5.4 Antakelser
5.4.2 Globalisering
O cruzamento entre o mapa B e o mapa digital gerou uma matriz de confusão entre as unidades destes (Tabela 32 dos anexos). A matriz resultante é apresentada na forma de mapa de concordância (Figura 23), no qual as cores mais claras representam concordância em nível categórico mais detalhado.
Figura 23 - Mapa de concordância da matriz de confusão entre o mapa B e o mapa digital
O cruzamento entre os mapas B e digital resultou em uma correspondência espacial até o primeiro nível categórico de 63,12 % (115,11 ha). Aumentando-se o detalhamento, no segundo nível categórico houve uma redução de 7,26 % (13,25 ha) na correspondência, que caiu para 55,86 % (101,88 ha). Passando para o terceiro nível categórico verificou-se apenas pequena redução de 2,74 % (5,00 ha), a qual ficou em 53,12 % (96,88 ha). No quarto nível categórico foi observada a maior redução na correspondência espacial, de 21,40 % (39,03 ha), a qual abaixou para 31,72 % (57,85 ha). Considerando a textura além do quarto nível, houve nova redução de 3,06 % (5,59 ha) na correspondência, ficando em 28,66 % (52,27 ha) (Tabela 3). Este valor de correspondência espacial final assemelha-se ao obtido pela sobreposição entre os mapas A e B (item 2.3.4.1).
Quanto às discordâncias para o primeiro nível, foram observados quatro principais casos. No primeiro e maior deles, parte da unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital sobrepôs parte das unidades CXvdt med, CYvdt med e CYbet arg, as três pertencentes ao mapa B. Tal caso deu-se em regiões próximas ao perímetro da área de estudo, perto do rio Capivari, onde ocorrem solos que sofreram influência deste (erosão/deposição). Apesar de o mapa digital ter indicado pequenas áreas destes solos, observou-se que o mapa B discriminou
maiores áreas destes. A explicação para isso por esta em que por se tratar de parte da paisagem que foi afeiçoada pelos processos erosivos, pode ser que os atributos utilizados no mapeamento digital não foram capazes de estratificar a paisagem da mesma forma que para o mapeamento convencional. Esse fato concorda com McKenzie e Ryan (1999), segundo os autores aparentemente os métodos convencionais são mais eficientes em escalas mais detalhadas porque usam as relações entre propriedades do solo e aspectos ambientais mais facilmente observáveis como base para o mapeamento. Estas relações são derivadas de modelos mentais complexos e qualitativos desenvolvidos pelos pedólogos durante o levantamento de campo. Um segundo caso deu-se pela sobreposição de parte das unidades
CXveft arg e NVeft mt arg, do mapa B, e parte da unidade MTft arg, do mapa digital. Este
caso refere-se a uma região de relevo íngreme, no qual também houve discordâncias nas comparações feitas entre mapas convencionais. Entretanto tais unidades guardam grandes semelhanças, uma vez que ocorrem associadas nesta região da área de estudo, são originadas a partir de diabásio, possuem altos teores de bases trocáveis e óxidos de ferro, são de textura argilosa a muito argilosa e ocorrem em relevo ondulado; sendo que adicionalmente as unidades classificadas como MTft arg e CXveft arg também possuem argila de atividade alta. O terceiro caso deu-se pela sobreposição entre parte da unidade NVeflat arg, do mapa B, e parte da unidade PVAdab ar/med + PVAdt ar/med, do mapa digital. Esta é uma discordância que ocorreu nas proximidades dos limites entre estas duas unidades, semelhante à observada na comparação anterior (item 2.3.4.7). Nesta o mapa B discriminou uma maior área da unidade Nitossolo do que mapa digital, de maneira que a unidade Argissolo do mapa digital, que é confrontante a Nitossolo, se sobrepôs a esta. Como os Nitossolos neste caso são férricos e de textura argilosa a muito argilosa, portanto a superfície destes apresenta menor intensidade de reflectância do que os Argissolos, de textura média ou arenosa e não férricos (MADEIRA NETTO, 2001), de modo que os dados espectrais da imagem de satélite revelam essa diferença. Como a imagem de satélite possui pixels de tamanho 30 x 30 m, esta fornece uma informação espectral para cada unidade destas. Novamente, e de acordo com McBbratney; Mendonça-Santos e Minasny (2003), para a escala final do mapa de solos (1:10.000) as informações deveriam ter tamanho de pixel de 10 x 10 m, da mesma forma que os atributos de terreno utilizados, que foram calculados a partir de um MDE com resolução espacial de 10 m. No último caso de discordância, parte da unidade CXveft arg, do mapa B, sobrepôs toda a unidade RLeft arg, do mapa digital. Tal caso se deu em uma região em que há um aumento na declividade ocasionado por uma inflexão do relevo (escarpa), região esta onde são encontrados solos mais rasos e, inclusive, afloramentos de diabásio. Bem como observado
pela comparação entre os demais mapas, tais solos ocorrem de maneira complexa na área de estudo, de modo que mesmo em escala mais detalhada é difícil discriminá-los em unidades de mapeamento simples.
Nesta comparação foi verificado apenas um caso de discordância no segundo nível categórico. Nesse, parte das unidades PVAdab ar/med e PVAeab med/arg, ambas do mapa B, sobrepuseram-se a parte da unidade PAeab ar/med, do mapa digital. Bem como observado para a comparação entre os mapas A e digital (item 2.2.4.7), este caso se deu em um topo e em um divisor de águas adjacente a este ("espigão"). Nesta região, tanto o mapa B e A, quanto o mapa digital indicam a unidade PAeab ar/med, e na encosta a unidade PVAdab. Entretanto, no mapa digital a área referente à unidade Argissolo Amarelo é maior do que no mapa B, assim sendo esta se sobrepõe à unidade Argissolo Vermelho-Amarelo do mapa B. Assim sendo, esta divergência se deu com relação aos limites entre as unidades de mapeamento dos dois mapas.
No terceiro nível categórico observou-se que não houve casos de discordância com área significativa, uma vez que estes se deram em pequenas regiões próximas aos limites entre as unidades de mapeamento dos dois mapas.
Para o quarto nível categórico houve dois casos de discordância. No primeiro e maior deles, a unidade PVAdlat ar/med, do mapa B, foi sobreposta pela unidade PVAdab ar/med +
PVAdt ar/med, do mapa digital. A região em que se deu tal caso refere-se a duas posições de
topo, próximas a antigos terraços do rio Capivari. Bem como para a comparação entre os mapas A e B (item 2.3.4.1) e entre os mapas B e C (item 2.2.4.4), apenas o mapa B indica a presença de horizonte B latossólico abaixo do horizonte B textural. A provável explicação para essa discordância pode estar ligada aos critérios perceptivos utilizados por cada avaliador, os quais são particulares de cada um deles. O segundo caso também foi semelhante aos verificados em outras comparações, e se deu pela sobreposição entre parte da unidade
NVeft mt arg, do mapa B, e parte da unidade NVeflat mt arg, do mapa digital. Tal divergência
está relacionada à presença ou não do horizonte B latossólico abaixo do horizonte B nítico, que é identificado pelo exame das características morfológicas do solo. Em não se podendo examinar o perfil do solo por toda a área a ser mapeada (BRADY; WEIL, 2004), predições foram feitas com base, neste caso, nas características de relevo. Assim, enquanto o mapa B classifica apenas a região de topo plano como Nitossolo latossólico e a encosta, com certo declive, como Nitossolo típico, o mapa digital, assim como o mapa A, classifica como Nitossolo latossólico grande parte desta área.
Acrescendo-se a informação a respeito da textura do solo, foi observado apenas um caso de discordância. Neste, parte da unidade PVAdab ar/med, do mapa B, sobrepôs parte da unidade PVAdab med/arg, do mapa digital. Para classificar a unidade do mapa B, foi utilizado como referência o perfil P9 (Figura 3A dos anexos), localizado na meia encosta, que possui textura arenosa/média (Tabela 17 dos anexos). Em contrapartida, para classificar a unidade do mapa digital foi utilizado como referência um perfil de barranco, localizado próximo a uma grota no terço inferior da mesma encosta, além de resultados de análises dos pontos 85 e 104 (Tabela 18 dos anexos), os quais indicam textura média/argilosa, com considerável contribuição da fração silte. Possivelmente, este atributo do solo teve participação significativa na energia eletromagnética refletida e que foi captada pelo sensor do satélite, uma vez que solos de textura mais fina têm menor reflectância (MADEIRA NETO, 2001). Trata-se de uma região próxima do contato entre o diabásio e o siltito, cujo maior teor de argila pode ter contribuição do diabásio, que origina solos argilosos e muito argilosos. Sendo assim, a unidade do mapa digital ocorre na região de contato entre materiais de origem, indicando solos de transição de uma textura mais grossa para uma mais fina. Isso mostra que a técnica de compartimentação da área foi eficiente para identificar esta variação textural. Em contrapartida, a unidade do mapa B contempla a meia encosta até a região que possui solos desenvolvidos a partir do diabásio (Nitossolos).