6. IT FORNEBU – FINDINGS AND ANALYSIS
6.2 IT F ORNEBU V ISJON AS
6.2.1 New Business Model
Quadro 2- Concepções sobre a inclusão escolar do estudante com AH/SD
CATEGORIA
CONCEPÇÕES DOS PARTICIPANTES
ALUNO FAMÍLIA ESCOLA
2-Concepções sobre a inclusão escolar do estudante com AH/SD Estar no contexto da escola, fazer amigos e tirar notas.
Oferecer oportunidade de desenvolvimento a todos, o que requer preparo dos profissionais da educação.
Trabalho diferenciado, com mudanças na concepção da escola e de seus profissionais.
Essa categoria permite conhecer as concepções dos participantes (Quadro 2) sobre a inclusão escolar do estudante com AH/SD. Falar sobre a inclusão escolar é uma atividade que pertence ao cotidiano docente; porém, efetivar a inclusão não corresponde a uma atividade simples, pois requer do profissional da educação conhecimento, paciência, perseverança, motivação, criatividade e apoio do sistema educacional para lidar com a heterogeneidade de alunos existentes na sala de aula regular. Ainda hoje, é possível identificar no contexto escolar o desconhecimento de que o estudante com AH/SD é público alvo da educação inclusiva, conforme preconizado na Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 2010). Na abordagem sobre inclusão escolar do estudante com AH/SD os participantes divergiram em suas concepções. Na concepção de Carlos, a inclusão escolar permite a interação social dos indivíduos e deve estimular o avanço do estudante.
Eu penso, por exemplo, pra ter facilidade, tirar notas boas. Estar no contexto escolar para atender a inclusão social, escolar... Pra ter amigos, tirar nota... (Carlos)
Delou (2007a), ao discutir a inclusão do estudante com AH/SD enfatiza que esses alunos também têm necessidades educacionais especiais. Em razão disso, eles precisam ser identificados e estimulados com atendimento especializado, que lhe ofereça uma educação de qualidade.
Seguindo nessa abordagem, a família considerou a inclusão como um processo que contribui para o desenvolvimento do potencial superior que poderá ser aproveitado futuramente. Por outro lado, expressaram reservas sobre a inclusão escolar e enfatizaram a necessidade de muita preparação do corpo docente e da instituição de ensino para que o processo realmente ocorra, além de demonstrarem preocupação de como o poder público está efetivando os projetos propostos na legislação.
Inclusão é oferecer a todos oportunidades de desenvolver seus potenciais, de poder fazer o melhor que puder em termos escolares... porque isso vai ser útil no futuro. (Pai)
Eu tenho muita reserva em relação a este conceito de escola inclusiva... eu me lembro que por causa do meu trabalho eu cheguei a fazer uma auditoria no Ministério da Educação que na época era a Secretaria de Educação Especial e eu não vi, sinceramente, uma organização, um projeto maduro... nem os que têm necessidade especial, muito menos os que têm altas habilidades... Sinceramente, porque colocar um aluno que tem necessidades especiais em uma sala de aula requer muito trabalho, muito preparo do professor. O que acontece geralmente é que se você tem trinta alunos num ritmo e tem um num ritmo diferente, possivelmente o professor vai deixar aquele aluno pra trás e ele não vai desenvolver talvez nem o que ele poderia desenvolver... então, acho que esse é um conceito que precisa ser melhor trabalhado tanto para os que estão abaixo como os que estão acima da média. (Mãe)
Para Delou (2007a), após 10 anos de a LDB ter sido promulgada, ainda não se constatava sua plena aplicação na educação básica brasileira. Entretanto, Freitas e Pérez (2012) consideram que tem ocorrido, por parte das políticas públicas, maior preocupação com os estudantes com AH/SD, em relação à inclusão desses alunos na escola. As autoras apontam, também, a necessidade de avanço no sentido dos gestores e legisladores conhecerem melhor as necessidades reais desses discentes para que os dispositivos legais sejam, de fato, efetivos.
Os professores apresentaram concepções distintas sobre a inclusão escolar do estudante com AH/SD. Para Érica, a professora de Matemática, a inclusão corresponde a um grande desafio para o qual não se sente preparada; para Carla, a professora de Português, a inclusão refere-se à melhor preparação profissional para a realização do trabalho diferenciado com os alunos; e Marcos, professor de História, aponta que a inclusão deve ocorrer de
maneira natural, apesar da necessidade de mudanças na concepção da escola, dos profissionais e nos aspectos físicos da instituição.
Os dados estão de acordo com o estudo desenvolvido por Oswald e Villiers (2013) quando apresentam nos resultados de seus estudos que os docentes se familiarizam com inclusão escolar, porém divergem ao conceituá-la. Para os professores, a realidade escolar e a formação inadequada dificultam a efetivação do processo inclusivo.
[...] eu acho complicado esperar isso da escola... É a inclusão dos dois extremos. Incluir aquele que não tem nada e incluir esse que tem demais. A nossa escola ela é pro meio termo, entendeu? Então você fica num desespero. (Professora Érica) Eu acredito que a escola pode incluir sim, mas tem que ter toda uma preparação... Começando do sistema em si, tem que haver também um curso preparatório para os professores trabalharem com esses alunos,um trabalho diferenciado é um trabalho que exige mais do sistema e do professor... eu acredito que todo colégio tem condições pra isso, mas tem que ter preparação... aqui, começando do sistema, vindo para o planejamento, trabalhando com cursos preparatórios para o professor, tem que haver uma preparação de todos os aspectos aí... (Professora Carla) Olha a inclusão escolar é complicada e fácil... porque você tem que mudar toda uma concepção da escola, em aspectos físicos, o pensamento do professor, dos funcionários...engloba uma mudança gigantesca..por outro lado, tudo isso deveria acontecer num processo natural...não devia ter essa discriminação...eu sou favorável a isso aí e estou pronto pra ajudar a escola... (Professor Marcos)
De acordo com os Marcos Político-Legais da Educação Especial (BRASIL, 2010), a escola deve estimular a adaptação do estudante com AH/SD no ambiente escolar e a interação social do estudante com os professores e os pares. No entanto, a partir das falas dos participantes, observa-se a dificuldade encontrada pelos professores para lidarem com os alunos com potencial superior no contexto da escola regular. Consideraram que o sistema da escola federal ainda não possibilita a realização de um trabalho diferenciado com esses discentes, tendo em vista um vasto currículo a ser cumprido em tempo determinado. Em 2007, persistiam barreiras e preconceitos sobre a inclusão dos estudantes com AH/SD, fatores relacionados à formação de professores e dos gestores da educação (DELOU, 2007a). No entanto, os dados deste estudo ainda nos remetem para situação similar.
O entendimento que os professores expressaram sobre a necessidade de maior preparação docente e mais apoio do sistema educacional, levam à percepção de que, com a maior aquisição de conhecimento sobre a temática, poderiam atender melhor o aluno com habilidade superior, realizando as propostas de serviços expressas na legislação vigente. Sabatella (2005) aponta que os professores da escola regular são os que sofrem o grande impacto por não conhecerem procedimentos básicos de identificação e estratégias adequadas de ensino-aprendizagem para o estudante com AH/SD. A autora considera que seria de
fundamental importância que os professores tivessem disciplinas específicas sobre AH/SD durante sua formação inicial.
A partir dos dados, considera-se importante que o professor não fique arragaido a um único modelo de prática, e que também se mostre interessado e consciente das necessidades diversificadas do alunado que compõe o contexto escolar. Miller (2009) aponta sobre a importância dos professores refletirem sobre o fazer pedagógico e reconhecerem que a prática pedagógica a serviço do estudante com AH/SD esteja comprometida para que haja possíveis mudanças no atendimento desses alunos.
Diante disso, é importante que o professor avance rumo à diversidade, buscando uma postura mais reflexiva acerca de sua prática e sendo o responsável pelas escolhas das atividades, conteúdos e experiências mais adequadas para o desenvolvimento dos estudantes com AH/SD. Para tanto, considera-se necessário conhecer as características individuais dos discentes, por meio de observações e identificar suas facilidades e limitações (FREITAS; PÉREZ, 2012).
No caso de Carlos, observa-se que houve um truncamento da comunicação da escola com os professores sobre os estudantes com AH/SD, ficando a família responsável por maiores esclarecimentos sobre o assunto aos professores. Identifica-se uma ausência de orientação por parte da Seção Psicopedagógica de como trabalhar com esses alunos na sala de aula regular, o que trouxe como consequência o fato de ainda não conseguirem encaixar o estudante no perfil de superdotado, o que os levou a duvidarem do diagnóstico e do potencial superior do educando. Assim sendo não reconheceram seus mitos sobre AH/SD em Carlos.
Devido a tal fato, considera-se necessário melhorar a interconexão entre os profissionais que compõem o ambiente escolar e seus gestores, a fim de se superar os desafios encontrados e suprir as necessidades dos estudantes com AH/SD. Com isso, pode-se contribuir para a melhor efetivação do processo inclusivo.