2 METODE
2.2 Metoder som er benyttet i oppgaven
2.2.3 Intervjuer
É imperativo que se entenda o significado de Design e o papel do designer para que se possa compreender como este conhecimento pode vir a contribuir e agregar valor ao sistema de produção artesanal.
O ICSID (International Council of Societies of Industrial Design) define Design (ou Desenho Industrial) como “[...] uma atividade envolvida nos processos de desenvolvimento de produto, estando ligada ao uso, função, produção, mercado, utilidade, e mercado formal ou
Segundo o Código de Ética Internacional de Design (International Council of Societies of Industrial Design – ICSID, International Council of Associations of Graphic Designers – ICOGRADA, International Federation of Interior Designers – IFI. 2001), o designer deve, em sua atividade, suprir necessidades humanas por meio de sua competência, da sua criatividade, do seu método; sendo ainda sensível às prioridades sociais e culturais. O profissional do design também deverá conhecer as tendências correntes e os inúmeros parâmetros que as guiam e deve concretizar os princípios que conduzem a sua atuação profissional. Para isso, o design se constitui coletivamente, através da contribuição de cada profissional (NIEMEYER, 2008).
Pode-se assim, discutir o papel do designer em processos de intervenção. Niemeyer (2008) discorre a respeito do papel do designer, quando observa que são poucos os cursos de design que favorecem o preparo devido a seus alunos para tratarem e resolverem impasses a esse respeito. Menos ainda se tem discutido sobre o papel do designer em relação à identidade cultural; de modo a possibilitar o entendimento deste conceito, permitindo ao designer a oportunidade de atuação no processo de construção, desconstrução, renovação e transformação de características culturais (NIEMEYER, 2008).
De acordo com Botelhos (2005), o design pode contribuir basicamente de duas formas na produção artesanal:
quando se busca “agregar valor” ao produto no que diz respeito às novas formas, cores, texturas, materiais, simbologias, técnicas produtivas, etc;
na criação de uma “identidade” para estes produtos e/ou locais de produção através da concepção de logomarcas, etiquetas, placas, folders, embalagens e demais peças publicitárias que funcionam como o elo de ligação entre o produtor e o consumidor. Barroso (2001) defende a realização de uma pesquisa da cultura material e da iconografia do local com a participação da comunidade, favorecendo o surgimento de riquezas simples e criativas dos artistas populares que, por serem detentores de olhar pouco “contaminado” por modismos, podem oferecer ideias novas, desapossadas de vícios (BARROSO, 2001). Neste sentido, Cavalcanti et al (2004) observam que “um dos desafios
das intervenções no artesanato é aumentar o nível de renda dos artesãos, gerar trabalho promovendo a qualidade de vida. Deste modo é preciso valorizar as questões étnicas,
Segundo Barroso (1999), as intervenções no artesanato devem objetivar o desenvolvimento e melhoria da qualidade da competitividade do produto de origem artesanal, de modo sustentável. Estas intervenções podem ser feitas através de diagnósticos, pesquisas e informações técnicas, design e desenvolvimento de novos produtos, transferência de tecnologia, testes e experimentações, capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos, promoção, divulgação e comercialização de sua produção (BARROSO, 1999).
Leon (2007) discute o sentido da atuação do designer junto a artesãos, focando na geração imediata de renda. No Brasil, como em vários outros países, muitos grupos produtores de artesanato estão à margem da economia formal e fabricam produtos que não têm mais lugar no mercado. É o caso das rendeiras produtoras de peças tradicionais (como caminhos de mesa, panos de bandeja, e outros – de pouco uso, atualmente) que, através da intervenção de um designer ou estilista, podem ter suas rendas incorporadas a produtos mais viáveis de comercialização (focados nas necessidades do atual mercado consumidor) e quiçá, fazer parte de coleções criadas por estes profissionais (LEON, 2007).
De acordo com França (2005), a intervenção do design no produto artesanal é um trabalho de redescobrimento do antigo saber fazer artesanal, sem ferir em sua expressão original ou descaracterizá-lo, no sentido de torná-lo mais adequado ao mercado. O desafio, neste caso, é identificar o diferencial, as características desse design, criar produtos capazes de encontrar um mercado local, nacional e, quem sabe, internacional.
A globalização dos mercados e suas transformações políticas, sociais e culturais estão levando à perda de nossas tradições, de forma a deixar abandonadas as comunidades artesanais, cujos habitantes procuram o falso tradicional e o falso moderno no artesanato para turistas. Estes fatores resultaram em uma homogeneização da produção para agradar o consumidor, muitas vezes em uma produção mal feita, sem tradição, sem raízes (FRANÇA, 2005).
Ainda segundo o autor, é cada vez maior a demanda por novas soluções inovadoras que tragam uma maior vitalidade para a produção artesanal. Anseia-se por um design de forte identidade. Neste caso, um interessante ponto de partida é a análise de referências locais, do conhecimento da própria cultura, passando por uma percepção da tradição.
Barroso (2008) discorre que é possível observar que nem sempre o novo é responsável pelo sucesso mercadológico. O produto artesanal não pode deixar de ser tradicional, nem
deixar de ser do artesão. Sendo assim, o artesão não deve apenas executar as idéias do profissional que está intervindo naquela comunidade, pois, com essa atitude, o fazer artesanal pode se tornar apenas mão de obra, o que não é característica do processo produtivo artesanal. O instrutor dessa intervenção deve ter preparo e conhecimento prévios antes de intervir no artesanato. Deste modo, o artesão tem que ser “dono integral” do seu produto. Ele deve, sim, trabalhar junto em todo o processo criativo, em todas as etapas. Assim, ele terá a capacidade de inovar no seu produto, inseri-lo no mercado, sem perder o domínio do seu trabalho.
Pode-se observar que, em alguns casos, há a resistência de alguns grupos em receber novas ideias, em inovar os seus produtos. Na maioria das vezes, isso se dá por receio de se perder a identidade cultural de seu produto. Em outros casos, por terem presenciado tentativas de soluções frustradas, gerando descrença por parte das artesãs. Quando elas aceitam novas idéias, por vezes há o sentimento de que aquele produto já não lhes pertence mais, o que não acontece quando elas participam do processo criativo, daquele novo produto (BARROSO, 2008).
Porém, vemos a necessidade iminente da inovação dos produtos e adequação deste ao mercado consumidor, levando sempre em consideração o respeito e a preservação da cultura do local onde se está intervindo. Uma grande questão dessa inserção no mercado são também as limitações de tempo (ritmo de trabalho) e de suas ferramentas. A sobrecarga de trabalho para atender ao mercado consumidor, pode também não ser muito bem vista por parte das rendeiras, pois isso acarretaria em stress e doenças ocupacionais, que atualmente não ocorrem justamente pelo controle da carga horária e das regulações que fazem.
Surge então uma grande questão a ser analisada: manter o artesanato tradicional e permanecer sem o devido retorno financeiro ou inovar o produto e inseri-lo no mercado, gerando renda? Assim podemos tentar driblar esta dualidade e promover uma integração: artesanato tradicional que gere renda.