Departementsvise budsjettforslag
2 Nærings- og handelsdepartementet
2.7 Internasjonalt samarbeid .1 Grunnlag for prioritering
“Uma imagem vale mais do que mil palavras”, é o dito popular que expressa o imaginário que crê ser a fotografia um retrato do real, uma apreensão de um determinado momento da realidade, afirmando sua suposta fidedignidade ao mundo comparando-a à linguagem verbal, que pode tanto ser obtusa quanto falsear o concreto, ou até mesmo criar um “concreto” novo.
Esta tese, focando num fenômeno de produção de sentido específico, buscou demonstrar que mesmo as fotografias podem assumir sentidos diversos em determinados contextos enunciativo-discursivos; e os elementos visuais nelas presentes, por mais que registrados com a maior nitidez técnica possível, podem se tornar semanticamente opacos.
A possível opacidade dos elementos visuais foi o que motivou formular o conceito de aspas verbo-visuais. Sabendo que quando uma palavra se encontra aspeada no plano verbal há um chamado interpretativo para compreendê-la para além do seu uso corrente, este mesmo chamado poderia ocorrer sobre elementos visuais: um elemento visual (ou vários) não coincidiria com ele mesmo, e, assim, deveria ser interpretado de uma maneira diferente daquele de seu uso habitual.
A partir dessa inquietação, a hipótese foi formulada: tomado o enunciado em sua dimensão verbo-visual, determinadas relações entre elementos verbais e visuais constitutivos dele podem se configurar como desdobramentos metaenunciativos opacificantes, em analogia à dinâmica da modalização autonímica que ocorre no plano verbal, e serem consideradas como aspas verbo-visuais.
O contexto enunciativo-discursivo tomado como foco engloba o plano verbo-visual, no qual elementos verbais e visuais que compõe um enunciado são analisados em seu conjunto, uma vez que é na articulação desses dois planos semióticos que o sentido se realiza. Já a ideia de abordar o fenômeno observado buscou articular o conceito de modalização autonímica, formulado a partir da análise estritamente verbal do enunciado, uma vez que por meio dele acreditou-se haver uma possibilidade de abordagem interpretativa que poderia apreender seu funcionamento e auxiliar na sua compreensão e descrição. Por mais que, como visto, nem toda modalização autonímica implica o uso das aspas, estas seriam a sua “arqui-forma”. Assim, observando o fenômeno da opacificação de elementos visuais no plano verbo-visual, compreendê-lo por meio do estabelecimento de uma analogia com o
199 conceito de modalização autonímica se mostrou pertinente.
O corpus selecionado para a pesquisa foi composto por enunciados pertencentes à esfera jornalística, uma vez que neles há constantemente a articulação de elementos verbais com fotografias, o que proporciona um material de investigação rico para a abordagem do fenômeno aqui estudado.
Para desenvolvimento da tese, três questões de pesquisa foram formuladas, e a perseguição às suas respostas orientaram a construção e o desenvolvimento do trabalho apresentado. Assim, os capítulos formaram um percurso investigativo que possibilitou alcançar as respostas a essas questões, que serão apresentadas na sequência.
A primeira pergunta de pesquisa era: como compreender o processo de metaenunciação, constitutiva da modalização autonímica, no plano verbo-visual?
A possibilidade de haver a metaenunciação no plano verbo-visual implica compreender o enunciado como um enunciado concreto, e, assim, entender que tanto os seus elementos verbais (plano verbal) quanto os visuais (plano visual) não são enunciados distintos, mas sim componentes de um mesmo e único enunciado. Desta forma, as relações estabelecidas entre estes dois planos, quando constituintes de um só mesmo enunciado, são de natureza metaenunciativa, pois são presentes num mesmo e único enunciado e referem-se a ele próprio.
Neste sentido, a compreensão do processo de metaenunciação no plano verbo-visual implica analisar as relações estabelecidas entre os elementos verbais e visuais constitutivos de um mesmo e único enunciado.
A segunda pergunta de pesquisa foi assim formulada: o que seriam e como se constroem os desdobramentos metaenunciativos opacificantes (modalização autonímica) entre elementos verbais e visuais a partir da dimensão verbo-visual dos enunciados pertencentes ao corpus dessa pesquisa?
Os desdobramentos metaenunciativos opacificantes estão presentes quando há um tipo específico de relação entre os elementos verbais e visuais que acabam funcionando como uma espécie de comentário entre eles, opacificando-os, ou seja, sinalizando a pertinência de uma interpretação do sentido destes elementos para além do habitual. É a esse tipo específico de relação, que foi explorada nas análises apresentadas nesta tese, que se deu o nome de aspas verbo-visuais.
Como já informado desde a introdução, as aspas verbo-visuais não são um sinal tipográfico inequívoco que marca a sua presença, como são no plano verbal, mas sim fruto
200 deste tipo específico de relação entre elementos verbais e visuais que constroem um mesmo enunciado. Assim, se as aspas verbais são “sinal a ser interpretado” (MAINGUENEAU, 2005, p. 160), um “indicador interpretativo” (DAHLET, 2006, p. 182) ou um “tipo de ausência, de vazio a ser preenchido interpretativamente, um ‘chamado à glosa’” (AUTHIER-REVUZ, 2012, p. 139, grifos no original, tradução própria)81, as aspas verbo-visuais demandam dois esforços interpretativos: o primeiro, o de identificar a relação específica entre elementos verbais e visuais que podem se configurar como um desdobramento metaenunciativo opacificante; e, o segundo, uma vez identificada essa relação (que não é marcada por nenhum sinal tipográfico ou tem sua presença inequívoca), buscar compreender qual o sentido enunciativo-discursivo produzido por esta relação (como se faz ao analisar as aspas no plano verbal).
As 13 análises apresentadas nesta pesquisa demonstraram como estas relações podem ser identificadas a partir do corpus aqui escolhido, o que também possibilitaram apresentar a resposta à terceira questão de pesquisa, a saber: quais as similaridades existentes entre as ocorrências das aspas verbo-visuais que possibilitam construir categorias de análise do fenômeno abordado?
Para além de identificar o fenômeno, mostrando seu funcionamento, esta tese buscou criar categorias de análise do mesmo que servisse de contribuição para pesquisas futuras que se desdobrassem sobre a análise do plano verbo-visual do enunciado concreto. Desta forma, dedicou-se especial atenção para identificar traços comuns na ocorrência do fenômeno que possibilitassem agrupá-los nessas categorias.
A partir das análises do corpus, três categorias de aspas verbo-visuais puderam ser criadas, que serão apresentadas na sequência.
A primeira foi denominada de aspas verbo-visuais de tipo de relação direta entre elementos verbais e visuais, que tem por marca de sua presença a relação direta entre um mesmo elemento presente no plano verbal e a sua aparição no plano visual, estabelecendo, assim, um desdobramento metaenunciativo opacificante.
Essa copresença de um mesmo elemento (X) no plano verbal e no visual é que torna a marca de presença desse tipo de aspas verbo-visuais, possibilitando o chamado à interpretação do sentido que esta relação, ou comentário metaenunciativo, proporciona.
Um esquema de funcionamento dessa categoria também foi construído, e que novamente é apresentado: