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Interesser i offentlig eiendomsforvaltning

In document Eiendomsstrategi i norske kommuner (sider 34-0)

3 TEORI

3.1 Grunnleggende teori

3.1.7 Interesser i offentlig eiendomsforvaltning

Antigamente, segundo Gama e Medeiros (2001) para se fazer o molde, era necessário confeccionar o papelão. Este passava por um processo demorado até chegar à textura certa e poder suportar as “pinicadas” constantes. Podemos constatar esse fato através das falas das antigas rendeiras, do Núcleo de Produção Artesanal Rendeiras da Vila: “A gente mesma era

quem fazia o papelão, pegava papel de saco de cimento, colocava grude (espécie de cola) e

botava no sol pra secar, até ficar duro...”

No Núcleo de Produção Artesanal Rendeiras da Vila, a grande maioria dos moldes utilizados pelas artesãs pertence ao próprio local. Os moldes lá encontrados são originários de doações e heranças das gerações passadas e atualmente são compartilhados por várias rendeiras. Em conseqüência da reutilização e do tempo, vários desenhos estão bastante deteriorados (Figuras 17 e 18). O Núcleo possui também alguns poucos desenhos finalizados em microcomputador, alguns destes foram criados e desenvolvidos no ano de 2005 por um artesão externo ao Núcleo, que frequentou o local por 04 anos e desenvolveu algumas atividades junto às rendeiras, e outros entre os anos de 2006 a 2008 pelo designer/mestrando e instrutor responsável pela oficina de design realizada no local.

De acordo com relatos das rendeiras, a grande maioria delas não desenha nem cria novos moldes, utilizam apenas os existentes, ou produzindo cópias através do pinicado (ato de furar o papelão nos locais estratégicos de arremate dos pontos, marcando o caminho a ser seguido no molde).

“Os desenhos é do núcleo. Eu não sou de criar. Minha mãe criava... a gente só fazia

mais aqueles finin... elas mesma quem criava os desenhos. É... era herança já. Aí passava de uma pra outra, quem tinha uns diferentes emprestava pra outra e o outro ia e tirava cópia, passava pro cartão.” [Sic] (Rendeira do Núcleo).

Pelos relatos das rendeiras, pode-se identificar que apenas algumas das rendeiras antigas tinham a habilidade de criar novas padronagens e modelos. A grande maioria apenas reproduzia desenhos existentes ou familiares ou solicitavam a pessoas próximas que desenhar moldes ou fazer modificações.

“Os desenho, a minha irmã, ela riscava. Ela queria fazer uma renda diferente, ela

riscava e a minha mãe pinicava o papelão. Minha irmã fez muitos desenhos que eu

faço hoje, ela mora em São Paulo hoje...” [Sic] (RN7 Rendeira do Núcleo).

“Os desenhos a gente sempre pede ajuda, porque eu não sei muito bem desenhar

uma peça todinha, eu não estudei também muito né... pra ter idéia, mas eu peço aos meus filhos quando eu quero um desenho, um quadrado diferente, vamos desenhar esse quadrado eles me ajudam a desenhar, meu filho mais velho, meu filho mais

novo ou minha filha...” [Sic] (RN4 Rendeira do Núcleo).

Percebe-se que as rendeiras, por não saberem desenhar novos moldes, quando sentem a necessidade de inovar, compram a peça desejada de outra artesã (neste caso é comum elas

Figura 19: Detalhe ampliado da malha

adquirirem tais peças no Ceará) e reproduzem o desenho e a modelagem dessa peça através do pinicado.

Para se ter um entendimento mais completo do desenho, é necessário que se tenha conhecimento sobre o feitio da renda de bilros, saber manusear os bilros fazendo-os seguir o desenho contido no papelão. Alguns passos devem ser seguidos na elaboração dos desenhos para que a produção da renda seja possível de ser realizada. O primeiro passo é a construção de uma malha quadriculada, composta de linhas diagonais (da esquerda pra direita e vice- versa) que são cruzadas paralelamente. Obtém-se uma malha com vários quadrados perfeitos unidos pela diagonal, como se pode observar no exemplo abaixo:

A malha é feita diretamente sobre o molde em papelão (geralmente em papel Paraná) cortado de acordo com o modelo do produto que se deseja rendar, como por exemplo, uma blusa, uma saia, ou qualquer outra peça. A medida dos quadrados varia de acordo com a peça que se deseja fazer. Geralmente, quadrados maiores que deixam a trama da renda mais “aberta” são usados em desenhos de peças maiores, como xales, colchas e toalhas de banquete; e quadrados menores são utilizados na produção de saias, blusas e vestidos, por resultarem numa renda de trama mais “fechada”. Feita a malha, o próximo passo é a inserção das simbologias gráficas que representam os pontos da renda de modo a formar o desenho a ser rendado.

Figura 20: Simbologias utilizadas nos desenhos dos moldes de renda de bilros

Observa-se que as rendeiras do Núcleo não dominam as técnicas do desenho, no entanto, elas tanto conseguem “ler” e interpretar estes desenhos, tendo conhecimento do que cada símbolo contido nele representa, conseguindo transmitir isso verbalmente para outra pessoa. Os símbolos são inseridos seguindo as linhas diagonais contidas na malha, o mesmo sentido do feitio da renda, através destes símbolos produzidos, mais simples aos mais complexos. As simbologias dos principais pontos para desenhar os moldes estão representadas na figura 20.

Os desenhos contidos nos moldes, à primeira vista, parecem de fácil execução, porém, quando se parte para um entendimento mais aprofundado de como será feita a execução deste, podemos observar sua grande complexidade. Cada símbolo contido no desenho representa uma ação a ser feita no ato de rendar, onde a simetria deste desenho garante a qualidade e perfeição da peça. Estes desenhos, embora artísticos, são possuidores de simbologias e certa lógica que podem ser facilmente compreendidas pelas artesãs, mas são de difícil compreensão para uma pessoa que não conheça as técnicas da renda de bilros. O desenho contido no molde

pode ser considerado o item de maior importância no processo de produção, já que ele vem a ser a versão em papel da própria renda, como podemos observar na figura 21:

Percebe-se que a etapa da produção da renda que exige maior carga cognitiva das rendeiras é a etapa de leitura dos moldes, principalmente se tratando de um desenho inédito, quando se faz necessário um estudo prévio minucioso deste para estabelecer por onde e como iniciar o rendar, a fim de se evitar erros e trabalho em demasia, uma vez que, a quantidade de bilros e, consequentemente, a complexidade do trabalho pode aumentar dependendo de como se inicia. Podemos observar a seguir (figura 22) uma simulação da contagem dos bilros para início de uma peça:

Podemos observar que cada linha corresponde a dois pares de bilros, e em cada ponto inicial, devem ser colocados quatro pares, para que estas linhas possam se entrelaçar com as demais, formando o tecido da renda. A contagem dos bilros é sempre realizada na parte superior do molde, ou seja, no início do desenho. A partir da colocação da quantidade correta de bilros neste início, pode-se dar continuidade ao feitio da renda. Há casos, principalmente em desenhos mais complexos, que existe a necessidade de retirar bilros de um lado (cortando a linha e arrematando o ponto) e, em seguida, colocá-los em outro local. Esta manobra exige muita destreza, habilidade e conhecimento da rendeira, sendo executada em sua maioria, por rendeiras mais experientes.

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