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In document Årsrapport om studiekvalitet (sider 85-89)

De forma a podermos falar de paradigma, não poderíamos deixar de mencionar uma definição de Thomas Kuhn, revestida de atualidade, quando afirma que num paradigma, a “ênfase é colocada não na noção ligada à racionalidade, mas no próprio conhecimento” (Brandão, 1993, p. 31). Com isto, podemos deduzir que o conhecimento tem, à medida que o tempo vai passando, um afunilamento num só tema, isto é, o conhecimento tem a tendência de ser tornar mais especializado numa só área, em vez de haver bifurcações ou várias áreas a estudar (Brandão, 1993), considerando-se ainda a existência de “um compromisso implícito de uma comunidade com determinado marco conceptual” (Morgado, 2012, p. 13).

Para Coutinho (2014, p. 9), a noção de paradigma pode surgir “como um conjunto articulado de postulados, de valores conhecidos, de teorias comuns e de regras que são aceites por todos os elementos de uma sociedade científica num dado momento histórico”. Confrontando esta noção com a de Bodgan e Bicklen (2013, p. 52), em que paradigma “consiste num conjunto de asserções, conceitos ou proposições logicamente relacionadas e que orientam o pensamento e a investigação”, podemos reiterar que estas noções se correlacionam, fazendo com que o conceito de paradigma se torne num dos principais pilares de toda uma investigação.

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Uma vez que na metodologia de investigação em ciências sociais e, em particular, em educação existem uma panóplia de diferentes paradigmas, parece-nos pertinente referi-los. Assim sendo, há o paradigma positivista ou quantitativo, o paradigma interpretativo ou qualitativo/construtivista e o paradigma sociocrítico. Para consolidar/sustentar estes paradigmas surgem três dimensões, sendo que estas são quantitativa, qualitativa e orientada (Coutinho, 2014). Perante o anteriormente dito, é pertinente demarcar qual o paradigma ao qual se vai recorrer no âmbito da investigação, de modo a criar-se um fio condutor que interligue todas as fases do projeto. Com isto, a investigação feita neste projeto teve como paradigma e abordagem qualitativa.

Assim sendo, neste paradigma fundamentado na objetividade, empirismo e na realidade objetiva e que recorrendo à experimentação, teorização e observação para o alcance das respostas da sua investigação, torna-se pertinente realçar a importância da análise empírica, tal como acontece com a análise estatística e documental (Coutinho, 2014). Porém, o paradigma qualitativo permite que a subjetividade do investigador influencie, sendo que é permitido que haja uma relação entre investigador e investigado, uma vez que o investigador “procura penetrar o mundo pessoal dos sujeitos” (Coutinho, 2014, p. 18), de forma a saber o que as situações vivenciadas pelos investigados significam para eles e como eles as interpretam (Latorre, Rincón & Arnal, 1997). É nesta busca de compreender o conhecimento, na qual a sua produção surge “como um processo circular, iterativo e em espiral” (Coutinho, 2014, p.19) que o diferencia e complementa o paradigma positivista. Tal como Latorre et al. (1997, p. 199 – adaptado) afirmam “o foque investigativo desta metodologia carateriza-se por ser holístico, indutivo e ideográfico”.

Para além dos paradigmas acima mencionados, claro está que não se coloca, tão pouco, de parte a análise interpretativa e crítica de determinados procedimentos determinantes no âmbito desta investigação.

Mais que não seja sob forma de reflexão, pretende-se contribuir para a produção de conhecimento no âmbito de intervenção e investigação em educação, um tipo de investigação em que se atende ao “significado das (inter)relações humanas e da vida social” (Morgado, 2012, p. 41). Trata-se de uma interseção que engloba não só as relações humanas, mas também o comportamento que cada ator/caso investigado tem (Morgado, 2012). Assim se interligam as “construções mentais social e experiencialmente localizadas” (Coutinho, 2014, p. 17), de forma indutiva, sabendo-se da “razão subjetiva [em] que se construirá a nova conceção de conhecimento” (Brandão, 1994, p. 19).

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A nova conceção de conhecimento resulta de uma análise do contexto, e nela o investigador assume o papel de construtor do conhecimento utilizando métodos e técnicas congruentes com o processo de investigação e com as questões e objetivos que sustentam a investigação. Assim se pode captar sentidos, pela descrição e interpretação e, posteriormente, interferir nas práticas (Coutinho, 2014).

A análise final dos conteúdos recolhidos em muito devem ao relacionamento existente entre o investigado e o investigador, sendo que o último interpreta os dados recolhidos e reconstrói os eventos ocorridos de forma subjetiva, bem como o meio envolvente (Morgado, 2012)

Assim se cria um “processo de dupla busca de sentido a que se costuma chamar dupla hermenêutica” (Coutinho, 2014, p. 18). Esta busca constante por novos sentidos do saber, bem como a construção desse mesmo saber, faz com que o investigador formule e dê origem a novas formas de conhecimento (Coutinho, 2014). Assim: “a produção de conhecimento é […] concebida como um processo circular, iterativo e em espiral” (Coutinho, 2014, p. 19).

Trata-se de um paradigma em que se privilegia a utilização de técnicas de índole qualitativa e participativa e com a maior proximidade possível aos investigados (Morgado, 2012; Coutinho, 2014). Porém, também se pode recorrer a instrumentos quantitativos/positivistas (Lüdke & André, 1986), como é o exemplo do inquérito por questionário, sobretudo quando exige tratamento estatístico.

Em forma de conclusão, tal como defendido por Kant, o paradigma qualitativo constitui uma “alteração do modelo clássico do conhecimento” (Brandão, 1994, p. 21), em que não se consideravam as interseções existentes nas práticas sociais, nos contextos organizacionais e em que somente se legitimava o pré-concebido racional que não admite a produção de novos saberes. De forma a enquadrar o anteriormente dito com o objetivo principal deste projeto, é passível de verificação que o paradigma qualitativo era o mais indicado para a nossa investigação. A razão para tal prende-se na oportunidade de procurar e estudar a informação no seu meio original, de forma direta, retirando dados fundamentais importantes in loco, tendo esta informação sido recolhida por instrumentos estruturados de investigação, bem como por meio de observação direta de acontecimentos de variadas índoles.

Todavia, houve momentos em que se teve que recorrer a métodos de caráter quantitativo, como foi o caso da análise estatística dos dados recolhidos por um dos instrumentos utilizados no decorrer desta investigação, pois somente desta forma, conseguiríamos contemplar todos os objetivos do projeto. Com tudo, é de salientar que esta investigação tem como fundamentação

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paradigmática a qualitativa, pois o investigador tem uma grande importância e influência no que diz respeito ao projeto em causa.

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