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Kategori  5:  Medleverturnus  for  ungdommene

In document Arbeid som hjem (sider 45-48)

Encontrávamo-nos na escola às quintas-feiras, após uma jornada de trabalho, as professoras abrindo mão de seus momentos de lazer e descanso. Às vezes, as discussões eram suscitadas a partir dos problemas do cotidiano: alunos difíceis, conteúdo complicado, metodologia mal aplicada... Momentos de profunda riqueza epistemológica para a construção da concepção do “fazer docente”.

Os diálogos tecidos no decorrer dos 13 encontros foram gravados em áudio e transcritos posteriormente, consistindo em mais de 15 horas de gravações das falas apenas nesse momento. Somando-se, posteriormente, as gravações das aulas, autoscopia e entrevistas individuais, obtivemos mais de 30h de dados gravados para posterior análise, sendo, destes, em torno de 6h de gravações em vídeo.

O clima de coleguismo e busca de avançar no aprendizado perpassou todos os encontros. As professoras, desde o início, demonstraram interesse em aprender mais, em avançar conceitualmente, em discutir questões que lhes eram pertinentes.

Em princípio, conseguimos realizar encontros semanais. No ano de 2008 tivemos apenas uma parada para que as professoras realizassem as atividades avaliativas e logo em seguida tivemos o recesso, não sem antes combinarmos de nos encontramos no início do ano letivo de 2009.

Nos reencontramos no dia 26 de janeiro de 2009, para estabelecer novos acordos institucionais e partirmos para o nosso 6º encontro. O clima de mudanças era evidente. A escola havia aberto turmas no turno matutino (em 2008, só funcionava no turno vespertino) e Arcturus iria mudar o seu horário de trabalho, tornando mais difícil o nosso encontro coletivo. Também houve modificações na coordenação e direção da escola. Dessa forma, os que haviam chegado ainda não estavam a par da nossa pesquisa e tivemos que iniciar um novo processo de “sedução” para a concretização dos devidos procedimentos. Para que pudéssemos estabelecer o nosso espaço no ambiente escolar, estivemos presentes no Colégio Universo todos os dias da semana pedagógica, mas percebemos que a nossa presença ainda não era bem vista pela nova coordenadora: parecia que estávamos lá para “roubar o tempo das professoras”, o que se constituiu em uma situação desagradável. Mas, com o tempo, chegamos a um acordo, pois também percebemos que a nova coordenação estava desejando ter o seu espaço de aceitação do grupo, e, após algumas interlocuções, desenvolvemos uma relação mais amistosa.

As modificações na direção e coordenação repercutiram diretamente em nossos encontros de formação continuada, pois a equipe gestora buscou seguir outra vertente metodológica e, para que as educadoras estivessem a par desta, foram marcados encontros quinzenais de formação, mas não em formato de discussão dialogada, com a leitura do texto anteriormente para a discussão no grupo, como em nossa proposta, e sim no formato de seminários, que deveriam ser ministrados pelas educadoras, de acordo com o tema escolhido pela coordenação, refletindo a forma de conceber a formação docente: perspectiva técnica sob o enfoque do modelo de treinamento, de acordo com a categorização de Pérez Gómez (1998).

Como a nova gestão/coordenação não percebia os nossos encontros com a mesma importância da gestão anterior, acharam necessário marcar outros encontros de formação continuada em serviço, o que de certa forma tirou um pouco da qualidade do nosso estudo, pois, agora, nossos encontros deveriam ser quinzenais, para que ninguém ficasse

sobrecarregado. O cansaço era evidente nas educadoras, que agora deveriam, além de preparar as aulas diárias, elaborar um seminário para os professores da escola, tornando pública a insegurança muitas vezes demonstrada.

Diferente dos nossos primeiros contatos, nos quais as professoras demonstravam muita empolgação e desejo de aplicar as HQs em sala de aula, no decorrer do processo, pela quantidade de cobranças às quais elas eram submetidas, os encontros se tornavam mais tensos e a relação direcionava-se para as cobranças. Para que as professoras não percebessem a nossa pesquisa como mais uma das atividades burocráticas que estavam realizando, deixamos, em muitos momentos, que ficassem à vontade, desmarcando seguidas vezes os nossos encontros de formação e, apesar de estarmos sempre na escola, nós não realizávamos estudos, para que elas se sentissem menos pressionadas, ainda que estivéssemos ali para demonstrar o nosso desejo de dar continuidade a um trabalho coletivo.

Vários autores reconhecem a importância de uma formação coletiva, dentro do espaço escola, como “[...] possibilidade de consolidação da pesquisa e da reflexão entre professores” (ROSA, 2004, p. 20). Contudo, tal processo formativo deve ser compreendido tendo em mente a sua complexidade e o desvelamento de uma realidade, pois “[...] pesquisar e refletir são meios que levam a determinados fins e a explicitação destes fins é a condição fundamental para a busca das possibilidades de emancipação do trabalho docente” (ROSA, 2004, p. 20)

Nosso objetivo não era o de realizar “reciclagens”, “treinamentos” ou “operações de salvamento”, considerando que essa dimensão do processo formativo se vincula à epistemologia positivista da prática, então buscamos construir um espaço de interlocução de saberes, tecendo uma parceria colaborativa, na qual “[...] a reflexão e a intervenção na realidade se viabilizam a partir da interação entre pares que assumem papéis específicos no processo” (ROSA, 2004, p.33).

Dessa forma, nosso intuito não era “nutrir” as professoras com o “saber científico legitimado”, mas ajudá-las na apropriação de um referencial teórico diferente, ao passo que também recebíamos a ajuda e o apoio de quem está em sala de aula, vivenciando os desafios e possibilidades, estas não percebidas em sua formação inicial, aqui considerando apenas a formação sistematizada em uma instituição de ensino superior, pois, como afirma Imbernón, (2009, p.41): “O tipo de formação inicial que os professores costumam receber não oferece preparo suficiente para aplicar uma nova metodologia, nem aplicar métodos desenvolvidos teoricamente na prática de sala de aula”. Assim sendo, nossa preocupação residia não só em

“passar” um conteúdo/metodologia novos, mas de aguçar o interesse em refletir na prática, pois atualmente, considera-se o conhecimento tão importante quanto as atitudes, ou seja, tudo o que representa formar as atitudes, pois, segundo Imbernón (2009, p. 16): “ A aquisição de conhecimentos deve ocorrer da forma mais interativa possível, refletindo sobre as situações práticas reais”.

Os textos que nos propomos a discutir não faziam parte do repertório leitor das educadoras, mas estas tiveram uma boa receptividade ao receber a pasta completa com o todo o material a ser usado ao longo da formação e, assim, poderem ter uma visão panorâmica dos temas que seriam abordados em nossos encontros.

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