• No results found

Kategori  2:  Påvirkningsgrad  av  ansatte

In document Arbeid som hjem (sider 39-42)

Para que pudéssemos desenvolver a nossa pesquisa, se fazia necessário um cenário favorável. Porém, erramos na escolha inicial, o que poderia alterar significativamente o desfecho da história. Contudo, essa visão do epílogo depende da concepção do que seja um erro.

Nas correntes positivistas, o erro apenas serve para verificar que algo não deu certo, e isso não merece nenhuma reflexão, invalidando o processo investigativo. Contudo, consideramos que o erro, que é a mola propulsora que permite o avanço na investigação, é assumido como um pressuposto de pesquisa e essencial na busca do caminho da “verdade”.

Dessa forma, reconhecemos que podemos ter errado em alguns momentos, como na escolha inicial da instituição de ensino na qual o nosso estudo de efetivaria, pois a

continuidade e consolidação deste se deram em outro espaço de ensino. Os dados coletados na primeira escola, não conotarão nestas páginas, a fim de não se traçar inicialmente uma análise comparativa entre ambas.

A ideia da formação continuada em serviço foi pensada inicialmente na escola Céu28, onde tivemos o nosso primeiro encontro com as docentes no dia18 de julho de 2008, com uma equipe de 8 professoras, embora já estivéssemos tecendo os acordos institucionais desde março de 2008, no início do ano letivo.

Porém, os nossos encontros coletivos foram se tornando cada vez mais difíceis, pois não havia disponibilidade de nenhuma das professoras de nos encontrarmos no fim do expediente. Dessa forma, sentimos a necessidade de buscar outro estabelecimento de ensino para que pudéssemos assegurar a continuidade da pesquisa. Foi nesse momento que procuramos contato com o Colégio Universo, no qual, de imediato, tivemos aceitabilidade por parte da equipe docente, que se prontificou a realizar os encontros no fim do expediente.

Mesmo com a aceitabilidade na segunda instituição, passamos a refletir sobre o nosso compromisso social, pois a escola Céu é uma instituição pública, já o Colégio Universo, uma instituição privada, fato esse que poderia diminuir a relevância social de nossa pesquisa, afinal, nosso mestrado é financiado por um órgão público e fazemos parte de um programa de pós-graduação de uma instituição também pública, além de defendermos uma educação gratuita e de qualidade. Porém, no decorrer do processo, percebemos que este tipo de pesquisa não se efetiva apenas no âmbito do público ou do privado. O nosso foco não é a instituição, mas os sujeitos que ali exercem suas funções enquanto profissionais, e isso não é mérito apenas para a instituição na qual o profissional trabalha, pois focalizamos a docência, potencializando o nosso olhar para os sujeitos, que se percebem como “seres inconclusos”, que segundo Freire (1996) é uma condição sine qua non para a (boa) prática docente.

No momento em que estávamos tentando estabelecer os encontros na escola Céu, alguns pontos nos inquietaram. Um deles foi o fato de as professoras alegarem com frequência que queriam nos “ajudar”, como se o processo formativo não fosse contribuir em nada para o fazer docente destas. Tal percepção nos incomodava, pois defendemos que “No assistencialismo não há responsabilidade. Não há decisão. Só há gestos que revelam passividade e ‘domesticação’ do homem. Gestos e atitudes”. (FREIRE, 2006, p.66)

Outro ponto foi a indisponibilidade de nos reunirmos coletivamente. Em princípio, íamos até a escola e conversávamos individualmente com as professoras, que comentavam o

que tinham lido dos textos propostos ou justificavam o motivo pelo qual não haviam lido. Já no Colégio Universo, a ideia do encontro no grupo já estava clara e se fazia necessária para todas, o que para nós foi bastante propício, pois, como afirmou Contreras (1994, p.8): “[...] os professores nem sempre podem realizar mudanças que percebem como necessárias se atuam solitariamente, dentro da estrutura institucional em que está inserido o seu trabalho”. Desse modo, as educadoras não estariam apenas dialogando entre si, mas abririam espaço para o diálogo com a universidade, pois, ao terem acesso a uma formação voltada para o ensino de Ciências, tinham acesso às ideias também compartilhadas em um grupo de estudo29 de uma universidade federal.

Consideramos que a emancipação do trabalho é possibilitada por intermédio da consolidação de espaços de pesquisa e – por conseguinte – reflexão entre educadores, em diálogo com o mundo, afinal, “Enquanto relação democrática, o diálogo é a possibilidade de que disponho de, abrindo-me ao pensar dos outros, não fenecer no isolamento”. (FREIRE, 2008, p. 120). E uma formação que não propiciasse o diálogo entre os educadores de uma instituição de ensino, com a finalidade de que refletíssemos no grupo, não nos parecia interessante, pois sabemos que

É no grupo de pesquisa que a pessoa do pesquisador é trabalhada. Ele aprende a ouvir e a ser ouvido. Lê e critica o trabalho dos outros e tem o seu trabalho lido e criticado. Diante de um termo que precisa ser melhor conceituado, ele avança e ao trazer sua contribuição para grupo vê com prazer esta ser complementada por outras, trazidas pelos seus parceiros. Não está só, mas suas idéias e decisões são lhe perguntadas tantas vezes e por tantas pessoas diferentes que, aos poucos, vai ouvindo sua própria VOZ e vai descobrindo o seu lugar (QUELUZ, 2002, p.347)

Dessa forma, discussões individuais não auxiliariam as educadoras a “ouvirem as suas próprias vozes”, mas corresponderia a uma pesquisa pautada apenas no caráter tecnicista de formação, afinal, as educadoras apenas receberiam as nossas propostas e as executariam, retirando, assim, toda a riqueza de um processo formativo que há no coletivo.

Foram esses “erros” que percebemos não como um entrave nos caminhos e descaminhos da pesquisa, mas, tendo como aporte o pensamento de Bachelard (1996), uma via de crescimento para todos os envolvidos.

29 As ideias defendidas nos encontros de formação continuada com as educadoras do Colégio Universo estão

ancoradas nos estudos desenvolvidos no grupo de pesquisa denominado “Ensino de Ciências e Cultura” (CNPq – UFRN)

Sabemos que mesmo não tendo concluído os estudos na primeira instituição, contribuímos e recebemos contribuições das mais diversas instâncias e este ganho, mesmo sem fazer parte do nosso trabalho dissertativo, contribuiu para a nossa constituição enquanto pesquisadores, afinal:

Os momentos que vivemos ou são instantes de um processo anteriormente iniciado ou inauguram um novo processo de qualquer forma referido a algo passado. Daí que eu tenha falado antes no “parentesco” entre os tempos vividos que nem sempre percebemos, deixando assim de desvelar a razão de ser fundamental do modo como nos experimentamos em cada momento. (FREIRE, 2008, p. 28)

Em um processo de formação continuada, há uma relação de trocas entre todos os sujeitos envolvidos e há a contribuição para o processo de emancipação, quando atentamos que sempre temos que aprender mais, pois:

Educar e educar-se, na prática da liberdade, é tarefa daqueles que sabem que pouco sabem – por isto sabem que sabem algo e podem assim chegar a saber mais – em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para que estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais. (FREIRE, 2002, p. 25)

E, nesse processo dialético do educar-educar-se, nosso objetivo não era o de mostrar a “[...] presença dos conteúdos estendidos” (FREIRE, 2002), mas o de refletir, como sujeitos cognoscentes, sobre o objeto cognoscível, quer seja este uma estratégia metodológica ou a reflexão sobre a prática pedagógica.

Além da abertura do Colégio Universo, este também possuía um espaço para nos encontrarmos na sala dos professores, como também o horário de funcionamento prolongado, pois o porteiro dava expediente até as 20h, o que permitia o nosso encontro na instituição no fim horário de trabalho das professoras.

EDUCAÇÃO INFANTIL: ENSINO FUNDAMENTAL I ENSINO FUNDAMENTAL II E ENSINO MÉDIO ESPAÇO DE USO GERAL 4 salas (com janela), 1 coordenação, 1 área para professores, 2 banheiros, área para depósito de materiais, parque de areia, 1 pátio, 1 piscina infantil. Todas as áreas são

cobertas, com exceção da piscina. 2 salas, 1 sala de leitura, 1 sala de professores, coordenação, 2 banheiros, 1 cozinha, 1 sala de depósito, 1 pátio coberto, 1 pátio

descoberto, , 1 almoxarifado.

12 salas com ar condicionado (das quais 2 são ocupadas

pelo ensino fundamental I no turno vespertino e 1

é ocupada por uma ONG e outra pela

igreja.

Laboratório multidisciplinar, 1 cantina, 2 pátios cobertos, direção, 1

banheiro, 1 refeitório, 1 cozinha, 1 setor de cobrança, secretaria, sala da

tesouraria, sala da coordenação do Ensino Fundamental II e Ensino

Médio, sala dos professores, mecanografia, marketing, secretaria da igreja, 3 escritórios pastorais, sala de psicologia, biblioteca, auditório multimídia, laboratório de informática,

ginásio que comporta 1 estúdio de música, 1 sala de

esportes, 2 banheiros (vestiários). 1 sala da FACISA (faculdade de

cursos técnicos)

Quadro 3: Espaço físico do Colégio Universo Fonte: Dados coletados na pesquisa (2008)

Na biblioteca da escola há cerca de 3000 livros, dos quais, em torno de 70% são obras literárias de referência ou Literatura Infantil, mas não há um acervo para pesquisa das docentes, apenas alguns livros didáticos que as editoras entregam para análise no fim de cada ano letivo.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola está em processo de reformulação. Contudo, tivemos acesso ao manual do professor que foi elaborado no ano de 2004 (versão que recebemos) e do regimento escolar. Documentos esses dos quais recolhemos as informações subsequentes.

O Colégio Universo fica localizado próximo ao shopping Midway Mall, na cidade do Natal, Rio Grande do Norte, e foi autorizado a funcionar através da portaria 204/93 SECD – GS como estabelecimento de ensino básico.

De acordo com as informações presentes no regimento escolar, a escola tem seus objetivos e fins pautados na liberdade e nos princípios de liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber, respeitando o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas.

O documento categoriza a escola como “Instituição Tradicional Progressivista” em sua filosofia moderna e em seus métodos. (Cap I, Art 4). Assim sendo, visa conduzir o aluno à busca de sua autonomia intelectual e da construção de sua aprendizagem e saber, como também estimular o desenvolvimento da capacidade de observação e reflexão e de criação.

No artigo 5, o parágrafo VIII apresenta um aspecto que vem ao encontro de nossa pesquisa: que a formação cultural do aluno se exercerá pela consciência de que a aprendizagem somente se alcançará, plenamente por um processo de ensino adequado ao interesse do aluno motivado por métodos atualizados (grifos nosso).

Essa assertiva presente no documento também nos motivou a desenvolver a proposta metodológica nessa instituição, por considerarmos (hipoteticamente) que o ensino de Ciências com quadrinhos é uma estratégia que suscitará do interesse do aluno e também por corresponder a um “método atualizado”.

A escola também é pautada em fundamentos também expressos no Manual do Professor: a educação como instrumento de transformação social (Paulo Freire); formação integrada do homem voltada para o saber essencial, que proporciona ao ser humano saber sentir, saber inovar, saber refletir, saber fazer, saber ser crítico, saber ser ético; a Escola, como instituição social, deve possibilitar o crescimento humano nas relações interpessoais, bem

como propiciar a apropriação do conhecimento elaborado, tendo como referência a realidade do aluno.

A proposta pedagógica do Colégio Universo tem sua linha fundamentada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), priorizando a construção do conhecimento significativo nos aspectos cognitivo, psicomotor, sócio-afetivo, ético, crítico, desenvolvendo a competência básica e permitindo ao educando desenvolver a capacidade de aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser.

Tais aspectos da instituição também favoreceram o desenvolvimento de nossa pesquisa, pois, segundo o então diretor, esta está sempre aberta para a pesquisa e para a colaboração com trabalhos que visem aprimorar os saberes do corpo docente, o que está em consonância com o nosso pensamento. Além disso, o principal motivo de desenvolvermos o trabalho no Colégio Universo é que este é o cenário das estrelas dessa história: as nossas protagonistas.

In document Arbeid som hjem (sider 39-42)