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Kommuner med tett trehusbebyggelse

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As referências ao passado em chamadas de destaque do JN não se referem ao passado dos descobrimentos ou ao mundial de 1966, como no caso do Público. O passado, no caso dos destaques do Jornal de Notícias, remonta para um pretérito recente, nomeadamente ao Euro2004, quando Portugal derrotou a Espanha. Num primeiro caso, depositando confiança na selecção portuguesa na sua medição de forças com Espanha, o JN mostra um certo positivismo e preferência na vitória portuguesa, pressupondo já uma vitória, prevendo que Ronaldo, se derrotasse a Espanha passaria a ser “odiado”, como aconteceu das duas vezes que Portugal derrotou Inglaterra, onde Ronaldo jogava. A esse propósito escreve o JN:

“Quando jogava no Manchester United, afastou a Inglaterra por duas vezes” “Importam-se e repetir? Portugal nunca perdeu com Espanha em jogos a doer” - destaque dia 28

“Uma tradição para manter” - destaque dia 28

É fácil verificar que o JN apostava numa tendência lusa para a vitória, elevando as suas expectativas.

6.2.2. Antetítulos, títulos e Superleads - O exército

português

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A questão da defesa do país, da nação, está muitas vezes analogamente associada à guerra. Já verificamos essa analogia no Público e, como iremos agora verificar, também o JN faz uso dessa metáfora para se referir aos jogos da selecção portuguesa de futebol.

Ao referirem-se à estreia da selecção portuguesa no Mundial de Futebol da África do Sul, no dia 15 de Junho, o Jornal de Notícias refere que:

“Quinas entram hoje em cena, à procura de novo sucesso com vista para o Índico.”

“Sem espaço para errar - Queiroz quer vencer desde o início e sente que a selecção vai “orgulhar” portugueses”

À semelhança do Público, o Jornal de Notícias também escolheu as palavras de Carlos Queiroz para titular as suas notícias - sem espaço para errar - mostrando desde logo a

importância de uma vitória nos primórdios de uma competição de envergadura internacional. Salienta-se também a questão do “orgulhar” portugueses, mostrando uma forte ligação à defesa da pátria e aos seus habitantes. É a sua imagem que está em jogo.

Com o empate alcançado no primeiro jogo, é interessante verificar a atribuição de acções que o Jornal de Notícias faz, recorrendo ao título:

“Marfinenses fizeram muito trabalho de casa para bloquear portugueses” - dia 16

Ora, não foi a selecção que jogou melhor ou pior, que teve melhor ou pior prestação, mas sim a equipa adversário que trabalhou muito para “bloquear os portugueses”, parecendo indicar que a culpa não foi nossa. No entanto, o uso do verbo “bloquear” mostra desde logo algum descrédito na equipa portuguesa, indicando que ela não foi capaz de agir.

Empates à parte, era necessário começar a olhar para o futuro e encará-lo com confiança. O JN realça desde logo essa questão indicando, no dia 21, que

“Vitória sobre a Coreia do Norte colocará Portugal a um ponto dos oitavos-de-final.”

É patente a importância da vitória. Esta fez-se adivinhar e, se no dia anterior ao jogo, a presença de Portugal na fase seguinte do mundial era ainda envolta em incertezas, depois do jogo, então, já era praticamente uma certeza inquestionável:

“Portugal já olha para possíveis adversários nos oitavos-de-final”

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Com a barriga cheia de golos, o Jornal de Notícias louva o jogo português contra os norte-coreanos, apontando a vitória portuguesa como uma das melhores (se não a melhor) na sua história:

“Portugal nunca tinha conseguido um resultado tão volumoso numa fase final.” “Revolução de Carlos Queiroz resultou e Portugal a arrasar norte-coreanos”

Relativamente ao segundo título, podemos realçar a questão da “revolução”, como mudanças necessárias à equipa que deram frutos, e o facto de a selecção portuguesa ter “arrasado” os norte-coreanos. A sorte de uns é a desgraça dos outros já se sabe; e se, em Portugal, os sete golos foram recebidos com agrado, minuto após minuto (quase), para os norte-coreanos deve ter sido mesmo um martírio. Principalmente pela sua situação político- social. Mas, voltando ao mundial, e agora com os títulos referentes ao terceiro jogo de Portugal, contra o Brasil. O último encontro com esta equipa não tinha sido favorável aos portugueses, não obstante, o JN faz questão de o recordar, para indicar que desde esse dia, a equipa portuguesa está mais forte, mas capaz:

“…depois da goleada (6-2) sofrida com o Brasil, em 2008, a equipa das quinas nunca mais perdeu e apenas sofreu três golos em 18 partidas.”

“Nunca mais perdeu”, parece mesmo mostrar a importância da equipa, levantando a moral, indicando quase que a derrota contra o Brasil foi um “abre olhos” português; que desde aí, a equipa tem obtido bons resultados. A referência a números complementa esta ideia,

particularmente indicando que nos últimos dois anos (até a data do jogo), a selecção

portuguesa disputou mais 18 jogos, tendo um saldo de golos sofridos muito reduzido: “apenas três”. Os bons resultados são propícios à confiança e à crença na selecção.

Seguindo esta ordem de ideias, nas vésperas do confronto ibérico, o Jornal de Notícias recorre novamente a questões passadas, onde a prestação da equipa portuguesa dá frutos:

“Quando é a sério, selecção portuguesa sabe como travar a armada espanhola.”

Ou seja, se a competição não for a sério, os resultados da equipa das quinas não são os mais favoráveis, por outro lado, quando uma vitória é essencial, a selecção portuguesa dá o seu melhor, conseguindo “travar a armada espanhola”.

Uma das mais-valias para a crença e para a fé na equipa portuguesa chama-se Cristiano Ronaldo: o melhor jogador do mundo, temido pelos adversários da equipa lusa, pela magia que carrega nos pés. Relativamente ao jogo contra o Brasil, numa entrevista a Lúcio, jogador da selecção canarinha, este indica que Cristiano não é grande preocupação, mas que a sua equipa vai fazer os possíveis para diminuir, ou mesmo aniquilar, o seu estrelato, como nos mostra este título:

Mas de facto não foram necessários grandes esforços para “anular o craque português”; o jogo contra os brasileiros acabou com um empate a zeros, mas, apesar disso

:

“Portugal confirma apuramento”

É notória a confiança que o JN deposita na selecção portuguesa. O acto de “confirmar” pressupõe que antes essa ideia já teria sido posta, e como o próprio Jornal de Notícias escreveu: “não passa pela cabeça de ninguém que as quinas não avancem para os oitavos-de- final”

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