• No results found

Integrating the existing data retrieval system into AirQUIS

In document 51-2004-bs.pdf (4.653Mb) (sider 16-0)

4 Task . Assure system integration

4.2 Integrating the existing data retrieval system into AirQUIS

 

A   organização   metodológica   dos   cursos   EFA   deixa   de   parte   o   princípio   tradicional  das  disciplinas,  optando  por  áreas  de  formação.  Esta  mudança  conceptual,   que  se  afasta  do  modelo  escolar,  facilita  uma  visão  global  mais  abrangente  e  adequada   ao   público   adulto,   fomentando   a   transversalidade   da   formação.   Pretende-­‐se,   desta   forma,  que  o  adulto  assuma  um  papel  ativo  e  central  da  sua  formação,  pois  é  ele  que   inicia,   controla   e   desenvolve   a   aprendizagem,   sendo   valorizada   a   sua   experiência   pessoal   e   profissional.   De   facto,   um   modelo   de   formação   que   tenha   em   conta   a   experiência   dos   adultos   na   aquisição   de   alguns   saberes   é   considerado   o   mais   adequado  à  educação  de  adultos  (Dominicé,  1990;  Zimmerman,  2000).    

Este  modelo  formativo  atribui  centralidade  ao  percurso  singular  de  cada  adulto,   pelo  que  são  as  situações  da  sua  vida  que  permitem  a  evidenciação  de  competências   (Jarvis,   2006;   Josso,   1999)   e,   posteriormente,   a   definição   do   percurso   formativo   a   seguir.  Esta  nova  lógica  pedagógica  implica  uma  prática  mais  centrada  num  modelo  de   construção  de  conhecimentos  e  não  na  transmissão  de  conteúdos.  Para  além  disso,  o   contexto   de   aprendizagem   assume   um   papel   central,   pois,   para   além   das   aprendizagens  formais,  devem  também  ser  consideradas  as  aprendizagens  não  formais   e  informais  (Pain,  1990).  

 

 

I.  5.1.1.    O  REFERENCIAL  DE  COMPETÊNCIAS-­‐CHAVE  DO  ENSINO  SECUNDÁRIO    

O   Referencial   de   Competências-­‐Chave   do   ensino   secundário   está   organizado     com  base  em  três  pressupostos:  

1.  Aprender  ao  longo  da  vida  –  reconhece-­‐se  que  todos  os  contextos  podem  ser   de   aprendizagem,   pelo   que   deve   haver   uma   articulação   entre   as   aprendizagens   formais,  não  formais  e  informais;  para  além  disso,  a  aprendizagem  ao  longo  da  vida  é   vista  como  um  processo  contínuo,  da  responsabilidade  de  cada  indivíduo;  

2.   Saberes,   competências   e   aprendizagem   -­‐   estes   três   conceitos   são   fundamentais   e   interligam-­‐se   nos   processos   de   reconhecimento,   validação   e   certificação,   destacando-­‐se   o   carácter   central   do   conceito   de   competências-­‐chave;   o   Referencial  tem  como  base,  ponto  de  partida  e  de  chegada  o  projeto  de  formação  do   adulto;  

3.   Reconhecer   e   validar   competências   -­‐   as   noções   de   aprendizagem   e   de   competência  interligam-­‐se,  permitindo  o  reconhecimento  de  competências  através  de   abordagens   de   natureza   interpretativa,   estando   o   enfoque   central   no   indivíduo;  

relativamente  à    validação,  esta  é  considerada  um  procedimento8,  sendo  o  enfoque  a  

avaliação  externa  das  aprendizagens  do  indivíduo,  realizada  por  diversas  instâncias.  

 

A  formação  de  base  destes  cursos,  de  acordo  com  o  referencial  que  o  rege,  tem   três   áreas   de   competências-­‐chave,   organizadas   estruturalmente   e   com   elementos   conceptuais   comuns,   o   que   torna   o   documento   mais   uniforme   e   integrado   (Ávila,   2004):  

- Cidadania  e  Profissionalidade  (CP);  

- Sociedade,  Tecnologia  e  Ciência  (STC);  

- Cultura,  Língua  e  Comunicação  (CLC).  

 

A   cada   unidade   de   competência   desta   formação   de   base   corresponde   uma   unidade  de  formação  de  curta  duração,  que  explicita  os  resultados  de  aprendizagem  a   atingir,  assim  como  os  conteúdos  de  formação.  

 

De   acordo   com   o   Referencial   de   Competências-­‐Chave   de   nível   secundário   (Gomes,   2006b)   as   três   áreas   de   competências-­‐chave,   que   se   complementam,   são   necessárias  face  às  exigências  do  mundo  atual.  A  área  de  Cidadania  e  Profissionalidade  

8

De acordo com o Referencial de Competências-Chave do ensino secundário, a “validação é considerada como um procedimento e pode ser entendida como uma estratégia administrativa e formal” (Gomes, 2006a, p. 17).

(CP)  é  transversal,  articulando-­‐se    com  as  restantes  áreas.    

As  competências  de  CP  funcionam  como  suporte  ao  trabalho  a  desenvolver  nas   outras  duas  áreas  –  STC  e  CLC  –  fomentando  um  percurso  reflexivo.  As  áreas  de  STC  e   CLC   estão   mais   ligadas   a   determinadas   áreas   do   conhecimento,   pelo   que   são   mais   instrumentais  e  operatórias,  pois  envolvem  domínios  de  competências  específicas.  

A   figura   seguinte   ilustra   a   forma   como   se   articulam   as   três   áreas   de   competências.    

     

Figura  2  -­‐  Desenho  do  Referencial  de  Competências-­‐Chave  para  a  educação  e  formação  de  adultos,   nível  secundário    

Fonte:  Gomes,  2006b,  p.  17  

 

Realça-­‐se,  neste  documento,  a  existência  de  elementos  conceptuais  comuns  e   transversais,  nomeadamente:  

-­‐   As   dimensões   das   competências   (agregação   das   unidades   de   competência   e   respetivos  critérios  de  evidência);    

-­‐  Os  núcleos  geradores  (tema  abrangente  a  partir  do  qual  se  criam  e  evidenciam   as  competências-­‐chave);    

-­‐   Os   domínios   de   referência   para   a   ação   (contextos   de   atuação,   isto   os   referentes  que  acionam  as  diferentes  competências-­‐chave  na  sociedade  atual);    

-­‐   Os   temas   (área   na   qual   as   competências   são   geradas,   acionadas   e   evidenciadas);    

-­‐   As   unidades   de   competência   (combinatórias   dos   elementos   da   competência   em  cada  área  de  competências-­‐chave);  

-­‐  Os  critérios  de  evidência  (ações    através  das  quais  o  adulto  indicia  um  domínio   da  competência).    

Acresce   a   existência   de   três   elementos   de   complexidade,   em   cada   uma   das   áreas,  que  auxiliam  os  mediadores/formadores  na  definição  dos  percursos  formativos   mais  adequados  a  cada  formando:  

-­‐  Tipo  I  -­‐  Identificação;    

-­‐  Tipo  II  –  Compreensão;    

-­‐  Tipo  III  –  Intervenção.  

O  quadro  seguinte  ilustra  a  estrutura  dessas  três  áreas  de  competências,  bem   como  os  respetivos  elementos  conceptuais.  

 

Quadro  3  –  Síntese  da  estrutura  e  elementos  conceptuais  das  3  áreas  de  Competências-­‐ Chave    

 

I.  5.1.2.    O  PORTEFÓLIO  REFLEXIVO  DE  APRENDIZAGENS    

 

     Os   cursos   EFA   de   nível   secundário   assentam   numa   proposta   metodológica  

baseada   numa     Abordagem   (Auto)biográfica,   no   Balanço   de   Competências   e   no   Portefólio   Reflexivo   de   Aprendizagens   (PRA),   posicionando-­‐se   o   candidato   como   sujeito  da  sua  própria  aprendizagem.  A  figura  seguinte  ilustra  a  sua  matriz  conceptual.  

 

Figura  3  –  Matriz  conceptual  dos  elementos  metodológicos:  nível  secundário

 

Fonte:  Gomes,  2006b,  p.  28  

O   PRA   assume   uma   especial   importância,   pois   é   neste   documento,   produzido   ao  longo  do  curso  pelos  formandos,  que  estes  se  envolvem,  se  projetam  na  sua  própria   aprendizagem,   enquanto   aprendentes   capazes   de   articular   conhecimentos   que   adquiriram   por   via   formal,   não-­‐formal   e   informal.   A   valorização   da   perspetiva   (auto)biográfica   revela-­‐se   eficaz   nestes   processos   de   formação   de   adultos   (Couceiro,   2002;   Josso,   2002),   pois   o   formando   tem   em   conta   o   seu   percurso   de   vida   e   a   sua   experiência,  o  que  contribui  para  um  processo  de  descoberta  que  atribui  mais  sentido   às  aprendizagens.  

A  utilização  do  PRA  é  também  importante  para  o  processo  de  autocontrolo  da   aprendizagem   dos   formandos,   pois   enquanto   documento   que   está   sempre   em   atualização   e   transformação,   à   semelhança   do   que   acontece   com   as   aprendizagens,  

permite   a   integração   de   novos   saberes,   mas   também   a   sua   avaliação   e   consequente   (re)construção  do  conhecimento.  

In document 51-2004-bs.pdf (4.653Mb) (sider 16-0)