6 Aktørenes antisemittiske verdensbilde sett i lys av Protokollene
6.3 Kampen mot «den jødiske ånd»
A Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack é situada no bairro Minas Gerais, zona norte de Uberlândia.
Na página eletrônica da escola não está disponível seu PPP, mas há a seguinte referência sobre sua proposta pedagógica:
A Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack tem como missão assegurar um ensino de qualidade para desenvolver no aluno uma visão crítica do mundo em um ambiente de criatividade e respeito mútuo. Dessa forma a proposta pedagógica adotada pela instituição busca preparar o educando para vida, dando-lhe subsídios teóricos, contudo, ressaltando os ideais de solidariedade humana para que venham a contribuir para uma sociedade melhor. Nessa perspectiva o trabalho a ser desenvolvido deve perpassar pelos valores que fundamental a vida, como: ética, respeito, cooperação e responsabilidade, fatores essenciais para o desenvolvimento integral do ser humano. Assim, faz desta proposta a utilização da pedagogia de projetos que integrem o saber cientifico com questões cotidianas
vivenciadas pelos educandos (ESCOLA MUNICIPAL
PROFESSORA ORLANDA NEVES STRACK)
Também não há na página da escola nenhuma a menção sobre os Programas Mais Educação e Mais Cultura nas Escolas. Não consta o projeto inscrito para o Mais Cultura nas Escolas em conjunto com a Iniciativa Cultural Parceira. O que encontramos nas página da escola nas redes sociais (Facebook) foram fotos de muitos eventos com apresentações artísticas que acontecem na escola. Mas não há publicações no que se refere ao Mais Educação/ Mais cultura nas escolas. Apenas uma publicação de um evento que aconteceu no dia das crianças faz referência ao programa federal.
Sabemos por meio da lista de parceiros que consta no Portal do MinC, entretanto, que a Iniciativa Cultural Parceira número 2 foi quem propôs o Projeto de Atividade
Cultural na Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack. Neste caso, também é a Associação Trupe de Truões-Instituto de Educação, Pesquisa, Arte, Cultura e Informação- ATT, a mesma responsável pela Escola Municipal Professor Ladário Teixeira.
As referências às atividades culturais desenvolvidas são assim expostas:
Figura 5 -
Apresentação da Escola Professora Orlanda Neves Strack.Fonte: Reprodução do Facebook109
A documentação publicada que informa sobre a relação da Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack com o Grupo aparece sutilmente no texto sobre o Ponto de Cultura da Trupe. Neste artigo encontramos o nome desta escola e de outras escolas públicas que são parceiras no projeto. Segundo Batista (s/d) há uma média de 15 escolas públicas que foram parceiras neste projeto, seja recebendo os jovens artistas nas dependências das escolas para realizarem intervenções cênicas, seja trazendo os jovens da escola para o Ponto de Truões, espaço onde aconteceram as apresentações do 2º e 3º ano. Além, disso, alguns dos professores que acompanharam seus alunos nestas apresentações desenvolveram posteriormente atividades de apreciação do espetáculo
como vídeos, produção de cartas, criação artesanal de “presentes” entregues à turma do
Ponto de Cultura como uma maneira de prolongamento da experiência teatral.109 Disponível em:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201079803153757&set=pcb.10201079807433864&type=3 &theater
No texto existente na página da rede social encontramos entre a referência das escolas parceiras, o nome da Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack, onde a Trupe desenvolve, desde 2009, o projeto
Ponto de Cultura
:110Há três anos a Trupe de Truões desenvolve o Projeto Ponto de Cultura “Ensino Encena: formação e multiplicação no teatro infantojuvenil” em convênio com a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e o Ministério da Cultura. Idealizado em 2009 pelos artistas da Trupe que possuem experiência como docentes em escolas públicas e outros espaços de ensino, o Ponto de Cultura da Trupe de Truões se organiza a partir do desejo deste Grupo em multiplicar técnicas e linguagens desenvolvidas na pesquisa acerca da produção teatral infantojuvenil; além de atender a carência que os alunos de escola pública têm em relação ao universo artístico (BATISTA, s/d)
O relatório entregue pela secretaria de educação sobre os trabalhos realizados pelo Mais Cultura nas Escolas na Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack, traz as seguintes informações:
Na Escola Professora Orlanda Neves Strack foi desenvolvido aulas de teatro, visando pesquisa e experimentações cênicas relacionadas ao gênero teatral Melodrama. As atividades foram programadas para serem desenvolvidas em três meses - agosto, setembro e outubro com a Companhia de Teatro, Trupe de Truões. A prestação de contas dos três meses de funcionamento do Programa (2014), foram repassadas em tempo hábil (dia 10 de cada mês), ao setor de Caixa Escolar (BATISTA, s/d)
Optamos por coadunar as análises das Escolas Municipais Professor Ladário Teixeira e Professora Orlanda Neves Strack, por três razões principais:
1. As duas escolas se encontram no Pólo Norte da cidade de Uberlândia-MG. De acordo com o PPP da Escola Municipal Professor Ladário Teixeira, citado na descrição dos documentos, a
SME
, por meio da Rede do Direito de Ensinar e aprender, organizou as escolas por Pólo. De modo a atender as especificidades de cada região a fim de fazerem o levantamento das necessidades e analisarem as ações mais apropriadas, compreendendo o Pólo como um espaço aberto para debater, trocar informações, analisar e aprovar programas e projetos;2. A pesquisa teve acesso ao PPP apenas da Escola Municipal Professor Ladário Teixeira, todavia a proposta pedagógica da Escola Municipal Professora Orlanda
110 As Ações do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura é o de fomento e disseminações de ações culturais provenientes, especialmente de agentes periféricos e comunitários. Criada em 2014 atende iniciativas dos mais diversos segmentos da cultura. Ver: http://www.cultura.gov.br/cultura-viva1
Neves Strack não estava na página da escola. As duas propostas se ligam à recomendação da
SME
e da Rede pelo Direito de Ensinar e Aprender, no quesito que sustentam uma participação crítica e ativa dos sujeitos. A pesquisa entende que não há emancipação do sujeito e libertação das condições neoliberais se não usarmos a via de pensamento crítico;3. A proposta cultural para as duas Escolas foi o teatro. Consta nos documentos que a Iniciativa Parceira de número 1 que propôs para a Escola Municipal Professor Ladário Teixeira é uma pessoa física e a Iniciativa Cultural de número 2, proponente da Escola Municipal Professora Orlanda Neves Strack é um conhecido grupo de Teatro da cidade de Uberlândia. Todavia, comprovado pelo currículo do sujeito da Inicitiva Parceira de número 1, este proponente é também componente do Grupo teatral, ou seja, da iniciativa cultural de número 2, e trabalha como gestor da equipe sendo responsável pela elaboração de projetos e pela captação de recursos. É também o coordenador do Ponto de Cultura da Trupe denominado Ensino Encena, com o objetivo de multiplicar técnicas e linguagens da produção teatral infanto-juvenil.
Sabemos que a proposta do Programa Mais Cultura nas Escolas não estabelece que as diretrizes de atuação das Iniciativas Parceiras sejam para contemplar a emancipação crítica dos sujeitos. Propõe, apenas, que a escola seja um espaço de produção e circulação da diversidade brasileira, que forme um público para a contemplação artística, que amplie a inserção de conteúdos artísticos na escola, proporcione o encontro de manifestações artísticas desenvolvidas fora do contexto escolar com o cotidiano escolar.
O Programa, no máximo, dispõe-
se como um dos objetivos a “Proporcionar aos
alunos vivências artísticas culturais promovendo a afetividade e a criatividade existentesno processo de ensino e aprendizagem”. (BRASIL, 2014c, p.5) A PropostaCompromisso
Todos pela Educação
também não determina o processo emancipatório do aluno por meio das atividades realizadas na escola. Mas a pesquisa encontrou na maioria dos PPP das escolas analisadas e na proposta daSME
com a Rede pelo Direito de Ensinar e Aprender, uma relevância ao quesito de emancipação crítica. Por isso consideraremos em todas as propostas o preceito de autonomia e emancipação do sujeito.Destarte, o processo de autonomização da produção intelectual e artística é correlato a constituição de uma categoria socialmente distinta de artistas ou de intelectuais profissionais, cada vez mais inclinados a levar em conta exclusivamente as regras firmadas pela tradição propriamente intelectual ou artística herdada de seus
predecessores, e que lhes fornece um ponto de partida ou um ponto de ruptura, e cada vez mais propensos a liberar a sua produção e seus produtos de toda e qualquer dependência social, seja das censuras morais e programas estéticos de uma igreja empenhada em proselitismo, seja dos controles acadêmicos e das encomendas de um poder político propenso a tomar a arte como um instrumento de propaganda [...] Da mesma forma, o processo conducente à constituição da arte enquanto tal é correlato a transformação da relação que os artistas mantém com os não-artistas e por esta via com os demais artistas. (BOURDIEU, 2011a, P.101)
Na perspectiva de Pierre Bourdieu (2011a), o campo artístico, de acordo com a sociedade a qual pertence, buscaram a autonomia de diferentes formas, para que não necessitem se subordinar a interesses políticos, religiosos ou seja lá qual sejam. O movimento acelerou-se consideravelmente com a Revolução Industrial e com a atitude romântica de alguns artistas ou intelectuais. Para ele, o desenvolvimento da legítima indústria cultural e a relação organizada pela imprensa e a literatura favoreceu:
[...] a produção em série de obras elaboradas segundo métodos semi- industriais – como por exemplo o folhetim, ou então, em outras esferas, o melodrama e o vaudeville –, coincide com a extensão do público resultante da generalização do ensino elementar, capaz de permitir as novas classes (e ás mulheres) o acesso ao consumo cultural [...] O desenvolvimento de produção de bens simbólicos (em particular, do jornalismo, área de atração para os intelectuais marginais que não encontram lugar na política ou nas profissões liberais) é paralelo a um processo de diferenciação cujo princípio reside nas diversidades dos públicos aos quais as diferentes categorias de produtores destinam seus produtos, e cuja condições de possibilidade residem na própria natureza dos bens simbólicos. Estes constituem realidades com dupla face – mercadorias e significações –, cujo valor mercantil subsistem relativamente independentes, mesmo nos casos em que a sanção econômica reafirma a consagração cultural (BOURDIEU, 2011a, p.102)
A cultura reafirmada e consagrada pelas políticas neoliberais que se entendem ao público da escola no Brasil do tempo presente, permite que novas classe tenham acesso ao consumo cultural,
porém sem causar rupturas com a ordem estabelecida. “Contra esses
poderes fundados na concentração e na mobilização do capital cultural, apenas uma força de contestação que repouse em uma mobilização similar, mas orientada para fins completamente diferentes pode ser eficaz”. (BOURDIEU, 2011, p.8)
A Iniciativa Cultural de números 1 e 2, em análise aqui, propõe trabalhar com a
técnica teatral de Melodrama, como explica Batista (s/d) e “levar a cultura as crianças
carentes”
a partir do desejo de determinado Grupo em multiplicar técnicas e linguagensdesenvolvidas na pesquisa acerca da produção teatral infantojuvenil; além de atender a carência que os alunos de escola pública têm em relação ao universo artístico.
Tais características, somadas com a falta de conhecimento das atividades culturais que acontecem nestes espaços, antes mesmo deles ali chegarem, demonstra um
distanciamento com o espaço social constituído, “implica o desprendimento, o
desinteresse e a indiferença [...] significam verdadeiramente desinvestimento, desprendimento e indiferença, ou seja, recusa de investir e de levar algo a sério. (BOURDIEU, 2013, p.37)Verifica-se, como explica Bourdieu (2013), que os acontecimentos se dão de
forma como se o público popular apreendesse apenas o “gosto bárbaro”, pois são
desprovidos de competência especifica. Assim, o olhar para a periferia e suas formas culturais se dá de maneira negativa, dispondo de parâmetros da estética dominante. As manifestações comuns da admiração popular são percebidas, portanto, pelos seus defensores como destruidoras ou redutoras da estética dominante de modo que a única opção é a degradação ou a reabilitação da cultura popular.Bourdieu (1983a) adverte que a maior parte das produções atua pela maneira do
“golpe duplo” que é quand
o um produtor adapta os seus produtos ao gosto de seu público.Esse ajustamento ocorre porque nas posições constitutivas de um campo, o “produtor
mantém com os espaços de tomada de posição estética e éticas, que dada a história relativamente autônoma do campo artístico, torna-se efetivamente possíveis a um dadomomento do tempo”. (BOURDIEU, 1983 a, p.169)
O público das classes populares, segundo Bourdieu (2013), não sente necessidade de representações puras e se revoltam quando percebem que há uma necessidade vinda da lógica de outros campos de excluir as suas manifestações. Nesse sentido,
As tomadas de posição, objetiva e subjetivamente estéticas [...] constituem outras tantas oportunidades de experimentar ou afirmar a posição ocupada no espaço social como lugar a assegurar ou distanciamento a manter. É evidente que nem todas as classes sociais estão preparadas e são levadas, em condições semelhantes, a entrar no jogo das recusas que rejeitam outras recusas, das superações que superam outras superações; além disso, as estratégias que visam transformar as disposições fundamentais de um estilo de vida em um sistema de princípios estéticos, as diferenças objetivas em distinções eletivas, as opções passivas, constituídas em exterioridade pela lógica das relações distintivas, em tomadas de posições conscientes e eletivas, em opções estéticas, estão de fato, reservadas aos membros da classe dominante e, até mesmo, à mais elevada burguesia, ou aos inventores e profissionais da “estilização da vida” que são os artistas- aliás os únicos em condições de transformar sua arte de viver em uma das belas
artes. Ao contrário, a entrada da pequena burguesia no jogo da distinção marca-se, entre outros indícios, pela ansiedade que suscita o sentimento de prestar-se à classificação ao entregar ao gosto dos outros determinados indícios tão seguros de seu próprio gosto [...]. Quanto às classes populares, sua única função no sistema das tomadas de posição estéticas é, certamente, a de contraste e ponto de referência negativo em relação ao qual se definem, de negação em negação, todas as estéticas (BOURDIEU, 2013, p.57-58)
Ainda segundo Bourdieu (2013), alguns produtores preocupados com a disposição estética e a relação de distinção se apropriam de manifestações populares, mudam o interesse do conteúdo, configurando assim, um distanciamento, um diferencial, que estará de acordo com suas perspectivas de distinção.
Logo, as Iniciativas Culturais Parceiras de números 1 e 2 acatam as regras e fazem
o jogo do governo quando se propõe a “levar a cultura às crianças carentes”. Não vão
além da proposta neoliberal que o governo solicita, o que é direcionado para as escolas é um teatro de circulação e de multiplicação de técnicas.Sobre essa circunstância Bourdieu (1983a) explica que para haver um espaço para tomadas de posições, devem existir, entre todos que entram no
campo
, um sistema de referências comuns, que é a consequência de conjunturas históricas. O que faz, portanto, o grupo ser coeso, manter uma unidade e recorrer a tomadas de posições no campo, vai além de uma cultura comum é uma problemática comum. Uma escola, ou um posicionamento critico neste ambiente acabam por ser impostos por sujeitos que sustentem uma posição no campo, posição esta, que os outros tenham como referência, definindo assim a problemática do tempo e as tomadas de posições quanto a ela.As iniciativas culturais de número 1 e 2, quando se propõem levar uma arte redentora possui uma posição neutra no campo escolar, por isso propõe a arte pela arte. O relatório da
SME
, mostra que a opção teatral foi pelo gênero Romântico Melodrama, no intuito de experimentações cênicas.As tomadas de posições em um campo não são, portanto, conscientes para atender às demandas estéticas ou políticas do tempo presente, mas são escolhidas porque alguém