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In document ROS Agder (sider 36-40)

Verificamos já que o Público mantém uma posição quer de confiança quer de

descrédito relativamente à selecção portuguesa, apresentando tanto factores que incentivem à crença e a fé numa grande equipa, como factores indicando que é preciso lutar e não menosprezar os adversários. Podemos notar isso logo no início do Mundial, quando o Público indica que:

“Quando partiu para a África do Sul, a selecção portuguesa já sabia que estava no chamado grupo da morte, com um fortíssimo candidato (Brasil), um forte concorrente (Costa do Marfim) e um outsider desconhecido à procura da surpresa (Coreia do Norte)” (Hugo Daniel Sousa, dia 16 página 2)

“…as previsões não são optimistas. A começar pelo calendário. Portugal ficou integrado no chamado grupo da morte, juntamente com o Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte” (Hugo Daniel Sousa, dia 11 páginas 8 e 9)

Estas expressões mostram-nos as já verificadas preocupações com a fase de grupos, pelos adversários existentes. A qualificação das equipas como “fortíssima” e “forte” revelam- nos quem era alvo de um maior cuidado; não obstante, a qualificação como “outsider

desconhecido à procura da surpresa” mostra que a preocupação já não é tão grande, mas nunca fiando.

A referência a dados estatísticos e numéricos é bastante usual no Público. Servem tanto para dar moral como para desmoralizar. Neste caso, sustentando a ideia anterior, o Público dá-nos a conhecer os lugares de destaque do ranking da FIFA, onde

“Portugal é apenas o nono favorito a vencer…” (Hugo Daniel Sousa, dia 11 páginas 8e9)

Apesar de haver 32 selecções no mundial, o Público considera que o lugar dado a Portugal não é satisfatório; a utilização de “é apenas”, mostra um certo descrédito e desagrado. O mesmo relativo a médias dos últimos seleccionadores portugueses, onde a de Carlos Queiroz é considerada como

“… a pior média dos últimos seleccionadores.” (Hugo Daniel Sousa, dia 20 página 30)

A passagem pela selecção portuguesa de futebol no Mundial da África do Sul não ficou marcada apenas pela competição. Entre rumores e burburinhos, a selecção foi marcada por alguns desentendimentos entre jogadores e o seleccionador. Nomeadamente no que concerne às escolhas do seleccionador (“Perguntem ao Queiroz”, foi uma das frases mais mediáticas por esta altura). O problema principal teve a ver com declarações que Deco fez,

alegadamente de “cabeça quente”. Não nos interessa estar a verificar os problemas e as soluções da estadia de Portugal na África do Sul, apenas verificar como o Público viu a

situação. Para este periódico, estas situações corriqueiras e do diz-que-disse, proporcionavam uma má imagem de Portugal, pois

“…levantam uma nuvem sobre a selecção portuguesa de futebol na África do Sul.”

(Hugo Daniel Sousa, dia 17 página 36)

Já aqui tivemos oportunidade de verificar a importância de Cristiano Ronaldo para a selecção portuguesa de futebol. Disputando o lugar de melhor jogador do mundo com o argentino Leonel Messi, a prestação de Ronaldo é campo é seguida por um número indefinido de fãs, olheiros, e amantes do futebol. Um dos pontos que levantava mais problemas a Cristiano Ronaldo neste mundial, era a sua ausência de golos a serviço da selecção nacional, algo que também o seu rival é acusado. Messi entrou a marcar no mundial, por isso mesmo, de acordo com o Público, Ronaldo teria que desmentir a situação proposta pelos analistas de estes jogadores terem mais sucesso nos seus clubes do que nas suas selecções. Assim:

“Amanhã será a vez de Ronaldo tentar desmentir os analistas.” (Hugo Daniel Sousa, dia 14 página 27)

Ora, tentar desmentir pressupunha que de facto, para o melhor jogador do mundo, jogar futebol é coisa de meninos. O próprio Ronaldo já tinha dito em declarações à imprensa que queria marcar muitos golos. No entanto, no dia seguinte Ronaldo não desmentiu. Falava-

se da estreia da selecção no Mundial, que já tivemos oportunidade de verificar que recebeu imensas críticas. Entre elas, a consideração que de facto a abertura da selecção não foi a melhor…

“…e como Portugal desiludiu…”(Hugo Daniel Sousa, dia 16 página 2)

É este o sentimento do Público: uma perfeita desilusão em forma de jogo. é interessante verificar a metonímia associada, representando assim a posição no mundo, de uma equipa que contra uma “menos forte”, não é capaz de medir forças e impressionar, mas sim, desiludir.

O futebol tem sido nos últimos anos palco de um enorme mercado milionário de transferências. Desta forma, não só é necessário representar bem o país, mas dar o melhor de si próprio enquanto jogador. O guarda-redes da selecção portuguesa é desta opinião,

revelando o seu desejo de sair de Portugal para um palco maior.

“Tenho a noção de que o Mundial é a maior montra do futebol. Se as coisas correrem bem, as portas poderão abrir-se.”(Declarações de Eduardo, dia 27, página 24)

Podemos dizer que é um fetiche futebolístico (e de todas as profissões

provavelmente), a possibilidade de evoluir e crescer, representar grandes equipas e formar uma tropa com grandes jogadores. Ainda mais porque, no futebol, esta possibilidade é alcançada mais facilmente.

A nível das expressões sobre a posição de Portugal no mundo, podemos considerar como última categoria, novamente, a comparação entre Portugal e Espanha, arqui-rivais a nível de desporto, território e história. O Público tem a tendência de nas suas notícias apresentar sempre aspectos negativos e positivos dos adversários portugueses. Verificamos já que, a nível positivo, estava centrada uma grande confiança e fé na equipa das quinas. No entanto, como quem se contradiz, o Público apresenta também os aspectos a temer da armada espanhola. Se, por um lado, se faz lembrança ao Euro2004, em que Portugal derrotou Espanha, por outro o Público questiona:

“Terá a equipa de Carlos Queiroz possibilidades reais perante os campeões europeus de 2008?” (Paulo Curado, dia 27 página 22)

Ora, é engraçado verificar as antíteses que se encontram ao virar de cada página no Público. É um facto que as equipas são diferentes, como eles próprio afirmam e comentam. No entanto, na mesma notícia verificamos a passagem da crença à descrença, do acreditar e do desmentir, quase como uma esquizofrenia descontrolada.

Voltando ao números, tão aliados do Público. E novamente a antítese: Portugal tem hipóteses mas não tem. Recordemos a expressão já analisada “Os espanhóis têm também tentado mais vezes o golo do que Portugal, mas nem aí estão à frente.” Claramente positiva em relação a equipa portuguesa. No entanto, na opinião do Público

“…o saldo português frente aos espanhóis não é famoso” (Hugo Daniel Sousa, dia 26 página 2)

Claramente uma opinião antitética; e como já podemos verificar é sempre assim ao longo dos dias e das notícias: positivo e negativo sempre de mãos dadas, como se fizessem parte do mesmo conjunto e não existisse qualquer confronto entre os dois.

Por fim, relativamente ao resultado do jogo. O Público faz uma comparação directa entre jogadores e treinadores, indicando que, em quase tudo, os nossos vizinhos espanhóis foram melhores:

“David Villa ganhou a Cristiano Ronaldo, Xavi a Raul Meireles, Vicente del Bosque a Carlos Queiroz. A Espanha foi melhor do que Portugal em quase toda a linha,” (Hugo Daniel Sousa, dia 30 página 2)

Esta frase mostra claramente que o resultado obtido pela selecção portuguesa neste último jogo não foi de agrado geral. A comparação clara entre jogadores da mesma posição, quase que numa marcação directa, parecem querer pisar ainda mais a opinião sobre o jogo. Assemelham-se a comparações de crianças quando discutem que o que lhes diz respeito é sempre melhor que o que diz respeito aos outros. Mas, no entender do Público não foi um jogo vergonhoso; foi uma prestação sem brio, mas é necessário sair de cabeça erguida. Como referem acerca da prestação portuguesa:

“Sem vergonha, mas também sem brilho” (Hugo Daniel Sousa, dia 30 página 2)

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