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5.1 Sjanger

5.1.4 Drøfting

O cruzamento entre o mapa B e o mapa C gerou uma matriz de confusão entre as unidades de mapeamento destes (Tabela 28 dos anexos). A matriz resultante é apresentada na forma de mapa de concordância (Figura 19), no qual as cores mais claras representam concordância em nível categórico mais detalhado.

Figura 19 - Mapa de concordância da matriz de confusão entre o mapa B e o mapa C

O cruzamento entre os mapas B e C resultou em uma correspondência espacial até o primeiro nível categórico de 68,50% (124,93 ha). Com o aumento do detalhamento, a correspondência espacial no segundo nível categórico cai de 6,95 % (12,68 ha) para 61,55 % (112,25 ha). Para o terceiro nível categórico verificou-se uma redução de 10,93 % (19,93 ha) na correspondência espacial, ficando em 50,62 % (92,32 ha). Com o aumento do detalhamento, no quarto nível categórico verifica-se uma drástica redução da correspondência de 29,35 % (53,52 ha), diminuindo para 21,27 % (38,79 ha). Considerando-se a textura além do quarto nível, há uma nova redução de 7,65 % (13,96 ha) na correspondência, ficando em 13,62 % (24,84 ha) (Tabela 2). Este nível de concordância final é superior ao obtido pela

comparação entre os mapas A e C (item 2.3.4.2) e entre os mapas A e D (item 2.3.4.3), entretanto é inferior obtido pela comparação entre os mapas A e B (item 2.3.4.1).

Nesta comparação foram verificados quatro casos de discordância no primeiro nível categórico. Os dois primeiros casos foram semelhantes aos observados na comparação entre o mapa A e o mapa C (item 2.3.4.2). No primeiro deles parte da unidade MTft mt arg, do mapa B, sobrepôs parte da unidade NVeft arg + NVeft mt arg, do mapa C. Dentro das unidades de ambos os mapas foi examinado o perfil P3 (Figura 3A dos anexos), o qual é classificado como Chernossolo. Porém, para o mapa C se considerou tratar-se de uma ocorrência restrita, não representativa para a unidade delimitada. Sendo assim, a classificação da unidade de mapeamento do mapa C foi feita com base em resultados de análise de solo referentes aos pontos 22 e 57 (Tabela 18 dos anexos) e em observações feitas em outros locais da unidade. Já a classificação da unidade de mapeamento do mapa B baseou-se no perfil de solo examinado, acreditando-se que este seria representativo da unidade delineada nesse mapa. Cabe ressaltar que tais solos ocorrem associados na paisagem da área de estudo, de modo que ambas as classificações contemplam solos de textura argilosa a muito argilosa, com evidência de iluviação de argila (presença de cerosidade no horizonte B nítico), ricos em bases trocáveis e óxidos de ferro e de ocorrência em relevo ondulado. No segundo caso de discordância, parte da unidade NVeflat arg + NVdflat arg, pertencente ao mapa B, sobrepôs parte das unidades

PVeft med/arg e PVdn arg/mt arg + PVAdn arg/mt arg, ambas do mapa C. Dentro da unidade

de mapeamento do mapa B e da primeira unidade do mapa C (PVeft med/arg) foi examinado o perfil P11 (Figura 3C dos anexos), o qual apresenta gradiente textural suficiente para ser classificado como Argissolo (Tabela 17 dos anexos) de acordo com o critério estabelecido no SiBCS (EMBRAPA, 2006). Desse modo esse perfil foi tomado como base para classificar a unidade de mapeamento do mapa C. No entanto, para classificar a unidade do mapa B também foram consultados resultados de análise dos pontos 116, 123, 127 e 138 (Tabela 18 dos anexos) dentro da unidade delineada, os quais não indicaram a presença de gradiente textural suficiente para caracterizar a classe Argissolo e sim Nitossolo. Diante de tal fato julgou-se que o solo examinado no perfil possui ocorrência restrita dentro da unidade, o que levou a classificá-la como Nitossolo. Já para classificar a unidade PVdn arg/mt arg + PVAdn

arg/mt arg do mapa C, foram consultados resultados de análise referentes ao ponto 120

(Tabela 18 dos anexos), que indica gradiente textural próximo ao limite para Argissolo. Assim, por ter sido observado um Argissolo no perfil P11, localizado nas proximidades desta unidade, optou-se por classificá-la da mesma forma. Apesar da discordância taxonômica, ambas as unidades caracterizam solos que se originaram a partir de diabásio, de textura

argilosa a muito argilosa, de coloração vermelha, ricos em óxidos de ferro e em bases trocáveis. Diante disso, pode-se observar que houve grande variação com relação ao gradiente textural dos solos desta localidade, o que favoreceu a ocorrência de divergências. Por fim, verificou-se que nos dois casos para os mapas A e B houve posicionamento semelhante para classificar as unidades de mapeamento, que difere do mapa C, devido ao fato de terem sido consultados resultados de análise de diferentes locais. Em outro caso de discordância, houve sobreposição entre a unidade CXveft arg, do mapa B, e as unidades PVefn arg/mt arg e NVeft

arg + NVeft mt arg, do mapa C. Essa sobreposição deu-se no terço final de encosta, sendo que

na meia encosta ocorrem matacões de diabásio na superfície do solo, além de dificuldade para realizar prospecções com o trado devido à ocorrência de pedregosidade em subsuperfície. Tais características foram observadas para definir a classificação da unidade do mapa B, se concluindo tratar-se de solos pouco desenvolvidos (Cambissolos). Por outro lado, para classificar a unidade do mapa C foi examinado o perfil P8 (Figura 2D dos anexos), localizado no terço inferior da encosta. Neste foi possível verificar que diferentemente da meia encosta, nestes locais praticamente não há pedregosidade tanto em superfície quanto em subsuperfície, ocorrendo solos mais desenvolvidos (Nitossolos e Argissolos). Por fim, um dos últimos casos de discordância deu-se entre a unidade CYbet arg, do mapa B, e a unidade PAet med/med +

PAet med/arg + PVAet med/med + PVAet med/arg, do mapa C. Tal discordância se deu em

uma das posições mais baixas da paisagem, a cerca de 200 metros do rio Capivari. Como para classificar unidade do mapa B em posição semelhante a esta foi examinado o perfil P14 (Figura 4B dos anexos), correlacionou-se a ocorrência de solo semelhante (Cambissolo Flúvico) nesta posição da paisagem, delimitando-se uma unidade específica para esta. Em contrapartida, para classificar a unidade do mapa C, foi examinado o perfil P10 (Figura 3B dos anexos), em posição um pouco mais elevada, tendo sido utilizado como referência para classificar a unidade como um solo mais desenvolvido, ou seja, Argissolo. Dessa forma verifica-se a grande variação de solos há curtas distâncias na área de estudo, sendo assim o resultado final no mapeamento foi fortemente influenciado pelos locais onde foram tomadas as observações.

No segundo nível categórico foi verificado apenas um caso de discordância que envolve área significativa. Neste observou-se sobreposição entre parte da unidade PVAeab

med/arg, do mapa B, e parte da unidade PAet med/med, do mapa C. Tal caso é similar ao que

foi observado nos demais cruzamentos de mapas, nos quais houve divergência na avaliação da cor do solo, ficando evidente a subjetividade envolvida na avaliação da cor do solo quando executada pelo olho humano (CAMPOS; DEMATTÊ, 2004). Em um segundo caso, a unidade

CYvdt med, do mapa B, sobrepôs parte da unidade CXvdt med + PVAdt med/med + PVAdt med/arg +PAdt med/med + PAdt med/arg, do mapa C. Esse também similar ao observado no

cruzamento feito entre os mapas A e C (item 2.3.4.2). A região em questão situa-se em um antigo terraço do rio Capivari. Dentro das unidades de ambos os mapas foi examinado o perfil P14 (Figura 4B dos anexos). Pelo fato de este perfil estar em uma posição resquícios de evidências de deposição de sedimentos de natureza distinta depositados pelo rio, além de estar na posição mais jovem da paisagem, para o mapa B classificou-se como um solo mais jovem (Cambissolo Flúvico), delimitando-se uma unidade de mapeamento específica para esta região. Por outro lado, para o mapa C tal região foi englobada em uma unidade de mapeamento do tipo grupo indiferenciado composta por cinco membros, na qual é discriminado solo também em estágio de desenvolvimento um pouco mais avançado em relação ao do mapa B (Cambissolo Háplico). Sendo assim, verifica-se um maior detalhamento desta região por parte do mapa B em relação ao mapa C, que a englobou em uma unidade de mapeamento de tamanho maior, envolvendo outras regiões.

Foi verificada discordância no terceiro nível categórico em dois casos envolvendo área representativa, ambos semelhantes aos observados na comparação entre os mapas A e C (item 2.3.4.2). No maior deles, parte da unidade CXveft arg, do mapa B, sobrepôs parte da unidade

CXvet med, do mapa C. O local no qual ocorreu esta sobreposição trata-se de uma região de

contato entre diabásio e siltito, portanto de complexidade de solos. Assim, enquanto o mapa B discrimina um solo desenvolvido a partir de diabásio (que origina solos férricos e de textura argilosa), o mapa C, discrimina um solo originado a partir de siltito (que neste caso, originou solos de textura média). No segundo caso, ocorreu sobreposição entre parte da unidade PAeab

ar/med, do mapa B, e a unidade PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg. Dentro da unidade de mapeamento do mapa B foi examinado o perfil P7 (Figura 2C

dos anexos), o qual se encontra em posição de topo na paisagem, e serviu como base para a classificação. Na posição de meia encosta ocorrem em sua maioria solos distróficos. Dessa forma, a unidade do mapa C foi delineada de maneira a ocupar a posição de topo e um espigão que se estende a partir deste como divisor de águas. Em contrapartida, o mapa C restringe a distribuição de uma unidade Argissolo Amarelo eutrófico apenas na posição de topo na paisagem, sendo o espigão classificado como distrófico, assim como a encosta. Neste caso verifica-se que houve uma diferença preditiva com relação à distribuição dos solos na paisagem, sendo que o mapa B discriminou da mesma forma que o mapa A a ocorrência da classe Argissolo Amarelo, que foi um pouco diferente da do mapa C.

Para o quarto nível categórico foram detectados três principais casos de discordância. No caso que envolve maior área, a unidade PVAdlat ar/med, referente ao mapa B, sobrepôs-se às unidades PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg + CXvdlep e CXvdt med + PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg, pertencentes ao mapa C. Esta se deu um duas posições de topo, próximas a antigos terraços do rio Capivari. Neste caso, para os dois mapas foi examinado o perfil P15 (Figura 4C dos anexos). Para o mapa B foi observada a presença de horizonte B latossólico abaixo do horizonte B textural, ao passo que para o mapa C não. Isto pode ter ocorrido pelo fato de cada pedólogo ter utilizado critérios perceptivos próprios, o que levou a classificações diferentes nesse nível. Em um segundo caso, a unidade PVAdab ar/med, do mapa B, sobrepôs-se à unidade PVAdt med/med + PVAdt med/arg + PAdt med/med + PAdt med/arg. Dentro das unidades de ambos os mapas foi examinado perfil P9 (Figura 3A dos anexos). No entanto, somente para o mapa B foi identificada mudança textural abrupta. O último caso deu-se pela sobreposição entre parte da unidade NVeft mt arg, do mapa B, e a unidade NVeflat arg, do mapa C. Ambos os mapas classificam a superfície mais elevada da área, um topo plano, como Nitossolo latossólico pelo exame do perfil P4 (Figura 1D dos anexos), e a meia encosta com certa declividade como Nitossolo típico, pela observação do relevo e correlação da ocorrência dos solos. Porém, a unidade do mapa B, delineada por fotointerpretação, é de menor tamanho que a delineada no mapa C, que foi delineada com base nas curvas de nível. Assim, parte da unidade de topo do mapa C (de maior tamanho) foi sobreposta pela unidade considerada de encosta do mapa B, sendo esta sobreposição entre as bordas das unidades de mapeamento. Também em outra localidade da área, em uma posição de meia encosta, no mapa B a unidade de mapeamento é classificada como Nitossolo latossólico, enquanto que no mapa C é classificada Nitossolo típico. Dentro da unidade de mapeamento do mapa B, nesta região foi examinado o perfil P 11 (Figura 3C dos anexos), que permitiu constatar a presença de horizonte B latossólico abaixo do horizonte B nítico (Tabela 11 dos anexos). No entanto, para o mapa C observando-se a maior declividade do local em que foi delineada a unidade, de menor tamanho do que a do mapa C, correlacionando-se a ocorrência de Nitossolo típico em locais com o relevo mais declivoso. Sendo assim, verifica-se uma diferença no modelo mental utilizado por cada um dos pedólogos para classificar o solo, sendo este fruto de experiências e conhecimentos adquiridos anteriormente no mapeamento de outras áreas.

Considerando-se a textura além do quarto nível categórico, foram observados apenas dois casos de discordância nesta comparação entre mapas. No primeiro deles, parte da unidade NVeflat mt arg, do mapa B, sobrepôs a unidade NVeflat arg, do mapa C. No segundo,

parte da unidade NVeft mt arg, do mapa B, sobrepôs-se à unidade CXveft arg + NVeft arg, do mapa C. Os dois casos relacionaram-se à classes texturais adjacentes, entretanto observa-se que o mapa C considerou teores de argila menores em relação ao mapa B. A origem desta discordância pode estar no fato de que nestes locais ocorrem teores de argila no solo próximos ao limites entre a classe textural argilosa e muito argilosa, o que forçou os executores dos mapas a optarem por uma ou outra classe textural, conforme cada qual julgou ser mais adequado.