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GILDESKÅL KIRKESTED

In document KIRKENE I LANDSKAPET (sider 47-51)

Na sua História do Porto, Oliveira Ramos (2000)230 incluiu uma caracterização geral e simplificada do clima da região portuense, recorrendo às clássicas normais climáticas: tentou fazer uma síntese das principais características do clima da cidade, referindo-se-lhe como sendo um clima ameno, em que Janeiro é o mês que apresenta as temperaturas médias mais baixas (8,7ºC) e Julho o mês com médias mais elevadas (19,7ºC); dada a proximidade ao mar, a amplitude térmica anual é considerada baixa (cerca de 11ºC) e a temperatura média anual ronda os 14ºC. O autor chama a atenção para o facto de a referida amenidade do clima não impedir que por vezes possam surgir valores extremos, salientando a possibilidade da existência de alguns dias com temperaturas inferiores a 0ºC, enquanto as temperaturas máximas diurnas podem atingir valores superiores a 30ºC. Por sua vez, as séries de precipitação apresentam valores médios sempre superiores a 1200 mm/ano, sendo que os meses de Dezembro e Janeiro correspondem aos mais pluviosos (acima de 150 mm) e Julho e Agosto os meses mais secos (abaixo dos 50 mm).

A classificação climática de qualquer região implica sempre algumas dificuldades na definição dos critérios e parâmetros a utilizar, pois caracterizar e classificar um clima não é tarefa fácil; por essa razão, ao longo dos anos, vários investigadores foram propondo as suas classificações do clima das diversas regiões do nosso país, com base nos diferentes critérios/parâmetros disponíveis na grande diversidade de classificações climáticas existentes a nível internacional231. Referimo- nos de seguida a algumas classificações e outros contributos relacionados com a temática climática, relativos à nossa área de estudo, mas sem qualquer pretensão de esgotar o tema232.

230

Oliveira Ramos, L., et al – História do Porto, Porto Editora, 2000, pág. 53-55.

231

In The Encyclopedia of World Climatology, 2005: 1.Classificações de base genética (Hermann Flohn, 1912-1997, pág 379); 2.Classificações de base fisionómica ou empírica: a) biogeográficas (primeira classificação de Wladimir Peter Köppen, 1846-1940, datada de 1900, a qual posteriormente abandomou e substituiu, p 441); b) meteorológicas/quantitativas (segunda classificação de Köppen, datada de 1918 e aperfeiçoada em 1936 com a colaboração de Rudolf Geiger, 1894-1981, p 441); classificação de Charles Warren Thornthwaite, 1899–1963, criada pelo autor em 1931 e reformulada em 1948, inicialmente com objetivos agronómicos, p. 717).

232

Ainda dentro das classificações de base fisionómica ou empírica, existem outras duas classificações climáticas, designadas por geográficas ou analógicas, por utilizarem nomes de regiões ou países específicos: classificação de Emmanuel de Martonne (1873–1955), apresentada em 1909, na primeira edição do seu livro Traité de géographie physique; em 1968, Georges Viers (1910-1998), na sua obra

Em 1944, Hermann. Lautensach utilizou a classificação quantitativa de KÖPPEN, baseada nos valores médios de temperatura e de precipitação, correlacionando os regimes térmico e pluviométrico anuais, tendo considerado que a maior parte do território português, inclusive a área do Porto, se integram na classe Csb233, isto é, clima chuvoso e moderadamente quente, com chuvas preponderantes de inverno e em que a temperatura média do mês mais quente é inferior a 22ºC234.

Segundo Lautensach (1944), se compararmos os tipos de tempo, em Portugal, com os da região centro-europeia, verificamos que aqueles apresentam a singularidade de terem características muito contrastadas ao longo do ano, alternando entre uma grande estabilidade nos meses estivais de Julho e Agosto e uma enorme variabilidade durante os restantes meses. Dependente da sua localização em latitudes subtropicais235 e também da posição de margem atlântica, esta sua singularidade estende-se até ao norte do país, onde a cidade do Porto se insere. Posteriormente, Orlando Ribeiro (1955) melhorou este estudo, utilizando o índice e os gráficos termo-pluviométricos de GAUSSEN236 – também chamados ombrotérmicos e contruídos sempre com a mesma escala – para determinar os meses considerados secos, em meio mediterrânico237.

Na opinião de S. Daveau, a região do Porto insere-se nos climas de tipo marítimo, subtipo litoral oeste, fazendo parte dos climas que designa por “propriamente litorais”238

, os quais apresentam como características distintivas, amplitude térmica muito atenuada e frequente nevoeiro de advecção durante as manhãs de verão, que só muito raramente sofrem a influência de vagas de calor continental (figura 27).

Éléments de climatologie, altera parcialmente e amplia a classificação de De Martonne, recolhendo

também alguma inspiração na classificação meteorológica de Köppen.

233

Csb – clima mesotérmico (C, com inverno moderado); com verão seco (s); e com verão quente (b)

234

Cf. Daveau, S. et al., texto de Lautensach, H., Geografia de Portugal, vol.II- O Ritmo Climático e a Paisagem, 2ª Ed., 1994, pág 367.

235

Cf. Daveau, S. et al., texto de Lautensach, H., Geografia de Portugal, vol. II- O Ritmo Climático e a Paisagem, 2ª Ed., 1994, pág. 357.

236

Marcel-Henri Gaussen (1891-1981), botânico e biogeógrafo francês, criador em 1953, juntamente com F. Bagnouls, do índice de Gaussen (P(mm)<2xT(°C)) e dos diagrama ombrotérmicos, construídos sempre

segundo o modelo de escala: 1°C=2mm. Este índice foi desenvolvido para o meio mediterrânico e pretende pôr em evidência os períodos de secura.

237

Cf. Daveau, S. et al., Geografia de Portugal, vol.II- O Ritmo Climático e a Paisagem, 2ª Ed., 1994, pág. 450.

238

Cf. Daveau, S. et al., Geografia de Portugal, vol.II- O Ritmo Climático e a Paisagem, 2ª Ed., 1994, pág 454.

Figura 27 - Esboço provisório das Regiões climáticas (S. Daveau et al, 1985)

(Fonte: Daveau, S. et al, Geografia de Portugal, vol. II- O Ritmo Climático e a Paisagem)

Por sua vez, M. J. Alcoforado et al. (1982) combinaram os índices de GAUSSEN e de EMBERGER (este último também chamado coeficiente pluviométrico) para definir cinco domínios climáticos em Portugal Continental, com base nos dias considerados biologicamente secos (figura 28).

C. Mendes e M. Bettencourt (1980), com base no índice de THORNTHWAITE (a complexa fórmula de Thornthwaite baseia-se na temperatura e na precipitação, considerando que estas variáveis constituem um bom indicador da energia de um dado lugar, estimando a evapotranspiração potencial a partir da média mensal das temperaturas médias diárias do ar e da média mensal da precipitação), propuseram uma

classificação relacionada com a avaliação da evapotranspiração239, sob a sigla ETP, evapotranspiração potencial, que põe em evidência o ritmo da relação temperatura/evapotranspiração/precipitação, de forma a definir meses secos e húmidos, o que se torna muito útil nomeadamente para as atividades agro-silvo-pastoris.

Figura 28 – Os cinco Domínios Bioclimáticos em Portugal Continental (M.J. Alcoforado et al, 1982), baseados nos índices de Gaussen e de Emberger

(Fonte: Daveau, S. et al, Geografia de Portugal, vol. II- O Ritmo Climático e a Paisagem)

A cidade do Porto encontra-se situada no litoral norte de Portugal, integrada na fachada atlântica ocidental do Noroeste da Península Ibérica, no extremo ocidental de Europa, incluída na zona das latitudes alternadamente varridas pelas cinturas dos centros de ação subpolar e subtropical do hemisfério norte, o que lhe confere

239

Cf. Daveau, S. et al., “O que limita... a validade dos índices baseados em valores térmicos, para a divisão regional dos climas de Portugal, é a fraca densidade e desigual representatividade das estações...”, Geografia de Portugal , vol. II- O Ritmo Climático e a Paisagem, 2ª Ed., 1994, pág .452.

características gerais claramente temperadas, mas sujeita à grande variabilidade tipicamente mediterrânica240. Devido à sua integração num território da margem meridional da zona temperada do norte, está dependente também, sobretudo em certas situações sinópticas, das influências da circulação proveniente do norte de África.

J.M. Pereira de Oliveira (1973)241, ao desenhar um «Esboço Climático» da cidade, sintetiza perspicazmente esta ideia referindo-se ao Porto nos seguintes termos: “...francamente aberto às influências do Atlântico Norte, no limite sul do âmbito da circulação geral de W e sujeito às influências do microcontinente peninsular ibérico com características de quase autonomia periódica, do ponto de vista da dinâmica climatológica regional...”

Este esboço climático genérico permite fazer o enquadramento médio, na sua sucessão habitual, das séries de estados da atmosfera que caracterizam o clima da cidade do Porto e perceber os seus principais fatores condicionantes; torna-se contudo necessário pormenorizá-los e analisá-los também com algum detalhe.

Esse estudo aprofundado foi-nos proporcionado por A. Monteiro (1997) que efetuou uma análise detalhada do clima do Porto, recorrendo a três escalas temporais de análise242, a saber:

 A evolução da temperatura e precipitação registados entre 1900 e 1989 em Porto- Serra do Pilar (período de 90 anos);

 A evolução dos elementos climáticos mais significativos registados nas seis estações da área envolvente ao Porto, entre 1970 e 1989 (período de 20 anos);

 O estudo do comportamento diário dos elementos climáticos na estação do IGUP e dentro do espaço urbano portuense, entre 1987 e 1991 (período de 5 anos).

Para o período de 90 anos, o padrão de comportamento das temperaturas registadas em Porto-Serra do Pilar é analisado por A. Monteiro (1997)243 como apresentando temperaturas médias mensais mínimas que oscilaram entre os 4,9 º C em Janeiro e os 14,9 º C em Julho, e temperaturas médias mensais máximas que variaram entre os 13,1º C em Janeiro e os 24,7º C em Agosto.

240

Ventura, J. E., “A principal característica das precipitações anuais é a sua acentuada variabilidade. A irregularidade é forte em todo o território…” - Influência das gotas de ar frio no ritmo e na repartição espacial das chuvas em Portugal”, Relatório nº 24, Centro de Estudos geográficos, INIC, Lisboa, 1986, Pág. 24

241

O Espaço Urbano do Porto - Condições Naturais e Desenvolvimento, FLUC, 1973, pág. 40.

242

O Clima Urbano do Porto, Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, pág.66.

243

Esta análise põe em evidência a considerável diferença intra-anual dos valores da temperatura: enquanto a janeiro corresponderam os valores médios mais baixos, quer das temperaturas mínimas quer das máximas de inverno, verificou-se um ligeiro atraso entre os valores estivais mais elevados da temperatura média mensal máxima (agosto), relativamente ao valor mais elevado da temperatura média mensal mínima (julho).

Acerca das precipitações, a mesma autora refere que a análise dos totais mensais ao longo desse período de 90 anos revela claramente a posição litoral e desabrigada da cidade, relativamente à chegada das massas de ar húmido provenientes do Oceano Atlântico; o comportamento da precipitação nesta área é, pois, justificável pela quase total inexistência de obstáculos à penetração do ar húmido vindo de oeste244.

Os meses de Julho e Agosto são os únicos que registam totais mensais de precipitação baixos (precipitações totais médias mensais inferiores a 20 mm); na sua maioria, os meses do ano apresentam, em média, totais mensais consideráveis, embora irregulares, sendo novembro, dezembro, janeiro e fevereiro os mais pluviosos. Contudo, a irregularidade da série das precipitações é muito grande em qualquer época do ano e não se resume somente a diferenças consideráveis nos totais mensais: quer os valores mais elevados, quer os valores mais baixos registados em cada série mensal, demonstram que a irregularidade se generaliza a qualquer mês do ano, sendo por isso importante chamar a atenção para o facto de os totais de precipitação registados mostrarem claramente que a variabilidade intra-anual é muito superior à variabilidade interanual.

A análise comparativa feita por A. Monteiro, da evolução dos elementos climáticos registados nas seis estações da área envolvente ao Porto, referente ao citado período de 20 anos, é demasiado complexa para ser pormenorizadamente descrita aqui, devido à enorme quantidade de dados em presença.

Mas há referências que não podem deixar de ser feitas, sob pena de não se entender a complexidade dos diferentes comportamentos climáticos numa área relativamente restrita.

244

Figura 29 - Localização das Estações cuja informação foi utilizada por A. Monteiro, no estudo do período de 20 anos, 1970/1989 (atualmente, S.Tirso e S. Gens não se encontram em funcionamento)

Adaptado de A. Monteiro, 1997)

Assim temos:

i) Das seis estações observadas (figura 29), as que se encontram a altitude mais elevada e de maior continentalidade, apresentam temperaturas médias mínimas mais baixas, em oposição às localizadas próximo ao mar e a menor altitude; mesmo assim, no inverno, as temperaturas médias mínimas revelam um comportamento bastante uniforme em todas as estações, contrariamente ao que se verifica no verão.

ii) Durante os períodos de verão, a temperatura média máxima apresenta uma correlação positiva elevada com a variável continentalidade; nos períodos de inverno, a correlação mais elevada é dependente da variável altitude, mas desta vez em sentido inverso.

iii) Os totais mensais de precipitação também apresentam um comportamento intra-anual bastante variável pois no inverno, são tanto maiores quanto mais afastadas do mar estiverem as estações; na maior parte dos meses de primavera, verão e outono, a precipitação aumenta com o aumento da altitude.

iv) A análise dos valores médios mensais de temperatura revela comportamentos idênticos entre as diversas estações pois em todas elas o mês mais frio foi Janeiro e o

mês mais quente foi julho; Porto-Serra do Pilar é a estação que apresenta as temperaturas mínimas mais baixas no inverno e uma das mais altas no verão245.

v) No que se refere às precipitações, as estações mais próximas do mar apresentam um mínimo em julho e as mais afastadas apresentam um mínimo em agosto. Em todas as estações, os máximos de precipitação média mensal ocorre em dezembro.

vi) Apesar de todas as estações apresentarem humidade relativa superior a 75%, há algumas diferenças entre elas: Paços de Ferreira e S. Tirso denotam valores de maior amplitude; S.Gens/Serra do Pilar/Aeroporto têm valores mais idênticos246, com uma distribuição anual relativamente regular; Boa Nova apresenta comportamento distinto das outras estações, com humidade relativa mais elevada de verão.

Numa outra fase deste estudo, A. Monteiro recorre à síntese do estudo das séries seculares do Instituto Geofísico da Universidade do Porto para evidenciar a evolução sofrida pelo clima urbano da cidade nos últimos anos e conclui pela existência de claras manifestações de mudança climática: ao analisar e comparar as normais climatológicas de 1931-60, 1951-80 e 1960-89, a autora verificou a existência de uma tendência para um aumento progressivo das temperaturas médias anuais247. Quanto à precipitação, esta registou um aumento dos totais mensais médios no período de 1961-90, tendendo a acentuar-se os fenómenos extremos de maior quantidade de precipitação nos meses mais chuvosos, em oposição a uma redução da pluviosidade na época estival.

De acordo com a informação climatológica do Instituto de Meteorologia proveniente da estação Porto-Serra do Pilar, baseada na média mensal da série de 30 anos para o período de 1961-1990 (figura 30), o mês de janeiro é aquele que apresenta a temperatura média mínima diária mais baixa (5,1ºC) e também a mais baixa temperatura média máxima diária (13,5ºC); quanto à temperatura média mínima diária mais alta ocorre no mês de julho (15,0ºC) e a temperatura média máxima diária mais alta no mês de agosto (25,0ºC). Estes dados, quando comparados com a série de 90 anos analisada por A. Monteiro, revelam ser muito idênticos em termos de quantitativos,

245

A. Monteiro considera 3 sub-regiões, quanto à temperatura média mínima: Paços de Ferreira e S. Tirso com os valores mais baixos; Pedras-Rubras/S.Gens /Serra do Pilar com valores intermédios; e Boa Nova com valores mais elevados que as restantes (estas conclusões constituem uma das razões que vão servir de base argumentativa à escolha da estação de referência para o presente trabalho). O Clima Urbano do

Porto, Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, pág. 160. 246

A. Monteiro continua a considerar 3 classes: Paços de Ferreira e S. Tirso com maior amplitude de variação anual; Serra do Pilar/Pedras-Rubras/S.Gens com valores idênticos e uma distribuição mais regular; e Boa Nova com valores absolutamente diferentes das outras estações (estas conclusões também constituem uma das razões que vão servir de base argumentativa à escolha da estação de referência para o presente trabalho). O Clima Urbano do Porto, Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, pág. 160.

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embora ligeiramente superiores. Mas os dados das duas séries referidas, salvaguardando as respetivas diferenças na extensão temporal das duas séries em análise, parecem corroborar a tese de “existência de claras manifestações de mudança climática”, no sentido de um gradual aquecimento.

Figura 30 - Normais climatológicas da estação Porto-Serra do Pilar

(Fonte: IM http://wmo.meteo.pt/003/c00003.htm) A média mais baixa da quantidade de precipitação corresponde ao mês de julho (15,6 mm) mas o menor número médio dos dias com chuva ocorre no mês de agosto (5 dias); a média mais alta da quantidade de precipitação corresponde ao mês de dezembro (175,6 mm) mas o mês com maior número médio de dias com chuva é o mês de janeiro (17 dias). Isto significa que o que foi dito para as temperaturas é também válido para as precipitações, no que diz respeito aos totais médios mensais da maioria dos meses; mas, relativamente aos totais médios mensais de julho e agosto, nota-se um decréscimo razoável, o que denota uma maior dispersão nos quantitativos e intensificação dos valores extremos. De acordo com a análise de A. Monteiro, podemos concluir que se evidencia uma nítida prevalência da variabilidade intra-anual relativamente à variabilidade interanual. 17 16 15 14 13 9 6 5 8 14 15 15 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 0 10 20 30 40 50

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Qua nt ida d M é di a de C huva ( m m ) T e m pe ra tura M é di a ( ºC )

IGUP- Informação Climatológica - Período 1961-1990

Média da Quantidade de Chuva (mm) Temperatura Média-Mínimo Diário (ºC)

Quanto à frequência dos nevoeiros, verifica-se que o número médio de dias por ano em que ocorre nevoeiro é superior a 120, sendo a sua distribuição quase uniforme ao longo de todo o ano, com valores mínimos nos meses de maio a junho e com dois valores máximos, um em agosto e outro em dezembro. Os nevoeiros têm diferentes origens, explicam-se fundamentalmente pela proximidade do oceano Atlântico e do rio Douro, importantes manchas de água que potenciam a ocorrência deste tipo de fenómeno.

No que diz respeito aos ventos248 (figura 31), a distribuição mensal dos rumos evidencia grandes variações ao longo do ano: durante os meses de abril a agosto, os quadrantes marítimos assumem maior importância (WNW, NW249), ao passo que nos restantes meses se nota a predominância de ventos do quadrante Este (ESE)250.

Figura 31 - Velocidade e rumos do vento, Porto-Serra do Pilar (normais de 1961/90)

Fonte: IM, citado por L. Balkeståhl (2005)

248

Segundo MONTEIRO, A., predominam nas seis estações analisadas no período de 20 anos, os ventos de W, NW e SW nos meses de verão; e nos meses de inverno, considerando somente as estações de litoral, predominam os ventos de E e SE, sendo as semelhanças maiores entre Serra do Pilar e Pedras Rubras, O Clima Urbano do Porto, Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, pág. 129-133.

249

Daveau, S.et al., texto de Lautensach, H., “Os ventos do quadrante NW têm frequência média de 44,3%, em Agosto,no Porto”, Geografia de Portugal , vol. II- O Ritmo Climático e a Paisagem, 2ª Ed. 1994, pág 339.

250

Existe em Custóias uma estação de qualidade do ar (regista os seguintes parâmetros: CO, NO, NO2 e NOx, PM10, SO2, BTX – Benzeno, Tolueno e Xileno – e O3) que, apesar de não ser climatológica, mede e regista dados de direcção e velocidade média do vento e cujos dados podem ser utilizados como complemento de estudo.

A abertura da cidade do Porto ao oceano proporciona-lhe, portanto, quer verões quer invernos relativamente moderados em termos térmicos, sendo sobretudo estes últimos razoavelmente húmidos251. Apesar da grande variabilidade dos climas de tipo mediterrâneo – também chamados subtropicais – é habitual caracterizá-los referindo genericamente os seus estios quentes e secos e os invernos suaves e mais ou menos pluviosos. No entanto, intrínsecas ao próprio risco climático dos climas mediterrânicos, surgem repetidamente situações subvertidas de verões com chuvas copiosas, invernos de secas prolongadas e, em períodos indiscriminados, episódios de paroxismos térmicos, como vagas de frio ou de calor. Estas últimas podem ter consequências graves para a saúde pública, sobretudo se em associação com os efeitos induzidos nos climas locais pela intensificação da urbanização.

Quer o número considerável de medições itinerantes efetuadas desde novembro de 2003 a janeiro de 2005, num total de 126 percursos, quer os dados de aquisição em postos fixos (na primeira fase, durante o período experimental e na segunda fase, durante um período seguido de dois anos) implicam uma variedade razoável de estados de tempo, numa dispersão temporal bastante alargada que, se por um lado potencia a caraterização média dos elementos climáticos da área em estudo, por outro lado dificulta, pela quantidade, a caracterização específica dos estados de tempo, para o período em causa252.

Constatou-se que as campanhas de medições corresponderam a 68% de situações de tempo estável, 19% de situações de instabilidade e 13% de estados de tempo transitório e, portanto, caracterizados por alguma instabilidade. Na tentativa de averiguar da validade dos valores obtidos através de aquisição direta de informação procedeu-se à comparação dos valores registados em determinados locais: alguns dados

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