2 Utvalgte nøkkeltall, instituttpresentasjon og rapport for bruk av grunnbevilgningen
2.2 Institutt for energiteknikk – IFE
A chegada da internet e a introdução de novas tecnologias para a difusão de informação contribuem significantemente para as alterações nos meios de comunicação. As novas capacidades que a internet oferece, na obtenção de elementos e de acesso à informação, o desenvolvimento de novos canais de difusão, explosão de locais de comunicação e interação, colocam em xeque as tradicionais formas de apresentar a informação da era industrial. Limites são superados a todo o momento e a história passa a permitir que vozes alternativas surjam, mesmo que sejam os clamores dos perdedores. Outras vozes puderam ser introduzidas e são ouvidas nesse recente espaço de expressão, embora esse seja cada vez mais fragmentado e fugaz.
Os atuais ambientes de difusão, com seu enorme potencial interativo, vão produzir mudanças significativas nos meios de comunicação social. A incorporação de novas tecnologias e práticas digitais no jornalismo causou mudanças profundas na produção e
veiculação da informação, contudo também tornou muito mais difícil a distinção da notícia, que deve ser classificada como jornalismo.
Os grupos de comunicação perceberam rapidamente esse movimento, e passaram a abrigar blogs nos grandes portais de mídia, que se tornaram concorrentes da informação do jornalismo online. Mais tarde, o espaço do “cidadão jornalista” embaralha mais uma vez os papéis, já que nesse lugar o cidadão comum, que não precisa nem ser blogueiro, pode divulgar sua informação. É a velocidade da notícia que vai importar. Com as novas tecnologias de telecomunicação móvel, o ambiente jornalístico se transforma ainda mais, devido à possibilidade de enviar fotos e textos, por meio de seus equipamentos móveis, conectados na rede, pode ser feita potencialmente de qualquer lugar e não necessita mais do que um celular com essa função. Antes o jornalista buscava a informação, hoje ela vem até os jornais – e sem custo para e empresa jornalística.
Para listar as propriedades comumente atribuídas a blogs69, podemos dizer que possuem conteúdo em ordem cronológica inversa, datado e atualizado constantemente, além da presença de comentários e links para outros sites. Essas características, na atualidade, estão presentes em vários meios de comunicação, que se apropriaram da ferramenta por sua simplicidade de operação e pela facilidade de manuseio pelos usuários. Para Träsel (2009, p. 101), o problema é que está havendo uma “bloguização” dos (web) jornais e uma “jornalistização” dos blogs, fazendo com que o dispositivo fique mais difícil de ter suas especificidades demonstradas.
Outras características atribuídas aos blogs são o uso da linguagem pessoal e o uso não comercial do espaço. Ora, a linguagem pessoal nos dias de hoje é usada pelos jornais para aproximar o leitor ao conteúdo dos veículos. A crença do uso não comercial é rapidamente superada. A presença de mensagens publicitárias, patrocínio e e-commerce aparecem constantemente em blogs. Como esclarece Primo:
Muitos blogs pessoais hoje veiculam anúncios publicitários. Com a facilidade de inserção de links patrocinados e banners administrados pelo
Google, por exemplo, cada vez mais blogueiros independentes inserem esse
material promocional em seus blogs. Contudo, o lucro com publicidade não é o principal foco desses blogueiros. Esse direcionamento distingue os blogs pessoais daqueles mantidos por probloggers. Se para estes a publicidade e parcerias com lojas online são uma fonte de renda importante (ou até a totalidade do rendimento mensal), para aqueles trata-se apenas da possibilidade de um valor adicional, ainda que eventual. Enquanto um problogger pode ajustar o conteúdo de seus posts em virtude das parcerias
comerciais que mantém, em um blog pessoal a escrita é principalmente regida pelos interesses pessoais. (PRIMO, 2008, p. 6-7).
Essa categorização apresenta uma nova figura para a blogosfera, o problogger, ou o autor de blog que visa rendimentos financeiros com seu espaço. Essa classificação é realizada dentro da categoria de blog profissional, concebida por Primo, em seu trabalho de categorização da blogosfera brasileira. Assim, além dos blogs jornalísticos, produzidos dentro dos espaços dos portais de notícias, o problogger também é considerado um blogueiro profissional. Ele esclarece ainda, que não se trata de um profissional com educação formal em sua área de atuação, mas de que autor assina os posts como um especialista e que depende de sua credibilidade e reputação para a viabilização comercial e continuidade do espaço, e acrescenta que:
Um blog que seja mantido com o fim primeiro de buscar rendimentos através da veiculação de propaganda será também classificado como blog profissional. Em outras palavras, a publicação no blog constitui-se ela mesma uma atividade profissional. O autor desse tipo de blog é chamado, no jargão da blogosfera, de problogger. Esse novo profissional da Web pode tanto atuar basicamente na atualização do blog, quanto mantê-lo em paralelo com outras atividades. Muitos probloggers escrevem periodicamente sobre algum tema específico, no intuito de atender uma audiência bastante segmentada. Outros preferem publicar posts (originais ou copiados de outros blogs/lugar) sobre temas em voga, assuntos polêmicos, fórmulas de lucratividade fácil e sobre modelos e celebridades (normalmente em fotos provocativas ou envolvidas em escândalos) [...]. (PRIMO, 2008, p. 3).
O sustento desses blogueiros provém dos ganhos recebidos por cliques em propaganda veiculadas nas páginas, como também da venda de posts. Os blogueiros que mantêm este tipo de blog visam o leitor que visita o veículo após uma busca via “Google”. Nesses casos, a lucratividade do blog depende da quantidade de cliques em links patrocinados e banners, e o resultado final está atrelado ao tamanho da audiência e frequência de visitas. Há também os chamados posts patrocinados, nos quais o blogueiro é pago para emitir uma opinião sobre algum produto/serviço/empresa. O reconhecimento da importância dos blogs como mídia publicitária segmentada, já fez com que muitos probloggers70disponibilizassem em seus blogs seções voltadas para anunciantes.
70 Embora haja clara diferenciação na descrição de Primo, decidimos utilizar apenas a expressão profissional nos dois casos, pois ambos obtêm vantagens com blogs.
Os blogs locais/regionais tratam de assuntos referentes ao ambiente comunicacional local/regional, contudo não se isolam do espaço nacional/global. Eles são um instrumento poderoso na comunicação das vozes locais, dentro do plano geral. Esses blogs surgem em espaços definidos, normalmente afastados dos centros de discussão, e defendem causas públicas, apontam problemas regionais ou opiniões divergentes nas comunidades onde se situam. São responsáveis por divulgar novas vozes que ficariam excluídas no modelo de mídia clássica, muitas vezes vinculado a interesses políticos das cercanias. O conteúdo desses veículos complementa a informação transmitida pelos meios de comunicação tradicionais e contam com a vantagem da transmissão de informação de forma instantânea, a qualquer hora e de qualquer lugar com ligação à internet. Costuma versar sobre temas de política, saúde, meio ambiente e até esportes, sempre do ponto de vista local e dessa forma acabam por se tornar uma mídia alternativa. Não se deve desprezar a ligação desses blogs com a política, pois podem estar vinculados a um lado da questão, já que muitas vezes, nascem sob a condição de oposição ou crítica à outra direção, entretanto é importante ressaltar a relevância dos blogs regionais, pelo fato de assumirem, ainda que de forma fragmentada, um lado da conversação midiática atual.
Novamente, as definições são turvas, de difícil determinação, em um ambiente em constante mutação. Não há limites estabelecidos, as fronteiras ora se alargam ora se ajustam, tudo parece turvo, mostrando que muitas vezes é difícil verificar onde começa o blog ou onde termina o jornalismo, os papéis são difusos, híbridos, os termos se confundem e os conceitos se mesclam. Antes de 2009, no Brasil, um Decreto definia que a profissão de jornalista envolvia o “exercício habitual e remunerado” da ocupação. Com o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, numa realidade onde todos podem ser “jornalistas”, a diferenciação entre blogueiro e jornalista pode ser feita pelo contrato de trabalho vinculado aos grupos editoriais. No entanto, ainda assim, em uma sociedade em que jornalistas freelancers recebem pagamentos ocasionais e são contratados por tarefa, nem esse fato pode ser exato.