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Om Knapp og den tyske historiske skole

No contexto regional podemos dizer que a atuação do Brasil foi relevante no jogo de forças que determinaram o destino de dois blocos regionais: a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). A atuação da diplomacia brasileira foi entendida como importante para a desestabilização da primeira proposta e na consolidação da segunda: “If Brazil’s only aim is to redress the balance of power, fine, say free traders. Brazilians are not alone in thinking that the United States threw its weight around in negotiating NAFTA”698.

As bases institucionais do MERCOSUL foram sedimentadas em 1994 com a assinatura do Protocolo de Ouro Preto. Este protocolo previa que o bloco tivesse status de União Aduaneira a partir do ano de 1995. A revista destacou que essa iniciativa seguia a tendência internacional de associação dos países em blocos comerciais regionais. Informava ainda que, de acordo com a OMC desde 1948, 109 acordos como esse foram notificados699.

Com o estabelecimento definitivo do MERCOSUL, o periódico noticiava que o comércio entre Brasil e Argentina havia crescido. Nesta perspectiva, o governo americano anunciou que pretendia firmar a Argentina entre seus aliados prioritários e sobre cuja situação a revista afirmou: “Conspiracy theorists see an American attempt to divide the two main Mercosur partners in negotiations on the proposed Free Trade Area of the Americas (FTAA)”700. A ideia de uma possível cisão entre os dois países reforçava-se com as

declarações de Carlos Menem, presidente da Argentina, contrárias a ambição brasileira de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, com o argumento de que isso quebraria o arranjo regional de poder.

As avaliações da revista sobre a união aduaneira também não são completamente consistentes. Segundo ela, O MERCOSUL só teria condições de sobreviver se regras mais

697 Brazil rocks the Mercosur boat. 13 fev. 1999. p. 67 e ss.

698 Brazil gets its way. 30 mar. 1996. p. 63 e ss. Cf. Rediscovering the Americas (ed.). 17 mai. 1997. p. 18. 699 The right direction? (ed.). 16 set. 1995. p. 23 e ss.

aprofundadas de aplicação do livre-comércio fossem acordadas entre os países. Por outro lado, apresentava dados que confirmavam a consolidação do bloco atestando que o comércio entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai tinha crescido de quatro bilhões de dólares em 1990 para dezoito bilhões em 1997. Mais adiante, sustentou que a crise nas duas maiores economias prejudicava o bom funcionamento do bloco, ao ponto de a Argentina estabelecer barreiras comerciais para os produtos brasileiros701.

Com relação ao Brasil a publicação considerava que o MERCOSUL representaria uma etapa da sua projeção de poder não apenas na América do Sul, mas no mundo. A ambição do país em constituir-se como uma liderança internacional voltava, então, às páginas da revista702. Essa ideia é reforçada quando o semanário afirmou que o país - apesar de sua posição dominante na América do Sul -, devido às suas dimensões, economia e população, sempre se absteve de mostrar seu peso para os vizinhos. Não obstante, essa situação vinha se modificando:

[...] under Fernando Henrique Cardoso, its cosmopolitan and polyglot President since 1995. Brazilian soldiers have taken part in UN peacekeeping: 69 left for East Timor this week. Brazil has used its diplomatic clout to help settle a nasty border dispute between Peru and Ecuador; twice in the past four years, it has joined the United States in applying pressure to abort coups in Paraguay703.

Ainda no sentido de enraizar sua liderança, o Brasil, de acordo com o que avaliava a Economist, dava preferência a um MERCOSUL mais amplo e menos aprofundado. Quando o acordo regional completou dez anos, a publicação externou que era preciso fazer um balanço realista da situação do bloco; este estava baseado apenas nas economias do Brasil e da Argentina. Repetia a declaração da diplomacia que o MERCOSUL era o destino do Brasil e que, a ALCA, uma opção704. Para a revista chegava a hora de o país escolher e, esta escolha, era importante regionalmente. Haja vista que, mesmo que a retórica fosse outra, o Brasil era uma liderança no bloco. Naquele momento, o debate principal era se haveria adesão, conjunta ou individualmente, dos países do Cone Sul à ALCA e o Brasil era o mais reticente dos negociadores. Consoante a Economist, o principal argumento era que os Estados Unidos

701 Sour Mercosur (ed.). 14 ago. 1999. p. 13. Necessário lembrar que a Economist já havia defendido que o Brasil adotasse a política de paridade com o dólar, então vigente na Argentina.

702 Brazil rocks the Mercosur boat. 13 fev. 1999. p. 67 e ss. 703 Southern crossroads. 26 ago. 2000. p. 52.

704 Ibid. O Chanceler Celso Lafer repetiu essa declaração em diversas oportunidades. Cf. ROSSI, Clóvis. Europa oferece ao Mercosul avançar mais que Alca. Folha de S. Paulo, 21 mar. 2001. s/p.

mantinham fortes subsídios agrícolas e que isso prejudicaria o bloco; em contrapartida lembrou que o país também permanecia relativamente protecionista705.

Já nas projeções para as eleições de 2002 argumentava: “If Mr Serra wins the presidential, and whatever his doubts about American inconsistency, he is likely to sign up for an FTAA – even a less than perfect one, provided that, on balance, going in is better than staying out”706.

Outros sinais de que a economia brasileira importava mais no mundo também eram apontados, como por exemplo, a declaração do FMI qualificando o país para emprestar recursos ao próprio Fundo e a outras nações. Afirmou, igualmente, que a sorte parecia estar sorrindo para o Brasil; o país não precisaria da segunda parte do empréstimo em 1999, pois superara a meta de superávit primário para o ano. Avaliou ainda que poucos países tinham bancos de investimento tão fortes como os daqui707.

A Economist enfatizava que já era tempo do gigante da América Latina varrer seu complexo de inferioridade: “Brazil is simple o mais grande, or the biggest”708.

Historicamente, o país, que sempre esteve isolado dos vizinhos de língua espanhola, teve sua autoconfiança abatida por crises econômicas recorrentes e pela dificuldade de estabelecer uma democracia estável. Todavia, o semanário fazia um prognóstico de um futuro melhor e, a razão disso era que o país resolveu abrir sua economia. Porém a Economist fazia a ressalva de que o caminho para tal processo se concretizar era longo: “Brazil’s share of the world trade is smaller than in the mid-1970s. [...] Reversing that decline might be helped if Brazil were to overcome its lingering inferiority complex”709. Uma das iniciativas nesse direção foi a

primeira reunião dos presidentes da América do Sul, realizada por iniciativa de Fernando Henrique Cardoso; o Brasil finalmente começava a exercer uma liderança discreta, mas há muito almejada710.

Além da atuação na economia regional, os investimentos em modernização das Forças Armadas também foram vistos como um degrau na ambição internacional. Conforme a publicação, os civis estariam, pela primeira vez, pensando em estruturar as armas da maneira que o país precisava. Lembrou que somente em 1999 a chefia das Forças Armadas saiu das

705 The risks to free trade (ed.). 30 jan. 1999. p. 19.; Some realism for Mercosur (ed.). 31 mar. 2001. p. 15 e ss.; Breaking barriers in the Americas (ed.). 21 abr. 2001. p. 14.

706 Steeling for a fight. 23 mar. 2002. p. 56 e ss.

707 Missing the point (ed.). 10 out. 1998. p. 15 e ss.; Still a big risk (ed.). 23 jan. 1999. p. 18.; Short on profits. 7 mar. 1998. p. 108 e ss.; Matters of tax. 12 jun. 1999. p. 74 e ss.

708 Mexico overtakes Brazil. 8 set. 2001. p. 65.

709 Brazil's 500 years of solitude (ed.). 22 abr. 2000. p. 15 e ss. 710 South American dreams (ed.). 9 set. 2000. p. 21.

mãos dos militares. Nesse quadro: “The aim of the review is to try to align Brazil’s military capabilities with its foreign policy objectives”711.

Para a Economist, as relações entre civis e militares permaneciam tensas mesmo depois da morte do último presidente militar, João Batista Figueiredo, em dezembro de 1999. Mesmo ano em que foi criado o Ministério da Defesa e que o comando das Forças Armadas foi colocado, pela primeira vez, nas mãos de um civil. A revista repercutiu negativamente a fala do Deputado Federal, Jair Bolsonaro - para ele o presidente deveria ser condenado à morte por traição712.