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2.4 Neural networks

2.4.1 Introduction to deep learning

Creio que, os turnos extensos mostram que eu soube me silenciar para deixar os alunos discutirem sobre a lenda. Nessa vivência, houve uma conversa muito tranquila e proveitosa e eu não me preocupei em obter informações porque os alunos já estavam mais soltos e acostumados com nossas discussões.

De modo geral, analiso de forma positiva as minhas perguntas nesta pesquisa, principalmente, nessa última vivência, por propiciarem espaços para discussões, não houve interrogatórios, nem perguntas fechadas (Mackay, 2001), que requeressem como resposta apenas sim/não. Mais positiva ainda, entendo que foi a participação dos alunos, pela interação.

Na coleta de dados dessa pesquisa, os alunos, apesar de não conhecerem de perto índios e seus costumes, evidenciaram pelo conhecimento de mundo, pelas leituras, por tudo o que ouvem sobre tal povo, uma visão pautada no histórico da colonização de nossa nação e nas tantas dificuldades ainda enfrentadas pelos índios.

4.3- Turnos das vivências: reflexão quantitativa sobre a participação dos alunos e da professora/pesquisadora

Como um complemento da análise dos dados, a seguir apresento um gráfico quantitativo das participações da primeira e da última vivência e uma tabela comparativa com o total de turnos de todos os alunos envolvidos na pesquisa:

O quadro revela que, na primeira vivência, houve apenas 37 turnos no total, e como já foi relatado, turnos muito breves. Com 16 alunos presentes, houve apenas 7 turnos a mais que os construídos por mim, ou seja, dominei os turnos, falando muito, sem tê-los levado a uma maior reflexão em diversos momentos. Tive uma postura ainda de uma professora tradicional, que como afirma Moretto (2006:12): “não considera a participação e a interação dos alunos em relação a um texto; é o único ponto de referência para os alunos, sua palavra é a que vale, as orientações e o método sempre partem do professor.”

A quarta vivência mostrou vários progressos: foram 89 turnos muito extensos, evidenciaram progressão, transformação em minha prática, dei muito mais voz aos alunos, permiti a expressão da subjetividade e valorização do conhecimento prévio deles.

O quadro revela também que, na primeira vivência, os alunos tiveram 7 turnos a mais do que eu. Na última vivência, esse número passou para 35 turnos.

1ª Vivência 4ª Vivência 0 5 1 0 1 5 2 0 2 5 3 0 3 5 4 0 4 5 5 0 5 5 6 0 6 5 15 27 22 62

Turnos dos participantes nas duas Vivências

Turnos - Professora Turnos - Alunos

Vivências

Tu

4.4- Participação e evolução dos alunos durante as vivências

Participação e Evolução dos alunos durante as Vivências

Alunos Turnos - 1ª Vivência Turnos - 4ª Vivência Total de turnos

Alessandra Santiago ausente 0 0 Alessandra Valéria 0 0 0 Ana Paula da Silva 0 0 0 Ana Paula do Nascimento ausente 0 0 Aristeu 1 2 3 Caio 0 9 9 Ederson 3 2 5 Gisele ausente 0 0 Joselene ausente 0 0 Julio 3 15 18 Lourival 2 desistente 2 Maria Clara 0 3 3 Maria do Carmo 0 9 9 Maria José 0 0 0 Marlene 2 4 6 Sandra 6 12 18 Santina 1 ausente 1 Sérgio 1 0 1 Tiago 1 0 1

Vanda ausente ausente 0

Viviane 0 1 1

Zilda ausente 0 0

A tabela apresentada acima mostra que ainda há muito o que caminhar para que eu possa ser uma professora mais consciente, que busca transformar sempre sua prática pedagógica, visando, essencialmente, a formação dos alunos como leitores. Afirmo isso por ver, de acordo com a tabela, que as alunas Alessandra Valéria e Ana Paula da Silva não falaram absolutamente nada em nenhuma vivência. As alunas Ana Paula do Nascimento, Gisele e Zilda não estavam presentes na primeira vivência, mas também não falaram nada na última. Isso é preocupante porque faltou minha intervenção. É um aspecto que merece muita atenção em futuras vivências, para que eu possa desenvolver melhor meu papel de orquestradora de vozes, no sentido de propiciar a participação de todos os alunos, buscando o envolvimento de todos na construção coletiva do conhecimento.

Por outro lado, considero, de modo geral, positiva essa coleta de dados pelo fato de que houve grande participação dos alunos, visto que realizei a pesquisa com uma turma de alunos e, isso é muito importante. É importante ver também, o

desenvolvimento do aluno Caio, por exemplo, como uma grande vitória.

Por intermédio da leitura de lendas indígenas, por meio da prática do Pensar Alto contribuí para a reflexão sobre a cultura indígena em sala de aula, bem como para o início de minha transformação como professora e para a formação dos alunos como leitores reflexivos em aulas de leitura, pois ao dar voz a estes alunos percebi que, de fato, deixam de ser, como afirma Freire (1979/2005: 72) “espectadores do mundo” e passam a se transformadores desse mundo.

4.5- Reflexão sobre a entrevista semipadronizada13

A breve entrevista realizada com os alunos se encontra no Anexo I deste trabalho.

Quando digo breve entrevista, quero ressaltar que procurei ser concisa, por receio de levar meus alunos à exaustão com tantas discussões relativas ao índio e seu universo cultural. No entanto, é extremamente satisfatório afirmar que isso não aconteceu, pois de modo geral, eles discutiram e construíram sentido para tudo o que viram a respeito de tal temática.

A entrevista e o questionário retrospectivo, que fiz com os alunos, foram importantes aliados junto ao Pensar Alto em Grupo para a geração de dados desta pesquisa.

Questão 1- Quem é o índio para vocês?

Os 12 alunos que falaram tiveram a mesma vertente de pensamento: “são pessoas importantes para a nossa história por serem os primeiros habitantes do Brasil (naturais) com cultura, costumes, vestimentas diferentes da nossa, que chamam a atenção, são costumes transmitidos de geração em geração.”

A resposta vai ao encontro da primeira definição que Cox e Peterson (2007) discutem, com base em Duranti (1997), que é o conceito que explica a cultura como aquilo que é transmitido através de gerações. Não nascemos com ela, aprendemo-la ao longo da vida em convivência com as pessoas que nos criam.