2 BAKGRUNN
2.4 INNVIRKNING AV ADHD PÅ OVERVEKT OG FEDME
A noção de progresso teve forte influência no Brasil a partir das ideias dos pensadores positivistas, que preconizavam a máxima, o amor por princípio, a ordem
por base, o progresso por fim. A difusão dessas ideias no Brasil influenciou inclusive
a bandeira nacional a partir dos dizeres “Ordem e Progresso”.
No imaginário comum, o termo progresso remete à ideia de crescimento, avanço, futuro. E, não sem razão, os dicionários da língua portuguesa, como, por exemplo, Luft e Aurélio relacionam o progresso principalmente a três ideias centrais: “marcha para a frente”, “avanço” e “desenvolvimento”.18
Se analisado a partir de seu conceito, o progresso remeteria, então, a situações positivas e benéficas para um povo ou uma sociedade. No entanto, impossível deixar de reconhecer que, historicamente, a ideologia do progresso tenha servido para mascarar fatos e, inclusive, justificar regimes totalitários.
Ao tratar da ideologia, Chauí (2006, p.16) destaca que sua tarefa é produzir certa imagem do tempo como progresso e desenvolvimento de maneira a exorcizar o
18
Progresso s.m. 1. Marcha para a frente; avanço. 2. Movimento para a perfeição. 3. Desenvolvimento; evolução (LUFT, 1991, p. 504). Progresso s.m 1. Ato ou efeito de progredir; progredimento, progressão. 2. Movimento ou marcha para diante; avanço. 3. O conjunto das mudanças ocorridas no curso do tempo; evolução. 4. Desenvolvimento ou alteração em sentido favorável; avanço, melhoria. 5. Acumulação de aquisições materiais e de conhecimento objetivos capazes de transformar a vida social e de conferir-lhe maior significação e alcance no contexto da experiência humana; civilização, desenvolvimento. 6. Expansão, propagação (AURÉLIO, 1991, p. 531).
risco de enfrentar a história. Segundo a mesma autora, a ideologia procura ainda neutralizar o perigo da história (CHAUÍ, 2006, p.40), fazendo-o de duas formas: através da noção de progresso e da noção de desenvolvimento.
Chauí (2006) entende, portanto, que ambas as noções visam a escamotear a história sob a aparência de assumi-la. Na visão dela,
[...] O progresso, colocando a larva, e o desenvolvimento, colocando a ‘boa forma’ final, retiram da história aquilo que a constituiu como história, isto é, o inédito e a criação necessária de seu próprio tempo e telos. Colocando algo antes do processo (o germe) ou depois do processo (o desenvolvido), a ideologia tem sérios compromissos com os autoritarismos, uma vez que a história de uma sociedade passa a ser regida por algo que ela deve realizar a qualquer preço. Passa-se da história ao destino. (CHAUÍ, 2006, p. 40)
Ainda sobre o tema, cabe relembrar Benjamin (1987) e outros tantos que trataram do “progresso” de maneira crítica. O autor pretendeu interpretar, em “Teses sobre o conceito da história”, a história do ponto de vista das suas vítimas, das classes e povos esmagados pelo carro triunfal dos vencedores. No texto, Benjamin (1987, p. 226) tenta representar o progresso a partir da metáfora de um anjo (Anjo da História) que tem o rosto dirigido para o passado, mas uma tempestade o impele irresistivelmente para o futuro.
A tempestade, na metáfora, é o progresso que, impelindo sempre o olhar para o futuro, acaba por neutralizar qualquer fato ou acontecimento histórico passado que possa contribuir para o crescimento da sociedade.
Vale relembrar ainda que, ao longo da história, a ideologia do progresso serviu para legitimar os interesses de uma minoria dominante em detrimento dos interesses da maioria da população.
Destaca Furtado (1978, p.77) que a ideia de progresso que adotam as “minorias privilegiadas e a racionalidade das empresas transnacionais convergem para acelerar a diversificação e sofisticação dos padrões de consumo, em detrimento da satisfação das necessidades essenciais do conjunto da população”.
O progresso, tal como é difundido pela ideologia dominante de uma sociedade capitalista, está ligado à visão de uma sociedade do futuro que prevê cada vez mais o aumento dos padrões de consumo.
Ora, se a visão de uma sociedade moderna pressupõe o aumento dos padrões de consumo, os empreendimentos de mineração são facilmente justificáveis pela ideologia do progresso. Quanto maior o consumo, maior a demanda por minério, devendo este ser extraído a qualquer custo e de onde esteja.
O progresso visto como perspectiva para o futuro, como o olhar sempre para a frente, neutralizando a história, impede que se voltem os olhos para o passado, não só para contextos mais recentes, como para os processos de colonização com o intuito de observar que o modelo de mineração baseada na exportação da matéria-prima, no caso os recursos minerais que são finitos, trazem, antes de riquezas e avanços, desigualdade, retrocesso e impactos para as comunidades locais.
Faustino e Furtado (2013b, p. 25) relembram que a mineração é uma atividade econômica cujas características e porte implicam, necessariamente, impactos ambientais, territoriais e sobre os modos de vida das populações que vivem nos territórios onde se localiza essa atividade.
Embora os impactos sobre as territorialidades locais sejam inerentes à cadeia da mineração, não é comum que o mesmo estado e as empresas que justificam a atividade mineradora exponham o outro lado da história, fazendo assim, muitas vezes, com que as comunidades, iludidas pelo discurso do progresso, tornem-se reféns do mesmo.
No contexto do projeto Minas-Rio, executado no Município de Conceição do Mato Dentro, objeto do presente estudo, não foi diferente. O poder público e o empreendedor, na tentativa de justificar a atividade de “interesse público nacional”, isto é, a mineração, utilizou-se e continua se utilizando das ideologias do progresso e do desenvolvimento.
A noção de progresso, tal como difundida pela ideologia dominante, ligada à visão de uma sociedade do futuro, moderna, em que os padrões de consumo são cada vez mais sofisticados e diversificados, precisa ser repensada.
Na realidade, o termo necessita urgentemente ser ressignificado, haja vista que
[…]o verdadeiro progresso – a transformação qualitativa da sociedade – longe de ser linear, apresentar-se-ia como uma ruptura, um salto, após o qual se descortinaria novo horizonte de possibilidades ao homem. A ideia de superação das contradições da sociedade capitalista (eliminação dos antagonismos de classe) mediante a ruptura e reconstrução da superestrutura (quadro institucional) é, evidentemente, outra versão da visão do futuro como promessa de um mundo melhor. (FURTADO, 1977, p. 74)
Vale dizer que o verdadeiro progresso há que ser entendido a partir de uma transformação, da ideia de ruptura e de superação das contradições hoje existentes na sociedade capitalista.
experiências passadas e não que olha somente para o futuro, ignorando a história. É preciso pensar o progresso como evolução da qualidade de vida dos cidadãos e não como modernização a qualquer custo.