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3.1 Microfinance Literature Review

3.1.8 Key Stakeholders and Structure of Microfinance in Ghana

Como formulado no capítulo anterior, os parlamentares evangélicos tem se posicionado de forma inflexível e contrária a toda e qualquer mobilização dos movimentos LGBT, que tenha por objetico a obtenção de apoio político e social, para implantação de políticas públicas voltadas para a criação de programas que valorizem e promovam ações afirmativas, voltadas para a área de educação, saúde, direitos sociais e cultura LGBT, como forma de discussão, inserção e aceitação da diversidade sexual presente na sociedade brasileira.

A composição do discurso dos parlamentares evangélicos, concilia elementos objetivos e subjetivos, no processo constitutivo do pensamento de uma parcela significativa da população brasileira, a respeito das implicações, tensões sociais e reformulações que o estilo de vida homossexual pode provocar no dia a dia dos grupos religiosos e da sociedade civil. Invariavelmente, essas suposições são apresentas como inevitáveis e responsáveis por rupturas nos paradigmas heteronormativos, que sustentam e consolidam a estrutura social brasileira, convergindo para um colapso social, em caso de aprovação de todas e quaisquer leis que garantam direitos à comunidade LGBT.

As questões de natureza social, política e religiosa são formuladas de modo que grupos sociais distintos e sem interesses comuns, sintam-se ameaçados em seu modo de vida, gerando desconfiança sobre o discurso de inserção social promovido por entidades defensoras de inclusão social da comunidade LGBT na sociedade como: APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo) e CORSA (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade, Amor), que lutam pela criação e aprovação de leis especiais que garantam direitos e oportunidades iguais como os destinados ao público heterossexual.

A suspeição, levantada na construção discursiva dos parlamentares evangélicos sobre as reais finalidades das entidades LGBT, conduz a sociedade a interpretações e construções exacerbadas de defesa dos supostos bens sociais inalienáveis, como sexualidade, moralidade e religisiodade, subvertendo o discurso de luta pela igualdade em luta pela criação de uma superclasse com poderes ilimitados.

A argumentação de que as reivindicações da comunidade LGBT, vão além da simples adequação e equiparação de direitos, são utilizadas com o intuito de construir elementos capazes de uma conscientização social a respeito do “perigo” representado pelas investidas da

classe homossexual, como forma de ingerência direta nos rumos da sociedade civil. O desvio do eixo discursivo, centrado nas prováveis perdas que a sociedade brasileira enfrentaria como um todo, como resultado de políticas de melhoria de qualidade de vida para um grupo específico, é exposto e conduzido de forma inequívoca, para que haja uma sensibilização da sociedade, de modo que seja criado um senso comum de “dever moral” e responsabilidade social para evitar uma pretensa corrupção social.

A estratégia na troca ou ampliação dos destinatários do discurso revela uma compreensão por parte de seus emissores, da significativa necessidade de dissociação do discurso como mera apologética, para questões de maior envergadurada social, por exemplo, questões sobre livre direito de escolha na contratação de empregados, educação garantindo elementos que promovam a diversidade sexual nos bancos escolares, implantação de políticas públicas de saúde, voltadas especificamente ao atendimento da comunidade LGBT, em razão do implacável ativismo gay na persecução de seus objetivos.

Depende do posicionamento dela.Vou dar um exemplo prático. Quem fez a decoração da minha casa e organiza o aniversário das minhas filhas é um homossexual. Ele almoça comigo e com minha esposa. Por que? Porque é homossexual mas não faz o ato. Porque é ordeiro, porque não quer doutrinar minhas filhas. Os gays não são problemas[...] O problema são os ativistas. Eles ganham para isso. Eles passam o dia todo perseguindo pessoas. (MARCO FELICIANO, REVISTA VEJA, PÁGINAS AMARELAS, 2013).

O discurso de Marco Feliciano, conduzindo a questão de forma a agregar elementos racionais e sentimentais sob a alegação de que na realidade seu posicionamento contrário às reivindicações LGBT, não diz respeito aos homossexuais, mas aos ativistas gays, que na realidade estariam lutando em causa própria ao invés de lutar por direitos para a comunidade homossexual. A mudança proposital do discurso, com o intuito de ampliar as bases de sustentação e apoio não somente no parlamento, mas especialmente na sociedade civil, tem surtido efeitos, ao menos no sentido do aumento do seu interesse, se posicionando a respeito, com discussões públicas permitindo ao cidadão comum uma melhor compreensão do tema.

Manipulando muito bem os dados de composição discursiva, os parlamentares evangélicos vão envolvendo a sociedade civil em um emaranhado de ideias, ideais e pensamentos, tecendo compreensões e significados como métodos de convencimento, ligados à capacidade do ser humano viver em sociedade unindo-se por meio de “teias” de significados e sentidos que ele mesmo teceu, nos quais busca respostas para suas próprias perguntas (GEERTZ, 2008). A manipulação dos elementos e dados que são apresentados no discurso, não poupam críticas às investidas da comunidade LGBT na persecução de seus interesses de forma indireta e reversa, direcionando os ataques discursivos, de modo que a sociedade civil

receba toda e qualquer iniciativa dos grupos LGBT, voltados para a inclusão social da comunidade homossexual, como busca e concessão de privilégios que, invariavelmente, trarão enormes prejuízos à sociedade, desta forma o discurso é manipulado de forma a reverter com força e perspicácia o melhor argumento que a comunidade homossexual utiliza na luta por seus direitos, a questão da discriminação.

As reivindicaçõe LGBT são apresentadas como tentativas engenhosas de manipulação da vontade pública e estatal para aceitação e criação de uma classe ou grupo diferenciado dos demais, não em razão de um estado biológico, como no caso de crianças, idosos, mulheres, negros, índios e deficientes, e sim, com base na livre escolha pessoal de cada indivíduo de exercer sua sexualidade de modo distinto dos demais atores sociais. Deste modo, o discurso ganha ainda mais força, pois direciona o pensamento social na compreensão de que, as reivindicações dos grupos homossexuais aumentarão ações discriminatórias, ao invés de coibí-las, uma vez que, na realidade concederiam privilégios aos homossexuais ao invés de equipará-los aos demais cidadãos.

Entre os projetos de lei que eles querem ver aprovados está a instituição de cotas dentro das universidades públicas. Se não começar a segurar um pouco esse tipo de iniciativa gay, em breve não haverá mais controle. Daqui a pouco vão criar dentro do Brasil uma nova raça, uma raça superior. (MARCO FELICIANO, VEJA ABRIL, 2013).

O discurso de Marco Feliciano, apresenta de forma inequívoca os projetos pendentes de discussão e/ou aprovação no Congresso Nacional, voltados para o amparo da população LGBT, como uma tentativa de conceder-lhes privilégios indistintos, em detrimento da comunidade heterossexual. A questão da luta pela instituição de cotas garantindo o ingresso em universidades públicas, como forma de compensação pela inércia do Estado na defesa e proteção das comunidades LGBT, equiparando sua condição à mesma questão reparadora fomentada pela política pública de concessão de cotas à comunidade negra, como forma de reparação pela questão da escravidão, cria no imaginário popular a consciência de que na realidade deve haver um envolvimento social engajado, que efetivamente destine a essas questões a real importância que elas merecem, sob pena da implantação de uma política discriminatória legal jamais vista, com os grupos LGBT determinando regras a todos, fundamentadas em suas convicções pessoais e sexuais.

Outro elemento com grande força simbólica, apresentado no discurso em análise, é a equiparação da comunidade homossexual a uma nova raça ou raça superior, com o objetivo de trazer à memória momentos históricos, dos horrores infligidos ao mundo, quando Hitler

colocou em prática seu pensamento de extermínio em massa, sob a alegação de que os alemães seriam superiores aos demais povos.

Elemento recorrente nos discursos dos parlamentares evangélicos, a alusão a uma tentativa de implantação de uma cultura homossexual à força, sobre a sociedade, de modo que não haja a possibilidade de posicionamentos contrários, sob pena de serem considerados crimes de homofobia, incute na sociedade uma percepção, de que, na realidade o objetivo da comunidade LGBT é implantar uma verdadeira “ditadura gayzista” (MAGNO MALTA, A CAPA, UOL, 2012), o que garante em grande parte uma “simpatia social” a esses pretensos defensores da moral, família e bons costumes. A associação dos grupos defensores da população homossexual a figuras ditatoriais transmite, subliminarmente, a seus destinatários componentes de resistência e relutância, firmados na compreensão de que os direitos religiosos são na realidade defendidos subsidiariamente, na busca incansável pela manutenção da ordem pública, sob constante ameaça de grupos que se autodeterminam como minoria social como forma de desestabilizar o governo e a sociedade.

Não temos democracia aqui. A democracia só funciona para uma parte desse grupo que se diz minoria. Minoria, entretanto, é quem não tem vez, não tem voz, não tem acesso a trabalho, não consegue estudar. Onde o grupo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) se encaixa nisso? Eles se escondem atrás de um rótulo de minoria, não para buscar direitos, mas privilégios. (MARCO FELICIANO, VEJA ABRIL, 2013).

A construção de discursos, cada vez mais distante das questões religiosas e mais próximas de questões conceituais e legais de extrema relevância para a sociedade, fortalece o entendimento de que os parlamentares evangélicos são árduos defensores dos princípios constitucionais da formação do Estado Democrático de Direito, defendendo interesses difusos, antes de suas convicções religiosas. A alegação de um suposto perigo à democracia brasileira, aliada à afirmação de que os grupos LGBT, na realidade, estariam conspirando contra a sociedade, protegidos sob um rótulo de minoria social utilizado indevidamente, agrega ainda mais força e convencimento ao discurso, que na realidade tem como objetivo angariar o apoio dos setores sociais que não fazem parte de seu eleitorado. O grande mérito dessas construções discursivas está fundamentado na sua própria reformulação.

A capacidade de compreensão da necessidade da mudança do eixo central, conciliando componentes valorativos comuns ao eleitorado civil e religioso, confere ao discurso dos parlamentares evangélicos corpo, consistência e acima de tudo, força probante sobre suas inferências a respeito da comunidade homossexual, apresentando-a como instituição bélica detentora de periculosidade social, disposta e capaz de perverter os sistemas de sentidos que regulam a vida em sociedade.

A suposta relativização da causa religiosa, em prol de um bem social maior, na realidade demonstra amadurecimento político dos parlamentares evangélicos, que vão consolidando seus posicionamentos religiosos de modo indolor e quase imperceptível, possibilitando uma atuação voltada para o combate nas diversas frentes em que os grupos homossexuais atuam, sem que isso seja visto como intolerância religiosa. Deste modo, o posicionamento contrário às conquistas LGBT, como o reconhecimento do casamento gay e a luta pela promulgação do PLC 122/0636, são entendidas como lutas políticas em prol dos interesses difusos da sociedade, e não, como luta pela manutenção dos interesses coletivos da comunidade cristã.

3.3 A reação dos parlamentares evangélicos frente à luta pela promulgação do PLC