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Interaksjon i frileken mellom barna på basen

4.1 Basen

4.1.4 Interaksjon i frileken mellom barna på basen

6. Como é fazer jornalismo cultural no seio de uma publicação generalista como a Visão?

Acho que a diferença entre numa publicação generalista tem a ver sobretudo com o espaço disponível... não é tanto a qualidade em si do jornalismo que se faz. O que é muito angustiante numa newsmagazine como a Visão é tudo o que te parece importante mas tem de ficar de fora e é um dos motivos de frustração permanente dos jornalistas da secção. Em relação a toda a oferta [cultural] que existe há sempre coisas importantes nessas áreas todas (música, cinema, livros...) a nível internacional e nacional e nós, na melhor das hipóteses temos 5/ 6 temas, por isso, é um mar de coisas importantes que

ficam de fora. Para mim o que é assente é que tens de confiar que aquilo que tens é interessante e faz sentido, em relação a uns temas com os outros nessa semana, mais do que aquilo que não tens... porque há sempre coisas que não tens, coisas importantes que ficam sempre de fora. No fundo, a questão que aqui é quase intuitiva é a seleção dos temas... é fazer uma seleção muito apertada do que entra... esta é a via óbvia para uma newsmagazine.

6.1. Qual o peso da Cultura no produto final?

Acho que devia ter mais... Apesar de tudo, em comparação com a concorrência direta, damos mais espaço à cultura. Não vou dizer que a Visão não aposta muito na cultura, mas esta nunca é vista como a secção principal. É algo que tem que existir, que é óbvio e que ninguém questiona que exista... temos quatro jornalistas na secção, mais os colaboradores, portanto é algo a que se dá importância, mas não é de longe na feitura do plano, em termos de peso, a secção que marca mais. Apesar de tudo na história da Visão houve uma evolução... quando eu entrei em 1994 (a Visão começou em 1993) a Cultura e a Sociedade eram uma secção conjunta (apesar de haver gente na sociedade que já era mais ligado à cultura), sendo que depois a Cultura foi-se autonomizando, o que também muda um bocadinho a imagem de importância que se dá.

6.2. Que funções é que o jornalismo cultural assume numa publicação generalista?

É jornalismo. É fazer as pessoas ler, pensar, informarem-se... é simples porque quando falamos de jornalismo cultural é de jornalismo que estamos a falar... Ao mesmo tempo, acho que é dar prazer... é muito importante dar prazer às pessoas, fazer com elas se sintam informadas, acrescentar qualquer coisa... Quanto à crítica é algo que se foi perdendo na Visão (... quando eu vim para cá havia umas páginas assinadas por colaboradores que eram dedicadas à crítica ao disco ou ao livro...) mas também em Portugal no geral, porque é um subgénero muito específico e, no caso dos textos de cultura da Visão, estes nunca são críticos. Pode não haver crítica no sentido estrito mas há um lado de reflexão, porque esse também é o papel das revistas. A ideia de uma revista semanal, uma newsmagazine, é combater um bocado o imediatismo dos diários e da net neste momento. Tendencialmente acho que devíamos fazer mais isso, mas a agenda dá-nos tanta coisa que às vezes não conseguimos, mas tendencialmente numa newsmagazine a ideia é arranjar um grupo de temas que de alguma maneira sirvam como guarda-chuva para falar de várias coisas... como radar de tendências... Claro que há sempre o peso da agenda... nós temos estas ideias intemporais mas depois vão ficando para trás,

sobretudo com a revista cada vez mais pequena... e acho que uma coisa importante que tem de se falar hoje quando se fala em jornalismo em papel é desta incerteza toda em relação ao futuro e da crise do publicidade... A Visão agora está a fazer entre 116/ 124 /108 páginas quando já houve anos em que fazia quase 200... é totalmente diferente. Portanto, quando a cultura mete três temas na revista às vezes há coisas tão óbvias da agenda, como o Rock in Rio, que se impõem... Numa newsmagazine é fundamental teres uma abertura muito grande aos temas independentemente dos teus gostos e dos teus interesses. Era aquilo que eu dizia, não preocupar-te tanto com aquilo que fica de fora, mas antes variar ao máximo. Tanto pode caber uma entrevista com o filósofo francês que acabou de publicar o livro como uma abertura sobre a rodagem do Harry Potter. Numa newsmagazine isto pode parecer indefinição, mas eu acho que se deve dar isso, por ser precisamente uma newsmagazine generalista. Pode fazer sentido numa semana ser os segredos por detrás da rodagem do novo blockbuster de verão ou uma entrevistas muito profunda a alguém que as pessoas até não identificam logo mas que achamos que tem alguma coisa de importante a dizer. Para mim, isso é que é fundamental: abrir vistas ao máximo, fazer pensar. E o que me dá mais gozo às vezes no jornalismo cultural é apresentar uma coisa que a maior parte das pessoas ainda não conhece.

6.3. Quem é o público da Visão? (caraterizar audiência)

Não sei... ninguém sabe bem quem é o público... Quando estou a escrever penso muito nisso: para quem é que estou a escrever? Mas penso num leitor abstrato. Houve agora um estudo recente que falava nas classes A/ B mas eu não vou entrar por aí... acho que é a classe média/ média-alta. Em termos de idades, esse estudo dizia que o grosso dos leitores da Visão está entre os 25 e os 40 anos. É claro que se pode fazer um estudo muito profundo sobre quem é que lê a Visão, os nossos assinantes, os leitores da Visão em banca e ver o que é que eles têm em comum e que tipo de pessoa é, mas sendo uma revista que chega a 400/ 500 mil pessoas é uma coisa muito ampla. Portanto, eu acho que é bom haver abertura. Acho que tanto penso num texto que é óbvio que vai interessar a gente com menos de 30 anos e se calhar quem tem 60 passa as páginas e acho que isso também é importante.

6.4. Que tipo de abordagem à cultura é o que esse público espera da revista?

Isso é muito difícil... não sei... mas, ao contrário das outras pessoas, penso que a sobrevivência da imprensa escrita não está garantida, embora ache que vai sobreviver nem que seja como nicho e o grande trunfo para essa sobrevivência é o prazer de ler. Portanto, não é a divulgação ou só a análise mas é, sobretudo, o

prazer de ler um texto bem escrito. Por isso, quando me perguntas o que é que as pessoas esperam acho que querem aprender alguma coisa, serem surpreendidas por alguma informação que não sabem (porque o critério da atualidade tem de estar sempre presente no jornalismo) e no gosto de ler um texto bem construído (mais descontraído ou mais sério, dependendo do caso). Ou seja, quem gasta dinheiro em comprar revistas hoje, quando és bombardeado por informação de todo lado, fá-lo pelo valor acrescentado que é o prazer de ler um texto bem construído, com um princípio que “agarre”, que conte uma história, que dá gozo ler.