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4.9 Gjennomgang av artikler som foranlediger forskriftsendringer

4.9.4 Kjøretøy (artikkel IX)

Eritréia nasceu em setembro de 1962, num bairro situado na Zona Leste de Belo Horizonte e próximo à região central da capital mineira. Mas não foi criada nesse bairro. “Mudei de lá muito novinha. Tinha 3 anos. (...) Para sair do aluguel lá no bairro da zona Leste, minha mãe comprou um lote em conjunto com a minha tia, em outro bairro, também situado na Zona Leste de Belo Horizonte”.

Do que se pôde depreender com a entrevista, Eritréia é uma das referências mais relevantes em todos os Movimentos Sociais em que atuou e ainda atua, especialmente, no Movimento de Mulheres Negras. A inclusão do seu nome veio como sugestão de uma das entrevistadas, Luanda, devido ao reconhecimento da sua atuação política.

Você já entrevistou a Eritréia? É uma figura de referência pra nós mulheres negras. Ela é para mim um modelo de mulher negra e militante que eu gostaria de estar seguindo. Então, eu acho que ela é alguém que tem significado nessa trajetória de mulheres negras. (Luanda, 45 anos)

Durante o trabalho de campo atestei um pouco da militância de Eritréia em alguns eventos: numa manifestação em defesa da Política de Cotas e no Seminário A educação

dialogando com a História do Samba, realizados em maio de 2006, em Belo Horizonte. Também acompanhei a sua atuação e coordenação em dois eventos em Salvador: o I Encontro de Mulheres Negras da CONEN - Congresso Nacional de Entidades Negras - e o Encontro Anual da mesma entidade, realizados durante o mês de julho de 2006. Todas as entrevistas foram realizadas em seu local de trabalho, uma entidade de referência para a população negra militante.

I.II.III.I – A família Eritréia possui uma família pequena, constituída por seu esposo e sua filha de sete anos. Seu esposo é músico de uma banda de música popular brasileira. É um homem negro, mas não possui atuação em nenhum movimento social. Sua filha está no primeiro ano do Ensino Fundamental e a acompanha, quando possível, em alguns eventos. Todavia, quando Eritréia viaja a trabalho ou pela militância a filha fica sob os cuidados do pai. Isso expressa algumas mudanças nas relações de gênero no que diz respeito à responsabilidade da educação e cuidados da prole.

A militância dessa entrevistada se faz presente inclusive no espaço privado, na forma como estabelece a sua relação afetiva. Segundo ela, seu esposo está ciente do seu posicionamento político na vida: (...) “digo a ele que sou uma mulher negra e se ele me quer, ele tem que me querer enquanto uma mulher negra! É assim que eu estabeleço minha relação, onde eu estiver”. Percebe-se nessa fala de Eritréia uma ruptura nos tradicionais papéis de gênero. Enquanto Eritréia se afirma como mulher negra no espaço público e político, na militância, defendendo que a mulher negra deve assumir o controle da própria vida, seu marido atua mais na área cultural e no âmbito privado, tomando conta da filha quando a entrevistada viaja. Relação que reflete as conquistas femininas e as mudanças no interior das relações conjugais de famílias negras.

Eritréia advém de uma família constituída de quatro filhas e dois filhos, mãe e pai, num total de oito pessoas, sendo que dois irmãos não chegaram a nascer. Hoje, sua família possui sete integrantes: sua mãe, suas três irmãs e seus dois irmãos. Seu pai é falecido.

Seus pais nasceram no interior de Minas Gerais, segundo ela: “na roça, em Dom Joaquim, Zona da Mata”. Um lugar familiar e muito bonito, onde seu avô por parte de mãe tinha uma fazenda em Conceição de Mato Dentro.

Seu pai exerceu a profissão de pedreiro até os 32 anos, quando adoeceu e passou a ter problemas mentais, tendo que abandonar o trabalho e ficar sob os cuidados de sua mãe que sempre fora dona de casa. Assim ela descreve:

(...) minha mãe teve que trabalhar. Ela trabalhava lavando roupa para fora. Minha mãe sempre foi lavadeira. E depois ela começou a trabalhar com cozinha. Virou cozinheira; trabalhou uns onze anos num hospital público e se aposentou numa Rede de Supermercados.

A mãe de Eritréia, assim como a de Suazilândia e Ruanda, é um indício de que as mulheres pobres, principalmente as negras, há 30 anos já se assumiam como chefes de família, por motivo de doença, perda ou ausência de seus cônjuges. Lilia Montali (2006), ao analisar os arranjos familiares para o mercado de trabalho, nos anos 90, aponta que o crescimento do número de mulheres no papel de chefe de família ocorre em decorrência de dois fatores: a) taxa de desemprego dos cônjuges e filhos/filhas; b) diminuição da renda familiar. Além destes, considero um outro fator relevante para esse aumento: o elevado índice de mães solteiras, seja por falta de planejamento familiar - caso da Ruanda - seja por opção de maternidade independente - caso de Luanda. As chefes de famílias, segundo essa autora, mesmo com empregos precários, têm contribuído para além da garantia de recursos de sobrevivência, atenuando o empobrecimento das famílias. Assim como contribuíram também as mães das entrevistadas, há 30 anos, ao assumirem o sustento da família.

Foi com suas economias que a mãe de Eritréia comprou um lote na região Oeste, com sua tia, e construiu a casa própria. Nesse lote, Eritréia cresceu e conviveu não só com suas irmãs e irmãos, mas também rodeada de primas e primos. Essa convivência lhe rendeu muitos momentos de brincadeiras e travessuras, um lado bom da infância em que, apesar de muita dificuldade financeira, ela pôde brincar e cantar muito, além de dançar, pois sonhava ser uma dançarina.

Os pais de Eritréia cursaram até o 4º ano primário. Possuem um Certificado de Conclusão de Educação Básica. Ao contrário da família de outras entrevistadas, Eritréia não foi a única a concluir o ensino superior. Um de seus irmãos cursou Ciências Contábeis e o outro cursa Administração. Mas, como nas trajetórias das demais entrevistadas, a maioria de suas irmãs concluiu somente o Ensino Médio.

Esse pouco tempo de escolaridade dessas famílias negras e pobres é confirmado por pesquisas que articulam raça e escolarização: Carlos Hasenbalg (1982); Nelson Silva (2000); Tereza Alves e Francisco Soares (2003). Quando comparada à trajetória das pessoas brancas

esse quadro fica ainda mais alarmante (Henriques, 2000). Embora tal situação esteja mudando aos poucos, esses autores e essa autora chamam a atenção para o fato de que essa desigualdade ainda persiste.

Eritréia reconhece essa mudança. Segundo ela, hoje seus irmãos e irmãs têm mais chances de ingressar em seus almejados cursos superiores, porque “agora está menos complexo como era em minha época. Agora existe o Pró-Uni, as políticas afirmativas, algumas que já incluem o sistema de cotas. Tem tudo isso aí!”

Uma de suas irmãs, a mais nova, formou-se em magistério, mas, atualmente, trabalha no comércio. Ela tentou ingressar por duas vezes no curso de Psicologia. Passou nos vestibulares, mas não conseguiu prosseguir os estudos no ensino superior devido aos escassos recursos financeiros. E suas duas outras irmãs fizeram o científico e, no período da pesquisa, uma trabalhava mais em casa e a outra no comércio. O irmão formado em Ciências Contábeis trabalha na administração de um colégio privado. Seu outro irmão está terminando o curso de Administração Empresarial e trabalha numa empresa de informática, como administrador.

Segundo a entrevistada, o relacionamento e a educação familiar foram marcados pelo pai “light” e a mãe mais rígida, mas nada que interferisse na tranqüila relação familiar. Eritréia17 tornou-se uma referência para a família, assumindo até o papel de filha e irmã mais velha, o que de certa forma pode ter interferido na relação com a irmã mais velha:

Eu acabei assumindo o papel de irmã mais velha. Até minha irmã mais velha me via um pouco como referência E era uma relação boa. Às vezes, pintavam umas brigas, uns ciúmes e coisa e tal, mais com essa minha irmã do que com os outros. Mas, era uma relação de: “Eritréia, me socorra!” Assim, sabe?! E tem uma coisa ainda de “Eritréia me socorra”, até hoje, assim (risos...) na minha família. (Eritréia, 45 anos)

O lugar central que Eritréia assume na sua família é muito semelhante ao narrado por Namíbia. Constatamos que as capacidades de articulação, de tomar decisões, de atuar em grupos e de liderança são características marcantes na atuação coletiva e pública e também estão presentes na esfera privada de algumas entrevistadas. Essas mulheres tornam-se referenciais, tanto em suas famílias quanto nos espaços políticos e profissionais onde atuam. A construção desse perfil varia de entrevistada para entrevistada. No entanto, percebe-se que ele é formado numa articulação entre trajetórias pessoais - familiares - e trajetórias políticas.

A luta pela melhoria das condições de vida da família nuclear, o exemplo de pais e mães - com as ambigüidades e os modos diferentes de educar - apresentam-se, nesta pesquisa, como fatores marcantes das trajetórias das mulheres negras entrevistadas. Nesse contexto, a questão

racial e de gênero aparecem ora de forma explícita, como ação educativa intencional das famílias, ora de forma implícita, como mote da ação política do grupo do qual participam.

A educação da família de Eritréia foi marcada pela religião católica e pelo envolvimento de seus pais em Movimentos Sociais, a partir de 1970. A mãe de Eritréia atuou em vários Movimentos Sociais e, por várias vezes, foi líder. Contudo, sua liderança se deu de outra forma: “Era liderança, mas não como presidente e tal. Mas como alguém que vivia sempre, tomando a iniciativa na mobilização das pessoas quando participava da Associação de Bairro”.

Sua mãe, mesmo com tantas dificuldades decorrentes da doença de seu pai, educou as filhas e filhos numa perspectiva crítica, fazendo com que todos participassem de Movimentos Sociais. Uma família totalmente militante, mas com diferentes níveis de engajamento:

Todo mundo da minha casa acabou participando. Meus irmãos, alguns mais engajados, outros menos. Tenho uma irmã mais velha, que acho que ela está um pouco surtada com o movimento. Não conseguiu tocar a vida. Ficou só por conta de fazer movimento. (Eritréia, 45 anos)

A realidade socioeconômica da família de Eritréia foi marcada por muita pobreza e escassez. Principalmente depois do adoecimento de seu pai, o que fez com que todos - filhas e filhos - começassem a trabalhar cedo para ajudar sua mãe, que se tornou chefe da família:

O lado triste é a pobreza. Eu fui muito pobre, muito pobre mesmo. Pobre de marré de si. (risos de ambas...) Não tinha nada. E até o caderno da escola era de capa preta, folha preta que a escola doava, porque caso contrário não estudava. (Eritréia, 45 anos)

Essa condição marcou todas as fases de sua vida, mas não a impediu de prosseguir nos estudos, concluindo, inclusive, o curso superior.

I.II.III.II - A trajetória escolar Eritréia é formada em História por uma Universidade confessional de Minas Gerais. Sua trajetória escolar se deu, num primeiro momento, numa escola da rede pública de Belo Horizonte e, em outro, em várias escolas privadas custeadas, a princípio, por bolsas de estudo: “do primeiro ao quarto ano eu estudei em escola pública. Depois, eu estudei em escola particular. Era de periferia, pobre, mas escola particular”.

17 Esta é a mesma situação da Luanda. A diferença é que esta explicitou não ter tido uma relação conflituosa e Eritréia deixa subentendido.

Essa fase escolar, da 1ª à 4ª série, não lhe traz boas recordações, devido à ocorrência de práticas racistas da parte dos e das colegas que, de certa forma, contavam com a cumplicidade das professoras. Por isso as considerava negligentes quanto ao tratamento da questão. Entretanto, ela reagia a qualquer tipo de prática que a desmerecesse ou ofendesse.

Na infância, tinha um menino na minha sala que cantava assim para mim: “estou amando loucamente, uma crioulinha que só tem dois dentes. Olha a cara dela: até o cabelo dela é de arear panela.” Isso ficou gravado. (...). Claro que eu briguei muito com ele. Eu fiquei muito agressiva. (...). Então, a professora chegou e nem perguntou o porquê da briga. Já foi logo me colocando de joelho, virada para o quadro, porque eu tinha batido no menino dentro da sala de aula. Mas, ele cantava direto essa música para mim e ainda puxava minhas tranças. (...) Ele me xingava e eu respondia. Tinha que dar o troco! Eu nunca fui de levar desaforo para casa, não. (Eritréia, 45 anos)

A quinta série iniciou-se quando passou no exame de admissão numa escola pública no bairro São Geraldo. Um aspecto interessante que ressalto, brevemente, é que enquanto a Luanda, implicitamente, teceu uma comparação entre as escolas públicas de sua época com as de hoje, Eritréia deu destaque à sua submissão ao exame de admissão, obrigatório na época, para ingressar na 5ª série da escola pública. Algo que Luanda não vivenciou, embora seja apenas dois anos mais nova que Eritréia. A educação passa por mudanças que podem acontecer num curto espaço de tempo ou em longo prazo.

O primeiro ano, na escola do ginásio, Eritréia não pôde concluir porque sua avó adoeceu e ela teve que abandonar os estudos para acompanhá-la. Mais tarde, ingressou novamente na 5ª série por meio de exame de admissão, desta vez numa escola particular cuja estrutura e funcionamento eram mais rígidos e se assemelhavam ao contexto da época, de Ditadura Militar: (...) “era uma escola que ficava no bairro São Geraldo. O dono dessa escola era um militar. Ele era muito severo, na época da ditadura, imagine. Ele era a favor da ditadura e tudo”.

Essa escola, no entanto, foi marcante para Eritréia por causa de seu professor de História que contribuiu para o início de sua consciência crítica face à situação política do país, marcada pela ditadura militar. Nessa escola, Eritréia estudou até a oitava série, arcando com parte dos estudos. “Eu estudava com meia bolsa na escola até a 8ª série. E minha mãe pagava o resto e quando ela não dava conta, eu pagava”. Nessa época, com 13 anos, Eritréia já havia iniciado sua vida de trabalhadora assalariada numa padaria.

Entretanto, aos 9 anos de idade, tinha experimentado o labor doméstico nas casas de família de sua vizinhança. O curioso era que Eritréia tomava conta de crianças da sua idade e que eram suas colegas de escola:

Eu trabalhava na casa dos outros, tomando conta de outras crianças. Na realidade, trabalhava quando eu tinha 9 anos. Eu estava na 3ª série e já olhava os meninos que moravam perto de casa. Eu trabalhava na casa de D. Maria. Os meninos eram da minha idade, estudavam comigo. (Eritréia, 45 anos)

O segundo grau foi cursado em duas escolas particulares18, mas sem qualquer auxílio de bolsa. O ônus das mensalidades era rateado entre Eritréia e sua irmã mais velha. No primeiro ano Eritréia esteve desempregada e sua irmã custeou completamente o curso em um colégio que ficava mais distante de sua casa, mas na mesma região. Já os últimos dois anos ela estudou em um colégio localizado mais próximo de sua residência, o que viabilizava sua ida a pé para a escola. Esses dois anos de estudos, nesta segunda escola, foram custeados com seu próprio salário, pois na época trabalhava em vários lugares, especialmente na área do comércio.

Assim que terminou o 2º Grau Eritréia chegou a prestar vestibulares na PUC e na UFMG para a área de comunicação, mas não conseguiu ser selecionada. Depois disso, levou dez anos para lograr o Ensino Superior. Entretanto, não foi no curso dos seus sonhos, mas, sim, em História, numa universidade particular. Para isso teve de vencer as dificuldades financeiras e se afastar temporariamente da militância. O tempo da escola foi invadindo não só outras temporalidades como outros projetos de vida. Essa situação também revela o lugar ocupado pela militância na trajetória dessa mulher. A conjugação entre militância, estudo e sobrevivência, sobretudo para pessoas pobres, acaba gerando certo desgaste. Por isso, novas escolhas precisaram ser feitas e, dentre estas, o afastamento (temporário ou total) da atividade militante. Assim ela nos relata: “eu fui estudar. Para estudar, além de arcar com os altos custos financeiros eu tinha de optar: ou estudava ou militava. Então, optei por estudar e fiquei um pouco afastada”.

I.II.III.III - A trajetória de militância Sua trajetória de militância foi permeada por participações em vários Movimentos Sociais: desde a militância de base, no bairro e na igreja, até a liderança em diversas instituições e organizações de âmbito nacional. A atuação militante constituiu-se numa espiral

18 Vale lembrar que na época de estudo das entrevistadas, a escola pública era destinada a quem tinha melhores condições financeiras, enquanto que a privada aos mais pobres. A inversão de público das redes públicas e particulares ocorreu à medida que os movimentos populares reivindicaram a educação como direito. Contudo, a falta de políticas públicas, para manter a qualidade de ensino na rede pública, e o pensamento elitista não favoreceram o mundo escolar a se democratizar como público, no sentido de agregar a diversidade sócio- econômica e racial.

pois, segundo ela, não havia como parar. Assim, a cada militância, Eritréia descobriu novas áreas de atuação política e outras formas de participação e demandas reivindicatórias, dando- lhe novos significados de vida e novos horizontes. Eles não só foram espaços de socialização, de tomada de consciência crítica como também foram e são espaços de sua formação sociocultural e política. Segundo Eritréia, a militância nos movimentos de Bairro, Negro, de Mulheres Negras e a partidária, não só lhe deu régua e compasso, parafraseando Gilberto Gil, ou seja, um rumo à sua vida, mas, também, à de suas irmãs e irmãos.

A sua primeira militância foi no Grupo de Jovens da Igreja Católica, à frente de muitas discussões políticas e atividades em favor da melhoria do bairro, junto à Associação de Moradores, situada na região nordeste de Belo Horizonte. Sua trajetória de militância, bem como a de suas irmãs e irmãos, começou por meio de seus pais, sobretudo de sua mãe.

Nesse grupo de jovens havia pessoas envolvidas no processo de criação do Partido dos Trabalhadores - PT, em Minas Gerais, possibilitando a Eritréia conhecer e identificar-se com as idéias do partido para, em seguida, nele ingressar. Foi a partir das discussões feitas no partido que ela soube da existência do Movimento Negro: (...) “em 86 eu comecei nessa trajetória da questão racial. Daí eu fui militando no partido e no movimento em geral.”

O círculo de uma militância contínua em diversos movimentos se efetivou por volta de seus 17 para 18 anos. Do movimento de bairro Eritréia passou a militar no PT e no Movimento Negro e, mais precisamente, no Coletivo de Mulheres Negras. Isso levou à construção de uma organização só de mulheres negras, um Coletivo de Mulheres Negras, por volta de 1988, após um encontro em São Paulo.

Em todos esses Movimentos Sociais Eritréia esteve à frente das discussões, reflexões e reivindicações, elaborando atividades de manifestação e mobilização. Esse espírito de liderança foi algo herdado de seus pais, sobretudo de sua mãe.

Sua militância sofreu alguns intervalos, ora por questões políticas, ora por questões pessoais. Assim, em 1986, abandonou a atuação religiosa, apesar do custo emocional muito forte, pois, segundo ela, “ a atuação nesse espaço preencheu um vazio que tinha e me tirou das possibilidades ruins que a gente tinha na frente e tal. Eu de certa forma, optei por um caminho correto, assim, digamos, politicamente correto.”

Eritréia, a partir de 1990, ficou mais envolvida com o Movimento de Mulheres Negras, mas com uma atuação menos intensa, devido a sua dedicação à faculdade. Quando concluiu o ensino superior, logo voltou ao trabalho da militância. Eritréia chegou a trabalhar no Sindicato dos Professores Estaduais e depois, por mais de um ano, foi assessora política de um deputado

estadual do PT. Depois de formada no ensino superior atuou como professora por dois anos na rede estadual de Minas Gerais, conciliando o trabalho profissional com a militância.

Para se ter uma dimensão do envolvimento de Eritréia com a militância, ressaltamos