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A Bola aposta numa posição mais central como projecção da imagem portuguesa, comparando a selecção portuguesa a outras ditas de renome. O recurso a números, por exemplo, é uma das características também apresentadas em A Bola, de forma a reforçar a ideia de grande selecção, como podemos verificar, por exemplo nesta entrada do dia 14:

“Só Holanda não perde há mais tempo que Portugal - Laranja mecânica não é derrotada há 19 jogos. Selecção de Queiroz desde o Brasil (2-6).”

O jogo contra a Coreia do Norte, como já verificamos, foi importante para a auto- estima portuguesa. Da mesma forma que no Jornal de Notícias e no Público, também A Bola verificou essa importância, tentando mostra-las nas suas entradas noticiosas do dia 23 de Junho.

“Portugueses entre os „big five‟ - A imprensa sul-africana fala de um Portugal «seven up!». O „Sowetan‟ diz que o jogo foi tão bom que até passou na TV da Coreia do Norte.” “Portugueses, reis e senhores na Cidade do Cabo.”

Além disso, o resultado obtido pela selecção fez com que a consideração pela equipa portuguesa aumentasse, passando a ser considerada como uma das selecções a temer mais, como destaca A Bola:

“Sete golos à Coreia do Norte colocaram os Navegadores na lista dos mais temidos”

Com o decorrer da competição, e com algumas das ditas grandes equipas a se despedirem, uma por uma, do mundial da África do Sul, A Bola mostra a sua confiança na equipa das quinas, revelando que ela poderá ainda ser uma surpresa:

“Portugal salva Europa? Itália e França já estão fora; Alemanha ou Inglaterra, um irá domingo. Gana será a única equipa africana a chegar aos oitavos-de-final. Portugal pode ainda vir a ser a boa surpresa europeia.” - dia 25

A boa surpresa Europeia, ou seja, continuar em prova e aguentar-se nela o máximo de tempo possível, faria assim a selecção nacional detentora de uma posição de destaque a nível mundial.

Uma outra forma de mostrar a centralidade portuguesa prende-se com as considerações sobre os próprios jogadores. A esse propósito, é comum encontramos as opiniões de entidades conhecidas e importantes que destacam a boa equipa portuguesa. E para falar da equipa e dos jogadores, quem melhor do que as pessoas que desempenham a mesma função? A esse propósito A Bola apresenta-nos esta notícia no dia 18 de Junho:

“Portugal entre os favoritos das estrelas do Real- Kaká, Higuain, Ronaldo, Sérgio Ramos, Arbeloa e Van der Vaart fazem prognósticos. Médio brasileiro diz que o melhor marcador vais ser… Português”

O emprego de argumentos de autoridade é bastante útil para o reforço de uma ideia ou posição, como já verificámos. Neste caso, a consideração que grandes jogadores de

futebol têm pela equipa portuguesa, é prova quase que suficiente para afirmar que a selecção portuguesa, devido à sua qualidade, pode chegar longe.

Após ter sido conhecido a próxima equipa que iria jogar com Portugal nos oitavos-de- final, A Bola estava também interessada em verificar como o adversário se sentia em relação à equipa portuguesa. Em conversa com David Villa, que acabou por se tornar tão fatal para a turma das quinas, A Bola titula:

“«Portugal tem grandes individualidades» - David Villa reconhece que vai defrontar,

terça-feira, na Cidade do Cabo, uma das melhores selecções mundiais. “ - dia 27

Falando em grandes individualidades, temos que falar obrigatoriamente em Cristiano Ronaldo, porque, de facto, o seu estrelato e a sua posição, como um dos melhores jogadores do mundo, coloca Portugal numa boa posição. A Bola é claramente defensora do capitão das quinas, tanto que lhe dedica um par de capas e de títulos. Logo nos primórdios do mundial, no dia 12 de Junho, A Bola titula:

“A Bola é tua, Cristiano Ronaldo!”

Mas no primeiro jogo da selecção, a bola não foi de Ronaldo nem de ninguém. Com o jogo contra a Costa do Marfim obtendo um resultado a zeros, A Bola, no dia 21, salienta a importância de ganhar o jogo seguinte contra a Coreia do Norte, mais uma vez depositando total confiança no craque madeirense:

“O grande líder, o querido líder e o nosso líder - Hora de Ronaldo assumir rédeas na Selecção.”

Nota-se claramente este sentimento que A Bola tem por Cristiano Ronaldo, assim como a importância e a centralidade que lhe atribui à selecção nacional.

A posição central portuguesa é atirada para as periferias em dias de derrota. No dia seguinte à estreia portuguesa no mundial da África do Sul, A Bola escreve:

“Portugal sem bilhete para entrar no autocarro laranja”

A posição periférica neste título é denotada por a Costa do Marfim ser uma selecção de um país em vias de desenvolvimento, sendo que o seu empate poderia colocar os dois países em pé de igualdade, pelo menos a nível desportivo. O autocarro laranja diz respeito aos equipamentos costa-marfinenses utilizados no dia de jogo com Portugal: laranjas.

Por fim, a posição de Portugal atirada para a periferia pela derrota com a Espanha. Apesar da vitória espanhola, A Bola fez questão de realçar que o jogo não tinha sido assim tão fácil, pelo menos na fase inicial, e que Espanha reconhece o mérito português:

“Intensamente Espanha - Em Vigo, ontem foi dia de sol, praia e festa. „Nuestros hermanos‟ sofreram, mas cedo se aperceberam que podiam ganhar e seguir para os quartos-de-final do Mundial da África do Sul. Festa rija, mas com enorme respeito por Portugal.”

À semelhança do que se passou no Jornal de Notícias ou no Público, também A Bola depositava uma preferência lusa para a vitória neste duelo espanhol. Assim, este superlead é indicativo do “termos que admitir” que de facto a Espanha tem uma selecção melhor que a portuguesa.

“Custar, custa, mas a Espanha é melhor.”

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