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Jordskredvarsling Oppland 2013

In document Regional varsling av jordskredfare (sider 60-70)

As explicitações conceituais que aqui se fazem têm a função de nortear a pesquisa e favorecer a compreensão dos modos de ação de DJ Oliveira e sua localização no panorama da gravura goiana e brasileira. Para tanto, apresenta-se uma rápida abordagem sobre a gravura: sua função, seus métodos, suas técnicas e sua linguagem. Em trabalho anterior, Goya (1998) discorre sobre as raízes e a evolução dessa linguagem em Goiânia, cujo assunto pode ser aprofundado com Ferreira (1994), Costela (1984) e Herskovitz (1982).

Por essa razão, trata-se neste momento apenas dos métodos de xilografia, calcografia, litografia, serigrafia e collagraph, explicitando-se mais detalhadamente os métodos e técnicas praticadas pelo artista – a xilografia (ao fio) e a calcografia (técnicas de água-forte, água-tinta, água-tinta de açúcar e ponta-seca).

O termo gravura deve ser aqui entendido como o processo de transformação da

28 Termos utilizados por Morin (2001, p. 19).

29 O que favorece a possibilidade de um enfraquecimento do inprinting (na percepção) é o clima de

efervescência de cultura possibilitada pela dialética cultural que se sustenta na pluralidade/diversidade de pontos de vista. A existência de uma vida cultural e intelectual ativa e dinâmica cria uma espécie de calor cultural, um clima favorável à mudança, aos desvios da normatização.

superfície plana de um material, seja ele duro, mole ou flexível, num mediador de imagem. É criação pela matriz – prancha, fôrma, chapa ou carimbo – para reproduzir um certo número de vezes, uma imagem desejada, pela transferência, dessa, por fricção ou prensagem, para um suporte (papel), por intermédio da tinta, elemento visualizador da imagem.

Para Ferreira (1994), obtém-se a imagem pela ação-reação do condutor, da matriz (macho) para o suporte (fêmea do sistema = o papel). Vale assinalar que a designação suporte dada ao papel não deixa de ser superficial, distorciva e limitadora. Esse elemento exerce uma função ativa na gravura, constituindo uma espécie de contrafôrma (FERREIRA, 1994, p. 29). O branco do papel assume, junto à imagem, a função de espaço vivo (significativo), ao compor a imagem como corpo físico.

Numa relação intrínseca, o papel integra-se à obra, articula-se como figura e fundo, e materializa-se como forma e como parte integrante da imagem iconográfica, deixando de ser apenas um suporte passivo que aceita sobre si, de forma vertical, impositiva e autoritária, uma certa imagem. Ferreira (1994) considera gravura de arte aquela manufaturada pelo próprio artista, segundo sua concepção plástica e feita por meio de um conjunto de técnicas específicas.

Para este trabalho, no entanto, o foco é a gravura original ou de arte. Não se trata de excluir ou negar o valor estético das gravuras documental e industrial, também chamadas de gravura comercial ou aplicada.30 Embora esse tipo de gravura se faça presente, em Goiás, o foco da pesquisa é a gravura original, como a praticada por DJ Oliveira. Na gravura artística, tanto a criação do desenho, do entalhe, quanto a impressão da obra devem caber, de preferência, ao próprio artista, responsável quer pelas atividades intelectuais de criação quer pelas manuais: de desenho, gravação e impressão. Daí a denominação "gravura original", "autogravura" ou "gravura manual".

Na gravura de fins aplicativos, os elementos estéticos justificam-se em função daquilo que a peça publicitária quer conotar ou divulgar. A arte na gravura aplicada serve apenas como elemento mediador, como suporte visual e estético a serviço da divulgação de ideais, valores, atitudes ou produtos de consumo, a exemplo da gravura utilizada na publicidade. Os elementos estéticos servem principalmente de sustentação e valorização do produto anunciado. A gravura de arte, por sua vez, é desprendida de uma finalidade prática,

30 As demais modalidades de gravuras têm existência garantida por lei e obedecem a normas de controle

ou como afirma Krejca (1990, p. 11),

[...] es la creación autónoma, sin fin o destino práctico directo, de una estampa que traduce gráficamente una idea del artista como lo haría un cuadro o una escultura. El grabado de aplicación es, por el contrario, tributario de una intención práctica: ilustración o decoración de un libro, cartel, ex-libris, christmas, publicación comercial, etc. 31

A arte de reproduzir imagem constitui-se de cinco processos básicos de impressão. A xilografia32 é a gravura em relevo, feita geralmente em madeira, mas também pode ser

realizada sobre a superfície de gesso ou borracha. A calcografia33 é a gravura realizada em chapas de metal, também denominada gravura talho-doce, em oco, côncavo, curva ou entalhe. A gravura planográfica34 ou litografia é a gravura feita sobre pedra pelo processo de repulsão entre água e gordura. A serigrafia35 é a gravura realizada por meio de vedação da área que não deve ser impressa na trama de impressão.

Um outro tipo de gravura é o realizado com matriz composta por adição de materiais, colados a uma chapa, denominada collagraph, conhecida também como colagravura ou papelografia.

Conta-se ainda com a gravura fotomecânica, termo genérico utilizado para indicar todos os processos que recorrem à fotografia para a construção de matrizes para impressão mecânica.

A multiplicidade, na gravura, é o fator diferenciador da ação prática e artística, pois a existência da arte impressa está ligada, historicamente, à reprodutibilidade, ao múltiplo, ao livro, à cópia, à série. Deve-se assinalar que a diminuição da tiragem das cópias evidencia-se como imposição mercadológica, segundo regulação de código de ética internacional, que define forma de assinatura (a lápis), numeração (em fração, com numerador indicando a ordem da estampa no conjunto de obras, e o denominador o número de estampas impressas e

31 “[...] é a criação autônoma, sem fins objetivos, ou destino prático direto, de uma estampa, que traduz

graficamente uma idéia do artista, como faria uma tela ou uma escultura. A gravura de aplicação, ao contrário, tem uma intenção prática: figura ou decoração de um livro, ex-libris (selos), religioso ou publicação comercial etc.” [tradução nossa].

32 Método composto pelas técnicas de gravação ao fio e de topo.

33 Processo composto pelas técnicas: a) seca ou a traço, a buril, a ponta-seca e maneira-negra e b) em água-forte

ou em meio tom – água-tinta, maneira-negra, pontilhado, água-tinta de açúcar, verniz mole, maneira-negra de pastel e a punção.

34 Composta pelas técnicas do desenho litográfico à base de crayons e pelo touche. Este processo é composto

ainda por outras técnicas como o desenho em negativo, a maneira-negra, a água-tinta litográfica, a litografia ao giz, a técnica do difumino e reserva litográfica.

35 A serigrafia é composta por várias técnicas, entre elas, o molde vazado, o filme de recorte, emulsão fotográfico

lançadas no mercado artístico pelo autor), que indica a quantidade de cópias. A tiragem de cópias em PA (prova do artista) destina-se ao arquivo pessoal do autor. O título da obra deve localizar-se ao centro da base inferior da obra e é opcional.

A natureza da gravura é alquímica, uma vez que a imagem decorre de uma série de ações do artista e reações de materiais, tais como ácidos, pigmentos, tintas, agentes mediadores como solventes, vedantes, gorduras, redutores de secagem, que, manipulados e controlados pelo artista, agem e reagem sobre a chapa para produzir a imagem.

Se, na pintura, a imagem pode nascer de gestos livres e diretos do pintor sobre a base material, ao depositar sobre ela os pigmentos, a partir de sobreposições ou camadas de cores, o artista trilha por caminhos vagos – que às vezes se constroem e se apagam, num fazer e refazer da obra –, na gravura, o artista age ao contrário. O processo exige certo planejamento e seqüência de ações que muitas vezes não podem ser rompidas. Isto não significa que na pintura não haja planejamento, mas que o trabalho do gravador dá-se por etapas, sucessivas e diferenciadas. Como observa Costa (1994, p. 13):

A gravura envolve um processo artesanal; ela é um artesanato do qual é impossível eliminar ou abreviar ou substituir as várias etapas. Desde a preparação das matrizes com a incisão da madeira ou no desenho e na corrosão do metal e da pedra litográfica até a preparação dos papéis e das tintas, para chegar às provas de estado, e, finalmente, à impressão da gravura em preto e branco ou em cores, esse processo é sempre lento. Ele abarca também duas inversões da imagem, que tampouco podem ser eliminadas. É um trabalho complexo. Para ser um gravador é indispensável dominar esse processo técnico, pois ele representa o instrumento com o qual se trabalho.

Na pintura, o pintor age processualmente sobre a tela em busca de definições futuras, através dos movimentos ou de gestos contínuos, na busca de configurações formais ou de traços. O fazer, na gravura, implica uma ação indireta que deve ser realizada de forma sistemática, passo a passo. Pelo fato de a gravura se construir em uma imagem sobre uma base através de ácidos, ao transferi-la para o papel por pressão, o artista trilha, na criação, na obscuridade, em busca de resultados. A imagem decorre do desempenho do artista e de atos cuidadosamente pensados, e de rigoroso apuro técnico e disciplina.

Pelas próprias imposições da técnica, o gravador está obrigado a profissionalizar-se ou, pelo menos, a dedicar-se ao trabalho durante períodos longos e contínuos. Em outras palavras: não pode haver gravador aficionado, gravador “de domingos”, que ocasionalmente realize umas gravuras em suas horas livres (COSTA, 1994, p. 13) A gravura resulta de um meio indireto de expressão. A imagem é obtida de duas formas: agindo-se diretamente sobre o material, com ferramentas cortantes, ou com produtos

químicos, através de ação e reação de ácidos, e de outros materiais – ceras, vernizes, solventes – que precisam ser controlados, ou seja, a gravura resulta do conhecimento sensível, mas também da pesquisa, da disciplina, da paciência e também da alquimia.

O ato de gravar envolve o artista numa sucessão de fases e execuções. Aos poucos, os fazeres transformam-se em imagens que revelam, por meio das provas de estudo ou de estado (PE),36 a intimidade do artista. A tiragem das provas de estado se repete até que da matriz e da impressão surja a imagem final – a prova do artista (PA).37 Nesse processo, nem sempre é permitida a indecisão, termo que não deve ser aqui entendido como impossibilidade de improvisação ou de quebra de continuidade. A expressão deve levar à compreensão de que a prática da gravura requer metodologia e apuro técnico, uma vez que exige do artista sistematização e hierarquização de procedimentos, de etapas, aparentemente rígidas, ou seja, seqüência de atos e atitudes pensadas, organizadas.

Renina Katz, citada por Abramo (1996, p. 12), diz que, a princípio,“não trabalha com elementos de sedução”, porque na pintura “a cor é a tecla. O olho é o martelo. A alma, o piano de inúmeras cores” (KANDINSKY, 1990, p. 30). Na gravura, a cor e os seus desdobramentos, a alquimia, versões, alterações, a ponderabilidade dos materiais, o seu uso, o ar, os ácidos, a densidade dos grãos, enfim, fazem parte da expectativa da criação.

O gravador trabalha com predisposição e livre, porém consciente de suas ousadias e das próprias limitações. O trabalho do gravador depende, assim, do eixo paradigmático que o conduz a partir de uma ética de trabalho, configurado na observação sistemática da capacidade e potencialidade profissional, na exigência fundamental do projeto: liberdade para criar e conhecimento das técnicas e materiais – fatores que irão permitir ao artista a tomada de decisões. “Para ser um gravador é indispensável dominar o processo técnico, pois ele representa o instrumento com o qual se trabalha” (COSTA, 1994, p. 13).

O desenho, na gravura, representa o estado do vir-a-ser. É, a princípio, puro exercício de abstração, uma vez que a imagem final – a estampa – não resulta necessariamente dele, mas de múltiplas e sucessivas etapas percorridas e examinadas pelo artista. A relação entre gravura (obra) e desenho é sempre de proximidade (REA, 2000).

36 Provas de impressão que são realizadas durante as várias etapas de gravação da matriz para acompanhamento

da produção da imagem.

37 São provas realizadas antes da tiragem comercial e equivale aos 10% a que o artista tem direito para uso

Ainda que o desenho seja realizado diretamente sobre a matriz, como na xilografia, a imagem configura-se como resultado da filtragem realizada pela matriz na impressão, porque os materiais utilizados para fazer a matriz, a exemplo da madeira, têm vida própria e, portanto, impõem sobre a estampa a sua presença. A imagem estampada carrega consigo as marcas do material (da madeira, do metal, da pedra, do nylon) ou das texturas dos materiais.

A imagem a ser gravada na chapa de metal, diferentemente de outras linguagens como a pintura (Figura 5), em que o artista age diretamente sobre a tela, deve ser realizada na posição inversa ao resultado, na posição de espelho (Figuras 3), inversamente ao que o artista pretende na obra (Figura 5). A inversão deve-se ao fato de a imagem resultar de transposição do conteúdo da matriz, escavada e entintada para o papel, pela pressão.

Figura 3 – Esboço 1: inversão de desenho em

papel seda, 25cm x 37,5cm Figura 4 – Calcografia em ferro: água-tinta, água-tinta de açúcar e água-forte (DJ Oliveira, sem título e sem data, 25cm x 37cm,Tiragem: não consta).

A imagem bidimensional da gravura resulta do traço e é o efeito do gesto de cortar, riscar ou escavar sobre a matriz. O corte ou o entalhe, escavado na chapa por meio de ferramenta, torna-se desenho. Entintado e impresso, constitui-se imagem. Mas o desenho, ao ser cortado por uma matriz pela ferramenta, torna-se filtrado.

Afundado verticalmente na matriz, o corte ressalta-se no papel, pela força da compressão como relevo, configurando-se em tridimensionalidade. Mas deixa de ser relevo para tornar-se perfil escultural. Para muitos artistas, a reprodução única foge à proposta da gravura, mesmo em se tratando de imagem contemporânea.

Apesar de a gravura ser considerada uma "poética de resistência,38 por sobreviver a tantas mudanças e transformações sociais e tecnológicas, pode-se dizer que ela, na sua prática e na sua fragmentação, é "um meio que contém um modo" (MANSUR, 1999. p. 8). Ao permanecer atualizada no espaço-tempo, ao vir, pelo múltiplo, ao encontro das necessidades de hoje, pós-modernas, em que “tudo” pode ser multiplicado, reproduzido, serializado atualiza-se. O modo ritualístico do processo se mantém, porém o seu significado busca atualização permanentemente, enquanto múltiplo.

A gravura não dispensa o ritualismo do fazer, mas ao mesmo tempo atualiza-se, enquanto pensamento poético moderno, por trazer à tona questões estético-sociais atuais da repetição, da fragmentação, da serialização e da reprodução na arte. Questões tão bem colocadas por Benjamin (1994), ao discutir a quebra da aura da obra pela reprodutibilidade técnica, e que se evidenciam na sociedade pós-moderna, que ruma a caminho da "padronização",39 mas também da ampliação da comunicação e do acesso à obra.

A matriz, condutora de imagem, na gravura, pode ser vista, a princípio, como um armazém de dados – de imagens. As imagens gravadas constituem memórias que, do ponto de vista da tradição, pretendem fixar, pelos métodos e técnicas de gravação, uma informação a ser gerada repetidamente. Mas a rigidez dos métodos de impressão da gravura pode ser rompida, pois, ainda que a imagem decorra de impressão, da repetição de um dado fixado – imagem escavada, fixada na matriz – enformado pela fôrma – ainda assim, dificilmente as imagens serão idênticas. A memória guardada na matriz também pode ser retomada e

38 Denominação atribuída à exposição de gravura brasileira produzida nos anos 60-70, que retrata a aventura

modernista nas obras da coleção Gilberto Chateaubriand (MAM/R.J). Trata-se de evento promovido pelo Sesi, em São Paulo (1994).

39 Na verdade, o que se discute a partir de Benjamin (1994) é se, e em até que ponto, as técnicas modernas de

reprodução e difusão da imagem interferem positiva ou negativamente sobre a obra de arte e se o fato de ser multiplicada modifica ou causa alterações na aura da obra.

atualizada pela criação, gerando novas obras.

De acordo com os princípios éticos da arte reproduzível, a autenticidade da tiragem se torna evidente pela preocupação com a fidedignidade de um múltiplo em relação ao outro, mas resguardada pela numeração das estampas pertencentes a uma mesma série40 ou tiragem, para que o evento – o conjunto de estampas – se torne único.

Se até os anos 1980 a gravura teve sua valorização dependente das ações artesanais que a fizeram tornar-se um dos mais importantes métodos e técnicas de produção e veiculação da imagem pictórica, no presente, a produção da gravura mostra-se bastante variada, embora realizada por poucos artistas, em todos os estados brasileiros, fundamentada na tradição e na experimentalização.

Se antes o artista se centrava no apuro da técnica para fazer gravura e até na destruição da matriz para inviabilizar novas tiragens, como ato de inovação e de protesto durante o período de repressão militar nos anos 1960, hoje predomina um caráter mais experimentalista, com grande variedade de procedimentos. Tais aspectos, assim, vêm refletir a riqueza de meios para se obter uma imagem, o que é reflexo da complexidade cultural e que ao mesmo tempo atende às expectativas dos agentes culturais.

O termo “gravura”, hoje, submete-se a discussões acerca de sua atualidade e distinção dos limites da linguagem gráfica. Tais preocupações estão em evidência desde a década de 1960, quando se questionou a tendência artística daquele momento. Mas, embora se busque sua atualização, na sua práxis, ela sofre atualmente conseqüências decorrentes das mudanças não apenas ocorridas nos anos de 1960, mas das advindas do movimento pós- modernista, que privilegia o recorte tecnológico como método de reflexão, passando a questionar e a redimensionar os conceitos que envolvem a gravura de arte.

No Brasil, essas discussões começam a aparecer a partir de meados da década de 1960-1970, privilegiando a linguagem experimental.41 Mas, na verdade, a gravura desse

40 Número fracionário indicador de controle de tiragem de estampas, sendo que o numerador se refere à

seqüência da estampa dentro da série da tiragem e o denominador, o total de estampas (da edição).

41 Todavia, embora a gravura brasileira tenha sido taxada de experimentalista, Chiarelli (1999), ao comentar

sobre as diferenças entre a gravura brasileira e a internacional, chama a atenção para o fato de que em contraposição a esta, voltada para a apropriação de ícones e procedimentos retirados da sociedade industrial e pós-industrial, e seu caráter alienado e alienante de modo positivo ou negativo, a gravura paulista mais recente continua valorizando a gravura autoral, centrando-se na subjetividade, em procedimentos tradicionais de obtenção de imagem ou até mesmo negando o caráter reproduzível, natural da gravura e considerado tão importante.

período aponta para duas direções: para a figura e para a abstração. A gravura figurativa segue duas direções, uma de tendência expressionista figurativa, e outra, preocupada com a figura, mas com foco na problemática urbana e no consumo. A tendência abstrata se preocupa com a pesquisa material. Essa tendência se opõe às linguagens mais técnicas, como a pintura e a gravura, feitas dentro dos ateliês, marcantes, sobretudo, nas décadas anteriores.

Para Resende, o emprego de processos eletrofotográficos, como o xerox, a litografia, ou fotomecânicos, como o ofsete, e a heliografia, antes restritos à editoração, permitiram não só a atualização dos modos de impressão da gravura como proporcionaram novos desdobramentos artísticos. A arte postal, o livro de artistas, os múltiplos, o exemplar único, ou o uso da matriz como resultado, entre outros, são exemplos dessas mudanças.

Com a assimilação desses processos, novas possibilidades de fazer gravura surgiram, especialmente na década de 1990, com o desenvolvimento da computação gráfica e dos recursos de geração, tratamento, apresentação e armazenamento de imagens. Mas, paralelamente à hibridização dos meios expressivos e ao alargamento das fronteiras entre as diferentes categorias artísticas, muitas gravadores, a exemplo de DJ Oliveira, ainda se mantiveram fiéis às práticas consideradas tradicionais, ao optaram pela especificidade das linguagens da pintura, da escultura, do desenho ou pelos métodos e técnicas da gravura, praticando litografia, serigrafia, xilografia ou calcografia, mas buscando novas maneiras de atualização.

Na verdade, esses esclarecimentos sobre a situação da gravura favorecem a compreensão do processo de criação de DJ Oliveira, em que suas gravuras evidenciam-se como uma de suas linguagens.

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