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• Analisar as tendências temporais das médias (por habitante coberto pela ESF) de procedimentos realizados pelos profissionais da APS: consultas médicas; atendimentos de urgência realizados por médicos; encaminhamentos para internação hospitalar realizados por médicos; consultas de enfermagem; visitas domiciliares realizadas pelos agentes comunitários de saúde, no período estudado;

• Descrever a evolução das internações por condições sensíveis à atenção primária nos anos de 2003, 2007 e 2012 na população coberta pela ESF, por distrito sanitário e no município;

• Analisar as tendências das ICSAP em cada categoria de risco;

• Relacionar as taxas de ICSAP com as categorias de risco do IVS, na população coberta pela ESF em cada distrito sanitário e no município, nos anos de 2003, 2007 e 2012.

3 METODOLOGIA

Este é um estudo retrospectivo longitudinal, ecológico, de séries temporais com dados secundários referentes à atenção primária e às internações por condições sensíveis dos residentes no município de Belo Horizonte, no período de 2003, 2007 e 2012.

A escolha dos anos calendários utilizou como marco inicial o período de um ano após a implantação da ESF no município, ocorrido em 2002, um ano de implantação da estratégia, tempo considerado suficiente para iniciar a avaliação das variáveis propostas neste estudo. Outro fator relevante é que a partir de 2003 a Gerência de Epidemiologia da SMSABH passou a georreferenciar as AIH (Autorização de Internação Hospitalar) por local de residência do paciente e IVS. O ano de 2012 foi escolhido como o ano final de avaliação por representar uma década após a implantação da ESF no município. O ano de 2007 representa o marco intermediário do período estudado.

O universo de análise foi constituído pela população residente nos nove distritos sanitários e coberta pela ESF, que compreende os residentes nos setores censitários de risco muito elevado, elevado e médio.

As variáveis organizacionais consideradas neste estudo tomam por base aspectos relacionados ao trabalho das equipes, que indicam o acesso da população aos serviços, caracterizando a cobertura da ESF, tais como: 1. consultas realizadas por médicos da APS; 2. atendimentos de urgência e os encaminhamentos para internação hospitalar realizados por médicos da APS (dentre as consultas médicas); 3. consultas realizadas por enfermeiros; 4. visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários de saúde (ACS). Foram obtidas séries temporais com informações anuais (2003, 2007 e 2012) dos nove distritos sanitários. Para calcular os procedimentos realizados na APS, foram considerados todos os profissionais lotados na atenção primária: profissionais médicos e enfermeiros das equipes de saúde da família e de apoio, e todos os ACS das equipes.

Os dados de produção foram gerados a partir do sistema de informação dos serviços de saúde da atenção primária (FÊNIX), fornecidos pela Gerência de Tecnologia Informacional em Saúde (GTIS) da SMSABH.

Para o estudo das internações por condições sensíveis à atenção primária foram consideradas as Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) com diagnóstico segundo a Classificação Internacional de Doenças - CID 10, utilizando a Lista Brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária., publicada na Portaria SAS/MS Nº 221, de 17 de

abril de 2008. As AIH foram originadas de hospitais públicos e conveniados ao SUS em Belo Horizonte, de residentes nos setores censitários cobertos pela ESF (risco muito elevado, elevado e médio), de todas as faixas etárias, de ambos os sexos, nos anos de 2003, 2007 e 2012. Os laudos das AIHs foram processados pela Gerência de Epidemiologia da SMSABH que realizou o georreferenciamento das internações pelo código do logradouro e número do imóvel de residência do paciente. A base de dados secundários utilizada para este fim inclui informações da Gerência de Regulação da SMSABH e do Sistema de Informações Hospitalares – SIH/DATASUS.

Análise Estatística

Inicialmente os dados foram submetidos a análise descritiva. O cálculo das médias considerou o total do procedimento de interesse, pela população coberta pela ESF, em determinado distrito e no município e ano. A variação percentual das médias de procedimento/hab foi calculada como a razão entre a diferença das médias (do primeiro, intermediário e último ano analisado) em relação às médias do primeiro ano (2003).

A Taxa de ICSAP9 foi calculada por meio do número de ICSAP por 10.000 habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. O denominador para o cálculo da taxa é a população exposta à ocorrência do evento. Foram calculadas as taxas de ICSAP para o município, para os distritos sanitários e para as categorias de risco do IVS 2003.

a. Taxa de ICSAP no município – número total de ICSAP por 10.000 habitantes, na população residente coberta pela ESF no município, no ano considerado (2003, 2007 e 2012);

b. Taxa de ICSAP nos distritos sanitários - número de ICSAP por 10.000 habitantes, na população residente coberta pela ESF no determinado distrito sanitário, no ano considerado (2003, 2007 e 2012);

c. Taxa de ICSAP em cada categoria de risco do IVS 2003 - número de ICSAP por 10.000 habitantes, na população residente em cada setor de risco (muito elevado, elevado, médio) no determinado distrito sanitário ou no município, no ano considerado (2003, 2007 e 2012).

                                                                                                                         

9

 Interpretação:   Mede   a   relação   entre   as   internações   hospitalares   por   CSAP   e   a   população   residente   na   área   geográfica   estudada.  É  a  taxa  daquelas  internações  que  são  preveníveis,  sensíveis,  evitáveis  ou  inapropriadas  (Projeto  ICSAP  Brasil).    

A variação percentual das taxas foi calculada como a razão entre a diferença das taxas de internações (do primeiro, intermediário e último ano analisado) em relação à taxa de internação do primeiro ano (2003).

  Foram realizadas análises tabular e gráfica comparativa para o estudo das tendências das médias de procedimentos, das internações, da evolução das taxas de ICSAP nas categorias de risco do IVS, e variações percentuais das mesmas (Apêndice). O modelo de regressão linear de Prais-Winster foi empregado para avaliar as tendências ao longo do período avaliado. Os coeficientes β evidenciam a magnitude (inclinação) da tendência e se a mesma é ascendente, descendente ou estacionária.

A construção do banco de dados foi realizada no Excel e a análise no SPSS e STATA.

Aspectos Éticos

Essa pesquisa utilizou os registros de dados provenientes do Sistema de Internações Hospitalares (SIH) do DATASUS, que não identificam nome dos usuários, e os bancos da SMSABH com dados georeferenciados que identificam somente a procedência do usuário, preservando-se sua identidade. A pesquisadora tomou as providências necessárias para preservar, integralmente, o anonimato dos indivíduos e de seus endereços na pesquisa.

O projeto foi encaminhado e aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob o registro na Plataforma Brasil, CAAE: 26808414.0.0000.5149 (Anexos 2 e 3).

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