YIN Força centrífuga YANG * Força centrípeta
Tendência Expansão Contracção
Função Difusão Dispersão Separação Decomposição Fusão Integração Reunião Organização
Movimento Mais lento e inactivo Mais rápido e activo
Vibração Ondas curtas e de mais alta
frequência
Ondas longas e de mais baixa frequência
Sentido/Direcção Ascendente e vertical Descendente e horizontal
Posição Mais exterior e periférico Mais interior e central
Peso Mais leve Mais pesado
Temperatura Mais frio Mais quente
Luz/ Luminosidade Mais sombrio e escuro Mais claro e brilhante
Humidade Mais húmido Mais seco
Densidade Menos espesso Mais espesso
Tamanho Maior Mais Pequeno
Configuração Mais expansiva e frágil Mais contractiva e resistente
Forma Mais longa Mais curta
Textura Mais mole Mais dura
Partícula Atómica Electrão Protão
Elementos N, O, K, P, Ca, etc. H, C, Na, As, Mg, etc.
Meio-ambiente Vibração….Ar….Água…..Terra
Efeito do clima Tropical Clima mais frio
Qualidade biológica Vegetal Animal
Sexo Feminino Masculino
Estrutura dos
órgãos
Mais ocos e expansivos Mais compactos
Nervos Mais periféricos, ortossimpático Mais centrais, parassimpático
Atitude Mais branda, negativa Mais activa, positiva
Trabalho Mais psicológico e mental Mais físico e social
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A estas orientações Kushi acrescentaria a «Teoria das cinco transformações», uma teoria captada também a partir do pensamento chinês e associada à medicina tradicional chinesa, tal como expresso no Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo. Através dela ensina-se a olhar para os ritmos do universo e da natureza e a observar os processos de transformação. Agregada à percepção dualista de yin e de yang, permitiria compreender o corpo, a saúde e a doença. Seria a observação dos ritmos naturais, sucessão dos dias e das noites, das estações do ano e dos diferentes contextos ambientais, que permitiria detectar diferentes tipos de movimento, diferentes estádios de transformação da matéria e a preponderância de certos elementos. A estas transformações (cinco) estariam associados cinco órgãos humanos, cinco sabores, cinco cores, cinco alimentos, cinco estádios emocionais… Uma adequação a cada um destes estágios de transformação só seria possível com a compreensão da «ordem do universo» e com a compreensão do ciclo de transformações. Estamos perante a ideia de uma aprendizagem que exige formação, mas também muita intuição, dado que os conceitos de yin e de yang são apresentados como sendo sobretudo intuitivos.
A teoria dos cinco elementos foi também introduzida na macrobiótica para permitir uma observação mais adequada de diferentes ritmos e ciclos, e também de forma a auxiliar a realização de diagnósticos. Esta teoria baseia-se na observação da natureza, identificando aí cinco elementos, cinco formas de manifestação da energia universal. São eles: Terra (Solo), Metal, Água, Madeira (Árvore) e Fogo. Estes cinco elementos encontrar-se-iam relacionados com as estações do ano, sendo um determinado elemento predominante em cada estação78. Assim, o ciclo das cinco transformações pode ser visto a partir do elemento Madeira, uma energia ascendente, expansiva, que corresponderia à Primavera e à dupla de órgãos Fígado/Vesícula biliar, segue-se-lhe o elemento Fogo, muito activo, muito expandido, corresponde ao Verão e à dupla de órgãos Coração e Intestino delgado, depois o elemento Terra, energia descendente, identificada com o final do Verão e associada aos órgãos Estômago/Baço-Pâncreas, a seguir o elemento metal, uma energia de contracção, de reunião, associada aos Pulmões/Intestino grosso, e, por fim, o elemento Água, uma energia flutuante, associada aos Rins/Bexiga. Cada estação do ano activaria de forma particular os órgãos com ela relacionados e teria também características mais yin ou mais yang. Haveria também um ciclo de controle e de apoio
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Poderá parecer estranho que se refiram cinco elementos quando apenas conhecemos quatro estações, mas convém dizer que esta é uma construção simbólica oriental e, tal como me foi referido nas sessões de formação, os chineses considerariam o final do Verão como correspondendo a uma estação e a uma energia particular.
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entre os diferentes elementos.
Esta breve descrição não dá conta da complexidade desta construção e muito menos da sua aplicação, mas importa referi-la por ser tida como importante meio de apoio em termos de orientação no mundo e como importante auxiliar de diagnóstico e de tratamento.
Figura 13 - Os cinco elementos79
No quadro que se segue encontraremos uma síntese das principais características deste esquema de compreensão do mundo.
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Quadro 3 As Cinco Transformações
Transformação Árvore Fogo Solo Metal Água
Tipo de energia Ascendente Muito activa Descendente Solidificada Flutuante Órgãos de de alimentação e eliminação Vesícula biliar Intestino Delgado, triplo aquecedor Estômago Intestino Grosso Bexiga Órgãos de de armazenamento e distribuição Fígado Coração. Governador Do coração Baço- Pâncreas Pulmões Rins Cor Verde, cinzento Vermelho Branco leitoso- amarelo Branco Pálido Escuro
Estação Primavera Verão Fim de Verão Outono Inverno
Horas do dia Amanhecer Meio-dia Tarde Anoitecer Noite
Fases da lua Quarto
crescente
Lua cheia Lua coberta Por nuvens
Quarto minguante
Lua nova
Direcção Este Sul Centro Oeste Norte
Sabor Ácido Amargo Doce Picante Salgado
Odor Oleoso Queimado Fragrante A peixe A podre
Som Grito Riso Canto Choro Gemido
Emoção Zanga Histeria Auto-
compaixão
Melancolia Medo
Sentido Visão Tacto Paladar Olfacto Audição
Órgão sensorial Olhos Boca Língua Nariz Ouvidos
Cereal Cevada,
Aveia, centeio
Milho Millet Arroz Leguminosas,
trigo sarraceno Vegetal De crescimento ascendente De folhas largas Redondos, doces Pequenos e contraídos Raízes
Tecido Músculos Artérias Tendões Pele e
Cabelo
Ossos
Planeta Júpiter Marte Saturno Vénus Mercúrio
Fonte:IMP (2005)
Não terei possibilidade de explorar, nesta ocasião, todas estas características e o modo como se relacionam entre si, julgo, no entanto, que a referência às mesmas esclarece em que medida esta construção constitui um importante instrumento de orientação na macrobiótica. A teoria das cinco transformações toma, como ponto central, a «natureza», dando-nos conta de como na macrobiótica, ela é um poderoso recurso em termos discursivos.
Pelo que tem vindo a ser apresentado, julgo ter ficado evidenciado o quanto as questões ideológicas orientam as escolhas alimentares. No caso da macrobiótica, a ênfase
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na espiritualidade; na narrativa das origens; na explicação da ordem do universo; nos níveis de consciência; na ética que deve nortear a acção (honestidade e integridade absolutas), são elementos que impregnam a macrobiótica de uma aura de religiosidade. Algumas das orientações em termos de conduta não estão muito distantes dos mandamentos:
Ser grato a tudo: dificuldades, pobreza, infelicidade e miséria. Nunca temer ou odiar.
Ter fé na Ordem do Universo. Não desistir.
Não esquecer favores ou gentilezas. Mostrar sempre gratidão Nunca mentir.
Ser perfeito
Gostar de todo mundo
Não se mostrar suspeito aos outros. Nunca pretender ser altruísta.
Descobrir sempre alegria, mesmo nas coisas pequenas. Dar a outros o que é importante a você próprio.
Conscientizar-se que a vida é um milagre. Fonte: Lopes et al. 1978:25-26
Ainda que Ohsawa tivesse defendido o non credo, o certo é que a aceitação da sua visão do universo assenta, em boa medida, num acto de fé. Por mais interpretações que possam surgir relativamente ao que deve ser entendido por non credo na macrobiótica, este princípio parece contraditório. A este propósito podia ler-se nos textos de apoio distribuídos pelo IMP «Por non-credo entende-se que não se deve adoptar teorias e concepções sem reflectir e adquirir experiências sobre todas elas, incluindo aquelas aqui apresentadas». Uma forma suavizada, portanto, de contornar esta questão.
A mensagem de Ohsawa relativamente à vida podia ser também muito cativante. A sua mensagem é a de optimismo e de que qualquer um se pode tratar. Para ele não existiam doenças incuráveis, podia era haver falta de discernimento. Vender a vida por um salário, trabalhando, era, também para ele, um acto de incompreensão da «ordem do universo», os seus discípulos diriam, no entanto, que era um trabalhador incansável. Defendia os seus argumentos com convicção e a sua mensagem optimista e de convite à experimentação terá por certo seduzido muitos. Outros ter-se-ão entusiasmado com o
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reencantamento do mundo que a macrobiótica propunha, uma visão em que o indivíduo era celebrado e livre das clássicas obrigações religiosas.
Em termos de recomendações alimentares, a orientação dada na macrobiótica é a de que se escolham alimentos em harmonia com o contexto ambiental, de preferência cultivados próximos do lugar em que se vive, de acordo com a estação do ano e de preferência de origem biológica. Os alimentos devem ser muito bem mastigados e deve- se prestar atenção ao modo como os alimentos são consumidos, procurando fazer do acto de comer um ritual de comunhão com o universo.
Uma das questões que, desde logo, pode ser suscitada, a partir destas observações, prende-se com a natureza de muitos dos produtos utilizados na macrobiótica (algas, derivados de soja, feijões azuki…). Julgo que o facto de a divulgação da macrobiótica ter sido feita inicialmente sobretudo por japoneses e seguindo a alimentação “tradicional” japonesa ajuda a compreender este facto. Por outro lado, uma das razões que me foram apontadas, por formadores na área da macrobiótica, incide em questões nutritivas e medicinais. As algas, ainda que não figurem habitualmente na alimentação dos portugueses, são vistas como extremamente ricas em termos minerais, o que justifica a sua importação e consumo. Por outro lado, o miso, as ameixas umeboshi, bem como outros produtos, são vistos como tendo propriedades medicinais, figurando em diversos remédios caseiros que são propostos. Nos capítulos seguintes, terei oportunidade de apresentar de forma mais detalhada aspectos ligados à alimentação proposta pela macrobiótica.
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