2 Internasjonal FoU
Hovedfigur 2 FoU-utgifter i PPP-dollar (faste 2015-priser), som andel av BNP og antall
2.2 Internasjonale sammenligninger av FoU-bevilgninger
O poder de análise metafórica vem do pressuposto de que o uso de metáforas não é arbitrário, mas que, ao utilizar a metáfora, as pessoas podem revelar algo de como conceituar o que sentem. No discurso, as pessoas desenham, em sua linguagem, os recursos cognitivos e fazem escolhas sobre a melhor maneira de expressar o que elas querem dizer, dentro do contexto em que estão. Estes recursos podem incluir formas convencionalizadas de falar metaforicamente, assim como as habilidades para a construção de novas metáforas. A "metáfora sistemática" é a "Coleção dinâmica de metáforas linguísticas7 conectadas" (Cameron, 2009, p. 78). Por exemplo, uma unidade de entonação, a qual, de forma simples, é uma única linha de um transcrito, pode empregar um veículo metafórico associado a um caminho, e a linha seguinte pode elaborar esse conceito adicionando um obstáculo que pode ser entendido metaforicamente. Assim, a partir da análise feita, uma metáfora sistemática pode surgir na forma de UM DESAFIO É UM OBSTÁCULO EM UM TRAJETO / VIAGEM A SER SUPERADO. Essa metáfora emerge do discurso, à medida que são identificados e agrupados veículos que estruturam essa ideia dentro de um contexto na dinâmica dialógica desse discurso.
Metáforas Sistemáticas não são metáforas conceituais. Metáforas Sistemáticas são amostras de agregados de uso real da linguagem de um evento de discurso específico. Metáforas conceptuais são baseadas em agregados de metáforas linguísticas como prova de uma maneira superficialmente semelhante ao processo de identificação de Metáforas Sistemáticas. No desenvolvimento da teoria da metáfora conceitual, Lakoff e Johnson (1980) afirmaram que estes agregados são encontrados na linguagem, porque as pessoas conceitualizam metaforicamente. À conceitualização metafórica foi dada prioridade, a qual é vista como um processo que antecede o uso da linguagem e como, de alguma forma, controladora do uso da língua. Metáforas conceituais são mapeamentos entre domínios e são realizadas para pertencerem ao reino do conceitual, não do discurso.
A eleição de uma Metáfora Sistemática é feita em relação aos eventos discursivos reais e aos participantes específicos, e não é válida para toda a comunidade de usuários da língua como o são as metáforas conceituais. A seguir, o procedimento de agrupamento, tal como foi desenvolvido principalmente por Cameron (2003, 2007), que começa a partir da lista
de todas as metáforas e se move através de duas etapas: classificar as metáforas linguísticas em grupos e rótulo de veículos; classificar e rotular tópicos dentro de grupos de veículos para formar grupos de metáfora, ou "metáforas sistemáticas.
CORPUS 2:
118. GABRIELA: Tem um ponto importante assim que eu acho que -- 119. GABRIELA: .. que contribui pra agravar
120. GABRIELA: que é essa política do governo, 121. GABRIELA: em beneficiar alunos,
122. GABRIELA: por estarem dentro de uma escola a todo custo, né? 123. GABRIELA: .. Porque a gente vê que isso aí é uma situação, 124. GABRIELA: totalmente passiva de acontecer fraude, né? 125. GABRIELA: .. Tem aluno que mal frequenta,
126. GABRIELA: mas como não quer perder a bolsa, 127. GABRIELA: tá na sala a todo custo.
O processo de agrupamento leva em consideração a recursividade para a eleição dos veículos que se encaixam semanticamente para depois colocá-los juntos. Os veículos
“contribuir”, “beneficiar”, “custo”, “fraude”, “perder”, além de serem recorrentes no discurso
dos participantes, estão ligados semanticamente, pois metaforizam o tópico sistema educacional como um sistema financeiro, ou seja, os veículos metafóricos em destaque, no excerto acima, autorizam a emergência da metáfora sistemática O SISTEMA EDUCAIONAL É UM PLANEJAMENTO FINANCEIRO, metáfora que será analisada com mais detalhes nesta pesquisa.
Como, podemos observar, Metáforas Sistemáticas são realizadas para refletir tendências de pensamento, que são ativadas e desenvolvidas no evento discursivo. Metáforas conceituais são requeridas para ter algum tipo de existência real na mente de todos os usuários da língua; nas versões mais fortes da teoria da metáfora cognitiva, para ser ligada ao cérebro. Metáforas conceituais são consideradas mapeamentos fixos e estáveis entre domínios (LAKOFF, 1993), enquanto metáforas sistemáticas, por sua natureza, são mapeamentos dinâmicos que refletem uma estabilização temporária no discurso em tempo real da língua, ou seja, seu uso.
Sardinha (2007) esquematizou essa diferença em um quadro que mostraremos a seguir:
Quadro 1: Metáfora Conceitual versus Metáfora Sistemática.
Fonte: Sardinha, 2007, p. 44
A Metáfora Sistemática estabelece um novo foco através de abordagens discursivas. Essa visão insiste na importância do uso da linguagem no entendimento da metáfora, utilizando-se do discurso falado ou escrito em corpora pequenos ou amplos. Essa nova abordagem adota ideias da teoria cognitiva da metáfora e aceita o caráter convencional de muitas metáforas, mas diferentemente da concepção cognitiva, relaciona o conceitual com o linguístico, em trabalho empírico. Além disso, como apontamos acima, há uma dimensão de que não se pode prescindir: a dimensão sociocultural. Toda metáfora codifica o conhecimento cultural e reflete a visão de mundo de grupos socioculturais, carregando consigo uma Teoria da metáfora conceptual Abordagem da metáfora sistemática
O termo ‘metáfora’ significa ‘metáfora
conceptual’, que é mental e abstrata. O termo ‘metáfora’ representa ‘metáfora em uso’, que é verbal e concreta. Ênfase no individual, no idealizado. Ênfase no sociocultural, coletivo, concreto.
Foco na cognição humana Foco no uso linguístico. Interface com a linguística cognitiva, a
psicolinguística e a filosofia.
Interface com a análise do discurso, linguística aplicada e linguística de corpus.
Linguagem idealizada. Exemplos inventados ou colecionados. Dados linguísticos são secundários.
Linguagem em uso. Exemplos retirados de corpora autênticos. Dados linguísticos são centrais.
Os critérios para identificação da metáfora na linguagem não são claros.
Critérios para identificação de metáforas na linguagem são claramente definidos.
Busca de validação psicológica por meio por meio de experimentos controlados em laboratórios.
Realidade psicológica é suposta por meio da evidência no uso linguístico.
Tendência generalizante: as metáforas conceptuais são formuladas de modo genérico (em ‘amor é viagem’, não especificamos o tipo de amor nem de viagem).
Tendência particularizante: as metáforas sistemáticas são formuladas de modo particular, de acordo com as evidências de uso (dependendo dos participantes e dos usos metafóricos feitos por eles, poderíamos especificar o tipo de viagem e o tipo de amor: ‘amor entre marido e mulher é uma viagem sem volta’.)
Interesse pelo universal. Tentativa de entendimento de características universais do ser humano ou do comportamento de grandes grupos humanos (cultura ‘americana’, ‘ocidental’, ‘humana’ etc.)
Interesse pelo local. Tentativa de entendimento do comportamento de grupos ou indivíduos específicos (pessoas ou comunidades em contextos determinados) ou tipo de discurso específico.
Mapeamento entre domínios são estáveis e previsíveis.
Mapeamentos são emergentes, não previsíveis, construídos em contextos específicos.
Pensamento tem precedência sobre o uso. A linguagem é secundária, pois é apenas uma manifestação do pensamento. Pensamos metaforicamente, portanto, falamos metaforicamente.
Uso tem precedência sobre pensamento. Interferências sobre o pensamento devem ser cuidadosas. Há ainda muitas questões abertas sobre o uso de metáforas; por isso é muito problemático fazer asserções sobre o pensamento a partir das metáforas na linguagem.
dimensão valorativa e afetiva que num âmbito mais amplo, como apontam Cameron & Deignan (2006), o uso e reuso de metáforas levam ao convencionalismo de julgamentos de atitude anexados a essas metáforas.
Podemos, ainda, olhar mais profundamente para ver se os grupos de metáforas ou metáforas sistemáticas conectam-se em um nível ainda mais alto como, por exemplo, através de relações entre de tipos de cenários. Conforme Musolff (2006), um cenário se caracteriza por uma série de conjecturas construídas por membros competentes de uma comunidade discursiva no que tange a aspectos peculiares de uma situação fonte. Isso incluiria os participantes dessa situação e seus respectivos papéis, os enredos e os desfechos, entre outros. É um pouco semelhante ao que, na Linguística Cognitiva, Lakoff (1987, p. 285-286) define
como “Modelos Cognitivos Idealizados”, ou um subtipo destes. Em outras palavras é um
conjunto de deduções construídas ou idealizadas por membros competentes de uma comunidade discursiva sobre aspectos prototípicos e avaliações sociais e éticas relacionadas aos elementos característicos de domínios conceptuais. O excerto abaixo ilustra de forma clara a presença dessa categoria em uma discussão em um dos nossos corpora:
CORPUS 2:
191. HUDSON: ... (4.0) muitas vezes, 192. HUDSON: é a custo que eu reconheço, 193. HUDSON: mas às vezes
194. HUDSON: o aluno encara mesmo o professor 195. HUDSON: como um inimigo
196. HUDSON: pra ele se autoafirmar no grupo, 197. HUDSON: aquela coisa.
198. HUDSON: Aí ele enfrenta,
199. HUDSON: ..parte para o enfrentamento, 200. HUDSON: e pra ele não tem consequência, 201. HUDSON: ..não tem nada, né?
202. HUDSON: ...ele vai até os últimos
204. PAULO: ..eu preciso lhe destruir. 205. HUDSON: ...É a jornada do herói.
No trecho acima, tornar-se evidente o cenário de uma batalha de guerra entre professor e aluno em que este julga ou considera o professor como um inimigo e pretende enfrentá-lo com o objetivo de se autoafirmar perante o grupo de amigos. O cenário de guerra fornece os pontos focais para a emergência da metáfora A RELAÇÃO ENTRE PROFESSOR E ALUNO É UMA BATALHA, que, ao final do excerto, envereda mais para uma batalha relacionada a uma narrativa de contos fadas na qual o aluno seria um herói, cujo alvo da ação seria o professor, que deveria ser destruído. Faz-se necessário destacar que, de acordo com Musolff (2004), nem todos os elementos do cenário precisam ser preenchidos necessariamente no processo de conceitualização e, comungando com as ideias do autor, defendemos que, tal qual um dos princípios da teoria fractal, a iteração, ou melhor, a recorrência da ideia de guerra presente no discurso de forma metafórica, torna-se um elemento essencial para emergência de uma metáfora sistemática. A próxima seção tratará, em específico, da metonímia.