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Com a população 814,815 habitantes, Hamamatsu cobre uma área total de 1.511km², sendo a segunda maior cidade em área do Japão. A cidade ainda conta oficialmente com o status de metrópole, a segunda da província, seguida apenas da capital, Shizuoka. Pode-se dizer que está localizada acima da região de Tokai, subregião de Chubu, estando praticamente no centro da ilha de Honshu.

Como em todo o Japão, o trem e o Shinkansen adquirem uma centralidade marcante na formação do cotidiano japonês. As crianças (inclusive as de pouca idade) tomam sozinhas os trens para irem para escolas em outros bairros e cidades, enquanto adultos fazem constantes baldeações para dar conta da rotina. Viagens de negócios para Yokohama, Tokyo, Sendai de

26 No período de minha chegada especulava-se a presença de até 20.000 brasileiros vivendo na cidade, contudo,

com a recessão econômica acentuada de 2008, vários se dirigiram para outras províncias ou mesmo retornaram para o Brasil.

um lado, Nagoya, Kyoto e Osaka de outro, são feitas todos os dias por pessoas em trânsito constante, deixando assim Hamamatsu em uma posição geograficamente privilegiada.

Por estar no centro de Honshu, vários centros de distribuição circundam a cidade, sendo muito comum ver o intenso transito de pessoas e mercadorias para dentro e fora de seus limites. Daí a importância do sistema de trens em perfeito funcionamento e com garantia de pontualidade, pois ele adentra no cotidiano japonês de maneira sem precedentes: pode-se facilmente dizer que a pontualidade japonesa está intrinsecamente atrelada ao bom funcionamento dos horários dos trens.

Esta centralidade com o trem e o Shinkansen é sentida na localização da linha férrea

do Shinkansen Tokaidō, que alcança a cidade Kobe a extremo oeste. De Shinkansen são

197Km de distância até Tokyo (aproximadamente 1 hora e 20 minutos de viagem) e igualmente 197Km de distância até a Estação de Shin-Osaka (também perfazendo a viagem com a mesma duração de 1 hora e 20 minutos). O mesmo trajeto pode ser feito de carro ou ônibus pelas rodovias Meishin e Tomei, cujo tempo de viagem é triplicado ou quadruplicado dependendo dos horários.

Como em todo o Japão, as quatro estações do ano são sentidas bem nitidamente de um período para o outro. O Verão é conhecido pelas altas temperaturas que chegam aos 40°C na região, enquanto que no Inverno as temperaturas caem vertiginosamente de acordo com a latitude. Já a Primavera e o Outono são os períodos que para muitos são as épocas mais agradáveis do ano.

Hamamatsu é uma cidade de clima ameno e que raramente concentra grande acúmulo ou precipitação de neve durante o inverno. A média de temperatura anual é de 16,3°C (pouco acima de Tokyo, com 16,1°C), porém a precipitação de chuva é maior, de 1.875,5mm (a de Tokyo é de 1.466,8mm), o que é bastante sentido no período de Tsuyu (monções) que tem início ao fim da Primavera e começo do Verão. Nesse período o céu à noite assume uma coloração bastante peculiar, acobreada, com o Sol nascendo em torno de 4 horas da madrugada e se ponto entre 18 e 19 horas.

Figura 3 - Centro de Hamamatsu, Kaji Machi

O período entre Primavera e Verão é marcado pela presença constante de taifu (tufões), aspecto que também interfere na vida cotidiana de maneira sem igual, observáveis a olho nu pelo formato que as nuvens tomam pouco antes da chegada deste fenômeno climático. Um

grande cilindro branco e horizontal se distende ao longo do horizonte a vários metros de altura, marcando a diferença no clima.

Nos períodos de chuva é comum ver as pessoas saírem munidas de seus guarda-chuvas, sem contar que em algumas vezes as linhas de trem e Shinkansen são paralisadas quando é sabido da chegada de um taifu. Assim como em todo o Japão, as recomendações gerais para os períodos de taifu são de permanência em locais fechados, resistentes e protegidos dado o perigo potencial de destruição de residências, etc. As correntes de ar da região partem do centro de Honshu para o mar, o que geralmente afasta ou ameniza a chegada de um taifu em sua plena potência na cidade.

O inverno em Hamamatsu é marcado pela presença de pouca neve e com o Sol se pondo às 16:30h da tarde. Dada a localização da cidade e a umidade relativa do ar, é mais freqüente a presença de uma chuva leve do que da neve em si. Durante o período se diz que uma corrente de ar proveniente do nordeste, “O Vento Seco de Enshu”, toma a cidade, deixando a impressão de que está mais frio do que indicam os termômetros. Quando neva, a cidade mais uma vez precisa revisitar várias questões de segurança que também afetam o cotidiano imediato, desde a troca de pneus próprios nos carros, além da possibilidade de paralisação dos trens e do Shinkansen.

O território de Hamamatsu é limitado ao oeste pelo Lago Hamana, pelo rio Tenryu a leste, o Oceano Pacífico ao sul e um norte montanhoso logo acima de Inasa. A cidade mantém 7 distritos, sendo eles Hamakita-ku, Higashi-ku, Kita-ku, Minami-ku, Naka-ku, Nishi-

ku e Tenryu-ku. Todos os distritos são conectados por várias linhas de ônibus da companhia

Enshū Testudō (conhecida popularmente na cidade como Entetsu), conglomerado que alcança as cidades vizinhas e mantém serviços de ônibus, taxi, trem urbano e lojas de departamentos. Todas as linhas que cruzam a cidade convergem para o hub ou terminal de ônibus urbano na Estação de Hamamatsu.

Figura 4 - Distritos de Hamamatsu

O centro de Hamamatsu fica localizado em Naka-ku, região de intensa atividade comercial e de vida noturna, além de ser sede das principais instâncias públicas, dentre elas a Prefeitura Municipal, a Central da Polícia, a HICE – Hamamatsu International Foundation for Communication and Exchanges, a Estação de Hamamatsu (trem, Shinkansen e centro irradiador das linhas de ônibus), hospitais que oferecem serviços em japonês e português e o Consulado Geral do Brasil em Hamamatsu.

A região central mantém o Museu de Instrumentos Musicais, o Museu de Arte, o Castelo de Hamamatsu, o Museu de Ciência e Tecnologia de Hamamatsu, o Fórum de Justiça e os escritórios das principais companhias, dentre elas a Yamaha e a Kawaii. Ainda na região é possível encontrar uma grande loja de departamentos, o ZaZa City ao lado do Matsubishi, a única construção que permaneceu em pé da área após os bombardeamentos na Segundo Guerra Mundial.

Este distrito mantém entre a Estação de Hamamatsu e o prédio da HICE o Servitu, o supermercado e restaurante brasileiro mais antigo da cidade. Nas cercanias da Estação ainda existem lojas de telefonia móvel com atendentes brasileiros, um salão de cabeleireiros para brasileiros, uma loja de presentes para brasileiros, uma agência de turismo brasileira, despachantes e advogados brasileiros e a loja Angel Fashion. Já próximos do Act City, o arranha-céu da cidade, é possível encontrar a matriz do Banco do Brasil e a IURD – Igreja Universal do Reino de Deus.

Próximo ao lago Sanaru ficam os bairros de Sanarudai e Ohiradai, conhecidos pela grande presença de brasileiros. Em Sanarudai fica o supermercado e restaurante Kioske Brasil, além de lojas de telefonia móvel, escolas para brasileiros (a NPO Arace), a TV Record Japan e a Igreja Japão Missão Evangélica de Deus. Na mesma região fica o Sanarudai Danchi ou Kenei Jutaku, alojamento provincial com concentração de brasileiros e peruanos. O bairro

ainda abriga o hospital Iriyō Center, conhecido em Hamamatsu (assim como o Enshū Biyōin,

próximo à Estação) por prestar serviços em português. Lojas japonesas são acostumadas a receber brasileiros, até que em algumas, como o Hipermercado JUSCO, mantém avisos em português afixados nas portas.

De acordo com uma imobiliária local voltada para atender brasileiros, o cenário e a distribuição de brasileiros na cidade alterou drasticamente com a recessão e crise econômica de 2008, estando a grande maioria dispersos em todos os demais distritos, em especial Naka-

ku (com Sanarudai e Ohiradai), Kita-ku (com o bairro de Takaoka) e Nishi-ku. Como muitos

são dependentes de alojamentos municipais, provinciais ou federais, a distribuição fica à mercê dos arranjos burocráticos acerca do auxílio moradia, minando assim a existência ou bairros étnicos, como apontarei mais à frente.