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AirQUIS installations

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3.2 AirQUIS installations

É   no   ano   de   2005   que   surge   a   Iniciativa   Novas   Oportunidades,   assumida   pelo   governo   em   funções   como   prioritária   com   vista   ao   aumento   da   qualificação   de   base   dos   portugueses.   Esta   é   também   a   resposta   encontrada   para   as   metas   traçadas   no   programa  Educação  e  Formação  para  2010,  no  âmbito  do  Plano  Tecnológico  (Unidade   de  Coordenação  do  Plano  Tecnológico,  2005).  Assumia-­‐se,  desta  forma,  a  necessidade   de  atualizar  e  aprofundar  as  competências  dos  portugueses,  não  só  para  promover  a   sua   empregabilidade,   mas   também   para   assegurar   a   sustentabilidade   do   plano   de   desenvolvimento   tecnológico,   científico   e   de   inovação   do   país,   promovendo   o   crescimento   sustentável,   essencial   para   a   competitividade   e   emprego,   tal   como   era   definido   no   Programa   Operacional   Temático   Fatores   de   Competitividade   2007-­‐2013,   enquanto  objetivo  estratégico:  

 

“Qualificar   os   portugueses   e   as   portuguesas,   valorizando   o   conhecimento,   a   ciência,   a   tecnologia   e   a   inovação,   bem   como   promover   níveis   elevados   e   sustentados   de   desenvolvimento   económico   e   sócio-­‐cultural   e   de   qualificação   territorial   num   quadro   de   valorização   da   igualdade   de   oportunidades   e,   bem   assim,   aumentar   a   eficiência   e   qualidade   das   instituições   públicas,   através   da   superação   dos   principais   constrangimentos   que   se   revestem   de   dimensão   e   características   estruturais,   e   criar   as   condições   propícias   ao   crescimento   e   ao   emprego”  (Ministério  do  Trabalho  e  da  Solidariedade  Social,  2007,  pp.  6-­‐7).  

 

Esta   iniciativa   foi   considerada   estratégica,   capaz   de   promover   a   sustentabilidade   económica,   face   ao   forte   impacto   que   a   qualificação   tem   na   competitividade  e  produtividade  das  empresas,  mas  também  na  coesão  social,  pois  a   educação  é  um  “instrumento  de  mobilidade  social,  pessoal  e  familiar”  (Candeias,  2007,   p.  147).  De  facto,  este  programa  procurava  responder,  em  consonância  com  a  Europa,   à   necessidade   de   certificar   os   adultos   com   baixas   qualificações,   dotando-­‐os   das   competências   necessárias   para   viverem   numa   sociedade   em   permanente   reestruturação.   Partia-­‐se   do   pressuposto   de   que   a   escola   não   é   o   único   quadro   de  

aprendizagem,   ela   efetua-­‐se   ao   longo   da   vida,   em   contextos   diversificados   -­‐     profissional,   pessoal,   social.   “A   produção   e   a   difusão   do   conhecimento   e   concomitantemente   a   aprendizagem,   deixam   de   ser   um   monopólio   dos   sistemas   de   educação/formação,   na   medida   em   que   ultrapassam   os   espaços-­‐tempos   formais,   tradicionalmente  delimitados  e  balizados  pelas  instâncias  educativas”  (Pires,  2007,  p.   7).  

A   Iniciativa   Novas   Oportunidades   (Ministério   do   Trabalho   e   da   Solidariedade   Social  e  Ministério  da  Educação,  2006)  visava:  

§ Elevar  a  escolaridade  obrigatória  para  o  nível  secundário,  alargando  a  oferta   de  cursos  profissionalizantes;    

§ Disponibilizar,  até  ao  final  de  2010,  500  Centros  Novas  Oportunidades,  sob   a  responsabilidade  da  Agência  Nacional  para  a  Qualificação  (ANQ),  instituto   público  sob  a  tutela  dos  Ministérios  da  Trabalho  e  da  Solidariedade  Social  e   da  Educação;  

§ Qualificar  650.000  ativos  até  ao  final  de  2010.  

 

Esta   iniciativa   foi   estruturada   para   responder   a   dois   eixos   de   intervenção,   um   destinado   a   jovens   e   o   outro   a   adultos.   No   que   diz   respeito   ao   eixo   de   intervenção   destinado   aos   jovens,   pretendia-­‐se   dar   resposta   aos   seus   baixos   níveis   de   escolarização,  através  da  diversificação  das  vias  de  educação  e  formação,  reforçando  o   número   de   vagas   de   natureza   profissionalizante.   Desta   forma,   tentava-­‐se   inverter   a   tendência   de   aumento   do   número   de   jovens   que   não   concluía   o   ensino   secundário,   colocando  ao  seu  dispor    as  seguintes  modalidades  de  formação:  

§ Cursos  do  Ensino  Artístico,   § Cursos  de  Aprendizagem,  

§ Cursos  de  Educação  e  Formação,   § Cursos  Profissionais,  

§ Cursos  das  Escolas  de  Hotelaria  e  Turismo.    

Relativamente   ao   eixo   dos   adultos,   este   tinha   como   principal   objetivo   a   elevação  dos  níveis  de  qualificação  de  base  da  população  adulta.  As  ações  dirigiam-­‐se  a   pessoas   com   mais   de   18   anos   que   não   tinham   concluído   o   ensino   secundário,   tendo   em   vista   aumentar   as   suas   qualificações   de   base.   As   modalidade   de   formação   disponibilizadas  ao  público  adulto  eram:    

§ Sistema   Nacional   de   Reconhecimento,   Validação   e   Certificação   de   Competências;  

§ Cursos  de  Educação  e  Formação  de  Adultos  (EFA);   § Formações  Modulares  Certificadas;  

§ Vias  de  conclusão  do  nível  secundário  de  educação.  

 

Os   adultos   que   ingressavam   no   Sistema   Nacional   de   Reconhecimento,   Validação  e  Certificação  de  Competências  passavam  por  uma  fase  de  diagnóstico.  Esse   diagnóstico   era   efetuado   a   partir   de   um   balanço   de   competências   nas   áreas   de   competências-­‐chave   dos   referenciais   de   nível   básico   ou   secundário,   sendo   depois   o   adulto   encaminhado   para   a   frequência   de   uma   ação   de   educação   ou   formação,   ou,   caso   a   situação   do   adulto   o   justificasse,   para   o   reconhecimento,   validação   e   certificação   de   competências.   Esta   última   via   estava   associada,   normalmente,   à   frequência   de   ações   de   formação   complementar   de   curta   duração,   sendo,   posteriormente,  efetuada  a  validação  dessas  competências  perante  um  júri  constituído   por  um  avaliador  externo  e  pela  equipa  técnico-­‐pedagógica.  

Em  2007,  a  DGFV  é  extinta,    dando  lugar  à  Agência  Nacional  para  a  Qualificação   (ANQ),   sob   a   tutela   do   Ministério   da   Educação   e   Ministério   do   Trabalho   e   da   Solidariedade  Social  (Decreto-­‐Lei  n.º  276-­‐  C/2007,  de  31  de  julho),  com  o  objetivo  de   coordenar   as   políticas   de   educação   e   formação   profissional   de   jovens   e   adultos   e   de   desenvolver   o   Sistema   Nacional   de   Reconhecimento,   Validação   e   Certificação   de  

Competências,   que   passam   a   designar-­‐se   Centros   Novas   Oportunidades   (CNO),   assegurando,  desta  forma,  uma  oferta  diversificada  para  jovens  e  adultos.  

O   aumento   da   escolaridade   obrigatória   para   o   ensino   secundário   foi   uma   das   estratégias   implementadas,   o   que   implicou   um   conjunto   de   reformas   no   sistema   de   formação   profissional   (Resolução   do   Conselho   de   Ministros   nº   173/2007,   de   17   de   Outubro),   nomeadamente   ao   nível   do   Sistema   Nacional   de   Qualificações,   com   a   criação  do  Quadro  Nacional  de  Qualificações,  o  Catálogo  Nacional  de  Qualificações,  a  

Caderneta   Individual   de   Competências   e   o   Sistema   de   Regulação   de   Acesso   a   Profissões.  

Na   sequência   do   Decreto-­‐Lei   nº   36/2012,   de   15   de   fevereiro,   é     criada   e   aprovada   a   orgânica   da   Agência   Nacional   para   a   Qualificação   e   o   Ensino   Profissional   (ANQEP),  que  substitui  a  ANQ,  tutelada  pelos  Ministérios  da  Educação  e  Ciência  e  da   Economia   e   do   Emprego.   Era   esta   agência   que   coordenava   a   rede   de   Centros   Novas   Oportunidades,  o  sistema  nacional  de  RVCC  e  a  educação  e  formação  de  adultos.  De   realçar  que  em  2013  a  rede  de  Centros  Novas  Oportunidades  foi  extinta,  para  dar  lugar   aos   Centros   para   a   Qualificação   e   o   Ensino   Profissional   (CQEP),   criados   através   da   Portaria  nº  135-­‐A/2013,  de  28  de  maio.    

A   avaliação   efetuada   a   esta   iniciativa   tem   vindo   a   mostrar   uma   evolução   positiva,   fruto   das   medidas   implementadas.   De   facto,   logo   em   2008,   o   Projeto   de  

Relatório  Conjunto  do  Conselho  e  da  Comissão  Europeia  sobre  a  aplicação  do  programa  

de   trabalho   Educação   e   Formação   para   2010   (Comissão   Europeia,   2007)   realçou   a   adequação   do   sistema   nacional   de   reconhecimento,   validação   e   certificação   de   competências  implementado  por  Portugal.    

 

Apesar  destes  avanços,  em  2010,  o  relatório  da  UNESCO,  que  teve  em  conta  os   dados  dos  154  relatórios  regionais  produzidos  pelos  seus  países  membros,  refere  que   Portugal  se  encontra  no  fim  da  tabela  dos  países  com  formas  organizadas  de  educação   de  adultos,  pois  a  taxa  de  participação  da  população  portuguesa  entre  os  16  e  os  65   anos  se  encontra  abaixo  dos  20%,  o  que  só  acontece  na  Grécia,  na  Hungria,  na  Polónia   e  no  Chile.  De  facto,  e  tendo  em  conta  que  o  investimento  em  educação  de  um  país  é  

um  dos  indicadores  a  ter  em  conta,  verifica-­‐se  que  Portugal,  em  2010,  apenas  investiu   4,8%  do  seu  PIB  em  educação  (Fonte:  PORDATA)  e  deste  apenas  0,5%  para  a  educação   de  adultos  (UNESCO,  2010).  Este  relatório  refere  também  nem  sempre  as  políticas  de   educação   de   adultos   se   centram   no   desenvolvimento   social   e   cultural,   pois   “a   validação   de   habilidades   para   desenvolver   as   competências   dos   adultos   com   mais   eficiência   e   efetividade   praticamente   domina   o   discurso   da   política   de   educação   de   adultos  em  alguns  países”  (UNESCO,  2010,  p.  109),  de  que  é  exemplo  Portugal.  

 

Na  mesma  linha,  os  dados  da  OCDE  (2010)  revelam  que,  relativamente  ao  peso   relativo    da    população  habilitada  com  o  ensino  secundário,  os  valores  portugueses  são   muito  baixos  (14%),  por  comparação  à  média  dos  países    da    OCDE  (44%)  ou  mesmo  da   União    Europeia   (45%).   Contudo,   tal   como   é   realçado   no   relatório   Iniciativa   Novas  

Oportunidades:  Resultados  da  Avaliação  Externa  2009-­‐2010  (Carneiro,  2010),  no  grupo  

etário   entre   os   25-­‐34   anos,   evidencia-­‐se    uma    maior       diferença       de       proporção   na   ordem     dos   34%,   “expressando       efeitos       visíveis       do       investimento    que   tem   sido   realizado  em  educação  nas  duas  últimas  décadas”  (Carneiro,  2010,  p.  81).  

Há   aspetos   que   se   destacam   nesta   iniciativa,   pois,   tal   como   refere   Gomes   (2012),   “nunca   se   tinha   dedicado   tanto   volume   de   financiamento   ao   campo   da   educação   e   formação   de   adultos   em   Portugal,   nem   semelhante   centralidade   e   prioridade   políticas   lhe   tinham   sido   atribuídas,   na   nossa   história   recente”   (Gomes,   2012,  p.  151).    

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