4. Marc teòric
4.1. L’aprenentatge cooperatiu
4.1.2. Joc col·laboratiu o aprenentatge cooperatiu
As casas ou pontos de apoio eram essenciais à actividade dos funcionários clandestinos. A casa de apoio funcionava como recurso, para realização de reuniões com militantes legais, em caso de fuga de uma instalação ou mesmo para alojamento de cariz mais permanente. Era por isso conveniente ao clandestino ter o maior número possível de pontos de apoio a que pudesse recorrer em caso de necessidade.
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(…) a vida clandestina dos comunistas, do Partido Comunista, tinha muito apoio dos comunistas, dos antifascistas, alguns até nem eram comunistas, eram antifascistas, eram democratas, davam apoio, e esse apoio era muito variado: dispor da sua casa para reuniões, para dar alojamento a funcionários do Partido. Muitas vezes estávamos alojados nas suas casas como sendo uma pessoa da família, uma pessoa amiga, uma justificação qualquer (Sofia Ferreira).
Contrariamente ao que irá ser uma das preocupações fundamentais no arrendamento de uma casa clandestina – a localização estratégica -, os pontos de apoio não são por isso valorizados. Fundamental era a confiança depositada nos seus moradores, militantes ou meros simpatizantes. Os «amigos» eram indivíduos da confiança do partido, sendo conveniente que levassem uma vida pacata, que não levantassem suspeitas e sobretudo que não lhes fossem conhecidas ligações políticas. Convinha acima de tudo que não se mostrassem desafectos ao regime nem assumissem quaisquer atitudes de ruptura. Como refere Joaquim Gomes, que viria a assumir responsabilidades de apoio com a sua mulher durante 12 anos antes de passarem à clandestinidade propriamente dita, «o que se nos exigia era que nos comportássemos como pessoas conformadas com a vida»263. À semelhança do que será praticado nas casas clandestinas propriamente ditas, também nos pontos de apoio se recorre a sinais previamente combinados para avisar o clandestino de que era seguro avançar em direcção à casa. Quando se recorria aos pontos de apoio para realização de reuniões, a chegada de um ou mais clandestinos verificava-se preferencialmente de noite ou já de madrugada, de modo a evitar que estes fossem vistos pela vizinhança. Os amigos da casa raramente ou nunca assistiam às reuniões que aí decorriam, conhecendo os funcionários apenas pelo pseudónimo.
Os testemunhos destas mulheres referem com alguma frequência o recurso a pontos de apoio em situações diversas. Maria Carvalho relembrou como passou por um ponto de apoio antes de passar à clandestinidade propriamente dita, mantendo-se nessa situação de charneira o tempo suficiente até cortar definitivamente os laços com o meio
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social de onde provinha. Teodósia Gregório, por seu turno, entre outras razões, permaneceu na casa de militantes legais por ocasião do nascimento do seu filho, para no caso de ser necessário recorrer a um hospital estes serem capazes de lhe fornecer uma cobertura plausível. Sofia Ferreira descreveu assim o apoio prestado, reportando-se à sua experiência pessoal:
Camaradas que davam muito apoio nos transportes individuais, nos seus carros. De camaradas médicos que davam o seu apoio a camaradas doentes, incluindo alguns que tinham de ser internados e de ser operados (isso aconteceu comigo própria, eu tive de fazer uma operação na clandestinidade, e um camarada médico que tinha uma clínica, trabalhava numa clínica, eu estive lá nessa clinica 5 dias para ser operada, com um nome diferente, e o camarada deu esse apoio, colaborou nisso), camaradas que iam ter bebés nas maternidades (…) na assistência médica, na assistência social, na assistência da habitação, do transporte (…).
Os pontos de apoio serviam também de espaço de transição aquando da mudança de uma instalação para outra, ou então quando se verificara a saída abrupta de uma instalação por razões de segurança:
Os meus pais, pelo sim pelo não, já que não podiam salvar a tipografia, resolveram salvar-me a mim. E então pegámos em malas com roupas e foram-me pôr a mim em casa de camaradas legais que eles conheciam já de algum tempo e com quem nós também já há algum tempo não tínhamos contacto (…). E pronto, fui para lá, estive lá à volta de uma semana, também já não sei ao certo, mas andou à volta de uma semana (Domicilia Costa).
(…) Depois fui para um sítio (…) e fiz assim uns cortes até chegar à casa para onde devia ir. Pronto, depois fui, estive lá dois dias ou três, os camaradas tomaram medidas de falar com quem deviam (…) Dali fui para Queluz, mas foi para casa de uns camaradas legais, ele engenheiro e ela qualquer coisa, trabalhava numa firma qualquer, num escritório qualquer. Fui para casa deles, foi a Sofia Ferreira que me lá
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apresentou e estive lá até à minha preparação, a minha preparação da minha ida para o Porto (Maria Lourença Cabecinha).
O recurso a casas de apoio verifica-se também no caso de funcionárias com tarefas de organização e a quem não fora atribuída uma instalação clandestina. De referir que quando eram atribuídas tarefas de organização a uma mulher isso implicava que as tarefas de defesa ou vigilância fossem atribuídas a uma outra funcionária ou então a funcionária passaria a habitar numa casa de militantes legais, que asseguravam a defesa e, em simultâneo, lhe forneciam uma cobertura necessária ao desempenho da tarefa que lhe fora atribuída.
As instalações eram assim: segundo as condições que permitiam e também as nossas tarefas. (…) casa própria legal do Partido com um camarada ou com camaradas, que era o caso deste casal que já era idoso e que passavam por pais, ou então pontos de apoio de camaradas nossos, mas que tinham a sua família, eram um casal, tinham filhos (Sofia Ferreira).
Na perspectiva dos militantes legais estas actividades de apoio, devido ao seu carácter de excepção, ficaram para sempre registadas da memória de quem as praticou, provocando ainda hoje reacções de profunda emoção. Os funcionários são descritos enquanto dotados de uma elevada carga simbólica, pelos riscos que a sua situação de clandestinidade comportava. Os clandestinos são, para os amigos da casa, o elo directo de ligação com o partido e a encarnação dos ideais comunistas. A dedicação dos funcionários à causa comunista levada até às últimas consequências – espelhada na extrema pobreza, fome e cansaço -, são continuadamente relembrados. A dedicação ao partido por parte do amigo exprimia-se então no apaziguar momentâneo das necessidades do funcionário. Não são raros relatos de simpatizantes que deixavam de comer para alimentar em condições os clandestinos, chegando a penhorar bens pessoais para lhes garantir algum conforto. A memória desta solidariedade permanece ainda hoje presente na memória dos seus protagonistas, reconhecendo os antigos funcionários a ajuda fundamental prestada pelos militantes legais, sujeitando-se para o efeito aos mesmos riscos que eles próprios corriam.
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