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1   Innledning

1.1   Bakgrunn

O uso da metáfora da memória humana oferece uma boa oportunidade para o

entendimento da memória organizacional (RAMOS, 2011).

Como o conceito de MO se fundamenta na memória humana, é de se esperar que, assim

como a memória humana, a MO seja alvo de problemas, falhas, disfunções e perdas. Falhas

podem ocorrer na memória organizacional, sob várias formas, causando prejuízos para as organizações,

sobretudo, na forma de decisões não otimizadas. Dunham e Burt (2011) advertem que, embora a

MO seja vista como recurso organizacional, ela pode ser um entrave para inovação quando

usada como fonte exclusiva de ponto de referência para decisões futuras. Os autores também

pontuam que quando a organização perde funcionários antigos pode haver perda substancial de

conhecimento organizacional.

A memória humana apresenta disfunções tais como: Distorções, falsas memórias,

delírios, perda de memória, redução da capacidade de aprender novas habilidades, déficit de

atenção, conforme expõe Ramos (2011). Sendo a MO uma analogia à memória humana,

podemos depreender que a MO estaria sujeita a tais disfunções.

Estudos como o de Xue et al. (2005) apontam falhas como: o surgimento de memórias

fragmentadas decorrentes da inabilidade de se recuperar memórias passadas; memórias

distorcidas e também à incapacidade para aprender. Tais falhas são conhecidas como

Disfunções da Memória Organizacional (DMO) (POLLITT, 2000; BADDELEY, 2003).

Em estudo sobre a estrutura da MO Costa (2011) sugere a utilização da literatura de

Neurociência, como alternativa prática para a identificação e diagnóstico das disfunções da

memória organizacional. Alguns autores (POLLITT, 2000; BADDELEY, 2003) apontam

alguns sintomas relacionados com as disfunções da memória humana:

Distorções: geralmente relacionadas à dificuldade obtenção de informações.

Memórias Falsas: memórias que são criadas para serem consistentes com informações

correntes.

Delírios: crenças patológicas (falso, enganoso, fantasioso), que são mantidas apesar de

evidências que provem o contrário.

Perda de memória: sintomas de empobrecimento do conhecimento e da compreensão.

Incapacidade para aprender: Diminuição da capacidade de desenvolver competências.

Déficits de atenção: Problemas relacionados à falta de atenção, tais como desorganização,

esquecimento, etc.

Consoante estudo realizado por Ferreira (2015), a perda de informação e a perda de

conhecimento são as disfunções mais detectadas na MO.

Segundo Pollitt (2000), mesmo que com o intenso uso de tecnologias de informação e

comunicação, as organizações demonstram, com frequência, evidentes sintomas de disfunções

relacionadas à perda de memória. Estas disfunções da memória organizacional estão

relacionadas, via de regra, às informações, conhecimentos, decisões e significados. Problemas

com a memória organizacional podem ocorrer das seguintes formas apresentadas no Quadro 2.

Quadro 2: Problemas com a MO e suas descrições

Sintomas de Problemas /

Disfunções

Descrição

Falhas

na

gravação

(armazenamento)

de dados significantes, ou falhas na documentação das decisões que poderiam

ser úteis no futuro.

Perdas das informações já

registradas

podem decorre pela falta de políticas informacionais bem definidas, por vulnerabilidades existentes, ou por descasos por parte dos gestores e usuários.

Dificuldade no acesso dos

registros

e

dados

organizacionais

em decorrência da aquisição e uso de sistemas inadequados (incompatíveis),

ou pela inexistência de mecanismos de recuperação de dados eficientes.

Muitas vezes ocorrem pela falta do conhecimento no uso de ferramentas

adquiridas.

Pesquisas mal sucedidas

em consequência da falta de treinamento do sistema adquirido

Inabilidade no uso da

informação

informações estão disponíveis e acessíveis, mas, os indivíduos desconhecem uma forma útil de usá-los.

Problemas com manutenção

da informação

perda de tempo e manutenção indevida dos bancos de dados e bases de conhecimento

Dificuldades na tomada de

decisões

utilização de heurísticas ou atalhos

Fonte: Elaborado com base em Pollitt (2000), Costa (2011), Perez e Ramos (2013)

Pollitt (2000) pesquisou a amnésia organizacional no setor público. É preciso entender

seu estudo frente ao cenário da época em que fora proposto: aumento de organizações se

reestruturando ou se desmembrando em outras empresas; mudança do padrão de armazenagem

das informações, frente à evolução tecnológica; a ruptura do conceito de serviço público como

carreira permanente; o aumento da adesão à ideia de gestão por mudanças radicais, severas.

Ainda de acordo com Pollitt (2000), a dificuldade de se encontrar e acessar as memórias

seria um fator chave para o esquecimento. Ele argumenta que há quatro situações que levam à

perda da memória: a falta de arquivamento das memórias (informações); os registros das

informações, apesar de feitos, não foram bem geridos e se perderam; os dados (informações),

apesar de não perdidos, não estão disponíveis para consulta; as organizações escolhem não se

valer das informações armazenadas (memória) para a tomada de decisões presentes.

Martin de Holan e Phillips (2004) trabalham a questão do esquecimento organizacional,

e o definem como crítico frente aos motivos a seguir relatados: 1. Gerar novo aprendizado não

é o suficiente. Acontece de novos conhecimentos desaparecerem antes mesmo de serem

compartilhados e armazenados na memória da organização. 2. Por vezes organizações

esquecem fatos e coisas que deviam se lembrar. Apesar de essas informações terem sido

remetidas à MO, pode haver esquecimento de partes delas. 3. Por vezes, esquecer pode ser uma

necessidade da organização, como nos casos de implementação de uma nova diretriz em

detrimento da prática antiga. Neste caso, o não esquecimento colocaria em risco o novo

aprendizado e reduziria a efetividade organizacional. Para os autores a competitividade não se

resume em adquirir conhecimento, aprender, mas engloba esquecer a coisa certa na hora certa.

Mendes e Teles (2015) trabalham bem o conceito de ignorância organizacional. Eles

buscam elementos para demonstrar que por vezes a ignorância não é um componente

organizacional negativo, mas estratégico. Os autores dividem a ignorância em: deliberada, que

se expressa de forma intencional; e a ignorância em função de erro, afeta a problemas

cognitivos, à distorção do conhecimento recebido. No quadro 3 apresentam-se os problemas de

MO identificados na literatura pesquisada.

Quadro 3: Problemas de MO Identificados por autor

Situação Problema

Autor (es)

MO como entrave para a inovação

Dunham e Burt (2011)

Perda de MO com a saída de funcionários antigos

Dunham e Burt (2011)

Distorções

Ramos (2011)

Falsas memórias

Ramos (2011)

Redução de capacidade de aprender novas

habilidades

Ramos (2011)

Déficit de atenção

Ramos (2011)

Delírios

Ramos (2011)

Perda de memória, esquecimento, Amnésia

organizacional

Ramos (2011); Pollitt (2000); Martin de Holan e

Phillips, (2004)

Ignorância organizacional

Mendes e Teles (2015).

Fonte: Elaborado com base nos autores pesquisados

Nota-se que a MO, tal qual a memória humana, tem suas vicissitudes, algumas mais

preocupantes e outras tão corriqueiras que nem se notam, a não ser que se use lentes de aumento

sobre as mesmas. E essas peculiaridades tornam o estudo sobre a MO tão instigante.

Em resumo, as consequências dos Problemas e Disfunções da Memória Organizacional

(DMO) podem ser onerosas para as organizações. Geralmente, as organizações se vêm

aprisionadas a pequenas e infindáveis rotinas repetitivas que pouco contribuem à sua situação

presente (ASSMANN, 1995; POLLITT, 2000).

O que se busca com esta pesquisa é verificar, em que aspectos, a terceirização

(outsourcing) de serviços de tecnologia de informação e comunicação, que é uma prática

comum nas organizações modernas, pode afetar a memória organizacional, em termos de sua

manutenção (memórias passadas) e formação (novas memórias).