7 Konturer av et nettverk
7.2 Et kultisk miljø i norsk mellomkrigstid?
7.2.3 Felles kommunikasjonskanaler og sosiale plattformer
A Escola Municipal Dr. Joel Cupertino Rodrigues está situada no Bairro Dom Almir, na zona leste de Uberlândia e na região denominada Grande Morumbi.
Segundo o PPP da escola os ideais a galgarem vão ao encontro de uma escola cidadã,123 todavia reconhecem o longo caminho a ser percorrido para atingir o ideal
Com relação ao eixo
Convivência
, ressalta-se que a complexidade das relações sócios-culturais dificulta a realização dos princípios dispostos. As diferenças individuais de cada segmento da comunidade escolar, que perpassam os aspectos de afinidade, sentimentos, desejos de crescimentos, ideais, etc., geram conflitos e são vistos como obstáculos. Outro ponto relevante se refere à falta de comprometimento de parte da comunidade escolar com os princípios de cooperação e solidariedade que regem a boa convivência dos grupos. Percebe-se que a falta de cooperação desses profissionais é gerada (não termina a frase), assim, consideram que:A gestão democrática é possível desde que haja um trabalho efetivo que envolva todos os segmentos de forma responsável. É preciso que os gestores abram espaço para uma administração, que cada servidor desempenhe sua função com ética e união e que a Secretaria Municipal de Educação dê os suportes necessários para que cada unidade escolar atinja seus objetivos. Com relação ao eixo temático currículo e suas possibilidades de realização nesta escola, levantamos alguns pontos que merecem atenção e mudança nas ações educativas. Um dos pontos é a superação de conceitos arraigados nas matrizes dos profissionais: é preciso conhecer os princípios norteadores dessa temática, para tomada de decisões, mediante planejamento coletivo. O cone também de uma necessidade de reflexão sobre a viabilidade de adequação do currículo a realidade da comunidade escolar, através de propostas que vão das práticas positivas às possibilidades de conclusões reais, visando a valorização do ser humano. Para que o currículo seja elaborado a partir de vivencias e necessidades dos educandos, faz-se necessário maior
123 Conceito criado pelo pensador e educador Paulo Freire, que compreende uma escola que educa as crianças para se tornarem aptas a tomarem decisões. A escola cidadã inclui propostas de autonomia, integração da educação com a cultura e o trabalho, visão interdisciplinar e o envolvimento continuo dos professores, parceria escola e comunidade. Sobre o assunto ver: http://www.educabrasil.com.br/escola- cidada/
participação de toda comunidade escolar (ESCOLA MUNICIPAL DR. JOEL CUPERTINO RODRIGUES)
Há um atalho na página da escola para o Programa Federal Mais Educação, porém não há eventos registrados para ele e para o Programa Mais Cultura nas Escolas
.
Sabemos apenas por meio da Plataforma do MinC que a iniciativa Cultural Parceira número 6 propôs o Projeto de Atividade Cultural na Escola Municipal Dr. Joel Cupertino Rodrigues com a cultura Afro-brasileira por meio da Capoeira.
O Jornal Correio de Uberlândia assim noticiou a aprovação no Programa Mais Cultura nas Escolas no que se refere à Escola Municipal Joel Cupertino Rodrigues:
Disputando com mais de 14 mil projetos habilitados para o programa, de mais de 5 mil municípios brasileiros, a Escola Municipal Joel Cupertino Rodrigues, do bairro Morumbi em Uberlândia, foi uma das contempladas nesta primeira etapa de classificação dos projetos “ Mais Cultura nas Escolas”. A comissão Interministerial de Avaliação do Programa Mais Cultura nas Escolas, do Governo Federal, selecionou em uma primeira etapa 1.001 projetos inscritos para o programa. O Mais Cultura nas Escolas consiste em um plano de atividades culturais que serão desenvolvidas nas escolas públicas do ensino fundamental e médio com o objetivo de aumentar a circulação de cultura nas escolas que participam do Mais Educação. O projeto aprovado vai atender cerca de 150 estudantes em um período de 10 meses com aulas de capoeira. O proponente do projeto, Alan Sérgio Silva, é professor e já desenvolve na cidade diversos trabalhos sociais com crianças e adolescentes. Ele atuou como voluntário na escola entre os anos de 2005 e 2012, em 2013 fez parte do Programa Mais Educação. Ele conta que a atividade ajudou a melhorar o comportamento de diversas crianças. “Fiquei muito feliz com a notícia, agora é trabalhar com mais estudantes e ensinar além da arte da capoeira, noções de cidadania. Os pais, às vezes, me chamam para conversar com os filhos quando eles estão dando trabalho. Através do projeto na escola, hoje eu tenho respeito dos alunos e de toda comunidade. (JORNAL CORREIO, 2014)
Na página virtual da Iniciativa Parceira de número 6 também não há publicações sobre o Programa, apenas algumas imagens, como mostramos a seguir:
Figura17-
Aulas de capoeira na Escola Dr. Joel Cupertino Rodrigues. Fonte:Fonte: Reprodução do Facebook124
O relatório entregue pela SME/UDI sobre os trabalhos realizados pelo Mais Cultura nas Escolas na Escola Municipal Dr. Joel Cupertino Rodrigues, assim descreve as ações:
Na Escola Municipal Dr. Joel Rodrigues Cupertino, o projeto foi realizado pelo grupo NASCE capoeira, com objetivo de divulgar a cultura afro brasileira trazida com a capoeira. A dedicação e disciplina dos alunos, fez com que as aulas fossem cada dia, mais animadas e dinâmicas, fazendo com que o desenvolvimento dos atendidos superasse o esperado por todos os idealizadores. Foi organizado um grande encontro no parque do sabiá, onde foram entregues graduações para os alunos. Fizeram a prestação de contas a caixa escolar da Secretaria Municipal em 2014 (Anexo A)
Para elucidação do relatório, é importante informar que o Proponente, ALAN SÉRGIO SILVA, é um integrante do Grupo de Capoeira Nasce. Na página do grupo Nasce também não havia publicações sobre o trabalho com as crianças no Programa Federal. Em 2013 foi credenciado como Instrutor de Artes pela Prefeitura Municipal de Uberlândia.
Consideramos que a análise feita sobre a Iniciativa Cultural de número quatro, sobre a arte nos muros, cabe também à Iniciativa número 6, que propõe a Capoeira. É uma arte vinda das ruas, com uma proposta popular e com o reconhecimento das classes populares. Integra-se ao movimento de lutas da periferia e reconhecida pelo povo como
124 Disponível em:
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orientações comuns que oferecem possibilidades de organização para enfrentarem problemas iguais à maioria da comunidade da escola. Como Bourdieu (1983 a) explica, as tomadas de posições dentro do campo serão orientadas por um sistema de referências comum a todos.
Segundo Bourdieu (1983a), são os objetivos dos especialistas que, ao levar essa arte/cultura para as escolas, que irá definir o campo. No caso do Programa Mais Cultura nas Escolas devemos entender os estereótipos que estão relacionados aos bairros
“contemplados” com o Programa. Exemplo de estereótipos é as escolas es
tarem incluídasno quesito “vulnerabilidade social”, ideias polêmicas e redutoras que rotulam a
comunidade apenas com alusão à violência, à criminalidade e às drogas. Quando a Iniciativa Cultural Parceira é da comunidade do entorno local, poderá ter um outro olhar para estas pessoas.O proponente cultural do projeto de Capoeira declarou em entrevista ao jornal Correio, como já descrito antes, a sua proximidade com pessoas da comunidade, pais e alunos, mostrando uma relação com estas pessoas. Percebemos, assim, uma aproximação em relação a estes sujeitos. A história do campo e seus estereótipos ligados a violência, é o que fundamenta os objetivos da Inicitiva Cultural a trazer a arte para a escola, porém sem se distanciar da problemática comum, mas formando uma unidade com a comunidade e o
habitus
local.Todavia, como Bourdieu (1983a) explica, é o objetivo do especialista que trabalha com a arte no campo que vai definir seu papel. Sabemos que a Capoeira, símbolo de resistência das lutas afrodescendentes, hoje ocupa um espaço de valorização na cultura brasileira, contudo há alguns contratempos que a reelaboração e apropriação cultural pelas classes dominantes podem trazer. Há, por isso, alguns símbolos da cultura popular que foram adotados pela sociedade brasileira por parecerem dignos de representarem a
nação. Destarte, “as revoluções parciais que ocorrem continuamente nos campos não
colocam em questão os próprios fundamentos do jogo, sua axiomática fundamental, o pedestal de crenças últimas sobre as quais repousam o jogo inteiro”. (BOURDIEU,
1983a, p.91)Segundo Oliven (2010) o Estado não age apenas para coibir e censurar, mas também promove a cultura e institui uma imagem de um Brasil unido por essas práticas nacionais que constituem a memória de um povo. A cultura é difundida, assim, em prol de um projeto de hegemonia, que desvincula questões socioeconômicas das culturais, sendo colocada de forma que uma pareça totalmente desvinculada da outra. O privilégio
que se dá muitas vezes à cultura popular estabelecida como digna do projeto hegemônico, e a coloca em um lado oposto das lutas políticas por igualdades substanciais, o que pode desarticular ações de renomados símbolos culturais populares. Às vezes, consagrados movimentos, vistos desde sempre como os baluartes dos movimentos de resistência e mobilização das periferias, em suas ações práticas cedem ao projeto de hegemonização.