. Você poderia explicar melhor por que com dor no coração?
ENTREVISTADO 1: Ah porque assim (...) o projeto era minha válvula de escape ali, entendeu? Era aonde eu me encontrava...assim, aonde eu conseguia alinhar a minha formação com as atividades que eu estava desenvolvendo. Então, era (...) algo que me dava, como é que eu posso dizer, uma satisfação...
Nessa mesma direção, o Entrevistado 2 demonstrou sentir orgulho de ter se tornado integrante de um projeto inovador, criado pela categoria de técnico- administrativos, que supria uma necessidade latente do Instituto Federal, na área de comunicação. Devido ao seu conhecimento, suas atividades na equipe também transcendiam às atribuições do seu cargo, e foram essenciais para desenvolvimento de materiais gráficos e audiovisuais.
Assim como para o Entrevistado 1, a expectativa do Entrevistado 2 era de que as ações do projeto se tornassem permanentes no Câmpus, podendo ser replicadas em outros câmpus dos Institutos Federais, se assim houvesse interesse. Para ele, a equipe se estruturou de forma muito satisfatória em termos de organização e método de trabalho, entretanto, recebeu reconhecimento tardio por parte da Reitoria, se referindo a um episódio que a Assessoria de Comunicação Social do IFSP convidou os integrantes do projeto para ajudarem na elaboração de um vídeo institucional em 2017.
(...) o impacto do meu trabalho no projeto era maior do que o impacto do meu trabalho no Câmpus São João. É, então 4 horas trabalhadas no campus São João acho que equivaleria (...) a 10 minutos meus trabalhados no projeto. Então, o impacto do projeto, eu trabalhando no projeto, renderia mais, eu impactaria mais gente (...) meu trabalho teria mais significância (ENTREVISTADO 2, 2018).
Objetivos comuns e afinidade de ideias foram apontados pelo Entrevistado 3 como a razão que o motivou participar da equipe. Para ele, todos os integrantes participavam de todas as etapas dos trabalhos, desde o planejamento de atividades e eventos, elaboração de materiais, publicação nas mídias sociais até realização de visitas. Sua expectativa era conseguir ampliar cada vez mais as ações de
comunicação direcionadas à comunidade externa do Câmpus São João da Boa Vista, inclusive em sua região, a fim de fortalecer progressivamente o papel social da escola. Posteriormente, a sua ideia seria ajudar os câmpus mais novos a desenvolverem projetos semelhantes, de forma a atingirem o mesmo objetivo de se popularizarem. Suas palavras revelam o substrato do significado do projeto para a equipe:
Sabe, é a nossa instituição, mas muitas pessoas acham que é só um local de trabalho, é um lugar que eu vou lá, trabalho e volto embora; não me importo como que está andando (...), se vai pra frente, se não vai pra frente, se vai ficar aberta, se vai fechar, ninguém está importando. E essa é a mentalidade que a gente não quer ter, a gente, no projeto, a gente tem a mentalidade de “vamos levantar essa instituição”, vamos mostrar pro mundo... Porque a gente precisa de ter mais alunos estudando numa escola de qualidade (ENTREVISTADO 3, 2018).
Assim, o posicionamento dos participantes vai ao encontro do que Klein e Mascarenhas (2016) identificaram em sua pesquisa sobre carreira no setor público, em que os servidores públicos se sentem mais satisfeitos, principalmente, com fatores intrínsecos ao seu cargo, ou seja, quando percebem que a natureza do seu trabalho possui relevância. Assim como eles concluíram, isso evidencia a importância de se ter políticas de gestão e desenvolvimento de pessoas que considerem tais questões no âmbito público, uma vez que seus resultados interferem diretamente na prestação dos serviços públicos à população.
Na mesma direção, adentrando mais no cenário escolar, Lück (2017) acredita que o nível de participação e envolvimento efetivo dos membros é menor quanto maior a sua burocratização, quanto mais formalizados são os papéis e funções das pessoas. Logo, considerando as características do Instituto Federal e as declarações dos participantes, entende-se que executar o projeto, para a equipe, também significava efetivamente participar da consecução dos objetivos e finalidades da organização, enriquecendo seu trabalho e, com isso, gerando certa satisfação profissional a eles.
Diante do exposto, percebe-se que além de fundamentos racionais e legais, a idealização e execução do projeto “IFSP: Conheça-nos!” tiveram como base questões relacionadas ao enriquecimento e à valorização do trabalho do profissional da educação de instituições públicas, os quais, historicamente, tem uma trajetória
marcada pela resistência ao poder vigente e pela luta por uma sociedade mais justa e democrática. No entanto, por se tratar de uma instituição altamente burocratizada, como foi apresentado, a efetiva participação e inovação dos processos existentes implicavam mudanças organizacionais, estas tão desafiadoras no ambiente público, como citado por Bergue (2010) e Lück (2017).
5.3.2 Societais, organizacionais ou pessoais: afinal, que barreiras impediram a