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Komando stødte den 11te Juni sammen med Boxerne»

In document Mediehistorisk Tidsskrift nr. 27 2017 (sider 118-121)

Ariès (1981) parte da análise da criança e seu percurso na escola, articulando questões pertinentes à família, no que concerne à sua trajetória histórica. Ele aponta que, no período medieval, tanto a socialização da criança quanto a transmissão de valores e conhecimentos não eram assegurados pela família. O que a criança aprendia era uma aprendizagem autônoma, ou seja, ao auxiliar e observar os adultos nas atividades cotidianas, ela aprendia por si só. Associava-se, assim, educação à aprendizagem do serviço doméstico, por meio da prática.

Nesse período, as trocas afetivas e as comunicações sociais aconteciam fora da família, de forma que a criança, após os primeiros anos de vida, comumente passava a viver em outra casa que não era de sua família. Ariès salienta que, no final do século XV, a realidade e o sentimento da família se transformaram, concomitantemente à ascensão da escola – que deixou de ser reservada aos clérigos - forjando a separação da criança dos adultos, submetendo-a a um período de quarentena, em que era mantida na escola, período convencionado de escolarização. Assim, para Ariès (1981), a família tornou-se um lugar de afeição necessária entre pais e filhos, algo que ela não era antes.

Eco (2004) define o burguês pela praticidade que rege sua vida: as coisas são certas ou erradas, belas ou feias, sem ambiguidades. “O burguês não é dilacerado pelo dilema entre altruísmo e egoísmo: é egoísta no mundo exterior [na bolsa, no livre mercado, nas colônias] e bom pai, educador, filantropo no recôndito das paredes domésticas.” (ECO, 2004, p. 362). Essa afeição se exprimiu, sobretudo, através da importância que se passou a atribuir à educação. É nesse contexto que a família começa a interessar-se pela educação dos filhos, acompanhando solicitamente seus estudos, a partir dos séculos XIX e XX, atitude outrora desconhecida.

A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância, que a criança saiu de seu antigo anonimato, que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor, que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes, e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. (ARIÈS, 1981, xi).

Partindo desse princípio - decorrente da revolução escolar e do sentimento familiar -, é possível compreender o que sustenta os paradigmas acerca da família, relacionados à polarização da vida social a partir do século XIX, que se estende até os dias atuais, abolindo as convenções antigas de sociabilidade.

Ariès (1981) traz o conceito de sentimentalismo que atingiu a família a partir do século XVI e XVII, pontuando que em decorrência disso aconteceram mudanças significativas de atitudes da família em relação à criança, no sentido de querer mantê-la mais próxima. A família transformou-se, ao passo que

modificou suas relações internas com a criança, pois começa a valorizar sua proximidade, e tal atitude provoca a mudança do sentimento familiar com relação aos filhos.

É evidente que, com a proliferação das escolas, em meados do século XVII, surge a necessidade de uma educação teórica, substituindo as antigas formas de aprendizagem prática, reforçando o desejo dos pais em não afastar muito as crianças, mantendo-as próximas, perto o maior tempo possível. Ariès (1981) destaca que esse fenômeno comprova a transformação considerável da família, passando a concentrar-se na criança.

Outra questão que o autor enfatiza é a transformação ocorrida no final do século XIX, quando as amas-de-leite – denominação às mulheres que amamentam os filhos alheios – passaram a morar na casa dos patrões, e, com essa proximidade desde o nascimento, as famílias se recusam a separar-se dos bebês.

Com relação a isso, Ariès (1981, p. 164) constata que:

A história aqui esboçada, [...], surge como a história da emersão da família moderna acima de outras formas de relações humanas que prejudicavam seu desenvolvimento. Quanto mais o homem vive na rua ou no meio de comunidades de trabalho, de festas, de orações, mais essas comunidades monopolizam não apenas seu tempo, mas também seu espírito, e menor é o lugar da família em sua sensibilidade. Ao contrário, se as relações de trabalho, de vizinhança, de parentesco pesam menos em sua consciência, se elas deixam de aliená-lo, o sentimento familiar substitui os outros sentimentos de fidelidade, de serviço, e torna-se preponderante ou, às vezes exclusivo. Os progressos do sentimento da família seguem os progressos da vida privada, da intimidade doméstica. O sentimento da família não se desenvolve quando a casa está muito aberta para o exterior: ele exige um mínimo de segredo.

Nessa conjuntura, o autor considera que é com o advento da escola que é valorizada a proximidade das crianças com a família, o que provoca consequências sentimentais que implicam em um modo de estruturação da família, evidentemente, ainda distanciada da constituição da família moderna. Na opinião de Ariès (1981), o sucesso material, as convenções sociais e os divertimentos coletivos não se distinguiam como hoje em atividades separadas, da mesma forma que não havia separação entre a vida profissional, a vida privada e a vida social.

Nesse contexto, o padrão social da família era constituído por intermédio dos costumes sociais que a família exercia, não essencialmente da fortuna que possuía. O prestígio, a boa reputação, o carisma, eram características da família que possuía êxito social.

No Brasil, o surgimento da escola, da privacidade, dos cuidados especiais com as crianças, também fez parte da construção da família nuclear e, por conseguinte, da estrutura familiar contemporânea.

In document Mediehistorisk Tidsskrift nr. 27 2017 (sider 118-121)