6. IT FORNEBU – FINDINGS AND ANALYSIS
6.1 IT F ORNEBU I NKUBATOR AS
6.1.2 Key findings
Quadro 1- Concepções de AH/SD, o estudante com AH/SD e a identificação de AH/SD.
CATEGORIA CONCEPÇÕES DOS PARTICIPANTES
ALUNO FAMÍLIA ESCOLA
1- Concepções de AH/SD
Ter facilidade para aprender.
É a capacidade de perceber as coisas antes que os pares. Raciocínio rápido. Interesse em certos assuntos.
É se diferenciar dos pares por uma maior capacidade cognitiva, social e criativa. SUBCATEGORIAS a-Percepção dos participantes sobre o estudante com AH/SD.
Não precisa prestar atenção nas aulas para tirar boas notas.
Facilidade de aprender. Acreditam que poderia haver mais empenho nos estudos.
Não consideram o aluno destaque de sala de aula, mas reconhecem sua facilidade em aprender, e seu senso crítico e questionador. Autosuficiente, algo que consideram inadequado. O comportamento inadequado do aluno se destaca nas falas.
b- Identificação de
AH/SD. Considerava-se normal. Aprofundamento no assunto e melhor compreensão sobre os comportamentos do filho.
Questionamento sobre a identificação, pois consideram o aluno “normal”.
As concepções de AH/SD dos participantes foram analisadas separadamente por grupo, sendo: o aluno, a família e a escola. Nessa categoria foram identificadas duas subcategorias: a percepção dos participantes sobre o estudante com AH/SD e a identificação de AH/SD (Quadro 1).
Ao se abordar a questão das AH/SD, não se deve perder de vista o conceito trazido por Renzulli (1986, p 5), quando o autor esclarece que a “superdotação é uma condição que pode ser desenvolvida em algumas pessoas se houver uma interação apropriada entre a pessoa, seu ambiente e uma particular área do conhecimento”.
Os participantes têm uma ideia geral sobre o fenômeno das AH/SD, relacionando-a a facilidade de aprender. Um ponto que chama a atenção é o fato de os participantes apresentarem a facilidade no aprendizado como elemento que diferencia o estudante com AH/SD de seus pares. No entanto, algumas características do estudante com AH/SD são desconsideradas e mitos evidenciados.
Eu... pelo menos na sala desde que estava estudando para entrar aqui, eu percebia que o professor explicava e geralmente na primeira vez eu já entendia. Coisa que, não acontecia com a maior parte da turma. (Aluno Carlos)
Para mim, altas habilidades é a capacidade de aprender, no caso do Carlos, eu sinto uma capacidade de aprender geral... só que eu sinto também que tem coisas que ele tem mais interesse que outras, adora informática... superdotação seria aprender com maior facilidade. (Pai)
É conseguir pular etapas, perceber coisas antes que os outros percebam... ter raciocínio rápido e estar à frente dos demais. Quando o Carlos se interessa pelo assunto, a coisa flui com muita facilidade. (Mãe)
O aluno tem que se destacar em alguma disciplina ou em alguma arte, em alguma coisa que seja destacável, tem que ser destaque. (Professora Érica)
O aluno que tem AH/SD é um aluno que está além dos outros em relação a alguns aspectos, seja cognitivo, social, aspectos de criatividade, de iniciativa... é um aluno que está além das capacidades em relação aos outros. (Professora Carla)
É o aluno que é diferenciado. (Professor Marcos)
Os dados reforçam o estudo desenvolvido por Miller (2009) quando os resultados indicaram que professores apresentaram crenças tradicionais sobre AH/SD baseadas em alto desempenho em testes de aptidão, deixando de considerar outras características da superdotação.
A concepção do estudante Carlos sobre AH/SD, relacionando-a a aprender com facilidade vai ao encontro dos dados apresentados no estudo de Chagas e Fleith (2011), quando entre as principais características cognitivas e acadêmicas percebidas nos adolescentes talentosos estava a facilidade para aprender, fator que contribui para aprimorar o desempenho na área de habilidade. Winner (1998) enfatiza a necessidade que os indivíduos talentosos têm para dominar assuntos de seu interesse e o fato de aprenderem com instrução mínima.
Percebe-se que a concepção da família sobre AH/SD se aproximou da conceituação da literatura científica, o que pode ser explicado por seu alto nível de escolaridade e pelo interesse em leituras na área. Os pais vincularam a habilidade superior à facilidade de aprender rápido e conseguir elaborar estratégias mais facilmente que as demais crianças, expressando agilidade de raciocínio, principalmente, na área de maior interesse. Relataram, ainda, sobre a habilidade superior estar vinculada a uma ou mais disciplina, pois perceberam maior rapidez na execução e conclusão das atividades de interesse do filho, além da motivação para resolver questões desafiadoras e criar estratégias de resolução na área de maior habilidade. Na visão familiar, Carlos se sai bem em todas as disciplinas, mas
reconheceram que seu melhor desempenho e motivação apresentam-se em Matemática e Português.
Os docentes associaram as AH/SD ao fato de o aluno ser destaque, ter nota máxima em alguma área, porém não reconheceram o interesse elevado, a rapidez nos cálculos e a elaboração de novas estratégias de resolução, como elementos da superdotação. Para Renzulli (2004), a pessoa com AH/SD deve apresentar características contidas no modelo dos Três Anéis. No entanto, nem sempre, a criança apresenta esse conjunto de características desenvolvido igualmente; mas, se lhe forem dadas oportunidades, poderá vir a desenvolver amplamente todo seu potencial. Ainda nessa linha de pensamento, Fleith (2005, p.12) esclarece que “O mais importante é que os três anéis, habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e a criatividade, estejam interagindo em algum grau, para que um alto nível de produtividade possa emergir”.
Entretanto, há uma tendência em considerar que o estudante com AH/SD seja o melhor aluno da sala na sua disciplina, sinalizando, com isso, certa resistência em aceitar que o aluno pode ter mais facilidade em uma disciplina do que em outra. Reforça esse dado a afirmação de Gonçalves e Fleith (2013, p.30), quando enfatizam que “ainda predomina, no contexto educacional, a ideia de que o indivíduo superdotado é aquele que apresenta alto rendimento em todas as disciplinas, quando na verdade, ele pode se destacar em apenas uma área”.
Além disso, observa-se que, para os professores, o estudante com AH/SD está relacionado aos gênios, a pessoas distantes do contexto da escola e não a pessoas que apresentam habilidade superior à média da população, que estão inseridos na sala de aula regular e fazem parte do dia a dia escolar. Com isso, preservam-se mitos relacionados à superdotação e verifica-se um distanciamento entre o conceito teórico dos professores e a sua vivência pedagógica com estudantes com AH/SD, o que pode ser constatado com as seguintes falas:
O que a gente observa é que o aluno tem muita facilidade na Matemática, mas achar que é alta habilidade, não acho, acho que ele é assim, tem facilidade, faz cálculo rápido...raciocínio rápido. Penso assim! (Professora Érica)
Olha, particularmente, o Carlos... ele... ele... é normal. Só que tem um detalhe, não é o melhor aluno da sala... nem de notas e nem de participação. (Professor Marcos)
Nota-se um descompasso entre a concepção que os docentes apresentaram sobre AH/SD e a prática pedagógica desenvolvida com os alunos talentosos, deixando, com isso, de
estimular a área de maior potencial, em virtude de mitos que se preservam nas concepções de alguns docentes. Conforme aponta Renzulli (1986), a escola deve oportunizar ao máximo o desenvolvimento dos estudantes na área em que se tem maior potencial.
No entanto, observa-se que, apesar do acréscimo das divulgações sobre esse assunto, alguns profissionais da educação ainda acreditam que a AH/SD é um fenômeno raro e distante do contexto escolar. Em razão isso, Fleith (2005) esclarece que por muitas vezes as pessoas associam AH/SD à genialidade. No entanto, o gênio seria aquela pessoa que deixa uma contribuição original para a sociedade, enquanto o estudante com AH/SD apresenta uma habilidade superior à média da população.
a - Percepção dos participantes sobre o estudante com AH/SD.
A fim de compreender como está ocorrendo o processo de inclusão escolar do estudante com AH/SD, buscou-se levantar junto aos participantes deste estudo sua percepção sobre Carlos. Todos os participantes consideraram que Carlos tem facilidade no aprendizado.
O estudante julga entender rapidamente os conteúdos e atividades propostas pelos professores, sem apresentar dificuldades. Entretanto, os pais relataram que, apesar da agilidade no entendimento dos conteúdos, Carlos poderia se empenhar mais nos estudos. Também apresentaram certa preocupação com a formação moral de Carlos, uma vez que ele demonstrava pouco cuidado com o próximo em determinadas situações. Os pais procuravam sempre orientá-lo sobre a forma de se relacionar com as pessoas, pois consideravam que ele poderia ser mais educado e cuidadoso com os outros, conforme exposto nas falas a seguir:
Ah, ele... é muito tranquilo no aspecto cognitivo. Ele não estuda nada em casa, ele gosta muito da Escola C. Ele sentiu a vitória ao passar no concurso... só que a gente gostaria que ele se empenhasse mais... só que é meio difícil porque na fase da adolescência é meio difícil de convencer. (Pai)
O Carlos ele consegue pular umas etapas, ele consegue perceber coisas antes que os outros percebam... eu percebo que para outras crianças muito inteligentes, você precisa dar três peças, por exemplo, para que eles encaixem e vejam determinada figura completa... no caso do Carlos, a sensação que eu tenho é que quando você dá duas peças ele já conclui a terceira... então eu percebo que ele tem um raciocínio rápido, e quando ele se interessa pelo assunto, a coisa flui com muita facilidade. (Mãe)
Percebo que o Carlos oscila muito no sentido de hora se achar demais e hora achar que não vai dar conta, que não vai conseguir... Também é pouco carinhoso, ele é mais fechado. Para mim é um desafio ter um filho, independente de ter AH/SD, porque sempre queremos que desenvolva ao máximo as suas potencialidades. Então me preocupo tanto com o aspecto cognitivo como com o aspecto moral e
emocional... Tento ajudá-lo a se equilibrar tanto na parte moral como emocional. (Mãe)
Delou (2007b) assinala a importância de o indivíduo ser entendido pela família, na sua totalidade, por uma visão global e não somente em aspectos isolados de bom desempenho. A autora assinala que, para isso, a família deve estar atenta ao papel que ela exerce sobre o desenvolvimento do filho. Estudos recentes de Chagas e Fleith (2011) também apontaram o suporte familiar como fator de impacto no desenvolvimento do talento.
Já os docentes não reconheceram Carlos como tendo AH/SD, pois não é caracterizado como destaque perante seus pares. Eles ressaltaram o comportamento do aluno, por vezes, inadequado em sala de aula. Contudo o comportamento inadequado apontado pelos professores, o pouco empenho e a falta de motivação, são aspectos que podem estar relacionados a falhas no processo de inclusão escolar de Carlos. Visto que a escola não propôs nenhuma adaptação curricular a fim de atender às necessidades do estudante com AH/SD, isso demonstra a fragilidade do processo inclusivo. De acordo com Peterson (2009) o comportamento inadequado do superdotado pode estar vinculado a mitos que envolvem a superdotação e impedem/dificultam o atendimento adequado as demandas desse estudante.
As informações acima aparecem de maneira acentuada quando se pergunta sobre a percepção do docente em relação ao estudante com AH/SD:
[...] ele é muito desmotivado em sala, eu acho ele muito de qualquer jeito, conversa muito, não acho que é aquela facilidade que ele tem, porque lá eu percebo os alunos assim excelentes em Matemática, muito mais que ele...e que não dão essa alteração, se comportam muito mais. (Professora Érica)
No primeiro e segundo bimestre foi complicado, porque ele me perguntava, interrompia o tempo inteiro... eu tava explicando e o tempo inteiro ele com a mão levantada, querendo questionar as regras...ele quer ir além daquele conteúdo que está sendo dado ali... ele tá certo em querer saber pra que serve, o objetivo de se estudar aquilo ali, mas ele ia muito além disso e, muitas vezes, ele dizia que não concordava perante a turma, mas eu falava pra ele que no final da aula conversaríamos... e que eu lhe mostraria por meio da gramática, mas que naquele momento era a única coisa que eu podia usar era a gramática... Mas ele questionava muito e foi complicado. (Professora Carla)
Ele é assim, tem um poder de criticidade muito grande... eu acho que, às vezes, é até exacerbado. (Professora Carla)
Olha, particularmente, o Carlos... ele é normal. Conversa, só que tem um detalhe, não é o melhor aluno da sala, nem de notas e nem a nível de participação. Ele não é o melhor aluno em notas e nem tampouco um aluno que participa muito...fica lá no fundão... Ele passa a seguinte visão... ele olha um pouquinho, presta atenção, ah, peguei, captei, já sei o essencial pra mim, pronto. E a gente fica, Carlos senta direito, presta atenção... então ele passa essa visão...já pegou o necessário, já captei o necessário, vou tirar o meu 8,0 pronto. (Professor Marcos)
Os dados evidenciaram que os professores consideravam que Carlos era desmotivado, extremamente crítico, pouco esforçado e que seu comportamento, muitas vezes, atrapalhava a aula. Estudos de Peterson (2009) apontam que o comportamento inadequado do estudante com AH/SD pode mascarar o seu potencial superior, em virtude dos mitos existentes na escola. Com isso, o aluno talentoso pode deixar de ser encaminhado a um atendimento especializado. Alencar (2007c) alerta para o fato de que cada criança tem o seu ritmo para se desenvolver, o que deve ser respeitado e estimulado, promovendo-se situações enriquecedoras em ambientes favoráveis e que oportunizem o aprendizado e o desenvolvimento.
O pouco empenho do estudante, percebido tanto pela família quanto pelos professores, pode estar atrelado à falta de motivação com as aulas e a pouca oferta de desafios a Carlos, uma vez que ele já conhece os conteúdos, e é obrigado a desenvolver as atividades no mesmo ritmo que a maioria dos alunos da sala. Esse dado vai ao encontro do estudo de El-Zraigat (2012) quando aponta que o desafio docente consiste em atender aos alunos medianos e com isso os superdotados são negligenciados nas salas de aula. Observa-se que os currículos são projetados em prol do aluno regular não apresentando flexibilidade para modificações que atendam ao estudante com AH/SD.
Os professores vincularam facilidade de aprendizagem com o comportamento do aluno, apontando seu comportamento, por vezes, incompatível em sala de aula. O desestímulo do estudante com AH/SD no ambiente escolar pode estar ligado à ausência de atividades desafiadoras que pudessem alavancar o potencial superior dele. Além disso, Fleith (2009) sinaliza que, muitas vezes, o superdotado apresenta um rendimento abaixo do seu potencial, por conta de vários aspectos, entre eles, aulas monótonas, a repetição de conteúdo que o aluno já sabe, o ritmo lento dos pares, bem como a falta de expectativa do professor em relação ao desempenho do estudante.
No relato de Carlos, há convergência das informações relatadas pelos professores, pois ele considerou que entende rapidamente o que o professor explica em sala de aula e tem vontade de saber mais sobre alguns conteúdos em determinadas disciplinas, porém nem sempre é permitido.
Em algumas matérias quero ir além... Só que Matemática eles cobram muito pouco e sempre foi. Português eu também gosto... Geografia e CFB, às vezes, eu acho meio chatinho. (Carlos)
[...] por exemplo, esse ano a minha professora de Matemática, ela ensina equação do segundo grau, ensina a usar um método um tanto retardatório. Um método muito devagar para aprender, ela não deixa usar báskara, ela não explica báskara
e não deixa os alunos que sabem usar. Por isso que eu acho que é um problema. Se o aluno sabe, ela deveria deixar o aluno usar. (Carlos)
Percebe-se que, mediante essa atuação pedagógica, os docentes dispuseram de obstáculos, que não favoreceram o desenvolvimento do capital humano superior. Tal situação contribuiu para que o estudante com AH/SD considere, em algumas ocasiões, a escola entediante. Esse dado está em consonância com os resultados do estudo realizado por Dantas e Alencar (2013), quando a escola é avaliada como enfadonha pelo aluno com potencial superior participante da pesquisa.
Fleith e Alencar (2007) destacam a importância de se estar atento às necessidades intelectuais e afetivas dos estudantes com AH/SD para que se possa assegurar-lhes condições adequadas para o seu desenvolvimento. Para isso, faz-se necessário um esforço coletivo que envolva a família, a escola e as políticas públicas, a fim de efetivar o processo inclusivo do estudante com AH/SD no contexto da escola regular.
No entanto observa-se uma lacuna entre a legislação vigente e a realidade da escola federal pesquisada. Esse dado está em consonância com os resultados do estudo realizado por Oswald e Villiers (2013) quando confirmaram por meio dos dados a distância existente entre as intenções políticas e as realidades da sala de aula na África do Sul.
b – Identificação de AH/SD
Considera-se a identificação e a avaliação do estudante com AH/SD um grande desafio para psicólogos e professores, porém de fundamental importância, uma vez que pode direcionar o planejamento pedagógico a favor das necessidades educacionais do indivíduo (GUIMARÃES; OUROFINO, 2007). As autoras esclarecem que a identificação dos estudantes com AH/SD só terá sentido se for possível oferecer a esses alunos práticas educacionais que atendam às suas necessidades e oportunizem o seu desenvolvimento.
Os participantes do estudo consideraram importante ter conhecimento sobre a identificação do estudante com AH/SD. Esse foi um aspecto evidenciado nos dados que se ratifica na afirmação de Fleith (2009) sobre a importância de que a família e a escola sejam informadas sobre a potencialidade do aluno para que, dessa forma, estabeleçam parcerias, ofertando um atendimento que supra as necessidades do estudante com AH/SD.
Para a família, a identificação teve aspectos positivos, pois a avaliação neuropsicológica foi sugestão da escola e confirmou uma hipótese que vinha desde a primeira
infância, possibilitando aos pais aprofundarem seus conhecimentos sobre o fenômeno das AH/SD. Com isso, puderam compreender certas atitudes de Carlos nos diferentes contextos, apoiá-lo e orientá-lo quando necessário.
[...] a gente conversou com a Equipe que indicou o teste psicológico pra avaliar se ele tinha Altas Habilidades, nesse aspecto a Escola nos ajudou. (Pai)
O diagnóstico ajudou nesse ponto que a gente desconfiava de algo diferente, precoce, mas não tinha certeza... aí quando passamos a ter certeza fomos lendo mais sobre o assunto e eu vi que essa questão do comportamento também pode estar relacionada agora a essa situação né? De não se sentir estimulado, aí conversa... eu acho que foi muito bom, principalmente, nesse aspecto do comportamento... em relação a parte cognitiva propriamente eu não mudei tanto minha concepção é a mesma de apoiá-lo. (Mãe)
Analisando a fala dos professores em relação a identificação de AH/SD, observa-se que existe uma descrença sobre a confirmação do estudante ter AH/SD. Para os docentes, ter esse conhecimento gerou espanto, dificuldade de entendimento, normalidade e comparação com outros colegas.
Na percepção da professora Érica, de Matemática, o comportamento do aluno não é compatível com o nível do seu aprendizado. Para ela, Carlos demonstrava desinteresse em sala de aula, conversa paralelamente com os colegas e não se destaca na turma, o que causa a ela descrença sobre o diagnóstico. Também enfatizou que não percebe Carlos como um estudante com AH/SD, e que ficou surpresa ao saber que ele é superdotado.
De aprendizagem não tem problemas, mas de comportamento sim...conversa demais, conversa muito em sala. Ah! Na 1ª reunião de responsáveis e mestres fiquei sabendo que ele tinha esse laudo de, não sei se é laudo que fala, diagnóstico... aí eu fiquei meio assim... eu sei que o pai falou isso pra mim...e eu fiquei assim... Nossa!!! (Professora Èrica)
O professor Marcos de História afirmou que, se não soubesse da identificação de Carlos como estudante superdotado, considerá-lo-ia como um aluno normal e mediano, pois considerou que o aluno não se destacava pelas notas nem pela participação em sala de aula.
Olha, particularmente o Carlos...ele...ele...é normal. (Professor Marcos)
Para Guimarães e Ourofino (2007), a identificação e a avaliação do estudante com AH/SD são de suma importância para que o estudante possa receber o atendimento adequado para suas necessidades. No entanto, os dados obtidos mostraram um distanciamento entre a real finalidade de identificar as AH/SD e a prática ocorrida no contexto escolar. Ressalta-se que a identificação vem para contribuir com os envolvidos no processo de desenvolvimento do estudante, pois assim tomam conhecimento do caso e podem providenciar estratégias que