2 Teori og tidligere forskning
2.2 Individualisering
2.2.2 Individualisering på tre nivåer
Davis-Blake e Broschak (2009) fazem um estudo sobre o impacto da terceirização na
locação de mão de obra e o quanto ela afeta o cerne da natureza do trabalho. Eles pesquisam
um nicho do outsourcing voltado para a análise da mão de obra, das mudanças que ocorrem nas
organizações em consequência das mudanças geradas na natureza do trabalho em si, quando
este é impactado pela terceirização. Para esses autores, a terceirização redefine tarefas,
serviços, interação entre hierarquias e unidades da organização, além de transformar toda a
visão que se tem de mercado de trabalho.
Quando uma organização passa por um processo de terceirização de parte de seus
serviços, os funcionários remanescentes devem se reestruturar, e isso significa redefinir tarefas,
realocar recursos, até mesmo desenvolver novas habilidades, e, ainda no entendimento de
Davis-Blake e Broschak (2009) esses rearranjos são necessários para que haja bom rendimento
empresarial, e até mesmo do funcionário.
Note-se que, para haver uma integração ao outsourcing é necessária uma reestruturação
das funções, o que pode gerar insegurança dos funcionários, desânimo em recomeçar a aprender
uma função ou insatisfação por ter que desenvolver novas habilidades. Além do fator tempo, o
qual será necessário para essa reestruturação.
Gonçalves (2015) pondera os riscos de se terceirizar serviços de TI, o que pode
comprometer os objetivos da organização, visto que a terceirização de TI não se limita a
atividade meio, mas pode estar ligada até mesmo a funções estratégicas da organização. Ele
destaca a perda de capacidade absortiva (ACAP), por gerar a perda de capacidade de inovação
e, por conseguinte, a perda de vantagem competitiva. Para o autor, a terceirização de TI tem
diferentes níveis e formas de impacto sobre a organização conforme o decurso do tempo,
podendo até mesmo, ser prejudicial a princípio e depois se tornar em efeito positivo, ocorrendo
este quando o cliente se fortalece perante o fornecedor.
Em uma pesquisa em grandes empresas do estado de Minas Gerais Valença e Barbosa
(2002) trabalharam os serviços mais terceirizados nessas empresas e os problemas que surgiram
a partir dessa terceirização, os quais compilamos no Quadro 4 retro.
Quadro 4: Problemas advindos do processo de terceirização
Problemas referentes à prestação de
serviços
distanciamento entre o serviço realizado pelos terceirizados e as
reais necessidades e expectativas da organização
emprego de muito tempo e energia gerindo a rede de fornecedores e
terceirizados
capacidade técnica dos terceirizados reduzida se comparada aos
funcionários da organização
Problemas relacionais (terceirizados e
funcionários da organização
demandante)
dificuldade no desenvolvimento de parceria com os terceirizados
cultura: choque entre a cultura dos funcionários da organização e os
terceirizados
dificuldade de relacionamento entre funcionários da organização e
terceirizados
Os autores entrevistaram gestores de empresas mineiras e destacamos abaixo as
respostas das empresas no quesito impactos causados pelo processo de terceirização – Quadro
5.
Quadro 5: Impactos advindos da terceirização
Principais impactos percebidos na organização com a terceirização
Empresa 1
perda de condições de trabalho
medo de demissão
choque de culturas
Empresa 2
dificuldade em adaptar ao processo de terceirização por serem contratados ex-
empregados/aposentados
falta de parceria entre empregados e terceirizados
necessidade de maior fiscalização dos serviços prestados por terceiros
emergente demanda pela atualização dos terceiros quanto às tendências da
organização/estratégia
Empresa 3
necessidade de maior controle e acompanhamento dos serviços terceirizados
resistência à terceirização por parte dos empregados da organização
medo de perder o emprego e insegurança (sentido pelos empregados da organização)
Fonte: Valença e Barbosa (2002)
Como se delineou, as organizações em geral enfrentam os mesmos problemas oriundos
da terceirização, independente do porte e da área de atuação da organização. Por isso as
organizações têm se preocupado em investir em um departamento interno para controle eficaz
e acompanhamento do desenvolvimento dos serviços prestados pelas terceirizadas. Outra forma
de controle muito usada pelas organizações é o instrumento contratual bem elaborado, para se
resguardar e se prevenir problemas corriqueiros gerados pela terceirização de serviços.
2.5 Memória Organizacional e Terceirização da TI
Frente a essas considerações, há que se refletir se essa terceirização, ou seja, se essa
transferência de atividades a outrem causaria impactos sobre a formação ou manutenção da
Memória Organizacional, e se positivo, qual sua extensão.
Gong e Greenwood (2012) trabalharam as implicações do downsizing na MO e o valor
contributivo de TI nesse processo. Com a compreensão de que downsizing é a técnica de
eliminar processos desnecessários dentro da organização, o que pode gerar demissões,
reestruturação de departamentos, processos e cargos, redução de custos, tudo em alinhamento
com o planejamento estratégico da organização, bem como seus objetivos e metas.
Uma maneira de se implantar o downsizing é a terceirização (outsourcing). Com esse
conceito em mente, depara-se com o estudo de Gong e Greenwood (2012) que advertiram para
o perigo do downsizing implicar em perda na MO, acarretando na diminuição da
competitividade, visto que redução de custos por meio da retirada de um departamento ou da
demissão de pessoas chave na organização pode drenar o conhecimento acumulado da
organização, ou seja, sua memória.
Os autores ainda destacam a importância que a área de TI tem nesse processo de redução
da empresa, considerando tal área como estratégica, por ser a gerenciadora do conteúdo, do
conhecimento da organização. Portanto, depreende-se do estudo de Gong e Greenwood (2012)
que a terceirização de serviços de TI deve ser feita de forma cautelosa, quiçá meticulosa, dada
sua posição vital para a preservação da MO.
Valença e Barbosa (2002) pesquisaram como a terceirização afeta a cultura da
organização. No Quadro 6 abaixo se tem o resumo das informações obtidas.
Quadro 6: Cultura da organização x terceirização
Empresa 1
a terceirização afetou a cultura da empresa, assim como as novas estratégias de gestão adotadas pela empresa
Empresa 2
a terceirização não afetou a cultura da empresa, pois esta é amplamente difundida. Os terceirizados se adaptam à cultura da empresa
Empresa 3
a terceirização pode ser um instrumento de reafirmação da cultura da organização, ao reforçar e reafirmar políticas e valores da mesma
Fonte: Valença e Barbosa (2002)
Importante esse tópico, visto que os autores, Valença e Barbosa (2002), concluíram que
se a organização demandante dos serviços terceirizados não tem sua cultura e seus valores
firmes e bem difundidos entre seus empregados, ela pode ter esses conceitos esvaídos quando
da integração dos empregados da organização com os terceirizados.
Rusaw (2004) deslinda as preocupações dos efeitos de downsizing sobre a memória e o
aprendizado da organização, com especial enfoque nas organizações públicas. A autora deixa
clara a preocupação das empresas e do indivíduo em se desenvolver para locações futuras de
melhoria na carreira. No nível organizacional esse desenvolvimento é reconhecido pela
capacidade de se receber, interpretar e aplicar as informações do ambiente com a finalidade de
garantir a continuidade, pró-atividade e efetiva adaptação às mudanças das necessidades e
recursos da organização. Para a autora, o aprendizado informal é difundido nas organizações
por meio das normas, regras, elementos culturais, crenças, valores e costumes.
A autora considera a MO como uma parte do aprendizado organizacional, a qual é
armazenada para o uso futuro. Ela entende que o downsizing inevitavelmente afeta o
aprendizado organizacional e individual. Os empregados das organizações por ela pesquisadas,
que sofreram downsizing, são levados à versatilidade, visto que passam a assumir múltiplas
funções. Para tanto, deve haver um ajuste comportamental e cognitivo. A autora conclui que
downsizing afeta o indivíduo em seu desenvolvimento de carreira e aprendizado, tanto
individual quanto organizacional. E esse impacto no aprendizado organizacional ocorre nos
níveis estrutural, ambiental e funcional, podendo gerar insegurança para a organização, que fica
mais suscetível a desperdícios, fraudes e abusos (RUSAW, 2004).
No dizer de Rusaw (2004), o downsizing abala as estruturas do conhecimento individual
e organizacional, afetando as bases para operações futuras. A perda de funcionários antigos ou
peças-chave na organização podem acelerar a perda da MO. Assim, para se evitar a perda de
anos de conhecimento gerado na organização, o downsizing deve ser feito de forma ordenada e
mediante estudos prévios e a devida estruturação.
Ante a esse estudo, percebe-se que o medo do downsizing natural advindo da
terceirização (que leva ao temor da perda do emprego), assim como a efetiva demissão, em
larga escala ou parcial, de funcionários antigos da organização, somados à falta de um
desenvolvimento sólido da cultura organizacional e à terceirização “ás cegas” (carente de
estruturação prévia e sem clareza nos objetivos da terceirização), são alguns dos fatores que
podem comprometer a manutenção e o desenvolvimento da MO na organização.
Se a terceirização de serviços de TI pode afetar a memória organizacional das
organizações é ainda pouco estudado, menos ainda se as terceirizações de serviços de TI afetam
as IES, segmento que tem necessidade legal de armazenar uma gama de dados de alunos, de
pesquisas realizadas pelo corpo docente e discente, e da própria instituição, como toda
organização.
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Frihetens paradoks : Unge voksne fra Oslo sine forventninger og valg mot fremtidig arbeidsliv
(sider 18-22)