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3. Results

3.3. Isolation of stx2a-positive E. coli

as pedras formadoras da trilha a ser percorrida

naquele período.

Após colocar em prática a proposta pedagógica apresentada acima, é de fundamental importância registrar que o binômio processo/ produto é o primeiro e mais latente ponto da minha autoanálise como condutor do referido processo. O que todo pedagogo que trabalha com o teatro deveria ter em mente é que o espetáculo, que neste caso foi elaborado no terceiro semestre e teve como preparação prévia os dois primeiros semestres de trabalho voltados para a formação do ator, não será, sob hipótese alguma, uma somatória pura e simples das experiências vividas, mas sim uma síntese individual do aluno ator, elaborada a partir da percepção que cada um dos participantes tem daquilo que foi vivenciado. A formação do ator adquire, neste aspecto, uma especificidade que vale ser ressaltada: não há como avaliar a magnitude do processo formativo pelo qual passou um aprendiz a não ser que este expresse de que maneira esse mesmo processo atuou na sua forma de fazer e de pensar teatro e, consequentemente, de entender a vida. Ao ler os depoimentos, que eram diariamente escritos pelos alunos atores com quem trabalhei e que compuseram o que chamei de Livro do Ator, pude perceber nitidamente que cada uma das minhas proposições os atingia de forma diversa, sendo que, para alguns, um procedimento era extremamente potente, mas, para outros, as descobertas mais importantes estavam ancoradas em outras atividades oferecidas. Sendo assim, acredito que um

desenho que pudesse simbolizar o caminho formativo do ator poderia ser esboçado pelo aprendiz com a ajuda do pedagogo, mas o formato final desta figura seria definido pelo primeiro, ainda que este assuma que o segundo seria responsável por alguns dos traços presentes naquele resultado.

Voltando ao início deste trabalho, uma vez resolvida a inquietação sobre o planejamento, outras perguntas surgiram: que tipo de instrumentos artístico-pedagógicos vão nortear essa minha atuação junto aos alunos atores em formação? Quais são os caminhos de aprendizagem que desejo trilhar junto a esses aprendizes? Qual a melhor forma de conduzir esse processo? Ao fazer esta reflexão, após o caminho já percorrido, avalio que o processo vivenciado foi o “mestre soberano” nessas escolhas, o que permitiu que eu me mantivesse fiel, ainda que à minha própria maneira, a outro princípio muniziano: olhar para o grupo de alunos atores e tentar identificar o que é essencial para eles naquele momento formativo. Muitas dúvidas foram sendo sanadas à medida que meu contato com o grupo de alunos atores se tornava mais intenso. Comecei, dia após dia, a aguçar meu olhar para cada uma das individualidades que compunham aquele coletivo tão diverso, e essa foi a bússola pedagógica que utilizei para me guiar nesse trajeto. Constatei, ao analisar o Livro do Ator e meu diário de trabalho, que cada um

Figura 76 - Aluna atriz se preparando para atividade artístico-pedagógica.

dos encontros adquiria um caráter único e experimental, não só para mim, mas também para os aprendizes. Apresento, a seguir, alguns aspectos desse percurso de três semestres, que sintetizam a relevância do processo pedagógico vivenciado. Vale ressaltar que o aprendizado não se constitui somente de experiências positivas, mas também daquelas que constituíram dificuldades a serem ultrapassadas e que, muitas vezes, são imprescindíveis na formação da base sólida e significativa do conhecimento.

No primeiro semestre, para que eu pudesse trabalhar o autoconhecimento da forma mais potente possível, optei por iniciar os trabalhos criando um ambiente de grupo, ainda que se tratasse de uma turma composta por pessoas que não tinham tido contato anterior, pois assim os aprendizes se sentiriam em um ambiente mais seguro para experimentar suas possibilidades expressivas, aspecto fundamental para alavancar o processo de aprendizagem teatral. Os três primeiros procedimentos propostos tiveram como objetivo aproximar os alunos atores, propiciando uma maior integração entre os membros do grupo.

CONHECENDO O GRUPO E A SI PRÓPRIO consistia em uma proposta que promovia um contato mais próximo entre dois aprendizes através do olhar, em um primeiro momento, através do toque físico, na segunda parte e, por fim, através do compartilhamento de uma narrativa pessoal. Ao se analisar os depoimentos contidos no Livro do Ator, fica evidente que essa experiência, que aguçou as percepções sensorial e intelectual dos aprendizes, foi um acelerador de um processo que teve seu início no outro, mas que acabou por gerar um olhar mais apurado para si próprio. É importante ressaltar que pude perceber a dificuldade de alguns alunos atores para tocar fisicamente um colega, fato esse que se constituiu em uma barreira

que acabou por ser transposta, a partir da superação dos seguintes motivos: vergonha e preconceito.

O segundo procedimento, IMITANDO A PRÓPRIA MÃE, permitia que o grupo conhecesse as mães de seus integrantes, através da versão apresentada por cada um. Ao final dessa atividade, ficou evidente para mim que a identificação entre os aprendizes se tornou ainda mais forte pelo fato de que muitos apontaram pontos em comum entre a maioria das mães apresentadas. Outro ponto importante foi que, ao criar esse personagem fictício sobre o palco, mas tão real na vida cotidiana, os aprendizes tiveram que apurar ainda mais a maneira de olhar para suas próprias vivências, com o objetivo de esboçar essa criação, identificando assim traços herdados de que eles sequer tinham consciência.

Já no terceiro procedimento, chamado de OBSERVANDO UMA PESSOA NA RUA, solicitei aos aprendizes que ampliassem o seu espectro de observação saindo do ambiente doméstico, predominante no exercício de observar a mãe, e ganhassem a rua. Essa experiência colocou-os em contato direto com a diversidade humana, iniciando- se assim uma compreensão das dificuldades de leitura da forma de ser e agir de uma pessoa, experiência essa que, de acordo com os depoimentos analisados, foi rapidamente transferida para o processo de construção de um personagem no teatro.

Essa trinca de procedimentos foi capaz de ampliar a percepção dos aprendizes sobre si próprios e sobre o que está no seu entorno, aspecto esse que é essencial em um processo de formação do ator. Os procedimentos analisados a seguir tiveram como proposta magna ampliar a capacidade expressiva dos aprendizes, partindo do conhecimento do próprio corpo.

No primeiro deles, chamado de EXPLORANDO DIFERENTES RITMOS, o objetivo principal foi experimentar, através de diversas possibilidades de expressão corporal, ritmos de caminhar associados a estados de espírito, ritmos elaborados com partes do corpo e, finalmente, uma criação rítmica que envolveu, coletivamente, todos os participantes. Os resultados obtidos evidenciam que, para a execução das atividades propostas, desenvolveu-se no grupo um extremo senso de concentração e sincronia, elementos tão importantes para a boa execução de um trabalho em teatro.

Na segunda proposta, denominada FAZENDO E OBSERVANDO: O OLHAR DO ATOR, o foco recaiu sobre a capacidade de observação do aprendiz, que se espelhava na continuidade das atividades desenvolvidas com um único elemento de cena: uma cadeira. Esse procedimento se completou com a leitura do texto A complicada arte de ver, de Rubem Fonseca54. O desenvolvimento de um olhar, minucioso e atento, foi o aspecto mais relevante nessa atividade. Percebi, através da execução das propostas e dos depoimentos escritos ao final do encontro, que os aprendizes puderam dimensionar a importância do olhar para o desenvolvimento pleno do trabalho do ator, e também que esse treinamento se faz de forma cotidiana e constante.

No terceiro e último procedimento, denominado DETERMINANDO ONDE ESTOU e que tinha como objetivo a ampliação da capacidade expressiva, a proposta buscou desenvolver a percepção de que a ocupação do espaço pelo corpo em ação, seja essa ação de cunho interno ou externo, é capaz de determinar a natureza desse lugar. Esta atividade despertou nos alunos a consciência de que o ator

54 FONSECA, Rubem. A complicada arte de ver. Disponível em http://www1.folha.uol. com.br/folha/sinapse/ult1063u947.shtml. Acessado em 05 nov 2014.

deve ter plena atenção ao seu estado físico e de como seu corpo se encontra em cena. Outro ponto importante foi o fato de que, durante a execução do procedimento, a somatória das ações individuais potencializou o trabalho do grupo, ou seja, o que se viu em cena não foi uma simples associação dos trabalhos individuais, mas sim uma combinação potente, que resultou em uma cena com capacidade de comunicação mais ampla e significativa.

Ressalto aqui o procedimento denominado TRABALHANDO A PALAVRA ATRAVÉS DO CANTO: O “CLIPE PESSOAL” OU “PORÃO”, que foi o mais significativo nesse primeiro semestre de trabalho, tanto para mim como para os alunos atores. Esta atividade funcionou como um rito de passagem, finalizando um primeiro período de aprendizagem e iniciando um segundo, que teve como característica principal a conquista de uma relação mais intensa entre os envolvidos naquele processo artístico-pedagógico. Iniciei esta atividade apresentando o meu clipe pessoal, pois acredito que revelar aos aprendizes os fios que ligam o homem que sou ao artista que me tornei seria fundamental para que eles se propusessem a fazer o mesmo. E, de fato, as apresentações que se seguiram à minha vieram carregadas de forte componente emocional e artístico e foram capazes de desnudar o indivíduo e revelar o ator. Muitos foram os depoimentos sobre essa vivência que apontaram para uma compreensão de que não se separa o ser humano do artista, pois a formação do segundo necessita do entendimento holístico do primeiro. Na minha formação como pedagogo, a referida experiência merece lugar de destaque, pois, mais do que compreender a potência artístico-pedagógica deste procedimento, pude apreender, com o corpo e com a alma, como o entrelaçar de histórias pessoais dos alunos e do professor pode se constituir em um combustível nobilíssimo no processo de ensino-aprendizagem do teatro.

No segundo semestre, os procedimentos tiveram como objetivo magno a ampliação da consciência do aluno ator acerca da importância da relação com o outro na prática teatral, ou seja, a relação que se estabelece entre o aprendiz e o personagem que interpreta, dele com seu(s) colega(s) de cena e também com o grupo em que está inserido.

O primeiro procedimento adotado, que perpassou quase a totalidade do segundo semestre, foi COMPONDO ALTARES/INSTALAÇÕES, o que consistiu em elaborar uma obra tridimensional, da qual o aprendiz poderia ou não participar, e cujo objetivo era incentivar que o futuro profissional de artes cênicas fizesse uma reflexão partindo do tema: o significado do teatro para mim. Essas obras eram apresentadas no início de cada período de trabalho. As mais diversas experiências foram propostas ao longo do semestre, desde trabalhos de caráter eminentemente plástico, outros de característica sensorial, outros ainda de forte teor provocativo, e também houve aqueles de cunho reflexivo e racional. As apresentações eram seguidas de uma apreciação e me arrisco a dizer que as reflexões suscitadas pelas obras apresentadas tenham sido tão ricas para o grupo quanto

COMPONDO ALTARES/