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4   En  destandardisert  og  differensiert  overgang

4.1   Hva  nå?

4.1.2   Institusjonell  individualisme

Thomas e Znaniecki, cientistas sociais pioneiros dos estudos do Interacionismo Simbólico, estudaram fenômenos relacionados à imigração de poloneses nos Estados Unidos no início do século XX. Dada à natureza e à intensidade dos problemas vivenciados por um grande número de imigrantes, em 1918 publicaram a obra The Polish Peasant in Europe and America (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013).

O objetivo de Thomas e Znaniecki era estudar a adaptação dos imigrantes poloneses utilizando uma metodologia qualitativa, com uma perspectiva etnobiográfica (história de vida). A obra destacou-se “[...] por ter sido a primeira obra a combinar a construção da teoria com a pesquisa empírica de maneira integrada e harmônica, sendo saudada como a obra que marcou o amadurecimento da Sociologia americana num patamar que a europeia já havia atingido” (EUFRASIO, 2000, p. vii-vvii).

Thomas e Znaniecki difundiram uma inovação metodológica, com uma abordagem social integrada e com rigor metodológico (SZCZEPANSCKI, 1978). Foram também os precursores do estudo dos valores na perspectiva social, e fizeram a introdução conceitual da diferença entre atitudes e valores, com uma concepção que se desvia do foco usual (pessoas) para o objeto (ROS, 2006).

Thomas e Znaniecki definem que os valores estão nos objetos que tenham um significado para os membros do grupo social, e são construídos nas interações entre as pessoas.

Por valor social, entendemos qualquer dado que tenha significado empírico acessível a todos os membros de algum grupo social, e um significado em relação a qual ele é ou pode vir a ser um objeto de atividade. Como por exemplo, alimentos, instrumentos, moedas, poesia, universidade, mitos, teoria, são todos valores sociais (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013, p. 45).

Os indivíduos constroem e atribuem significados aos objetos na interação uns com os outros:

[...] cada um possui um conteúdo atrativo, constituído não somente pelas palavras faladas ou escritas, mas também pelas imagens que evocam. O significado desses valores se tornam explícitos quando os tomamos em conexão as ações humanas (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013, p. 45).

Dessa forma, esses objetos se tornam valores sociais e parte importante do que os indivíduos consideram relevantes para suas vidas: “[...] o significado pleno não está no objeto em si, mas em toda relação pessoal que o envolve” (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013, p. 205). As influências culturais que permeiam os contextos sociais, o comportamento dos indivíduos, seus conhecimentos e suas atitudes, se traduzem na sua adaptação ao convívio no grupo social, onde os valores são formulados e se consolidam, e são responsáveis por governar as ações e auxiliar no processo de adaptação do indivíduo no convívio coletivo.

Os valores sociais operam nos níveis inter e extrassubjetivo. No nível intersubjetivo, ocorre o processo interativo entre as pessoas, que inclui o processo de construção de significado e sentido compartilhado no grupo. No nível extrassubjetivo, ocorre quando se atinge a objetividade simbólica, do significado e do sentido, isto é, o ato de tomar posse ou usar algum objeto, concretizando a ação. No entanto, um objeto só se torna valor social se for merecedor de atividade por parte das pessoas, conforme conceito proposto pelos autores. De acordo com eles, são as atitudes que determinam a atividade (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013).

Thomas e Znaniecki definem atitude como o processo da consciência individual que determina a atividade real ou possível do indivíduo e do mundo social. Exercício da subjetividade que leva ao mundo externo. Exemplos: fome que leva ao alimento, decisão de usar uma ferramenta de trabalho, sentimento de um poeta expressado em um poema. (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013).

Para os autores, a atitude opera no nível intrasubjetivo, no domínio psicológico do indivíduo, no qual acontecem os pensamentos, as emoções, experiências, interpretações e intenções por meio da ação reflexiva, sendo esta a pré-condição para a ação intencional. Depende da construção do significado que o indivíduo atribui aos objetos à sua volta. Assim, os valores podem ser compreendidos a partir da relação que os indivíduos estabelecem com os objetos mediante processo de interação social e só é considerado valor quando esse objeto representa algum significado, função social ou atividade para o indivíduo. Aspectos subjacentes na interação de valores e atitudes: cognitivo e intencionalidade, pois o indivíduo decide se quer ou não o objeto, ou seja, se age ou não age (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013).

Para Thomas e Znaniecki, os valores não estão no indivíduo, mas fora dele. Só são considerados valores quando o grupo social atribui um significado para esse valor, por meio de uma interação contextual e merece uma atividade, por ser suficientemente importante para o indivíduo, de forma que o leve a agir. As atitudes e os valores são expressos em ações e são

criados, desenvolvidos, formados e compartilhados em instituições sociais, definindo o tipo de cultura daquele povo. Assim, atitudes e valores formam a integração entre a personalidade do indivíduo e os valores objetivos da cultura. Portanto, para entender a combinação entre valores e atitudes, é preciso apreender a realidade social individual ou grupal, que ocorre por meio da interação entre as pessoas e do sentido que elas constroem em determinadas situações. (THOMAS; ZNANIECKI, 1918/2013).

A abordagem de Thomas e Znaniecki pode ser considerada complementar à abordagem de Schwartz, uma vez que este último tem como foco a busca de valores universais, que são expressões das necessidades humanas universais. Os primeiros compreendem os valores como não universais, mas os que têm significado compartilhado em um grupo. Dessa forma, a satisfação das necessidades, representadas pelos valores universais, conforme propõe Schwartz, se dá por meio de atividades em relação aos objetos que têm significado compartilhados hábeis para satisfazê-las (TEIXEIRA, 2009).