• No results found

kYS b3jjCN< j@3 CNUnj UaL3j3ac

No começo de 1923, Joseph Hill White, chefe dos serviços contra a febre amarela no México, passou a direção dos trabalhos naquele país para Connor. Numa carta sua, lê-se: «nossa campanha no Brasil será acor- dada por Chagas e por mim logo que ele volte de Paris e eu da Bahia, Ceará, etc. para o Rio, mais ou menos na mesma época».33O desloca-

mento de White coincide com outras mudanças na direção da Junta Sa- nitária Internacional. Em 27 de janeiro Lewis W. Hackett entregou o co- mando dos trabalhos no Brasil a George Strode.34Em 21 de fevereiro

Wickliffe Rose deixou a direção-geral da Junta, transferindo-a para o co-

33RAC/Co: White a Strode, 21.1.1923. 34RAC/Co: Rose a Strode, 23.2.1923.

ronel Frederick F. Russell. A esse braço da The Rockefeller Foundation es- tava subordinado o Yellow Fever Council integrado por Henry Rose Carter, Hideyo Noguchi e Joseph H. White.36Entre os membros da Junta Sanitá -

ria Internacional figurava Simon Flexner, diretor do The Rockefeller Insti- tute for Medical Research, do qual Noguchi era um dos pesquisadores.37

Segundo fichas biográficas de Joseph White no arquivo da Fundação Rockefeller, sua vida «é praticamente uma história do desenvolvimento da saúde pública nos Estados Unidos, na qual foi e é ainda um de seus líderes mais ativos». Em 1911, com a morte do cirurgião-geral Walter Wyman, foi forte candidato ao cargo.38White serviu como inspetor-geral

dos trabalhos antimaláricos na Europa durante a guerra; foi inspetor- -chefe do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos de 1919 a 1923; e vice-diretor de seu International Sanitary Bureau, de 1920 a 1925. Junto com Gorgas foi um dos formuladores do projeto de erradicação da febre amarela nos continentes americano e africano. Seu primeiro serviço para a Comissão Sanitária Internacional da Fundação Rockefeller foi como diretor para a América Latina em 1914-1915. Três anos depois comandou campanha contra a febre amarela na Guetamala. Em 21 de novembro de 1921 licenciou-se mais uma vez do serviço federal para dirigir os tra- balhos contra a doença no México e na América Central, sucedendo Lys- ter nessa função.

Michael E. Connor, que chefiara a campanha em Guayaquil, assumira em janeiro o controle da febre amarela numa parte do México, a Zona I, da qual fazia parte Yucatán. Dirigiu os trabalhos no México e na América Central depois que White passou a cuidar do Brasil (fevereiro de 1923).39 35Rose foi diretor da Comissão Sanitária Internacional de 1913 a 1916, e de sua su-

cessora, a Junta Sanitária Internacional, de 1916 a 1923 (Plesset 1980, 180). Deixou a di- reção da junta, mas permaneceu em seu comitê executivo.

36O staff administrativo era formado por Russell (diretor-geral), John Ferrel (diretor

para os Estados Unidos), Victor G. Heiser (diretor para o Oriente) e H. H. Howard (diretor para as Índias Ocidentais). O presidente da Junta Sanitária Internacional era George Vin- cent; o secretário, Edwin R. Embree, e a secretária assistente, Florence M. Read.

37Os outros 12 eram John D. Rockefeller, Jr., Wicliffe Rose, Hermann M. Biggs, Wal-

lace Buttrick, David L. Edsall, Raymond B. Fosdick, Frederick T. Gates, Edwin O. Jordan, Vernon Kellogg, T. Mitchell Prudden, Victor Vaughan e William H. Welch.

38Nomeado pelo presidente e confirmado pelo Congresso, o Surgeon-general dos

Estados Unidos era o chefe do serviço de saúde pública da União. White fazia parte de seu staff, o Office of the Surgeon General. Rupert Blue (1912-1920) foi o sucessor de Wyman, e quando teve início a campanha contra a febre amarela no Brasil o cargo era ocupado por Hugh S. Cumming (1920-1936). Em 1912, White presidiu um comitê que elaborou propostas convertidas em lei naquele ano, transformando o Public Health and Marine Hospital Service em US Public Health Service.

Em A Folha Médica, White sintetizou sua experiência na América do Norte e Central e seus planos para o país (White 1924). O novo repre- sentante aí da Junta Sanitária Internacional, George King Strode, traba- lhara no Departamento de Saúde da Pennsylvania e, durante a guerra, servira na França, como capitão do US Army Medical Corps. Por curto período, antes da guerra (1917), Strode esteve no Brasil a serviço da Junta Sanitária Internacional. Voltou ao país em 1920, assumindo a coordena- ção de suas atividades de 1923 a 1926, período durante o qual fez fre- quentes viagens à Argentina, ao Paraguai e ao Uruguai para estruturar campanhas contra a malária e a ancilostomíase.40

O homem a quem White e Strode prestavam contas tinha em seu currículo uma característica que facilitaria a aproximação com Noguchi. Os estudos sobre a vacinação de soldados contra a febre tifóide levaram Frederick F. Russell a estagiar em 1908 na Inglaterra, no Royal Army Me- dical College, com sir Almorth Wright, que vinha experimentando a imu- nização contra a doença com culturas mortas do bacilo de Eberth (Sal- monella typhi). Ao regressar aos Estados Unidos, Russell implementou abrangente programa de vacinação no Exército. Era instrutor da Army Medical School e professor de patologia e bacteriologia da Universidade George Washington quando assumiu a direção da Junta Sanitária Inter- nacional.41

Pouco tempo depois enviou a Strode cópia de carta que Hackett en- tregara ao presidente do Brasil – Arthur Bernardes, eleito em 15 de no- vembro de 1922 – concernente à cooperação da Fundação Rockefeller no combate à febre amarela que então grassava no Nordeste. White po- deria desenvolver o inquérito já sugerido por Hackett sobre a situação da febre amarela lá. Este, na carta a Bernardes, «não quis dar a impressão de que a Junta poderia querer tomar do Departamento Brasileiro de Saúde a direção dos trabalhos de controle».42Hackett teve o cuidado de explicar

a Strode, seu sucessor no Brasil, o intuito da carta enviada ao presidente recém-eleito: «Não tem havido casos de febre amarela no México desde dezembro, e espera-se agora que a doença tenha sido erradicada de vez naquela região. Isso deixa o Brasil como a única área endêmica nesse he- misfério. Naturalmente, a junta está sumamente ansiosa para vê-la limpa o mais rápido possível».43

40RAC/Rb: «Dr. Strode Dead; a Health Expert». New York Times, 29.10.1958:35. 41National Library of Medicine (s/d).

42RAC/Co: Russell a Strode, 29.3.1923. 43RAC/Co: Hackett a Strode, 28.3.1923.