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3. Maktbruk ved håndhevelse

3.4 Sedvaneretten

3.4.7 Philippines v. China (2016) – PCA

Localizada a apenas 09 quilômetros do centro da cidade de Viçosa, na localidade de Córrego dos Nobres (Foto 08), caracteriza- se por ser uma das poucas propriedades rurais envolvidas com o TER a não produzir o café. Circundada por remanescentes da Mata Atlântica, a fazenda procura se diferenciar utilizando um modelo de desenvolvimento que observa o cuidado com o meio ambiente, dá ênfase ao uso da água, tendo como grande atrativo a produção de uva e a vivência dos moradores no espaço rural.

Com uma extensão de 14 hectares, o nome da propriedade está associado à palmeira Indaiá, um dos símbolos que a caracterizam. Em sua produção local, destaca-se também a produção artesanal do melado de cana, rapadura e açúcar mascavo, onde a presença de um moinho d‟água vem se tornando um atrativo a mais para o turismo rural.

Foto 08. Vista parcial da sede da Fazenda Indaiá localizada no Município de Viçosa –MG, zona rural dos Nobres e pioneira na produção de uvas no município.

Foto: TIRADENTES, L. Abr. 08

Essa propriedade traz uma particularidade em relação às demais apresentadas. É uma pequena propriedade rural familiar que produz uva, fato raro para a região que, até então, nunca havia produzido uva, apesar do clima frio de montanha que predomina no local, e se envolve com o turismo para ampliar a renda e o trabalho familiar. Esse turismo ocorre explorando o que já existe na propriedade. A razão dessa existência está ligada diretamente à necessidade de criar uma ocupação aos proprietários, já idosos e recém-aposentados, buscando livrá-los de uma depressão, levando-os a uma nova dinâmica de vida; a idéia desse envolvimento é de uma sobrinha, que toma frente nas iniciativas e assumiu a função de administradora desse processo turístico.

Contando com uma infra-estrutura mais moderna, o local tem condições de receber até cem visitantes por dia, oferecendo inclusive almoço, quando agendado. As atividades rotineiras da fazenda são mantidas, permitindo o fabrico de queijos, doces, rapaduras e outros artefatos, que ajudam a gerar rendas e trabalho aos familiares do lugar. A propriedade é utilizada para visitas e eventos de um dia, principalmente por não possuir espaço para pernoite.

Uma das pioneiras na produção de uva e vinho, a Fazenda Indaiá iniciou sua atividade vinícola em 2000 (Foto 09), tendo surgido de forma espontânea. Posteriormente, o contato com um vinicultor da cidade de Louveira (SP) contribuiu para o cultivo dessa cultura;

entretanto, o grande avanço só ocorreria anos mais tarde, com a consultoria técnica de um professor da UFV.

Foto 09. A produção de uvas da Fazenda Indaiá, Município de Viçosa é um dos atrativos turísticos locais.

Foto: TIRADENTES, L. Abr. 08

As primeiras visitas só se iniciaram em 2003, como prática agrícola, e não como atividade turística. Nesse processo, as visitas familiares e os estímulos de amigos contribuíram para que os proprietários começassem a enveredar pelo lado do turismo, tendo um dos membros familiares tido a iniciativa de procurar o Circuito Turístico Serra de Minas, com o objetivo de agregar-se ao circuito, sendo posteriormente contatados pela Secretaria de Desenvolvimento de Viçosa.

A chegada do turismo também foi estimulada pelo SEBRAE, que fez contato com os proprietários, inserindo o turismo por intermédio da oferta de produtos locais e do oferecimento da lida no campo (agroturismo). De acordo com a entrevistada, “... o turismo tá chegando devagar”. Segundo nos contou, foi num dia de desânimo, sem saber que rumo tomar, que a administradora teve a idéia de se envolver com o TER, convidando, posteriormente, um consultor para fazer um diagnóstico do lugar. Este levantou o potencial do local e indicou o que precisava mudar. Um fato interessante é que essa mudança não ocorreu rapidamente; a iniciativa foi da própria administradora, que num primeiro momento realizou pesquisa e estudos sobre o assunto e, posteriormente, decidiu procurar o CTSM, demonstrando a sua vontade de participar do Circuito.

Suas primeiras percepções sobre o turismo levaram-na a entender que algo estava mudando, não só na parte física, mas também nos relacionamentos dos familiares envolvidos com a atividade turística e que se encontram na melhor idade, sendo que ocorreram mudanças até na comunidade onde a propriedade está inserida, argumentando que houve melhorias nas casas, nas estradas e no povo, demonstrando que há um entusiasmo local.

Arguida se o turismo substitui ou complementa a renda da propriedade, foi categórica ao afirmar que ele irá complementar os rendimentos; no entanto, além de visar a um aumento da renda, quer mostrar um tipo de vida cotidiana existente nas fazendas mineiras que já não se observa com facilidade hoje em dia. Por enquanto, porém, o turismo ainda não deu o retorno esperado.

Com relação à participação do Estado na região, no quesito atividades turísticas, afirmou que não recebe ajuda do Governo. Entretanto recebeu, do SEBRAE, a possibilidade de realizar cursos, mas esses cursos são pouco focados no turismo rural. Para a entrevistada, não há necessidade de apoio, cada um faz por si, mas, há uma previsão de parceria com uma agência de divulgação de Viçosa o que, segundo ela, seria muito bom para divulgar o lugar.

Visando identificar e avaliar como as políticas públicas chegam até as propriedades rurais, não identificamos como o Estado vem contribuindo para o turismo local. Em suas respostas às nossas perguntas sobre essas políticas públicas, a proprietária afirma que o Estado não contribui para o desenvolvimento local, faltando um programa que realmente fortaleça o setor. Nesse contexto, os órgãos públicos municipais também não têm dado o suporte necessário, tendo cedido apenas o espaço (uma sala) para a sede do Circuito Turístico local.

No quesito participação familiar no empreendimento turístico, esta é total, com quatro familiares (três irmãos e uma sobrinha) envolvidos diretamente com as atividades do turismo, sendo um deles o proprietário. Vale ressaltar que as participações desses irmãos que se encontram na terceira idade, proporcionaram um novo estímulo de vida a eles, possibilitando- lhes engajarem-se nessas atividades. Esse engajamento, entretanto, não significou uma divisão específica de funções; ao contrário, contribuiu para o fortalecimento do grupo, que acaba propiciando um acolhimento natural aos turistas, que são recebidos como amigos da família. Essa família conta, ainda, com a participação direta de outros sobrinhos e familiares.

Nessa propriedade rural, constatamos que a administradora do empreendimento turístico já realizou curso de capacitação pelo SENAR, com duração de 40 horas, durante a Semana do Fazendeiro, realizado pela Universidade Federal de Viçosa. Com a participação em cursos de capacitação, pode-se afirmar que existe uma preocupação, por parte dessa

administradora, em se qualificar para melhor compreender o turismo rural e sua dinâmica, o que implica diretamente a possibilidade de ampliação de seus conhecimentos sobre o assunto, repassando essas informações a outros membros da família, resultando, a curto prazo, numa melhoria dos serviços prestado aos turistas.

Analisando as mudanças que ocorrem na propriedade envolvida com o turismo, identificamos profundas transformações no espaço físico local, para melhor atender o visitante, como a construção do salão onde é produzida a garapa, o grande moinho d‟água, banheiros e outras. Observamos que há uma preferência pelo turismo da terceira idade, pois há uma maior identificação de idéias e ações com esse grupo etário.

A maioria dos turistas que visitam o lugar, está ligada, diretamente, ao interesse em conhecer uma produção vinícola, ainda que artesanal; há, ainda, o interesse de trabalhar com escolas. Nessa propriedade não há contratação de empregados específicos para a atividade turística; os que existem são contratados para a lida diária da fazenda. Essa afirmação demonstra, mais uma vez, que nas propriedades rurais envolvidas na pesquisa não existe essa preocupação em contratar mão-de-obra local para trabalhar, especificamente, com as atividades turísticas, mas sim, funcionários que possam suprir essa pluriatividade que os proprietários ou administradores exercem.

A recepção do turista é feita, previamente, com um agendamento da visita. Na propriedade, o turista é recebido pelos proprietários, que oferecem um típico café de Minas. Nesse processo, o visitante recebe as informações sobre as atividades que são desenvolvidas e conta com os proprietários, que mostram a fazenda, realizando o papel de guias, o que explica a inexistência de gente contratada para essa função.

Um fato que observamos, na propriedade, é que não ocorrem festas locais que sejam um atrativo a mais para o turismo local. Nesse ano, entretanto, foi realizada a primeira festa junina. Na fazenda existe produção artesanal de vinho, doces, geléias, queijo que são revendidos aos visitantes. Com relação às festas religiosas, ocorre na capela da comunidade rural a Festa de São José, em março, sendo que a fazenda contribui com prendas para o leilão da igreja.

Outro assunto abordado na entrevista diz respeito às identificações e pertencimentos das pessoas com o lugar. Observamos que as festas não constituem um pertencimento do lugar. Os símbolos que mais representam a propriedade são as palmeiras indaiá e o engenho d‟água (Foto 10). Entretanto, existe um sentimento de pertencimento com o lugar, pois toda a família foi criada nesse espaço, como argumenta a entrevistada “...é uma vida toda passada aqui”.

Foto 10. A roda d‟água e palmeiras imperiais são os símbolos da Fazenda Indaiá localizada em Viçosa-MG e única plantadora de uva no município.

Foto: TIRADENTES, L. Mai. 08

As identificações e os pertencimentos das pessoas com o lugar são frutos de uma noção cultural existente no espaço da pesquisa. Essas identificações são os aspectos trabalhados que representam a característica própria do local, enquanto o pertencimento, muito trabalhado pela Geografia Cultural, representa o momento exato que o indivíduo se identifica com ele mesmo e com a comunidade em que está inserido.

Santos (2005), ao trabalhar com comunidades rurais, justificou que

a comunidade rural é parte relevante da história do lugar, bem como das práticas culturais. Em outras palavras, o uso simbólico que a comunidade faz dos seus bens patrimoniais interfere direta e profundamente nos aspectos da conservação dos costumes, tradições e valores sociais do grupo. Esses bens patrimoniais são usados nos rituais sociais em que seus membros estão envolvidos (SANTOS, 2005, p.91).

No caso desta pesquisa, essa prática simbólica, que é agregada ao pertencimento, também está presente, não apenas nessa propriedade rural, mas em todas as propriedades da Microrregião de Viçosa, o que nos permite afirmar que os significados dos símbolos individuais ou coletivos possuem dinamicidade e são interpretados por quem os usa.

Indagada sobre como surgiu a necessidade de participar de um circuito turístico (CT), obtivemos como resposta da administradora que ela não sabe dizer se é uma necessidade, pois, para ela, o CT caiu de paraquedas, foi feito para bem estar da família, começando o processo com a reforma da casa. A divulgação da propriedade junto ao CT é feita apenas pelos folders do circuito, sendo que, particularmente, não realiza essa divulgação, que é feita dia-a-dia, principalmente na Semana do Fazendeiro organizado pela UFV.

A forma de divulgação apontada pela administradora não é suficiente e nem adequada para anunciar a propriedade e atrair os turistas. Esse sistema de folders é eficiente quando eles são disponibilizados junto a várias operadoras turísticas, fato que ainda não ocorre no CTSM; mesmo a divulgação durante a referida Semana do Fazendeiro também não atinge esse objetivo, uma vez que esse evento é de periodicidade anual. O correto é a criação de uma intensa campanha de marketing que divulgue, não apenas a Fazenda Indaiá, mas todo o circuito turístico.

Para a entrevistada, a presença do CT é uma coisa boa, pois traz melhorias de forma geral, integrando-se a ele sem problemas, tendo a propriedade sida bem aceita por todos os membros do CT. Observamos que não existem parcerias entre os integrantes do circuito e outras organizações, mas a entrevistada acredita que houve melhorias na propriedade; no entanto, ainda não ocorreram melhorias de forma generalizada, na comunidade local.

Segundo a administradora, as perspectivas com o CT são boas, mas não são fáceis, pois, nesses seis anos de existência, ele ainda está caminhando, e a dificuldade é de todos, argumentou. Ela acredita que é necessário consolidá-lo, “... ficar pronto para oferecer uma boa proposta de circuito”, estando esperançosa que realmente ele se desenvolva, pois todos ganhariam.

Nessa propriedade, ocorre uma situação que pode interessar ao turismo como um atrativo, que é a história do lugar. A história local retrata o modo de vida de seus proprietários, suas realizações e questionamentos, contando como a propriedade se formou e se desenvolveu. Essa atração pode e deve ser trabalhada no sentido de resgatar a oralidade do lugar, resgatando, também, a própria história da ocupação dessas paragens. Isto está na estética do ambiente construído, porém esses fatos não são trabalhados.