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juni 2010 av landbruks- og matminister Lars Peder Brekk

A obtenção de mais educação escolar com a finalidade de mais e melhor hipótese de emprego, na área de formação académica, deixou de ser um dado adquirido “ainda que a generalidade do público escolar (alunos e pais) tome as suas decisões em matéria de educação pensando, antes de mais, entre esta e o emprego” (Enguita 2007: 41). Atualmente “a educação tem outras finalidades, quiçá superiores, como a formação

para uma sociedade democrática ou o desenvolvimento pessoal” (ibidem) e

estabelecendo uma relação com a economia e a organização do trabalho. Sabemos que a infraestrutura económica influencia as grandes decisões. Há um economicismo, fácil de testemunhar, subjacente à atividade retórico-política. A escola enquanto instituição social de relevo não escapa a esta correlação escola-economia e/ou organização do trabalho, mais forte que qualquer ideologia, sobrepondo-se.

O mesmo autor considera que o desenvolvimento da escolarização universal “tem a ver com duas grandes instituições da modernidade – O Estado-nação e a empresa industrial” (ibidem:42).

A sociedade industrial do século XIX e princípio do século XX marca as rotinas sociais, foi a era da máquina, da produção em cadeia. Foi a sobreposição da empresa

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industrial sobre a condição humana e a escola. Foi a desumanização ou „humaquinação‟ e alienação da classe trabalhadora pelas organizações económicas com o amém das instituições políticas. Como denuncia Marx nos Manuscritos Económico-Filosóficos ”a economia política esconde a alienação na natureza do trabalho porquanto não examina a imediata relação entre o trabalhador (trabalho) e a produção” (1964: 161).

De acordo com Enguita (2007: 44) a escola, enquanto instituição, está sujeita

“à pressão ambiental, ao êxito das empresas como organizações exemplares, que pela sua eficácia são de imitar, à influência de alguns reformadores inspirados e até financiados por elas, à lógica parcialmente partilhada por umas e por outras como organizações hierárquicas, ao peso de novos valores empresariais ascendentes na opinião pública.”

Assim, a escola encontra-se alienada, dominada por valores empresariais, de sucesso produtivo, submissa à lógica e burocracia empresariais, com implicações na sua organização e desempenho. É uma forma de miserabilidade da existência humana no sentido existencialista de anulação da liberdade uma vez que, segundo Sartre, o que há de essencial no homem é o facto de existir e de ter de se inventar a si próprio pela liberdade mas que se vê alienado “no que diz respeito às suas finalidades, aos meios e ao processo de trabalho, a sua submissão às exigências quer do autocrata - o empresário, quer do autómato - a máquina” (Enguita, 2007: 45). É uma perspetiva da escola instrumentalizada colocada ao serviço de interesses (organizacionais e outros) nem sempre imediatamente visíveis. Nesta perspetiva, caberia à escola produzir o trabalhador que encaixe no modelo de organização empresarial que estabelece o perfil e as qualificações consideradas para satisfazer as atividades laborais.

Por outro lado, o Estado moderno democrático “desenvolve uma lógica universalista e igualitária da qual o mercado e a empresa carecem” (Enguita, 2007: 47), que permite, por exemplo, às mulheres uma escolarização igual à dos homens. Acresce a credibilidade decorrente da qualificação adquirida na escola para candidaturas ao emprego e que as empresas não podem ignorar. Paralelamente a este efeito potencialmente positivo, Enguita considera que, “quanto maior importância a escola em geral adquirir no mercado de trabalho (quanto mais é tida em conta no recrutamento e na promoção de empregados) mais se desvalorizam os graus individuais” (ibidem: 50). Isto gera inflação credencialista na medida em que a exigência será cada vez maior para aceder aos postos de trabalho, consequência do excesso de oferta de mão-de-obra

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qualificada, com consequente desvalorização, de efeitos negativos para o candidato e positivos para o empregador, fruto do excesso disponível.

Uma análise sociológica da sociedade mais contemporânea evidencia, de acordo com Enguita (2007: 52), ser

“Necessário compreender o peso significativo que adquirem, presentemente, a informação, o conhecimento, a qualificação e a educação nas coordenadas da nova economia e da nova sociedade que, com as suas luzes e as suas sombras, já se vão fazendo sentir”.

Nesta estrutura social com algumas contradições, como sugerem as expressões

“com as suas luzes” e “sombras”, apresenta como característica fundamental desta sociedade da informação, o papel da qualificação que é consequência da terceira fase da revolução industrial que fortalece a qualificação, ou seja, as informações, conhecimentos e capacidades, necessárias ou úteis para o processo de trabalho com o objetivo óbvio de aumentar a produtividade e o lucro.

O sistema educativo deve proporcionar ao sistema económico e produtivo competência e especialização alicerçadas em três formas de saber: conhecimento operativo, profissional e científico. É necessário mudar algo na educação dada a importância da informação e, sobretudo, do conhecimento científico. A submissão é por inerência a característica do trabalhador pouco qualificado ou sem qualificação, como é visível na nossa sociedade, cada vez mais desnivelada social e economicamente, em que a classe média enfraquece e as desigualdades aumentam. A característica do profissional é a fiabilidade e “de um científico ou de um profissional de alto nível, é a crítica e a criatividade, a necessária para resolver novos problemas ou encontrar novas soluções para problemas antigos” (Enguita, 2007: 61). O conhecimento apresenta-se como a capacidade de usar com eficácia a informação. Esta posição valoriza a capacidade individual de saber usar a informação e ir além dela. É interessante notar que se enobrece a escola, o conhecimento e a criatividade subjetiva. O conhecimento não é pura retenção de informação, não é só memória, mas sabedoria, o que altera a conceção da educação e do cientista. Há uma fuga à mecanização, à robotização da informação, à educação bancária, onde:

“O educador faz “depósitos” de conteúdos que devem ser arquivados pelos educandos. (…) O educador será tanto melhor educador quanto mais conseguir “depositar” nos educandos.

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Os educandos, por sua vez, serão tanto melhores educandos, quanto mais conseguirem arquivar os depósitos feitos” (Freire, 1983: 66).