O cruzamento entre o mapa A e o mapa digital gerou uma matriz confusão entre as unidades destes (Tabela 31 dos anexos). A matriz resultante é apresentada na forma de mapa de concordância (Figura 22), no qual as cores mais claras representam concordância em nível categórico mais detalhado.
Figura 22 - Mapa de concordância da matriz de confusão entre o mapa A e o mapa digital
O cruzamento entre estes dois mapas resultou em uma correspondência espacial de 71,85 % (131,04 ha) até o primeiro nível categórico. Passando para o segundo nível categórico, observou-se uma diminuição de 6,12 % (11,16 ha) na correspondência espacial, ficando em 65,73 % (119,88 ha). Para o terceiro nível verificou-se apenas uma pequena redução de 0,83 % (1,52 ha) na correspondência, que ficou em 64,90 % (118,36 ha). No quarto nível categórico observou-se uma redução na correspondência de 1,51 % (2,76 ha), a qual diminuiu para 63,39 % (115,61 ha). Acrescentando a textura além do quarto nível categórico, há uma maior redução de 35,17 % (64,14 ha) na correspondência espacial, que finaliza em 35,17 % (64,14 ha) (Tabela 3). Este valor final de correspondência foi o maior observado para todas as comparações entre mapas.
A maior parte das discordâncias para o primeiro nível categórico entre estes dois mapas se deu entre unidades de mapeamento semelhantes, ou estão relacionadas aos bordos de unidades contrastantes. Foram quatro principais casos de discordância referentes ao primeiro nível categórico. No primeiro e maior deles, parte da unidade MTft mt arg, do mapa A, sobrepôs parte da unidade NVeflat mt arg, do mapa digital. Este se deu em parte de uma encosta, a qual é formada por solos desenvolvidos a partir de diabásio. Apesar da
discordância, ambos os mapas indicam solos de textura muito argilosa, ricos em óxidos de ferro e bases trocáveis, e com horizonte B nítico em subsuperfície; sendo solos que ocorrem associados na paisagem local. O segundo caso de discordância deu-se entre a unidade NVeflat
mt arg, do mapa A, e a unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. Apesar de
ser o segundo caso em termos de área envolvida, tal discordância deu-se quase que exclusivamente nas proximidades dos limites das unidades dos dois mapas. O mapa A discriminou maior área de Nitossolo (originado a partir de diabásio) em relação ao mapa digital, de forma que a unidade Argissolo (originado a partir de siltito) do mapa digital sobrepôs esta. De acordo com McKenzie e Austin (1993) a presença de estruturas geológicas como sills e diques, pode controlar o padrão de distribuição dos solos. Nesta área os Nitossolos são originados a partir de um sill de diabásio (intrusão), sendo solos argilosos e ricos e óxidos de ferro, características estas que reduzem a sua reflectância (MADEIRA NETO, 2001). Portanto apresentam comportamento espectral distinto daquele dos Argissolos originados a partir de siltito, os quais possuem textura média e tem baixos teores de óxidos de ferro. Para o mapeamento digital a informação espectral provém do dado espectral extraído de uma imagem de satélite de resolução espacial de 30 x 30 m, sendo que de acordo com McBratney; Mendonça-Santos e Minasny (2003), para um mapa de solos de escala 1:10.000 tal resolução espacial deveria ser de 10 x 10 m para ser compatível com o nível de detalhe. Assim, essa menor resolução espacial da imagem de satélite pode ter contribuído para o esta divergência nos bordos das unidades de mapeamento, local onde se deu essa discordância. O terceiro caso se deu pela sobreposição de parte da unidade CYvdt med, do mapa A, e parte da unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. Tal caso se deu nas proximidades do rio Capivari, local de um antigo terraço deposicional deste. Muito provavelmente por se tratar de um terraço que já foi afeiçoado pelos processos erosivos, não foi possível ser detectado pelas informações utilizadas para a elaboração do mapa digital. O último caso é praticamente o inverso do primeiro, e se deu entre parte da unidade NVeft mt arg, do mapa A, e parte da unidade MTft arg, do mapa digital. Enquanto o mapa A especificou a parte superior da encosta como Chernossolo e a parte inferior como Nitossolo, o mapa digital especificou o inverso para esta pequena parte da área. Ambos os solos confundem-se na paisagem, e apesar da discordância taxonômica, são originados a partir de diabásio, ricos em bases trocáveis e óxidos de ferro, de textura argilosa a muito argilosa, e possuem horizonte B nítico em subsuperfície.
No segundo nível categórico foi observado um caso de discordância que envolve maior área, o qual se deu entre parte da unidade PVAdab med/arg, do mapa A, e parte da
unidade PAeab ar/med, do mapa digital. Ambos os mapas discriminam em uma área de topo e um espigão que parte deste como divisor de águas como Argissolo Amarelo, e a encosta como Argissolo Vermelho-Amarelo. Entretanto, no mapa A, a área referente à unidade Argissolo Amarelo é menor do que no mapa digital, de forma que a unidade Argissolo Amarelo do mapa digital se sobrepôs a unidade Argissolo Vermelho-Amarelo do mapa A. Sendo assim, esta divergência se deu somente com relação aos bordos entre as unidades de mapeamento.
Os casos de discordância no terceiro nível categórico ocorreram em pequena área (1,52 ha), não tendo sido observado nenhum caso com área expressiva, uma vez que estes se deram apenas em pequenas áreas localizadas próximas aos limites das unidades de mapeamento dos dois mapas.
Também no quarto nível categórico não houve nenhum caso de discordância de área expressiva, tendo ocorrido somente pequenos casos que somaram uma área de 2,76 ha.
Quando considerada a textura do solo além do quarto nível categórico foram verificados quatro principais casos de sobreposição. O maior destes se deu entre parte da unidade PVAdab med/arg, do mapa A, e parte da unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. O segundo se deu entre parte da unidade MTft mt arg, do mapa A, e parte da unidade MTft arg, do mapa digital. No terceiro caso, parte da unidade NVeflat mt arg, do mapa A, se sobrepôs a parte da unidade NVeflat arg, do mapa digital. No último caso deste nível de concordância, houve sobreposição entre parte da unidade PVAdt med/arg, do mapa A, e parte da unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. Para todos estes casos citados, observou-se que as divergências se deram quanto à classificação textural para classes texturais adjacentes. Uma explicação para isto é que além da grande variação de textura do solo causada pela ocorrência de vários materiais de origem dentro da área de estudo, é que os resultados de análise granulométrica indicam valores próximos aos limites das classes texturais (Tabelas 17 e 18 dos anexos), fazendo com que aumente a possibilidade de divergência em função dos critérios adotados para classificar as unidades.