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O exame radiográfico é um método auxiliar de diagnóstico amplamente empregado pelo cirurgião – dentista, desempenhando um relevante papel na prática clínica em razão de sua reconhecida importância no diagnóstico 124. É de grande valia no diagnóstico de cárie, sendo inúmeros os estudos que comprovam que sua eficácia é equivalente ou maior do que o sistema radiográfico digital. Este exame não foi, durante muito tempo, considerado alternativa de escolha como auxiliar no diagnóstico de cáries oclusais. Atualmente este conceito está sendo alterado, devido às modificações apresentadas no comportamento da doença, e o exame radiográfico tem sido considerado de grande valia, principalmente para o diagnóstico de lesões em dentina 29.

O uso de Raios – X melhora a capacidade do profissional diagnosticar de maneira correta lesões de cárie. Contudo, a realização de radiografias bite – wing ou periapicais em massa acompanhando os exames clínicos e epidemiológicos é bastante discutível. A atitude correta é reduzir ao mínimo possível o emprego de radiações ionizantes, com a finalidade de aplicar as menores doses possíveis quando for inevitável a exposição do paciente 96.

Algumas precauções devem ser tomadas durante a interpretação radiográfica, pois somente lesões que avançam mais de 0,5 mm da junção amelodentinária em direção à polpa é que são susceptíveis à visualização na radiografia interproximal. Pode haver superposição de cárie na superfície vestibular e/ou lingual/palatina em dentina. Além disso, as radiografias podem subestimar o tamanho das lesões pela projeção de esmalte hígido da superfície vestibular e/ou lingual/palatina 102.

O exame radiográfico é um recurso essencial para diagnóstico de processos cariosos, primando pela qualidade do exame. Os autores advertem para o fato de os Raios-X produzirem uma imagem bidimensional, portanto, sem uma distinção exata da superfície saudável da cariada, por não fornecerem a profundidade ou a extensão das lesões em seu formato real 55.

O exame radiográfico no diagnóstico de cárie é objeto de estudo em diversas pesquisas, como a dos autores Torriani, Gonçalves e Vieira 115, que compararam em seu trabalho as decisões de tratamento restaurador de superfícies oclusais, sem cavitação, quando realizadas através dos aspectos clínicos e radiográficos, convencional e digitalizado. Para tal, foram examinados 33 sítios das superfícies oclusais de 30 molares permanentes extraídos, com e sem pigmentação. O plano de tratamento para cada região foi realizado por 05 cirurgiões-dentistas, professores universitários, utilizando dois tipos de exames: exame visual de fotografias e radiografia interproximal convencional (IV + RXC); e exame visual de fotografias e radiografia digitalizada (IV + DIGORA). O padrão de validação para os planos de tratamento foi realizado através do aspecto histológico. A sensibilidade em determinar a não-necessidade de tratamento restaurador foi, em média, tanto para a IV + RXC quanto para a IV + DIGORA, de 0,23. A especificidade foi, em média, de 0,83 e 0,86, para a IV + RXC e IV + DIGORA, respectivamente. Quando se comparou os planos de tratamento intra- examinadores, não foi encontrada diferença estatisticamente significante a nível de 5%. Baseado nestes dados, os autores concluíram que os métodos radiográficos, convencional e digitalizado, não demonstraram diferenças na efetividade da determinação do plano de tratamento de superfícies oclusais sem cavitação.

A sensibilidade e a especificidade do exame clínico visual para a detecção de lesões de cárie oclusais em comparação com as radiografias interproximais foram testadas em pesquisa in vivo, por Fracaro e colaboradores 45. Cinco examinadores avaliaram 481 crianças com idades de 5 a 12 anos, onde obtiveram 1.929 superfícies oclusais dos primeiros e segundos molares permanentes para o estudo. Os critérios para a classificação clínica das lesões de cárie foi o seguinte: 0- Hígido; 1 – Descoloração de esmalte após secagem; 2 – Desmineralização visível depois da secagem; 3 – Desmineralização em descoloração visíveis sem secagem; 4 – Pequena cavidade na superfície oclusal, detectável com explorador ou presença de descoloração acinzentada na dentina; 5 – Nítida cavidade na dentina. As radiografias interproximais foram realizadas imediatamente após os exames clínicos, com filmes radiográficos convencionais Ultraspeed (Kodak). Os resultados mostraram que em 96%, os achados clínicos eram coincidentes com os achados radiográficos na avaliação da superfície hígida, apontando para uma boa sensibilidade. Por outro lado, a especificidade teve um índice de 0,58 uma vez que apenas 58% das lesões de cárie consideradas clinicamente como na dentina foram confirmadas como radioluscência no exame radiográfico. Os autores concluíram que para as superfícies oclusais os exames clínicos foram mais confiáveis que os exames radiográficos.

Comparar o desempenho diagnóstico do exame radiográfico convencional com o sistema digital foi objetivo de Tovo e colaboradores 116, que avaliou em seu estudo o desempenho diagnóstico do exame radiográfico convencional (Ekaspeed plus) do sistema digital (Digora). Observou que o método radiográfico convencional foi tanto ou mais sensível que o sistema digital, diagnosticando todas as lesões e também lesões dentinárias, porém de menor acurácia quando comparados com as modalidades de imagem digital.

O mesmo objetivo teve Lambert 69, que em 2004 comprovou em pesquisa visando

comparar a radiografia convencional e digitalizada nos processos de

desmineralização/remineralização do esmalte dentário, que ambos os métodos apresentaram baixa sensibilidade, encontrando porcentagens de 3,5% para o exame radiográfico visual convencional, 7,89% para o digital visual sem uso de recursos, e 9,65% para o digital com recursos, utilizando a análise estatística pelo método t de Student. Com relação à especificidade, todos os métodos apresentaram valores idênticos.

O desempenho da inspeção visual, radiografia interproximal e fluorescência a laser no diagnóstico de lesões cariosas oclusais de 72 dentes permanentes posteriores foi comparado por Valera e colaboradores 119 em um estudo in vitro . Quanto à radiografia interproximal, os resultados mostraram que esse método apresentou dentre os três, a menor sensibilidade

(15%), em contrapartida do exame visual (64%) e o laser (59%), bem como a menor especificidade (89%), contra o exame visual e o laser, ambos com 96%. O exame radiográfico foi o único método a apresentar baixa reprodutibilidade intra – examinador (0,74). Os autores concluíram que os métodos de inspeção visual e a fluorescência a laser são, entre os três métodos estudados, os mais indicados para diagnóstico de lesões cariosas oclusais.

Avaliar a influência do treinamento e da experiência do examinador no diagnóstico radiográfico de cáries proximais, utilizando-se 80 dentes hígidos ou portadores de cáries proximais foi objetivo de Carmona e colaboradores 24. As radiografias foram avaliadas por três examinadores: um examinador realizou duas avaliações – uma antes de iniciar a disciplina de Radiologia, e outra após ter concluído a disciplina -, um segundo examinador, que realizou a avaliação após ter cursado a disciplina, e um terceiro, radiologista. Os resultados obtidos mostraram que na avaliação inicial do primeiro examinador a sensibilidade foi 0,72, a especificidade 0,25 indicando alto número de respostas falso-positivas. Após a disciplina de Radiologia, os resultados foram semelhantes para ambos os alunos. O especialista apresentou os maiores valores de especificidade (0,85) e acurácia (0,69). Os autores concluíram que a experiência do examinador influenciou no diagnóstico radiográfico da cárie dentária.

2.5 TRATAMENTO CONSERVADOR DE LESÕES DE CÁRIE