3. Metallisme og nominalisme – en historisk oversikt
3.2 Rettsteorier om pengebegrepet
3.2.10 Utviklingstrekk frem mot Knapps pengeteori:
Em frente à casa que morei na CDD havia uma Assembleia de Deus, um pequeno galpão com cadeiras de plástico, o qual eu visualizava completamente da janela da cozinha. Um ventilador e um amplificador de som na porta com volume sempre muito alto. Os cultos eram quase diários. A cada vez que eu voltava para a CDD o número de igrejas evangélicas era maior, especialmente, Assembleias de Deus. Na rua em que eu morava tinha aproximadamente um por quadra. Nem sempre estavam muito cheias e geralmente localizavam-se me galpões pequenos, mas levando em consideração o número de igrejas, a quantidade de pessoas que frequentam certamente é grande.
Em um sábado durante o culto, a luz de um giroflex me chamou a atenção. Ao olhar pela janela vi policiais empunhando suas armas, quatro garotos encostados na parede da igreja em posição de “tomar geral” e duas motos na calçada. Não me pareceu uma simples abordagem pela postura mais enérgica dos policiais. Imaginei, então, que fosse alguma perseguição devido a algum ocorrido ou denúncia. Paralelamente o culto acontecendo. Enquanto a pastora fazia a pregação que ficou mais exaltada quando percebeu o ocorrido, o pastor foi até a calçada e conversou com um dos policiais. Os garotos aguardavam a
48“Banza” assim como “preta” são formas comuns de se referir à maconha.
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conversa, ainda encostados na parede e vigiados por um policial. O policial que falava com o pastor conversou algo com seus companheiros que logo “liberaram” os quatro meninos e foram embora. Os garotos entraram na igreja e as motos permanecerem no mesmo lugar. A pastora dizia fervorosamente "o Diabo tentou reinar, mas caiu e Deus prevaleceu".
O culto seguiu com as pregações mais intensas do que antes, demonstrando que algo importante tinha ocorrido ali. Imaginei que pudesse ser por uma espécie de comprovação da soberania de Deus sobre o Diabo ou simplesmente por uma demonstração do poder daquela igreja para os que passavam pela rua.
Em determinado momento o pastor perguntou quem queria aceitar Jesus. Os quatro rapazes foram até a frente, posicionaram-se um ao lado do outro, de frente para a mesa da pastora, de costas para as pessoas que estavam sentadas nas cadeiras. Todos se levantaram e os meninos receberam uma oração, um de cada vez, feita com a mão do pastor em suas cabeças e falando em seus ouvidos. Minutos depois era como se eles tivessem um desmaio e o pastor deitou-os com cuidado no chão. Foram quatro corpos que ficaram estirados, chamando a atenção das pessoas que passavam na rua e olhavam assustadas ou curiosas. Em seguida, o pastor colocou a mão sobre a cabeça de cada um e eles foram acordando também um a um.
O culto estava se encerrando e o pastor, por fim, falou da importância de contribuir com a igreja, pois precisava pagar aluguel, as cadeiras que havia acabado de comprar e as contas gerais. Um dos meninos foi até a frente e colocou dinheiro no recipiente destinado para isso. O culto encerrou-se. O sentimento que eu percebia observando a situação da janela de casa era de realização, de vitória naquele dia. Neste clima, os quatro rapazes deram um abraço caloroso no pastor, subiram dois em cada moto, falaram entre si rapidamente e seguiram em direção ao Karatê.
No dia seguinte relatei para a dona da casa, na qual eu morava, o ocorrido e ela disse ser comum: "os bandidos sempre pedem oração". Na época “das armas50
eles entravam na igreja, colocavam a pistola e boné do lado e ficavam ali, sempre respeitaram a igreja, mas não largam o crime”. Disse inclusive que os melhores pastores já haviam trabalhado no tráfico ou já estiveram “na droga”: “são os que possuem a melhor pregação”. Durante os cultos desta igreja o pastor sempre recordava sobre sua vida como usuário de drogas e dos amigos desta época que morreram ou ainda “estão perdidos” e a pastora sobre sua vida na prostituição e uso intenso de drogas ilícitas.
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Esta situação remete claramente a visão de mundo pentecostal de uma guerra espiritual entre Deus e o Diabo. A dualidade pregada é rígida, ou se está de um lado, ou de outro. Os que estão nas drogas ou no crime estão sob influência do Diabo. Mas a palavra tem que chegar a todos, pois todas as almas podem ser salvas através da conversão e passarem a integrar o exército de Deus. Entretanto, apesar desta rígida dualidade apresentada discursivamente, nas práticas pode-se observar mais continuidades do que rupturas, como descreve Marques (2012, p. 13):
A adesão ao pentecostalismo de indivíduos que “fizeram” parte do PCC não significa uma ruptura com os valores, linguagem e relações de convivência com aqueles que decidiram permanecer no Partido, estes indivíduos que aderem ao pentecostalismo, frequentam as igrejas, entregam os seus filhos nas atividades das igrejas pentecostais e conseguem transitar nos dois espaços sociais sem nenhum problema valorativo, essa é uma realidade e uma necessidade de quem reside no Tijuco.
Tratando do contexto paulista, mas também perceptível no Rio de Janeiro, Marques (2012) ressalta que antes de uma ruptura há uma continuidade: a possibilidade de transitar entre um e outro meio, de aderir a diferentes espaços sociais sem que estes sejam excludentes entre si. Tal situação serve para pensar tanto a bagagem daqueles que estavam com a vida possuída pelo Diabo e converteram-se sem uma ruptura com a história do seu passado – como no caso da pregação do pastor relatada anteriormente – ou a possibilidade de não deixar a vida no “crime” para aderir a igreja. Na prática, tais espaços podem ser complementares na vivência de uma pessoa. Desta forma, a rígida dualidade presente no discurso não necessariamente coincide com as possibilidades de experenciamento dos sujeitos.