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Os alunos do curso de Letras em estudo foram questionados quanto à avaliação que fazem em relação ao estudo de língua inglesa no Ensino Fundamental e Médio e em institutos de idiomas. A Tabela 3.14, a seguir, traz os seguintes dados:

Avaliação do estudo de língua inglesa Não satisfatório % Ótimo % Total Ensino Fundamental 97 87,4 14 12,6 111 Ensino Médio 98 84,5 18 15,5 116 Institutos de idiomas 10 17,2 48 82,8 58 Outros? Autodidatas 0 0 2 0 2

Tabela 3.14 – Avaliação do estudo de língua inglesa no Ensino Fundamental e Médio e em institutos de idiomas (N=119)

Os resultados da Tabela 3.14 revelam que a maioria dos alunos considera o estudo de língua inglesa insatisfatório, tanto no Ensino Fundamental (87,4%) como no Ensino Médio (84,5%). Já a avaliação da maior parte dos alunos que estudou em institutos de idiomas é ótima, com uma porcentagem de 82,8%.

Os depoimentos, extraídos dos questionários, a seguir, ilustram a insatisfação dos alunos com a aprendizagem de língua inglesa no Ensino Fundamental e Médio:

A29: O inglês do Ensino Fundamental e Médio é só o verbo to be. A18: Nos três anos do Ensino Médio, não passamos do verbo to be. A54: Nunca saí do verbo to be.

A56: Tudo o que vi de inglês na escola se resume em verbo to be.

A61: A língua inglesa, ensinada na 5ª serie do Ensino Fundamental é a mesma até o colegial do Ensino Médio, não muda a matéria, apenas o vocabulário (insignificante).

A73: As aulas nas escolas são fragmentadas e repetitivas.

A82: Nunca aprendi absolutamente nada, todo conteúdo era fora do contexto em que eu vivia.

A95: O inglês ensinado na escola é muito ruim.

A partir dos comentários ilustrados acima, é interessante observar que muitos alunos consideram o ensino de língua inglesa em Escolas do Ensino Fundamental e Médio muito superficial. Alguns acham que sempre estudam a mesma coisa, não passando do verbo to be. Já outros possuem a percepção de que as aulas de Língua Inglesa são pouco interessantes, fragmentadas e repetitivas, com foco na escrita e no vocabulário. Outros, ainda, enfatizam que o ensino é resumido e o que é ensinado está fora do contexto do mundo real. Para o delineamento do syllabus é preciso pensar nessas questões.

Especificamente quanto ao ensino de inglês em escolas públicas, alguns alunos comentaram sobre a superficialidade do ensino e a falta de prioridade para o ensino de inglês na escola. Vejamos seus comentários:

A106: O inglês na escola pública é muito defasado.

A17: No Ensino Fundamental, por ser particular era bom, forte. No Médio, mal parava um professor e no curso, quase no fim, trocaram de professor e eu não me adaptei.

A31: O inglês da escola pública é ruim.

A114: O inglês em escolas públicas é muito defasado. Na escola particular é um pouco melhor.

A19: Inglês de escola pública é muito fraco, não tem base.

A43: Infelizmente em escola pública não é impossível, mas é bem difícil ter boas aulas de inglês.

A47: As escolas públicas não priorizam o inglês.

A78: O ensino em escola pública é muito fraco, superficial.

Esses comentários indicam que os alunos consideram o ensino de inglês nas escolas públicas defasado, fraco. Alguns ainda fazem comparações com escolas particulares, salientando as deficiências das escolas públicas. Para outros, a língua inglesa em escolas públicas parece não ser priorizada e a troca de professores parece ser constante, gerando um descontentamento geral nos alunos.

Desses alunos provenientes de escolas públicas, alguns enfatizam a falta de preparo por parte dos professores, por um lado, e a falta de interesse dos próprios alunos, pelo outro. Vejamos seus comentários:

A23: O professor não incentivava os alunos e nós não sabíamos a importância que tinha o curso.

A08: Considero o ensino de línguas que tive fraquíssimo, em grande parte por desinteresse dos professores e um pouco de comodismo de minha parte. A10: Falta de interesse dos alunos e preparação dos professores.

A111: Os professores não tinham interesse para ensinar, ficavam lendo revistas e os alunos conversando.

A103: Os professores não eram bem qualificados.

A99: Na escola pública os professores são descompromissados.

A97: Não houve interesse do professor em ensinar a matéria de um jeito mais legal, utilizando outros recursos, só usou lousa e giz.

A62: O ensino não me motivou, não existia material adequado. A65: Profissionais desinteressados com a educação.

A79: Pouca atenção ao aluno.

A83: A escola em que estudei não deu a devida importância a essa disciplina. A88: Professores que não sabem ensinar e alunos que não sabem aprender.

Esses comentários apresentam alguns pontos relevantes sobre a percepção dos alunos quanto ao ensino de língua inglesa em escolas públicas: sugerem que a língua inglesa parece não ser valorizada, alguns professores parecem estar pouco interessados na aprendizagem de seus alunos, e os alunos, por sua vez, parecem não ter motivação e interesse em aprender, gerando um círculo vicioso que pode levar muitos a colocar a aprendizagem da segunda língua em segundo plano. Assim, é possível constatar que, para esses alunos, parece não ser possível aprender língua inglesa em escolas públicas, tanto no Ensino Fundamental como no Médio.

Numa comparação do ensino de língua inglesa no início do século XX (conforme explicitado anteriormente na Fundamentação Teórica, especificamente em 1930, quando, por intermédio da Reforma Francisco Campos, teve início a organização universitária numa tentativa de melhorar o quadro deficitário de professores preparados para o magistério), com o quadro encontrado hoje nas escolas públicas, observa-se que ainda há muito a ser feito. Naquela época, havia falta de professores preparados para o mercado de trabalho, da mesma forma que hoje, na percepção dos alunos, parece haver, no ensino público, uma falta de professores qualificados e motivados a ensinar, indicando falta de preparo e motivação para enfrentar as novas demandas do século XXI.

Por outro lado, a avaliação dos alunos vindos de escolas particulares, em relação ao estudo da língua inglesa no Ensino Fundamental e Médio, parece ser mais favorável. Vejamos alguns comentários desses alunos:

A69: A escola oferecia material didático interessante. A17: No Fundamental, por ser particular, era bem “forte”.

A05: Tive bons professores tanto no colégio, como no curso de inglês. A03: Tive ótimas professoras de inglês na escola particular.

A58: Não tem continuidade, todo ano só é estudado o verbo to be e falta interesse de minha parte.

Esses comentários indicam que alguns alunos têm a percepção de que o estudo em escolas particulares, tanto no Ensino Fundamental como no Médio, parece ser mais interessante e “forte”, possibilitando que os objetivos sejam atingidos. Os professores, por sua vez, parecem ser avaliados mais satisfatoriamente.

Finalmente, a avaliação do estudo de língua inglesa em institutos de idiomas, segundo os resultados da Tabela 3.14, revelam que a percepção dos alunos é, em sua maioria, ótima. Vejamos alguns comentários feitos por eles:

A16: Meu inglês melhorou após o curso de idiomas.

A12: Sempre encontrei dificuldade na compreensão do inglês e somente após o curso foi que conseguir assimilar esta língua.

A75: Pouco se aprende na escola, mas no curso de idiomas ocorre o contrário.

Esses relatos parecem indicar que, ao contrário do que acontece no Ensino Fundamental e Médio, especialmente em escolas públicas, os alunos são mais motivados para aprender a segunda língua em cursos de idiomas, por serem considerados mais eficazes. A partir desses comentários, constata-se que parece haver uma crença de que só se aprende inglês em institutos de idiomas. Devido às condições precárias de ensino de língua inglesa, principalmente nas escolas públicas, onde há carência de material didático e falta de preparo dos professores, parece ser, de certa forma, mais cômodo que a responsabilidade pela aprendizagem de língua inglesa seja transferida das instituições educacionais para os institutos de idiomas.

Por isso, segundo aponta Walker (2003:44), parece haver um círculo vicioso no ensino-aprendizagem de língua inglesa, no sentido de que o aproveitamento dos alunos é insatisfatório no Ensino Fundamental e Médio e, ao chegarem à universidade, suas deficiências parecem não ser supridas, “formando profissionais fracos nos cursos de licenciatura.” Numa tentativa de mudar esse quadro, acredito que um curso de Letras,

cuja disciplina Língua Inglesa seja baseada na Abordagem Instrumental, pode ajudar a formar professores mais aptos a enfrentar o mercado de trabalho.